sábado, 10 de fevereiro de 2007

 

Ensaio: O Homem e a Mente, de Vitor de Figueiredo (FRC) - Portugal

O HOMEM E A MENTE
Uma Abordagem Psicológica e Esotérica

Ensaio de Vitor de Figueiredo - FRC (Portugal)

A MENTE
O QUE É E NÃO É A MENTE?
Para facilitar a compreensão, e como ponto de partida, acho melhor dizer desde já o que, em nosso entendimento, a MENTE NÃO É:
Não é o cérebro, embora ela o utilize em certas funções;
Não é individual, pois todos os seres humanos estão intrinsecamente ligados a ela através do seu “Inconsciente”, que lhes pode permitir o acesso à Mente Cósmica;
Não é a Alma, também. (Mas está ligada intrinsecamente à Alma).
Alguns esclarecimentos complementares:
- A Alma também não é individual e, sim, Cósmica. Jamais foi uma “segregação do cérebro” como alguns cientistas pretenderam fazer crer (o que nos pareceu simplesmente ridículo).
- Assim, há uma única Alma Total no Universo, cabendo a cada ser vivente um segmento dela, em cada existência, que se manifesta como Personalidade-Alma.
- A Alma entra no corpo humano do recém-nascido com a sua primeira inspiração e deixa-o quando este passa pela “transição” (termo místico para a morte) e passa a um “plano cósmico”, (morre, como se diz popularmente). E Como a Mente (ou Consciência) vem associada à Alma no nascimento, sendo seu atributo intrínseco, a Mente deixará obviamente de estar presente no corpo físico na “transição” do Homem. Continuará a existir cosmicamente e sempre nos outros seres vivos.
O QUE É A MENTE, ENTÃO?
É de natureza vibratória; (como a Alma).
É de natureza Cósmica; (como a Alma).
É ubíqua e panteísta (está em toda a parte e em todos os seres vivos ao mesmo tempo, diferenciada apenas na Personalidade-Alma de cada um, segundo sua experiência cármica e evolução pessoal (como consciência).
É um atributo da Alma (como Consciência).
O Homem é dual em sua natureza – CORPO E ALMA – e trino em manifestação – CORPO – MENTE – ALMA.
Postas estas definições auxiliares, que são importantes, podemos prosseguir.
Este Ensaio foi motivado por um leitor do “Jornal do Incrível”, onde colaborei, em 1987, numa página especialmente aberta para mim, e por proposta minha, como Secção, à qual dei o título de “A Vista da Pirâmide”. Esse leitor colocou duas questões, uma sobre o Inconsciente e Freud e outra sobre O Poder da Mente, às quais respondi em 7 artigos naquela página.
Resumimos inicialmente apenas a primeira questão, aquela que nos interessa agora:
“Há pessoas que perfilham a ideia de que o “Inconsciente” (de Freud) determina os actos humanos, sem que as pessoas os possam controlar, recorrendo a videntes e astrólogos. Como crêem nisso julgam poder libertar-se da responsabilidade das suas culpas e más acções, tornando-se assim de culpados em vítimas”.
Em decorrência da citada questão, percebemos que um número considerável de pessoas acredita num determinismo ou fatalismo, baseados no “Inconsciente Freudiano”, supondo nada poder fazer para aliviarem seus traumas e conteúdos frustrantes, excepto recorrer aos psicólogos e psicanalistas, ou a astrólogos e videntes.
O problema parece-nos, fundamentalmente, da área psíquica e, por consequência, intrinsecamente psicológica e mística. Como não temos formação académica em Psicologia, nossa abordagem visa, apenas, uma análise muito superficial do ângulo psicológico do tema e, tanto quanto possível, aqui, sua correlação com os aspectos psicomentalistas e místicos. Deste modo, e porque supomos a maioria dos leitores um tanto distanciados da problemática psicológica que está na base da primeira parte do ensaio, entendemos útil, mesmo sumariamente, trazer aqui alguma informação. Assim, faremos uma breve análise e algumas considerações auxiliares sobre Freud, assim como sobre a significação de "Inconsciente" e a nossa visão particular sobre eles.
Por razões da nossa formação autodidáctica e de opção espiritualista e mística, tivemos durante longo tempo uma certa relutância em considerar a Psicologia, de modo geral, e a Psicanálise, em particular, como processos humanísticos e terapêuticos capazes de entender e de resolver as múltiplas complexidades e perturbações da psique humana.
Baseávamo-nos, então, de maneira firme, no facto da Psicologia, (após a sua rotura com a Filosofia e autonomia como ciência), assim como a Psicanálise, terem adoptado, logo desde as primeiras correntes estruturalistas e behavioristas (comportamentais), uma visão e metodologia empíricas, em moldes estritamente científicos. Cremos que isto foi resultante da poderosa influência do modelo mecanicista e dualista de Descartes (Corpo-Mente) e de Newton, com seu rigor e objectividade pragmáticos.
Essa visão e metodologia condicionaram, quase sempre, a perspectiva das outras ciências, o desenvolvimento da Física Clássica (hoje já liberta), e a Medicina Alopática, por exemplo, que ainda hoje não tem a necessária compreensão holística do Homem e vê o corpo apenas como uma máquina química e biológica, considerando até a Mente como significativa de cérebro.
Não obstante, uma palavra de advertência sobre este modelo Cartesiano-Newtoniano deve ser dita: Descartes e Newton eram profundamente místicos e Rosacruzes, e a influência que exerceram no foro pragmático e empírico das ciências deve-se à má e parcial interpretação dos seus postulados, e não porque eles assim o desejassem em suas teorias e conceitos.
Posta esta introdução, essencial e transparente da nossa posição pessoal, iniciaremos a abordagem do tema.
A MENTE - O CONSCIENTE E O “INCONSCIENTE"
O "Inconsciente" foi um termo aparentemente criado por Freud, aplicável à base da sua "Psicologia Afectiva" ou "da Profundidade". Vamos encontrar este termo, já dotado de grande significado, em Nietzsche e na Filosofia, no final do Século XVIII, como herança dos antigos místicos. E também em Platão, no qual, possivelmente, Freud se inspirou.
Para podermos definir este vocábulo, temos de falar do seu oposto, o "Consciente", sem o qual não teria sentido. Ambos os termos nos levam a falar da Mente, palavra cuja compreensão (por se tratar de algo abstracto) é particularmente difícil para quem não tenha uma orientação místico-filosófica; e por ser algo de difícil visualização, ela é, vulgarmente, confundida com o intelecto e com o cérebro humanos.
Em princípio, podemos dizer que a Mente compreende tanto o aspecto que se expressa no Homem como consciência interior, dita Subconsciente (quase sinónima de "Inconsciente"), quanto o aspecto exterior, vigilante, dito Consciente, ou Consciência Objectiva. Por outras palavras, tentando simplificar, estes são, no Homem, os dois campos antinómicos principais de actividade da Mente. Esta transcende muito – como deverá deduzir-se – qualquer analogia com o cérebro, com o qual nada a identifica, a não ser pelo facto de o cérebro humano ser parcialmente utilizado pela Mente.
Pela sua natureza Cósmica, a Mente não é estritamente ligada apenas ao ser humano, individualmente, sendo, sim, um elo permanente e universal de contacto com todos os homens, uma teia invisível, porém real, que se inter-relaciona com todos os seres vivos.
Um outro aspecto é o de que todos os órgãos do corpo humano, incluindo o cérebro, são mortais, ao passo que a Mente, fazendo parte da Alma Universal e da personalidade anímica do Homem, é imortal.
A experiência demonstra que a Mente está activa nas funções involuntárias dos seres vivos (o bater do coração, a respiração, a circulação do sangue, etc.), mesmo depois do término destas funções. Isto é, por algum tempo depois de declarada a “morte cerebral”, sendo esta, actualmente, considerada pela Medicina Legal como padrão para a declaração de falecimento de qualquer indivíduo.
Queremos observar que, em rigor, não existe propriamente algum estado que possamos designar por morte; ocorre uma transformação, ou como os Rosacruzes da AMORC consideram, uma “transição” de um estado ou plano vibratório, relativamente denso, para um outro mais subtil e mais elevado.
Podemos afirmar ainda, seguramente, que a Mente Universal, sendo parte da indefinível Inteligência e Consciência de Deus – com a qual todos estamos em permanente contacto, em maior ou menor grau – é uma Energia ilimitada, infinita, de elevada frequência vibratória, infusa em todo o espaço terreno, planetário e cósmico.
Ela é invisível e imensurável, pelos meios físicos e científicos de que a Humanidade dispõe, actualmente, mas pode ser percebida pelas faculdades subjectivas de qualquer pessoa que saiba usar técnicas de harmonização, ou pela intuição, meditação, etc.
Julgando suficiente esta tentativa de definição da Mente, pelo ponto de vista metafísico, esotérico, parece-nos interessante avaliarmos agora, através de alguns exemplos, a concepção e divisões que algumas correntes psicológicas, instituições espiritualistas e esotéricas, bem como psicólogos reconhecidos, aplicaram à Mente, em relação à possibilidade humana da sua percepção.
Para facilitar a compreensão do leitor, criámos uma imagem simbólica, fictícia e arbitrária, para uma possível concepção racional:
Imagine o leitor, como sendo seu "mundo mental", um pequeno prédio, com uma cave (“porão”, no Brasil), escura, fechada, onde habita, ligada por uma escada interior ao piso térreo. Imagine também que a grande maioria das pessoas (99,9 % da Humanidade) vive no piso térreo de suas casas, que é a sua consciência desperta, activa, objectiva, ignorando a existência daquela cave, o Subconsciente (ou Inconsciente), bem como ignorando a escada interna de acesso, que está fechada com uma resistente porta.
Há outros andares, acima, no prédio, mas estão dissimulados por fora e pelo interior do prédio, motivo por que são julgados inexistentes, pois também não vemos nunca a continuação da escada interior que leva do térreo àqueles pisos superiores. Esta parte da escada foi tapada e pintada da cor da parede e é, assim, praticamente invisível.
Agora, considere e memorize, ou anote, os símbolos seguintes, que vamos usar para as divisões da Mente, segundo a terminologia usada pelos psicólogos, correntes e instituições que anteriormente referimos, em analogia com os pisos do prédio imaginado (a palavra portuguesa “Cave” será melhor entendida no Brasil como Porão):
Letra "C": a cave do prédio; Letras "EC": escada da cave até ao térreo; e letras "PT": o piso térreo.
Estas divisões referem-se aos níveis da Mente Cósmica (ou Consciência Cósmica) passíveis de alcance pelo Homem, e onde os vocábulos Inconsciente e Subconsciente quase se equivalem aqui.
Em FREUD:
- "C" é o "Inconsciente Pessoal";
- "EC" é o "Pré-consciente";
- "PT" é o "Consciente".
Em JUNG:
- "C" é o "Inconsciente Pessoal" e o "Inconsciente Colectivo", unidos;
(querendo, podemos colocar o "Inconsciente Pessoal " na escada da cave, o que é arbitrário);
- "PT" é o "Consciente" que, segundo Jung, se origina do "Inconsciente".
Nos KAHUNAS (do Havai):
- "C" é a "Consciência Inferior";
- "EC" é a "Consciência Média";
- "PT" é a "Consciência Superior".
(Os KAHUNAS consideram dez níveis de Consciência; apresentamos somente os três mais vulgares).
Na PSICOLOGIA TRANSPESSOAL:
- "C" é o "Inconsciente Psicodinâmico";
- "EC" é o Pré-consciente;
- "PT" é a "Consciência de Vigília".
- (No 5º andar do prédio situa-se a "Supraconsciência");
Mais tarde falaremos um pouco mais da Psicologia Transpessoal e de seus outros níveis da Consciência. Aqui estamos simplesmente apontando os três principais níveis, para não fugirmos da simplificação do tema. Assagioli, Maslow, Wilber e outros notáveis psicólogos transpessoais propõem, individualmente, "Cartografias da Consciência" muito mais elaboradas e complexas.
No MISTICISMO PANTEÍSTA E DA ORDEM ROSACRUZ - AMORC:
- "C" é o "Subconsciente";
- "EC" é a "Consciência Subjectiva";
- "PT" é a "Consciência Objectiva".
(No 5º andar colocamos nós, pessoal e arbitrariamente, a "Consciência Cósmica", ou "Iluminação").
Como se pode observar, através dos exemplos apresentados, a terminologia dos níveis da Mente varia, de acordo com as diferentes concepções, pelo que tivemos de fazer aqui algum esforço de enquadramento e ajustamento, para traçar uma cartografia simples e aproximada dos níveis mais acessíveis. Para dar uma ideia, existem vinte palavras em Sânscrito para definir diferentes níveis da Mente, aos quais, provavelmente, é possível aceder mediante avançadas técnicas de harmonização.
Após uma breve definição da mente Cósmica e dos exemplos simples da analogia e terminologia dos principais níveis mentais em diferentes abordagens, é importante notar-se que esses níveis da Mente não se situam abaixo ou acima uns dos outros, no sentido vertical, nem em qualquer outro sentido espacial, e o exemplo do prédio pretendeu, apenas, facilitar ao leitor uma visualização racional destes conceitos abstractos, tornados coerentes pela experiência psicológica e mística.
De modo geral, podemos conceituar a "Consciência Objectiva" da AMORC (de vigília, ou activa), como sendo o nível mais directamente relacionado com o mundo que nos cerca, e com as coisas exteriores a nós, perceptíveis através dos canais sensoriais (tudo o que vemos, sentimos, ouvimos, etc., interpretadas pelo cérebro e sistema nervoso central), considerada por muitos psicólogos como o nível central e padrão da Consciência.
Quanto ao "Pré-consciente", de Freud, ("Consciência Subjectiva", na AMORC), é uma espécie de ligação intermédia (a escada da cave) entre o "Consciente" e o "Inconsciente Pessoal", não dependendo a sua dinâmica de estímulos sensoriais directos, como ocorre com o "Consciente". Geralmente é activado indirectamente por estímulos de natureza física e objectiva, convertendo-os, então, em memória, vontade, imaginação, etc.
Foi nesta fronteira entre o "Pré-consciente" e o "Inconsciente Pessoal" (EC) que Freud situou a região dos conflitos com os conteúdos esquecidos e reprimidos neste último, ao pretenderem exprimir-se e chegar à região "Consciente", que não deseja abrir-lhes a porta de entrada. Esses impulsos recalcados forçam a sua libertação para o "Consciente", o qual, por sua vez, exerce uma força contrária. A "censura", ou "luta" dessas energias opostas é travada na área do "Pré-consciente".
O Subconsciente, como uma alegórica "cave", referida é, de modo geral, a região oculta da Mente, metaforicamente subjacente aos seus níveis superiores (a escada que a liga ao piso térreo e o próprio piso térreo).
O Homem não tem uma percepção normal e fácil dos conteúdos do Subconsciente, que só podem ser compreendidos através da análise indirecta e simbólica, quando trazidos à superfície da Consciência Objectiva. Podemos, pois, considerá-lo como uma zona de memórias profundas e, segundo o conceito místico, é o nível transcendente do Ser, sem pensamentos ou sensações, e normalmente isolado dos estímulos dos sentidos.
É este vasto campo do interior do Eu ("Pessoal" e "Colectivo" na teoria Junguiana) que está, directa e indissoluvelmente, ligado à grande Mente Universal e a todos os seres vivos da existência. É também neste Eu Interior (sem que o possamos localizar em qualquer parte ou órgão do corpo físico de qualquer ser), que ocorre a maioria dos fenómenos psíquicos, ditos paranormais, como a “Projecção do Corpo Psíquico" (conhecida como "Viagem Astral", "Teletransporte", etc.), a Pré-cognição, a Intuição, a Harmonização Cósmica, etc.
Os níveis mentais (ou campos de Consciência) que referimos, apesar da teoria Freudiana e outras nos darem uma ideia de divisão, não são isolados; interagem, enérgica e dinamicamente uns com os outros.
Parece simples, agora, concretizar o que Freud designou por "Inconsciente Pessoal". Todavia, lembramos que o conceito de um determinado aspecto da Mente ser inconsciente no ser humano, já existia anteriormente, implícito no sentido da Mente Subconsciente dos místicos e filósofos antigos, em geral. Fica, pois claro, que Freud não o inventou. Contudo, Freud deu-lhe uma concepção diferente, considerando-o "Pessoal", assim como o dotou com definições de conteúdos dinâmicos específicos. Deste modo, a nível pessoal, deu ao "Inconsciente" um significado paralelo, porém bastante reduzido e diferente do verdadeiro Subconsciente.
Numa segunda fase, Sigmund Freud descreveu o "Inconsciente", de modo geral, como um repositório de "material" (ideias, imagens, memórias antigas, etc.,) que ali foi esquecido ou reprimido e ignorado pela Consciência vigilante, no fundo do qual, e mais profundamente, reside o "ID", onde permanecem fortes impulsos instintivos básicos.
Desejando estes expressar-se – definiu Freud – entram em conflito com as forças inibidoras do "Superego", que se situa mais próximo do "Consciente".
Consideramos, pois, a Psicanálise como uma "Psicologia de Conflito" dos traumas, culpas, complexos, e dos instintos primários contidos no "ID" (uma espécie de "gangster" banido), com o "Superego", dotado de energias vigilantes e repressoras (o "polícia" desta "aventura" oculta).
No meio deles, em campo aberto (se me permitem gracejar e colocar neste ponto uma topografia arbitrária, semelhante à própria descrição Freudiana, está o "Ego", uma força frágil, por um lado preocupada com uma dura sobrevivência existencial e, por outro, na linha de tiro entre os dois enérgicos e fortes contendores, (o "ID" e o "Superego"), tentando escapar da feroz luta entre eles.
A PSICANÁLISE E O MÉTODO DE FREUD
Ao criar e desenvolver uma nova visão da estrutura e dos conteúdos da Consciência, ao nível humano, Sigmund Freud poderia ter atingido a estatura de Einstein, na Psicologia, se tivesse logrado emancipar-se da influência e das limitações do Modelo Cartesiano-Newtoniano que ainda se fazem sentir actualmente em várias áreas do pensamento e da actividade humanos. Em nossa opinião, esse lugar cimeiro coube ao seu discípulo dissidente, Carl Jung.
Não obstante, tentando uma apreciação justa, em nossa visão limitada e relativa das coisas, temos de reconhecer em Freud a genialidade de um verdadeiro cientista que contribuiu decisivamente para o reconhecimento geral da existência da Mente na personalidade humana. Foi pioneiro numa área praticamente desconhecida na época, como era o psiquismo do Homem, e quem, pela primeira vez, abordou de modo sistemático e profundo as perturbações do foro mental.
Também não podemos deixar de referir que Freud criou a Psicanálise fora da linha incipiente da Psicologia, que era somente uma extensão da Psiquiatria e da Neurologia, pouco desenvolvidas no final do Século XIX, tendo sido, todavia, fortemente influenciado pelos trabalhos pioneiros de Jean Charcot. Freud visitou-o em Paris e com ele aprendeu a teoria e a prática hipnóticas do tratamento da histeria. Ainda neste aspecto, foi ajudado também, inicialmente, por Josef Breuer, em Viena, com quem praticou e desenvolveu a hipnose no tratamento de pacientes neuróticos. E foi de parceria com Breuer que publicou em 1895, a obra "Estudos sobre a Histeria".
Julgamos que sua originalidade se deve a ter posto de parte a hipnose aprendida com Charcot, Breuer, e mesmo com Bernheim, já que estes trabalhavam sobre o Subconsciente dos doentes de forma limitada, procurando obter deles as imagens significativas de seus traumas psíquicos durante o próprio processo hipnótico, que não permitia fazê-los aflorar à Consciência Objectiva dos pacientes.
Com as novas técnicas psicanalíticas de "Livre Associação" e de "Transferência", criadas por Freud, – básicas no seu método – o psicanalista deixa que o paciente fale, aleatória e livremente, de seus sentimentos e problemas, com a emoção que lhes é intrínseca, permitindo que ele próprio, em estado relaxado mas consciente, os associe. Através de suas palavras, o paciente transfere-os para o psicanalista, mesmo quando lhe parecem sem nexo e significado. Cabe ao psicanalista fazer a interpretação simbólica dessa narrativa aparentemente incoerente e, por indução, trazer à Consciência Objectiva do paciente, os conteúdos traumáticos, perturbadores e complexos, até então recalcados no seu "Inconsciente Pessoal".
Parece-nos, actualmente, que a centelha iluminadora de Freud se deva a uma profunda reflexão sobre a Hipnose, e relativamente a um pormenor que hoje se torna bastante óbvio, quase como um "Ovo de Colombo": se um paciente hipnotizado executa ordens, involuntariamente e sem qualquer controlo, à voz de comando de um hipnotizador, das quais não pode lembrar-se depois de voltar a estar objectivamente consciente, e nem mesmo recordar-se de quem lhas ordenou, é porque o sentido dessas ordens actua e é memorizado em alguma região indefinível da sua Mente. Se o paciente não está em estado de Consciência desperta, activa, vigilante, para poder optar por cumpri-las ou não (portanto, coarctado em seu livre arbítrio e poder de escolha), então esse "estado" tem de ser considerado um nível de Consciência adormecida ou "Inconsciente".
Freud imaginou então esse "Inconsciente" como uma vasta área subterrânea, subjacente à Consciência, na superfície, onde existiriam poderosas energias psíquicas, invisíveis, influentes no comportamento das pessoas, especialmente caracterizadas por ele como impulsos de natureza sexual e vital, que denominou de "Libido". Arrojou-se ainda, arrostando na época com sérias críticas e conflitos, a afirmar a existência de uma sexualidade infantil, com fases de desenvolvimento, e também a importância simbólica dos sonhos como sendo um dos meios de expressão do "Inconsciente Pessoal".
Em síntese, coincidindo flagrantemente com o objectivo místico do autoconhecimento (fazer aflorar à Consciência Objectiva o Eu Interior diluído no Subconsciente), a Psicanálise considerou especificamente a causa das histerias e perturbações neuróticas no recalcamento de traumas, inibições sexuais, etc., desde a infância e, assim, auxilia o paciente à percepção dos seus problemas íntimos, inibidos e ocultos da sua visão objectiva, levando-o directamente à possibilidade da sua resolução.
Assinalamos que o célebre psicanalista jamais considerou a necessidade de aprimoramento ou de minimização do "Ego", instrumento psíquico da personalidade humana, da mesma forma que ignorou a sexualidade e a psique femininas.
É curioso que, sendo um espiritualista e interessado em Religião, tenha, paradoxalmente, colocado à margem da Psicanálise, por um lado, as experiências místicas, religiosas e os estados alterados de consciência e, por outro, tenha atribuído à Religião o estatuto de "Neurose obsessiva – compulsiva da Humanidade", aproximando-se do conceito de Carl Marx.
A óptica mística, em nossa opinião, foi sempre a de que o Homem é o único responsável pelo seu próprio Destino. Substituindo esta palavra (vulgarmente conotada com um sentido determinista e fatalista a que o Homem estaria sujeito), pela palavra "Caminho", que preferimos, queremos simbolizar aqui, não somente a livre trajectória, mundana, objectiva, existencial, de cada homem, em cada encarnação. Desejamos também significar a sua caminhada pela "Senda" interior, evolutiva, que é de sua responsabilidade: a grande "Viagem" da sua Consciência e "Personalidade-Alma", ao longo de muitas e sucessivas vidas, num aprendizado cumulativo e inevitavelmente progressivo, em razão das Leis Naturais de Causa e Efeito, (Carma), da Reencarnação e da Evolução.
Considerando que o ser humano apenas toma consciência do seu "Caminho" cármico e somente começa a conhecer-se a si mesmo em resultado das múltiplas experiências de cada vida; considerando que só começa a entender a importância da sua natureza psíquica através da percepção de conflitos íntimos com a sua natureza mundana e objectiva, e que eles ocorrem, apenas, depois de ser duramente testado entre as opções do prazer e da dor, do bem e do mal; parece-nos ser irrelevante a apreciação que cada indivíduo faça, em determinado momento do seu percurso na vida, quanto às motivações do seu comportamento existencial.
Tentando explicar de outro modo, a Lei Cármica, como todas as Leis Naturais da Criação, não se compadece com a ignorância de qualquer indivíduo e com as suas tentativas de fuga à responsabilidade que lhe cabe como "Personalidade-Alma" que, inexoravelmente, só pode colher aquilo que semeia. Cada homem deve, em cada existência encarnada, aprimorar o seu comportamento, sua acção e objectivos, o que só conseguirá pela consciencialização do que pensa, do que é interiormente, no seu quase eterno processo de "vir-a-ser", aquilo que já é, real e potencialmente.
Enfatizamos, pois, o facto de ser indiferente que um indivíduo atribua às imagens, memórias e ideias recalcadas no seu "Inconsciente Pessoal", os fundamentos do seu comportamento agressivo, anti-social, não-moral, competitivo, desumano, etc., para desculpar a sua Consciência Objectiva, mundana. Isso não o isentará da responsabilidade, como segmento activo e integrado da Ordem Cósmica, nem do julgamento da sua própria Consciência Interior, mesmo porque todas as "motivações" soterradas no seu "Inconsciente" não deixam de ser resultantes do seu aprendizado, nos conflitos travados entre ele e o mundo, quer na sua infância, quer na maturidade desta vida actual ou em vidas passadas.
Recorrer ao Psicanalista ou a profissionais de outros ramos da Psicologia, procurar conhecer-se através do seu auxílio em situações de "stress" (melhor dizendo, "distress"), depressão, ansiedade ou neurose, decorrentes de frustrações, medos e inibições rejeitados, é uma busca de solução normal para equilibrar a Mente, assim como se busca o médico alopata ou um cirurgião para se tratar o corpo, quando não dispomos de outros recursos. Todavia, atribuir toda a infelicidade pessoal a esses distúrbios (como se lhe fossem estranhos, aleatórios e impessoais), porque não se assume a responsabilidade pela própria vida Mental, é uma atitude que consideramos como fuga e contra-senso. O Homem é um ser dual em sua natureza: Corpo e Alma; e a Mente é um atributo da Alma.
FREUD, JUNG E OUTRAS CORRENTES DE PSICOLOGIA
Ainda não consideramos Freud ultrapassado porque a Psicanálise vingou de forma muito firme e existem, actualmente, milhares de dedicados psicanalistas, auxiliando muitos pacientes de maneira eficaz. Todavia, e reconhecendo hoje uma importância transcendente na Psicologia, as novas correntes psicológicas que a partir da Psicanálise foram sendo criadas, ampliaram, de forma surpreendente, as teorias de Freud. Essas correntes tornaram-se verdadeiras ciências humanas, já possuidoras de uma perspectiva holística e abrangente do Homem e da Consciência Humana, perspectiva totalmente afastada do arcaico dualismo "Matéria-Mente" Cartesiano e da estreita visão do empirismo científico, falso herdeiro de Newton.
Embora a "Psicologia Afectiva" Freudiana não tenha perdido a sua validade, não podemos compará-la agora, em nossa opinião, com as mais recentes Escolas Investigadoras da Mente, assim como não comparamos a Física Teórica com a Física Quântica, ou a Magia primitiva com a Metafísica actual.
Não querendo alongar-nos, falámos sumariamente de Freud, omitindo os fundamentos existentes na sua Psicologia sobre a sexualidade, a influência dos traumas da infância no desenvolvimento equilibrado da personalidade, a interpretação dos sonhos, etc.
Quanto a nós, são muito limitados como modelos comportamentais originários da Consciência humana que, em sua visão, era dominada por instintos inferiores. O desenvolvimento posterior da Psicologia permitiu que a natureza humana não fosse julgada estritamente pelas manifestações existenciais de indivíduos neuróticos e psicóticos, nem pelos casos e perturbações individuais, conseguindo, ao invés, obter uma visão maior, quase total, do ser humano. Este passou a ser compreendido, em sua patologia, como um ser largamente afectado pelo contexto social, familiar, religioso, histórico, geográfico, etc.
É evidente que a Psicologia Behaviorista (comportamental) e a Psicanálise, dominantes nas primeiras décadas do Século XX, não podiam, em princípio, alargar a sua visão limitadamente científica, para este novo horizonte – amplo e profundo – que compreende o Homem em sua complexidade humana e Cósmica.
Pelos motivos anteriormente apontados, a Psicanálise seria incapaz de visionar aqueles aspectos já que, lidando com os aspectos dinâmicos dos recalcamentos no "Inconsciente" (traumas sexuais, etc.), no campo neurótico, nunca se propôs abordar e tentar resolver experiências mais profundas da Mente Subconsciente das pessoas, nas áreas psicótica, esquizofrénica, transpessoal e mística.
Dizer que a Psicologia encara, actualmente, a Mente humana numa visão profunda – que não hesitamos em colocar em paralelo com a abordagem mística - poderá parecer um exagero. Contudo, esta comparação surge, inevitavelmente, quando se lêem as obras de Jung, Assagioli e Maslow; e mesmo sem nos determos nas experiências consagradas de Stanislav Groff, através do LSD, na constatação experimental dos "Estados Alterados de Consciência", certificamo-nos do avanço extraordinário que, especialmente desde o início dos anos setenta, foi consagrado ao estudo da Mente, sobretudo com a Psicologia Transpessoal, nas obras de Ken Wilber e de outros autores desta nova visão psicológica.
Os místicos sentem-se agora confortados com essa visão científica da Psicologia moderna, que torna coerentes e acreditados os conhecimentos que, de há muito, difundiam sobre a Mente, sobretudo no que concerne à comparação que alguns psicólogos clássicos faziam entre os místicos e os esquizofrénicos. Aliás, são flagrantemente coincidentes os relatos de autênticos místicos, como Santa Teresa de Ávila, nas suas visões e alcance da Consciência Cósmica, que chamou de "Castelo Interior", e dos esquizofrénicos que puderam "voltar" de suas "viagens" através das profundas regiões da Consciência.
Conforme prometemos anteriormente, transcrevemos a seguir um quadro cartográfico dos níveis de Consciência (ou Mente), apresentado por Keneth Ring, Psicólogo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos da América, como exemplo da desenvolvida abordagem que existe na Psicologia Transpessoal, relativamente à exploração do Eu Interior humano.
O mapa do autor é dividido em áreas concêntricas, ou coroas circulares, partindo do centro com a "Consciência de Vigília", até à última área, no círculo exterior, denominada "Vácuo". Como não o reproduzimos, ordenamos aqui os níveis, de 1 a 9, partindo da zona central, nível mais comummente conhecido como "Consciente", ou "Consciência Objectiva", até ao nível exterior. Para a maioria das pessoas que, no Ocidente, simplesmente se habituaram à singeleza de apenas dois níveis opostos da Mente – "Consciente" e "Inconsciente" – ou àqueles três de que demos alguns exemplos, antes – este mapa poderá parecer surpreendente.
1. A "Consciência de Vigília".
2. O "Pré-consciente".
3. O "Inconsciente Psicodinâmico"
Até este ponto, considerados níveis normais, e dentro da visão Freudiana.
4. O "Inconsciente Ontogenético"
(fenómenos “perinatais” - ou à volta do nascimento); Este 4º nível é considerado como o último dos níveis pessoais e até onde se situam as neuroses.
5. O "Inconsciente Transindividual"
(ao nível do "Inconsciente Colectivo" e de seus "Arquétipos", de Jung); iniciam-se neste nível as chamadas regiões transpessoais da “Consciência”, a partir da qual se situam as psicoses.
6.O "Inconsciente Filogenético"
(compreendendo o código genético – as experiências ancestrais herdadas geneticamente).
7. O "Inconsciente Extraterreno"
(já no nível de "Viagem Astral" - "Projecção Psíquica").
8. O "Supraconsciente"
(que nós julgamos equivalente ao "Samadhi" do Yoga e à "Consciência Cósmica" ou "Iluminação" dos Místicos).
9. O "Vácuo"
(que já não seria propriamente um estado – ou nível - da “Consciência”, mas uma condição nirvânica de puro Ser, que é chamado no Budismo de "Nirodh").
Para encerrar esta dissertação, não podemos deixar de falar, resumidamente, de Jung, pois este transcendeu toda a visão clássica da Psicologia (até chegarmos à Transpessoal), aproximando-se tanto da sabedoria mística sobre a Mente Cósmica – sempre ignorada pela Psicologia – que somos tentados a reconhecê-lo como um psicólogo verdadeiramente místico.
Jung foi muito além do "Inconsciente Pessoal" Freudiano, ao visionar este estado mental como já existente no próprio nascimento do indivíduo e, portanto, além de mais distante da "Consciência de Vigília", abordando já um nível ontogenético. Esta tese aproxima-se das tentativas de definição que enunciámos sobre a Mente, no início deste trabalho, mormente quanto à natureza de uma única Energia, ubíqua e Cósmica, que se expressa no Homem, em vários níveis, dos quais apenas dois são racionalmente mais compreendidos – Consciente e Subconsciente.
Assim, Jung distinguiu duas regiões distintas na Mente Subconsciente: uma, de natureza pessoal, com os motivadores da experiência individual anteriores ao nascimento, muito mais variados e abrangentes do que discerniu Freud no "Inconsciente Pessoal"; e uma outra – surpreendente e original, se tivermos em vista tratar-se de uma abordagem psicológica – que chamou de "Inconsciente Colectivo" comum a toda a Humanidade. Este como um vínculo entre qualquer indivíduo e todos os outros indivíduos, com determinados padrões de ordem dinâmica, presentes colectivamente em todos eles, aos quais chamou "Arquétipos". Definiu estes como experiências ancestrais da Humanidade, inseridas na Mente Cósmica, que infunde todos os indivíduos, repetimos, “Arquétipos” que são reflectidos em sonhos individuais, mitos antigos, contos de fadas, etc.
Ao contrário do seu Mestre, Jung não interpretou a necessidade da Religião e da Espiritualidade como uma ilusão e obsessão neurótica do ser humano, e, sim, inatas e intrínsecas na natureza das pessoas.
Além de Jung, o discípulo favorito de Freud e, na verdade, o grande herdeiro da Psicanálise, também Reich, Rank e Adler foram seus discípulos, deixando Freud e criando suas próprias escolas e teorias, e ampliando, cada um deles, as ideias e estruturas da “Consciência”, postuladas pelo Mestre. Estes rejeitaram algumas e colmataram certas lacunas que Freud não preencheu, pois não ousou romper totalmente com os modelos científico e tradicional da época, os quais não quis afrontar por coerência e integridade profissionais.
Sem Freud – pensamos nós, em posição absolutamente pessoal – e relativamente à Psicologia, não teria sido possível chegar a avançar-se tanto na investigação da Mente. Haveria um Einstein sem ter existido Newton? Carl Jung teria sido quem foi sem a precedente existência de Freud? Ken Wilber seria o mestre da Psicologia Transpessoal sem o pioneirismo de William James, de Reich, Maslow e outros?
Os místicos do Oriente e do Ocidente – e entre eles os Rosacruzes – conheciam há muito a transcendência da Mente, mas não eram ouvidos pelos cérebros científicos e pragmáticos da Psicologia Clássica. Todavia, Jung, como Einstein, e antes deles Newton, Demócrito, Galileu, Bruno e outros, ouviram a voz interior da Consciência Cósmica, através da intuição. Souberam discerni-la como sendo a Verdade Maior, interpretá-la e torná-la inteligível para a compreensão objectiva da Humanidade. Foi esse o seu génio.
Freud foi grande mas não soube ouvir a Mente Divina. Foi esse "golpe de asa" que lhe faltou para ser verdadeiramente um génio. Mas reconhecê-lo como um admirável precursor e mestre daqueles que lograram aprender com ele e continuá-lo, e que admiramos, é um preito de gratidão que devemos outorgar-lhe hoje e aqui.

O PODER DA MENTE
A MENTE UNIVERSAL
"O TODO É MENTE - O Universo é Mental"
("O CAIBALION" - 3 Iniciados)
(Editora Pensamento – S.Paulo)
"O Caibalion" (ou "Kibalion") é um daqueles livros raros – como "Luz no Caminho" ou "Estâncias de Dzyan", por exemplo – cuja leitura se torna difícil para quem não tenha já percorrido uma boa parte da senda esotérica. É nele que se encontram os sete grandes Princípios Herméticos (de Hermes Trismegistus, o três vezes sábio) – (2700 a.C.) - dos quais o primeiro é o de Mentalismo.
ESTES PRINCÍPIOS SÃO OS DAS
LEIS NATURAIS DO UNIVERSO.
Seu axioma básico é aquele que, intencionalmente, acima citámos inicialmente. E da mesma obra extraímos duas valiosas advertências para os sérios buscadores da Verdade, as quais se completam:
-“Segundo um velho Mestre Hermético, Aquele que compreende a verdade da Natureza Mental do Universo está bem avançado no caminho do Domínio".
- "Sem esta Chave-Mestra, o Domínio é impossível e o estudante baterá em vão nas diversas portas do Templo" (templo psíquico e mental do conhecimento).
Parece-nos que estas duas referências da antiga sabedoria egípcia justificam a razão por que vimos nos alongando e tratando seriamente este tema, pois sempre sentimos – mesmo quando ainda não o tínhamos aprofundado e suficientemente compreendido – que ele era um dos aspectos mais profundos do longo percurso místico. A compreensão da Mente é, realmente, uma chave indispensável para o alcance da Verdade e para a nossa saúde mental.
O "PODER DA MENTE"
Talvez por insuficiência de interesse ou de boa informação, a maioria das pessoas não consegue compreender aquilo que é chamado vulgarmente de "Poder da Mente". Consequentemente, essas pessoas não acreditam no seu valor prático e, portanto, não o estudam melhor nem chegam a usá-lo para a transformação de sua vida e realização de seus objectivos. Apegam-se a valores menores e erroneamente consagrados como mediadores de sucesso, tais como a força de vontade, a tenacidade, a sorte, o trabalho árduo, etc.
Poucos homens percebem, portanto, a existência desse tesouro latente e disponível em si mesmos, tão valioso que lhes permite, apenas com o uso da sua vontade, dar forma e realidade externa aos seus desejos íntimos, isto é, plasmar em formas densas (a que chamamos materiais) e em estados e condições reais, as vibrações da energia dos seus pensamentos e das suas imagens mentais.
Relevamos o facto de o Poder da Mente ser altamente construtivo, terapêutico e criador, quando correctamente compreendido e devidamente usado, concedendo ao Homem o mesmo Poder Criador Divino, embora algumas religiões neguem isso e creiam somente esse Poder como privilégio exclusivo de Deus.
Todavia, sob outro aspecto, pode, paradoxalmente, tornar-se negativo, prejudicial e causador de um grande número de problemas e infortúnios, pela simples razão de ser ignorado, desconsiderado e relegado pelo Homem para o foro do imaginário e do oculto.
Por outras palavras, exemplificamos: todos nós possuímos, realmente, em nosso Eu Interior (no Subconsciente), um “génio milagroso, protector, bondoso, criativo”, que somente espera as nossas ordens para as transformar em realidades positivas; todavia, este “génio”, apenas pelo simples facto de o desconhecermos e desprezarmos (o que fazemos, habitualmente, por ignorância), torna-se um “feiticeiro demoníaco, impiedoso e traiçoeiro”.
Em decorrência dessa nossa ignorância, e não avaliando seriamente o seu poder, ele transforma em realidade, sim, mas negativa - e sempre contra nós mesmos - tudo quanto descuidadamente pensamos, tudo quanto sentimos e imaginamos (medos, frustrações, complexos, desejos de vingança, raiva, inveja, etc.); isto é: a incontrolada multidão dos nossos secretos pensamentos e sentimentos, involuntários ou não, e joga-os contra nós, cruelmente.
Parece-nos fácil compreender-se que se trata de uma personagem oculta e terrível quando ignorada e desprezada no seu poder. E por não considerarmos nem acreditarmos nesta figura de duas faces, instalada desde sempre em nosso Subconsciente, paga-se um elevado preço. Quer não utilizando o seu lado bom e positivo, quer menosprezando o seu outro lado, mau e negativo.
Aprofundemos: seu duplo rosto é, ora o de um mágico amigo, bom, construtivo e generoso, pronto a ajudar-nos graciosamente a ser realizados e felizes, ora o de um bruxo cruel, negativo e prejudicial que capta silenciosamente os nossos mais íntimos segredos, assim como nosso pessimismo, nossas dúvidas, pensamentos negativos, maldade, egoísmo, etc., jogando-os então contra nós, sem aviso, e conduzindo-nos implacavelmente para o sofrimento, o fracasso e a derrota, que não pudemos prever.
Não obstante, vemos nele um instrumento cármico para nos levar a aprender, a evoluir e a sermos melhores e mais fraternos, assim como a nos tornarmos mais conscientes da nossa realidade duplamente física e mental, humana e Cósmica.
Parece-nos oportuno recordar aqui, para reflexão, parte de um texto do Mestre Bhagwan Shree Rajneesh (actualmente conhecido por OSHO), (de quem fui discípulo – “Swami”), já falecido.
"Tu atrais para ti, não a condição que pedes; não a condição que esperas; não a condição que queres; tu atrais para ti a condição, de acordo com o que tu és.
És uma pessoa que dás, sempre? Então, o mundo te dará muito. És uma pessoa que sempre espera receber? Então, o mundo reterá muito de ti. Dás, poderosamente? Então, o poder virá a ti. Dás, amorosamente? Então, o amor virá a ti. Dás, belamente? Então, beleza virá a ti. Dás, abundantemente? Então, a abundância virá a ti.
Que vais dar, afinal? A dádiva mais bela, a mais poderosa, a mais maravilhosa de todas as dádivas, ÉS TU MESMO! É A TUA FÉ! TUA CONFIANÇA! TEU AMOR!"
É possível que algumas pessoas cépticas, condicionadas somente à razão e ao intelecto, possam ainda perguntar: "Existe mesmo essa coisa do "Poder da Mente?" Ou, "Existe mesmo a Mente?".
Os mercados livreiros de todos os países estão actualmente inundados com alguns milhares de livros - melhores e piores - alguns profundos, outros superficiais, variando numa imensidade de títulos, que tentam transmitir ao leitor a efectiva possibilidade do uso positivo da real existência da Mente Universal, de acordo com a óptica pessoal, filosófica, religiosa, psicológica ou mística, dos seus autores.
Abrangem um leque enorme de exemplos dos resultados e êxitos da aplicação do Poder da Mente, em várias circunstâncias existenciais e com inúmeras pessoas. Mas nunca vi neles qualquer alusão à face negativa do “génio” cruel e punitivo.
Lamentavelmente, nesta literatura, os métodos e técnicas mais comuns, que vão desde a imaginação à visualização, passando pela invocação, prece, auto-hipnose, concentração, auto-sugestão, afirmações, negações, etc., ou são parcialmente ocultados em algumas obras ou insuficiente e confusamente explicados noutras.
Isto é: a tónica geral é a ênfase na acção e em seus resultados, povoada de casos para o leitor seguir ou imitar, na prática, Ignorando que o Mentalismo é uma Lei Natural do Universo, entre outras, e só com poucas excepções são explicados os fundamentos da Mente e o processo básico e prático em que assenta o Poder Mental para se atingirem resultados concretos e favoráveis.
Ou os autores julgam desnecessário referi-los, ou acham demasiado trabalhoso (e é, na verdade), revelarem de modo inteligível o processo de operação da Mente Cósmica e sua interacção com o Homem. Ou talvez nem a conheçam correctamente, impressão que nos ficou de muitas obras que lemos.
Na verdade, não existe qualquer poder mental no Homem como algo pessoal, ou por dote, privilégio ou capacidade especial. O que ele possui é a faculdade de usar, por diversas formas ao seu alcance, a energia (força ou vibrações) da Mente Total do Universo, que é inerente a todos os seres vivos, embora o privilégio de autoconsciência restrinja ao ser humano o seu uso e controlo.
É a isso que se tem chamado, vulgarmente, "Poder da Mente", "Força Mental", "Energia Cósmica", "Poder da Energia Mental", "Poder Cósmico", "Força Mágica do Pensamento", "Força Interior", "Poder Superior da Mente", etc., a bel prazer dos autores dessa vasta literatura, pretendendo dizer a mesma coisa sem repetir os conceitos e títulos das obras alheias.
Infelizmente, a grande maioria das pessoas é involuntariamente influenciada e levada a inculcar, dia a dia, no Consciente (que se encarrega, em grande parte, de o remeter de imediato ao Subconsciente) um aflitivo quadro multifacetado de uma sociedade violenta e doente: guerras, misérias, catástrofes, assassinatos, desemprego, destruição, etc. Por uma natural rejeição, isto converte-se subconscientemente em angústia, "stress", depressão, insegurança, ansiedade, frustrações, medos, defesa agressiva e egocêntrica de sobrevivência, desorientação, isolamento, desconfiança, hostilidade, etc.
Os livros e cursos válidos e bem estruturados (os poucos que há) são úteis para essas pessoas e podem cooperar validamente no sentido de as estimular a tentar readquirir o seu equilíbrio psicossomático, coragem, esperança e autovalorização, assim como a iniciarem um aprendizado para se defenderem destas agressões externas ao seu mundo mental.
Contudo, a leitura apressada, céptica ou distractiva dessas obras, e a eventual assistência a cursos do género, mal fundamentados e elaborados, não logram conseguir suficientemente nas pessoas a necessária metamorfose, e não bastam para a sua transformação interior. É verdade que muitas pessoas começam com eles e encontram neles bases para se direccionarem para a espiritualização, para um conhecimento mais profundo de si mesmas e até para as organizações místicas, tradicionais, esotéricas, nas quais podem desenvolver a colheita dessas sementes na grande árvore de conhecimento e evolução que elas detêm potencialmente.
As imagens paradoxais do feiticeiro demoníaco e do mágico bondoso – as duas faces ocultas do Subconsciente – que comentámos anteriormente, podem ter parecido chocantes e algo excêntricas para os habituais leitores de obras e participantes de cursos sobre o Poder da Mente. Sabemos isso. Normalmente, nessas obras e cursos aparece somente a face positiva e simpática do génio bondoso. E, geralmente, também são raras as instituições espiritualistas e os Psicólogos que falem explicitamente do lado negativo do Subconsciente no Poder da Mente.
O que estamos tentando é dividir aqui, objectivamente, as duas faces de uma mesma realidade, para um melhor entendimento do leitor, pois os psicanalistas e psicólogos preocupam-se apenas em minorar os recalcamentos e conteúdos do Subconsciente para diminuírem ou anularem os seus efeitos patológicos. Ignoram sempre o seu aspecto criativo, regenerador e positivo. Em contrário, a maioria dos Mentalistas enfatiza somente este aspecto construtivo e transformador, desprezando, em regra, o seu lado negativo.
É natural que, ao tentarmos exprimir conceitos tão abstractos como os que vêm sendo apresentados neste trabalho, tenhamos de recorrer a imagens simplistas, a fim de podermos ser compreendidos.
Qualquer estudante de misticismo, menos adiantado nos estudos, pode ficar surpreso também com o conceito de que o Subconsciente (que sabe estar ligado intrinsecamente à Mente Divina) possa ter um aspecto negativo, mau, prejudicial e vingativo, representado por uma figura simbólica como a do feiticeiro diabólico.
Neste sentido, uma explicação se impõe imediatamente, apesar de já esboçada anteriormente: é que o aspecto negativo do Subconsciente (ganha-pão dos psicólogos, psicoterapeutas, curadores, etc.), existe apenas na personalidade humana em decorrência da ignorância que as pessoas têm dele. A sua natureza essencial, puramente criadora, curativa, benéfica, é adulterada porque é nele que os seres humanos, ao longo de uma sucessão de vidas, depositam os conteúdos das frustrações, dúvidas, emoções, sentimentos, imagens e pensamentos perniciosos que, em sua Consciência Objectiva repudiam. Deste modo, "entulham" o Subconsciente com medos, complexos, anseios e pensamentos negativos, os quais moldam a inevitável realidade das suas vidas infelizes.
Buscando nisto um sentido maior, vemos cada vez mais neste processo as sábias e inexoráveis leis do Carma e da Evolução, em sua acção correctora e rectificadora da "Personalidade-Alma" das pessoas, que estruturam o Homem paralelamente com os objectivos maiores da Criação.
Na natureza da Criação Universal não existe esse feiticeiro diabólico que, em princípio, nos parece ser adverso; mas ele assume realidade para fazer acontecer o que nós pensamos e imaginamos; isto é, para colhermos o que mentalmente semeamos. Oculta-se em nosso Eu Interior para pôr em prática o que nós somos, realmente, em nossa consciência íntima. Ele só é negativo porque nós somos negativos, em razão do nosso Ego. Não seria justo, afinal, que o Subconsciente ignorasse o nosso lado maldoso, egoísta, passional, interesseiro, materialista, para realizar, exclusivamente, nossos bons pensamentos e anseios e apenas nos tornar felizes, saudáveis, realizados e triunfantes.
Aqueles que praticam o lado positivo, obtêm o que desejam, mas se não anulam totalmente as causas do aspecto negativo, convivem, ora com o sucesso, ora com o fracasso. A maioria, ignorando o duplo rosto transformador do Subconsciente, e tendo permanentemente uma atitude derrotista, vencida e resignada perante a vida, convive, de modo geral, apenas com a miséria, a dor e o fracasso.
Os místicos e espiritualistas, em paciente processo auto transformador, trabalham sobre o lado negativo, para anularem, pouco a pouco, os conteúdos dessa região do Eu profundo, recalcados e motivadores de grande número de problemas existenciais. Ao mesmo tempo, despertam e usam a face positiva, a fim de projectarem na realidade seus sonhos e necessidades e, por essa razão, são os poucos homens que equilibram a sua balança cármica e vivem em paz. Raramente enfrentam grandes tormentas, pois sabem empreender, com esforço e persistência, a prática de valores positivos, anulando os negativos, optando pelo caminho do autoconhecimento, sem os quais não é possível o domínio da vida.
Muitas pessoas não acreditam em Criação Mental nem em seu poder interior de realizarem seus sonhos e desejos. Quero dizer-lhes, enfaticamente, que o Homem tem o poder de pensar, amar, imaginar, falar, orar e, ainda, o que é muito mais importante, o poder de Escolher e de CRIAR. Escolhe com o livre arbítrio que lhe foi dado por Deus, e PODE CRIAR, à semelhança de Deus, dotado com o mesmo potencial de Deus para realizar e forjar no mundo o seu caminho ou, dizendo de outro modo, para transformar mentalmente naquilo que quiser a energia de que dispõe no Universo.
Para ilustrar um pouco do que pode fazer-se em Criação Mental (e nós demos cursos sobre isso, no Brasil), vou contar uma história pessoal como exemplo para as pessoas que não acreditam em “milagres”, que nada mais são do que os resultados das criações mentais, mesmo involuntárias. São respostas para o uso consciente ou inconsciente da Lei Natural do Mentalismo.
Quando eu tinha 6 ou 7 anos, vivi um período de vida em que os meus pais lutavam com muitas dificuldades. Nesse período, o meu pai estava hospitalizado e eu e minha mãe vivíamos num quarto alugado, numa casa de um prédio velho, numa rua antiga de Lisboa. Lembro-me de que minha mãe não tinha dinheiro e que, à tarde, eu ficava sozinho no quarto, enquanto ela ia visitar o meu pai.
Lembro-me também de que, numa dessas tardes, como de costume, estava só, numa hora que seria a do lanche, e tinha fome. Minha mãe falava muito em Cristo, em Jesus. E naquela tarde, triste, numa súbita intuição, pedi ao Cristo, numa linguagem pura e inocente, que mandasse do céu um lanche para mim. Conversava mesmo com Ele, inocentemente, olhando a imagem do crucifixo que havia na parede do quarto, por cima da cama, dizendo-lhe que a minha mãe não tinha dinheiro, não tinha ainda chegado a casa, etc.
No quarto havia uma janela com sacada de ferro onde costumava brincar ou olhar a rua, e nessa tarde, talvez uma hora depois da prece, vi com um certo espanto, e depois com uma aceitação natural, que o Cristo me tinha ouvido. Vi descer do céu, junto à parede do prédio, uma cesta de palha pendurada num fio de nylon, que parou junto ao meu rosto. Olhei para cima e não vi ninguém. Vi apenas a cesta pendurada e, então, convenci-me de que tinha sido o Cristo que a mandara.
Dentro, tinha um guardanapo, envolvendo um pão com manteiga e frutas (bananas e maçãs, se bem lembro). Puras e simples como são as crianças, sem dúvidas, tirei a merenda para fora e comi, deliciado. Pouco depois, a cesta subiu para o céu, lentamente. A partir daquele dia e todas as tardes, eu repetia o mesmo pedido, e sempre (isto durante cerca de 2 meses), aquela cestinha descia até mim como um “milagre” quotidiano.
Penso hoje ter descoberto por intuição uma técnica muito importante, da qual só quarenta anos depois tomei consciência: a possibilidade de transformar um desejo em realidade - a CRIAÇÃO MENTAL.
Obviamente, não foi um milagre e, sim, a minha primeira Criação Mental. E nessa Criação Mental reconheço terem a ocorrência de algumas condições básicas, indispensáveis, as quais utilizei naturalmente. A primeira foi IMAGINAÇÃO (acreditar no Poder do Cristo); a segunda foi EMOÇÃO (decorrente da necessidade premente que tinha de comer); e a terceira foi CONFIANÇA, a qual, nós, adultos, temos dificuldade em sentir em nossa consciência. Foi a confiança total num Ser superior, confiança total no Cristo. O que, normalmente, pode ser chamada de FÉ. Fé e Confiança são, na sua etimologia, sinónimas. “FIDE”, em Latim.
Muitas outras histórias deste género podia contar aqui, mas a restrição de espaço impede-me. Todavia, penso agora que, um dia destes, poderei organizar um resumo do meu “Curso de Criação e Controlo Mental” e trazer aqui outro artigo para o público que hoje me prestigia com a sua leitura.
Esqueçamos agora as duas figuras simbólicas e imaginemos que possuímos um computador interno, que é o nosso Subconsciente. Existe nele uma memória de muitos "Megabytes", em parte já gravada, e com um espaço ainda virgem para futuras gravações; é a nossa memória total, como seres humanos com algumas encarnações anteriores.
Este computador está ligado a seis mil milhões de outros computadores, os quais estão também ligados entre si, numa rede invisível. Por outro lado, este computador, à semelhança de todos os outros, está também directamente conectado a um Supercomputador Central com uma base de dados total, com muitos “Gigabytes”, abrangendo todas as informações das memórias individuais, base que, esotericamente, é designada pelo termo sânscrito "Akasha", traduzido geralmente por "Registos Acásicos" ou "Memória Universal".
Recorremos a esta simbologia simples porque nos pareceu óptima para a compreensão fácil das inter-relações do nosso Subconsciente. Posto isto, o que vamos dizer seguidamente também é sumamente revelador de nós mesmos. Na memória pessoal, Subconsciente, (onde estão adormecidas as experiências dos primeiros anos de vida que, no nível objectivo, não fomos capazes de lembrar) e, por extensão, também na Memória Universal, estão indelevelmente registadas:
1. As impressões de origem genética, decorrentes de várias gerações de ancestrais (pais, avós, trisavós, etc.) que, através dos genes (e do ADN, com seu código genético), o indivíduo herdou deles, com as suas características pessoais representadas por tendências, motivações, aptidões naturais, excentricidades, etc. Por vezes, e na impossibilidade de identificar claramente a sua origem, percebemos alguns desses aspectos hereditários através da intuição ou de reflexão sobre a nossa individualidade.
2. As impressões que trouxe das suas encarnações anteriores, embora as mais vívidas e que mais o condicionam sejam, naturalmente, as da encarnação anterior ou das mais recentes encarnações; não devemos esquecer que, em cada nova existência, somente mudamos o corpo físico. A "Personalidade-Alma" é a mesma de sempre, com o mesmo computador e uma memória subjectiva cada vez mais enriquecida de experiências e conhecimento.
3. As impressões adquiridas na infância e adolescência, na presente encarnação, por influência do "habitat" onde a pessoa nasceu e viveu, e da educação dos pais, familiares e professores, as quais se tornam grandemente condicionantes ao chegar à maturidade. Dessa vivência e educação fica, inconscientemente, gravada uma grande quantidade de inibições, medos, complexos, superstições, tabus e preconceitos, deformadores do que poderia ser uma personalidade sã e positiva.
4. As inúmeras impressões das experiências ao longo da vida já vivida, as quais se inscreveram suficientemente, à sua revelia, no momento em que ocorreram, na Consciência Objectiva do indivíduo, e por consequência no seu Subconsciente, mesmo que não lhes tenha dado muita atenção e importância (imagens da TV, cenas de filmes, conversas ocasionais, ocorrências diversas do quotidiano, desastres, catástrofes).
5. As impressões da Mente Subconsciente de outras pessoas, que chegam também, de vários modos, ao Subconsciente do indivíduo, por harmonização ou influência mental ou psíquica; note-se que se essas impressões forem de carácter malévolo, somente poderão prejudicá-lo se a sua formação e ética pessoais as aceitar e registar, num fenómeno de osmose ou empatia psíquicas.
À medida que avançamos, percebemos que este assunto é, realmente, mais profundo do que à primeira vista poderia parecer, e talvez seja mais difícil de ser entendido por algumas pessoas, sem a abordagem inicial – sobre a MENTE - sob o ponto de vista psicológico.
Freud intuiu, parcialmente, apenas os conteúdos descritos aqui no item 3 e 4; Jung, com sua Psicologia Analítica, e outros psicólogos, foram, entretanto, muito mais longe. Lentamente, e com uma linguagem diferente, a Psicologia, de modo geral, alcançou pouco a pouco um desenvolvimento que, praticamente, engloba os aspectos sumariamente aqui descritos como "impressões" na subconsciência humana, que não são, efectivamente, ficção.
Todavia, muito antes da Psicologia avançar para a abordagem actual do mapeamento dos níveis de Consciência denominados Transpessoais, esses níveis foram intuídos, visionados e compreendidos, ao longo dos séculos, por filósofos, pensadores e místicos, e também pelos Rosacruzes.
O Supercomputador Central, a Memória da Mente Cósmica, à qual o homem tem acesso em vários "estados" de consciência (considerados na Psicologia como "Alterados", em relação à Consciência Objectiva), tem o poder de conhecer plenamente todos os conteúdos e informações já registados em nosso computador pessoal; e porque ele é energicamente dinâmico e actuante, transforma-as sempre na presente e na futura realidade de nossa vida.
Considerando que todo o processamento se faz através dos nossos pensamentos e imagens mentais, isto é, por uma substância de subtil energia vibratória, o Supercomputador aceitará, sem qualquer discriminação, todos os dados que, além daqueles já anteriormente lá memorizados, sejam introduzidos no computador pessoal de cada indivíduo, sejam eles bons ou maus, voluntários ou involuntários.
Com eles, altera ou apaga os registos já existentes, ou cria novos "motivadores" da futura existência pessoal; tudo isto, em nível subconsciente.
Talvez tenhamos recorrido demais a uma simbologia técnico-informática, mas ela vai ajudar-nos na compreensão do processo, eminentemente abstracto, da interacção pessoal com o lado oculto da Mente Universal, que vamos equacionar a seguir.
Na prática, deparam-se-nos algumas dificuldades técnicas para explorarmos a valiosa potencialidade do nosso computador pessoal (fechado na "cave"), visto que é unicamente através da nossa Consciência Objectiva que podemos trabalhar e estabelecer contacto efectivo com ele. E isso será compensador se conseguirmos por livre associação, descodificar (anulando) os conteúdos estranhos e enigmáticos que nos perturbam, de alguma maneira.
Essas dificuldades, comuns à maioria das pessoas, podem resumir-se em cinco interrogações básicas, para as quais oferecemos uma resposta, de modo necessariamente sintético:
1.ª - Sabendo-se que a Mente Cósmica - o Supercomputador Central – obedece por indução fielmente aos registos do computador pessoal de qualquer pessoa, desde que estes sejam claros, precisos e individualizados, a pergunta é: quais as técnicas correctas, em Criação Mental, para que a nossa Consciência Objectiva transfira para a nossa memória subconsciente pessoal as mensagens ou determinações a efectuar, a fim de serem criadas em nossa vida novas condições, situações e circunstâncias? (INPUT).
Assim: o indivíduo deve sentar-se, confortavelmente, colocando-se em estado passivo, relaxado, afastado de estímulos sensoriais (ruídos, luzes, aromas, etc.), se possível num ambiente sem cores fortes, com música suave e de olhos fechados; deve, depois, serenar a sua agitação mental (ideias, preocupações, sentimentos), e voltar-se mentalmente para o seu interior.
É, então, o momento de imaginar impressivamente, de forma clara e nítida, a situação (objectivo, projecto, etc.) que deseja realizar, devendo fazê-lo com muita emoção, sinceridade e plena confiança na Mente Cósmica. Repetimos: EMOÇÃO, SINCERIDADE, E PLENA CONFIANÇA NA MENTE CÓSMICA.
O passo seguinte é projectá-la (liberando-a) para a Mente Cósmica, sem tornar a pensar na situação mentalmente criada e sem conjecturar sobre os meios cósmicos da sua realização. Um exemplo: se a pessoa deseja um emprego de porteiro num hotel, não deve imaginar situações intermediárias; visualiza-se já na porta do hotel, recebendo os hóspedes, como se fosse uma cena de um filme no qual também entra. E a seguir deve esquecê-la.
Se a pessoa ficar insistindo na situação criada, ela se anulará - assim como apodrecerá a raiz de uma planta se a regarmos demasiadamente. Tudo o que se desejar assim - Saúde, Casamento, Promoção, Nova casa ou Carro novo, etc. - pode ser criado desta forma, visualizando sempre imagens concretas, definidas e finais.
2.ª - Quais os elementos que devem ser seleccionados e introduzidos para tornar a nossa vida bem sucedida, com êxito e felicidade? (INPUT).
A pessoa pode programar e introduzir em seu computador interno todos os desejos que anseia ver realizados (o casamento da filha, a formatura do cônjuge, a edição de um livro, a viagem de férias, um novo emprego, etc.), desde que sejam éticos e bem intencionados.
Todavia, deverá visualizar sempre um de cada vez; e é importante que não se limite simplesmente a pensar ou a imaginar, pois isso não é suficientemente poderoso para ser registado, criativamente, na Mente Universal. A postura e o ambiente adequados são os mesmos anteriormente referidos, e pode fazê-lo de dia ou de noite, onde possa estar só e tranquilo. Lembramos ainda, que simples afirmações ou negações (como no método de Emile Coué), também não resultam.
Repetimos que é preciso "viver" a situação intensamente desejada, sentindo-a como se ela já fosse verdadeira. SENTINDO-A EMOCIONALMENTE, com veemente CONFIANÇA, sem nunca duvidar do Poder da Mente Universal. Ela saberá como agir e realizar. Finalmente, é importante que o indivíduo sinta também que é merecedor da realização do seu projecto e que ele não irá prejudicar quem quer que seja.
3.ª - Considerando que certos conteúdos motivadores de fracasso, doença e infelicidade, já existem na memória subconsciente (guardados do nosso passado), quais são os registos que devem ser alterados ou anulados, para não impedirem e desviarem os nossos objectivos de felicidade, saúde e paz de espírito? (INPUT).
Não responderemos, no momento, a esta questão, cuja análise e resposta, tentaremos fazer quase no final desta palestra.
4.ª - Que técnicas devem utilizar-se para conseguirmos ter acesso aos registos das memórias pessoal e Universal, e como poderemos interpretar coerentemente a sua linguagem simbólica de impulsos e impressões, que não usa palavras e cujo conteúdo é extraordinariamente valioso e compensador conhecer? (OUTPUT).
Muitas pessoas (que não os místicos) pensam que a recepção de impressões do Subconsciente não é importante; ocupam-se apenas com o uso criador do poder da Mente, praticando somente a emissão de imagens mentais relativas aos seus desejos e objectivos. Mesmo incorrecta ou deficientemente, é só esta a que os livros ensinam. Não estando preparadas para aquela prática de recepção, essas pessoas ficam impossibilitadas de conhecer as "mensagens" do seu Eu profundo (arquivando tudo e nada tirando do arquivo) e, consequentemente, não contactam receptivamente a Mente Cósmica.
Às vezes são surpreendidas, de maneira súbita e inesperada, por essas "mensagens", que perturbam e confundem a sua Consciência Objectiva, descuidada e racional; são "mensagens" que essas pessoas não esperam, e a que não dão valor e, por isso, pouco ou nada entendem desses "insights" do Eu Interior.
Assim, e procedendo como foi exemplificado relativamente ao relaxamento indispensável do corpo e da actividade cerebral, e ao ambiente favorável, é preciso a pessoa deixar que o seu Subconsciente envie para o seu Eu Objectivo as "mensagens" nele arquivadas. Elas surgem através de imagens, frases, ideias, lembranças ou avisos, ou mesmo como rostos, sons, paisagens, vozes, música estranha, etc. Então, deve tentar interpretá-las objectivamente, como um recado, uma instrução válida, pré-cognição de algo, resposta a uma dúvida, questão ou desejo, sugestão para um caminho a seguir, decisão a tomar, etc.
Algo pode surgir na Mente Objectiva sob o aspecto de mensagem telepática, contacto psíquico com alguém (vivo ou desencarnado), ou solução para um problema aflitivo, etc. Por vezes, essas previsões ou pré-cognições surgem deslocadas no tempo e no calendário humanos, e também no local da ocorrência, porque no Plano Cósmico não existem Tempo e Espaço como na concepção humana. Por outro lado, como tudo isso é simbólico, nem sempre o indivíduo conseguirá descodificar claramente essas percepções psíquicas, ou só virá a conseguí-lo mais tarde. Todavia, não deverá nunca assustar-se e, sim, tentar captar, o melhor que puder, um sentido inteligível naquilo que lhe pareça desconexo, como ocorre frequentemente com os sonhos, que estão no mesmo nível de fenómenos.
É necessário ter em conta que nenhuma outra pessoa poderá interpretar correctamente essas percepções pessoais. Um psicólogo ou um místico, experientes, poderão ajudar um indivíduo a fazê-lo, porque têm uma sensibilidade psíquica desenvolvida; mas a "leitura" correcta da "mensagem" do Eu Interior terá de ser feita pelo próprio.
5.ª - Como evitar a gravação involuntária na memória subconsciente (que, como sabemos, tudo percebe, guarda e executa), de pensamentos, imagens e devaneios mentais, que não queremos ali armazenar (recalcar), a fim de impedirmos realizações inconvenientes e não desejadas em nossa vida? (INPUT INVOLUNTÁRIO).
A razão por que se concluiu que “o Homem é aquilo que ele pensa" e, portanto, um produto final de seus pensamentos, em sua expressão existencial, deve-se à constatação de que os seus pensamentos se transferem para o seu Subconsciente sem qualquer filtragem ou selecção, independentemente da sua vontade.
O Subconsciente, como já apontámos, é o grande condicionador da sua vida. Deste modo, introduzindo continuamente nesse computador interior, imagens, ideias e construções mentais negativas e, por vezes, confusas, incoerentes e contraditórias, concebidas e acumuladas quotidianamente, sem cuidado e sem uma autocensura, o indivíduo regista todas elas na memória sempre disponível desse computador, que as transforma na realidade da sua existência e naquele ser complexo que ele é.
Esta é a imagem exacta do feiticeiro maquiavélico a que aludimos anteriormente; a face oculta e indesejável do Subconsciente, que recebe todo o "lixo mental" de nossa vivência consciente e o transfere para o Super computador Central. Este, por sua vez, devolve-o à nossa vida em realizações concretas, equivalentes.
O grande problema, sobre o qual devemos meditar seriamente, é que a MENTE CÓSMICA NÃO TEM CRITÉRIO CRÍTICO OU SELECTIVO, DE MODO A EXECUTAR SOMENTE AQUILO QUE NOS CONVIRIA. ELA PROCESSA TUDO O QUE PENSAMOS OU REGISTAMOS EM NOSSA CONSCIÊNCIA, INDIFERENTEMENTE; E, SIMPLESMENTE, REALIZA-O. É esta a razão pela qual convivemos duplamente com um génio bondoso e um feiticeiro demoníaco dentro de nós. De acordo com o que sabemos, eles trazem-nos, respectivamente, AMOR, SUCESSO, SAÚDE e FELICIDADE, ou AMARGURA, FRACASSO, DOENÇA e MISÉRIA. Cabe aqui uma reflexão sobre o Livre Arbítrio humano e a "Balança Cármica Egípcia", sobre os quais podem tirar conclusões pessoais.
Como podemos evitar futuramente a acção do feiticeiro demoníaco? Que podemos fazer?
Bem, sendo a Consciência (ou Mente) um atributo intrínseco da nossa "Personalidade-Alma", um privilégio que cobra seu preço em nosso auto-aperfeiçoamento e evolução, obrigatórios, teremos de policiar, de vigiar, constante e activamente, as nossas imagens e pensamentos. Assim como nossos desejos, sentimentos e emoções, eles não são privados nem inconsequentes, como provavelmente pensávamos, motivo por que teremos de evitar que sejam eivados de maldade, pessimismo, descrença ou derrotismo. Também deverão estar isentos de inveja, ciúme e malquerença. Neste sentido, se não os conseguirmos evitar, eles serão como “boomerangs” que atiramos e que voltarão, com todo o impacte destrutivo e fatal, para nós mesmos, tornando nossa vida miserável.
Se, no entanto, ainda precisarmos de paradigmas e de regras de ouro para alcançarmos o lado positivo da existência, através de uma nova atitude mental, podemos sugerir aquelas que conhecemos e que são infalíveis. São simples e do domínio público: “Os Versos de Ouro”, de Pitágoras; “Os Dez Mandamentos”, de Moisés; “O Sermão da Montanha” e “O Pai-Nosso”, do Cristo que, em resumo, simbolizam o paradigma maior: O AMOR.
Analisemos agora a 3.ª questão, cuja resposta adiámos intencionalmente, pelo facto de não concordarmos com uma solução genérica, no sentido de que todas as pessoas que se consideram vítimas do "Inconsciente" possam usar o poder da Mente para alterar ou anular os conteúdos (traumas, inibições, fobias diversas, etc.) nele recalcados.
Assim, recordando a questão básica (quanto aos registos que devem ser alterados ou anulados no Subconsciente), e considerando que tudo o que aqui já expusemos deve ter levado a perceber aqueles que nos são prejudiciais, podemos ampliar agora aquela interrogação, no sentido de saber se podemos, pessoal e voluntariamente, alterar ou apagar esses registos de natureza negativa, gravados no Subconsciente.
Simplificando: para tentarmos atingir o cerne do problema, nossa opinião é a seguinte: PODERÍAMOS FAZÊ-LO, SIM, DESDE QUE SOUBÉSSEMOS QUAIS SÃO ESSES REGISTOS, JÁ QUE A SIMPLES TOMADA DE CONSCIÊNCIA DELES ELIMINÁ-LOS-IA.
Ora, de modo geral, não os conhecemos, a não ser, algumas vezes, pelos seus efeitos, os quais nos levam a intuir as suas causas. E é exactamente por não os identificarmos, e pela dificuldade em trazê-los pessoalmente à Consciência Objectiva, que as pessoas perturbadas enchem os consultórios dos psiquiatras e psicoterapeutas, assim como os pavilhões dos hospitais de doenças mentais.
A questão desdobra-se agora: É POSSÍVEL, ENTÃO, TRANSFORMAR O NOSSO EU INTERIOR, MESMO SEM O CONHECER? A resposta é afirmativa: é possível a qualquer homem que esteja firmemente disposto a fazê-lo, o que não ocorre normalmente com os indivíduos comuns. Para explicar o porquê, precisamos, no entanto, fazer ainda algumas ponderações.
A nossa opinião, comummente inaceitável, é a de que o ser humano é totalmente responsável pelo seu mundo mental, que inclui todos os aspectos da sua memória pessoal, subconsciente, anteriormente descritos, com excepção do aspecto referido em "1": a Herança Genética. A menos que consideremos esta herança como uma resultante cármica.
Este mundo mental compreende também - não o podemos esquecer - a sua Consciência Objectiva, que tem uma comprovada interdependência com o Subconsciente. E é esta interdependência, normalmente desconhecida pelo Homem, que nos serve de base para a conclusão mais importante: o maior problema humano está no modo indisciplinado, inconsequente e insensato como ele procede na vida, através da sua Consciência Objectiva.
Por outras palavras, e genericamente falando, o Homem, em sua "corrida" egocêntrica pela vida, além de quase sempre ignorar o aspecto subconsciente da Mente, também despreza o aspecto consciente; foge à percepção do seu Ser Interior e desrespeita o privilégio da sua autoconsciência e a sua condição dual de Ser físico e psíquico. Ora pratica uma existência quase instintiva, obedecendo ao "ID" (indiferente aos resultados drásticos dessa conduta, para si mesmo e para os outros), ora se motiva a viver materialmente e centrado em si próprio, numa busca exclusiva de prazer, sexo, riqueza, poder e luxúria, por apelo do "EGO".
Em decorrência deste comportamento alienado, vem a suportar, inevitavelmente, a censura severa da autoconsciência, pelo o "SUPEREGO", até ao ponto de desequilíbrio psicossomático e patológico.
Este homem, extraviado de si mesmo, poderia realmente usar o poder da Mente para transformar a sua vida desorientada (e o consequente "entulho" existente na sua vida interior), numa existência saudável, equilibrada e feliz. Mas não o conhece ou não quer usá-lo. Para fazê-lo teria de tornar-se, expansiva e integradamente consciente de si mesmo, como ser dual que é em união com todos os seres da Criação.
Por isso, não é aceitável a solução como regra geral. Somente desejarão recorrer ao poder da Mente, aquelas pessoas que (sem usar o recurso psicológico) se crêem como personagens psíquicas em evolução.
Essas, sabem que podem alterar e apagar os registos psíquicos negativos, mesmo sem poder conhecê-los especificamente, pela ampliação da sua Consciência Objectiva das coisas do Universo e do Homem, pois, ampliando esta, expandem e transformam também a sua Consciência Interior.
Esta é a Pedra Filosofal dos místicos e dos antigos alquimistas. Na prática, os místicos fazem-no pelo estudo e persistente experimentação, contemplação e meditação. Conseguindo ficar despertos para a realidade que os cerca, trazem à superfície de si mesmos os "destroços encalhados" no oceano subterrâneo da Mente que, uma vez consciencializados, se auto-eliminam facilmente.
Esses místicos são capazes de renunciar ao mundo das aparências e de se aperfeiçoarem, indiferentes ao transitório aqui e agora da vida e à doce ilusão das compensações imediatas. Vivem com olhos interiores e serenos, voltados para a sua eternidade, procurando harmonizar a "sua Mente” com a Mente Divina.
Finalizando, acreditamos que num futuro próximo o Homem se tornará num ser diferente e mais evoluído do que é actualmente. Será fraterno, amoroso, integrado e feliz. Então, o "Mito de Sísifo", ainda aplicável à maioria dos seres humanos, não mais terá razão de ser, pois o Homem, nesse futuro, saberá o sentido da sua existência e compreenderá plenamente a sua missão, em eterna coerência com a Mente Cósmica. Também a "Alegoria da Caverna" (de Platão) terá perdido seu significado metafórico, pois todos os "acorrentados", quase cegos, da "Caverna", já se terão libertado e encarado a luz do Sol com naturalidade e júbilo.
Nesse horizonte do ilusório Tempo, os cientistas de hoje, que já buscam e antevêem o homem triplo, manifestado em Corpo, Mente e Alma, deixarão de simbolizar, na estreiteza da dualidade Cartesiana, o corpo e a Mente como o "Hardware" e o "Software" dos computadores. Nessa altura, entenderão, clara e objectivamente, que "Hardware" e "Software", Corpo e Mente, ou Consciente e Subconsciente, são divisões arbitrárias e opostos imaginados, em princípio necessários ao entendimento intelectual humano, mas que não têm dualidade real. São apenas um só, procedentes e compostos da mesma e Única Essência Divina.
Não tivemos a pretensão de desvendar aqui o amplo horizonte da Mente. Mas deixamos ao leitor um desafio para continuar a pesquisa que iniciámos com humildade. Valerá a pena, cremos, ir mais longe neste apaixonante tema e expandir a pequena luz que, para todos, aqui acendemos. A Grande Luz poderá ser encontrada, pessoalmente, em compensação do esforço individual e do interesse que cada um tiver em ouvir os sussurros da Verdade.
Pois, como refere "O Caibalion": "OS LÁBIOS DA SABEDORIA ESTÃO FECHADOS, EXCEPTO AOS OUVIDOS DO ENTENDIMENTO".
VITOR DE FIGUEIREDO FRC

BIBLIOGRAFIA
- Capra, Fritjof: O Ponto de Mutação, Cultrix, S.Paulo, 1986.
- Pesch, Edgar: Freud, Edições 70, Lisboa, 1986.
- Haar, Michel: Introdução à Psicanálise - Freud, Edições 70, Lisboa,1983.
- Ring, Kenneth: Uma Visão Transpessoal da Consciência - Um mapeamento das mais distantes regiões do espaço interior - in Cartografia da Consciência Humana , Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal, Editora Vozes, Petrópolis, 1978.
- Três Iniciados: O Caibalion, Editora Pensamento, S. Paulo, 1978
- Albersheim, Walter J. : Conhece-te a Ti Mesmo - (Colectânea) - Vols. 2 e 3 - Ordem Rosacruz - AMORC - Grande Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa - Curitiba-PR, 1985
- Petrie, Sidney e Stone, Robert B.: Como Ganhar Novas Forças com a Ginástica Mental, Editora Record, 2ª Edição, Rio de Janeiro
- Coddington, Mary: A Energia Curativa, Editora Record, Rio de Janeiro
Rajneesh, Bhagwan Shree (Osho): “Tu Atrais para Ti”, Rajneesh Foundation, Poona – Índia

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