quinta-feira, 8 de março de 2007

 

Entrevista concedida a www.levir.com.br


Acabo de conceder uma entrevista que será publicada em dois sites: www.levir.com.br e www.terraespiritual.org . Para os interessados em questões relativas às inscrições de Glozel, pirâmides da Bósnia e espiritualidade, aqui vai a entrevista completa:

1-Como você enveredou pela hierolinguística, que livros utilizou como autodidata e o que recomenda para quem deseja seguir suas pegadas (exemplo)...

Resposta: Tenho 36 anos e estudo Cabala desde os 14. Com 17 anos estudei com um poliglota gaúcho de origem judaica a língua hebraica. A partir daí, comecei a estudar outras línguas antigas através de gramáticas e dicionários, muitas vezes só disponíveis em inglês. Então, aprendi inglês e as línguas antigas que me interessavam (hebraico, aramaico, sânscrito, tibetano, iorubá, etc.). Atualmente estou estudando um pouco de sumério. Sempre busquei o sagrado ao estudar estas línguas e, exatamente por isso, acabei desenvolvendo o conceito de uma HIEROLINGÜÍSTICA, uma ciência para estudar as línguas e linguagens sagradas. É um modo de colocar em moldes mais científicos a lingüística comparada, a mitologia comparada e mesmo o estudo comparado das religiões, incentivado por Helena Blavatsky. As obras dela são meus livros de cabeceira desde meus 18 anos. Quanto ao que posso recomendar para quem deseja seguir o mesmo caminho, meu principal conselho é: estudem muito, com mente aberta e sem preconceitos. O preconceito embota a mente e cega a visão da realidade. Ele impede que vejamos verdades que podem estar bem na nossa frente. Como hoje o acesso à informação é bem maior do que quando comecei meus estudos, em 1984, podemos conseguir praticamente qualquer livro na internet, e muitas vezes gratuitamente. Contudo, apenas 10% deles está em português. Uns 20% já estão em espanhol. A esmagadora maioria está em inglês. Então, somos obrigados a estudar esta língua para poder ler materiais raros e indispensáveis ao estudo do sagrado.

2-Na tua opinião, os livros de Helena Blavatsky carecem de apoio quanto à história da Humanidade antiga ou do tempo da construção das pirâmides do Egito (mais de 70 mil anos)?

Resposta: Respondendo a segunda dúvida primeiro, é muito difícil que as pirâmides do Egito, mesmo a de Quéops, tenham mais de 70 mil anos. Não quero ser preconceituoso, mas realmente é difícil. Sou fã dos livros de Blavatsky, mas isso não me tornou um fanático, obcecado em provar que as obras dela não contêm erros, como se fossem "a Bíblia da Teosofia". Não vejo Teosofia como uma doutrina, mas como a Sabedoria Eterna da Mente Divina. Sua visão distorcida como "doutrina", como um "teosofismo", que foi muito criticado por René Guénon, para mim não é Teosofia verdadeira. É um pálido eco - e deturpado - do que ela seja realmente. Os escritos de Besant e Leadbeater parecem ser os maiores responsáveis pela divulgação deste equívoco. Mesmo assim, gosto dos livros deles. Mas, como disse, não sou um fanático e contesto sempre que acho que há um contrasenso. Não foi isso pregado pelo Buddha e mesmo por Blavatsky?Quanto ao apoio que os livros de Blavatsky tenham quanto à história antiga da Humanidade, a única coisa que posso dizer é que a base dela em seus livros são as informações transmitidas pelos "Mestres" ou"Adeptos" da Fraternidade Branca. Não são informações científicas, com toda certeza, são algo em que se pode crer ou não. Portanto, é uma idéia, uma proposta, não ciência. Mas isso também não significa que as informações dos livros de Blavatsky são sem valor. Têm muito valor, mas devem ser confirmadas por pesquisas futuras. Até lá, devem ficar "de molho". Este é o status das obras de Blavatsky em minha mente no momento. Contudo, acho primordial que se leia as obra dela nesta busca pelo sagrado e pelo espiritual.

3-Que fatos, que estão sendo estudados mudariam a estrutura da humanidade atual, se confirmados?

Resposta: Muita coisa. A questão é que a história, junto com a lingüística e a arqueologia, esbarram numa dificuldade que não pode ser culpa dos pesquisadores: a falta de registros materiais que confirmem a antigüidade do homem, das construções e mesmo de certas línguas do passado. Isso pode impedir mesmo que se diga que Blavatsky estava errada, mas também impedirá que se diga que estava certa. Ela era convicta de suas opiniões e devia ter suas razões de foro íntimo. Para aqueles que acham que as afirmações dela eram muito extraordinárias, lembro que hoje têm surgido milhares de livros com idéias muito mais estapafúrdias ainda, misturando "Mestres" com "ETs", "Anjos" que pilotam "Discos Voadores" e até "Exus extraterrestres" (?), como já tive oportunidade de presenciar. É o famoso "Samba do Crioulo doido". Ela, pelo menos, procurou cercar-se do que havia de mais científico em sua época para argumentar em favor de suas afirmações. Mas estes absurdos de hoje raramente oferecem algum tipo de argumentação inteligente!Atualmente estou ajudando na decifração das inscrições encontradas em Visoko, na Bósnia, junto a um conjunto arqueológico que já ficou conhecido como as "Pirâmides da Bósnia". Não sei se há mesmo pirâmides ali, mas já tive acesso às inscrições encontradas. Ainda não posso liberá-las porque a pesquisa está em curso. Espero poder fazê-lo em breve. Mas o pesquisador-chefe do projeto, o Sr. Semir Osmanagic, é desconsiderado pela ciência oficial porque acredita em livros como os de Blavatsky, acredita na Atlântida e em ETs. Qual é o problema? Desde que ele use métodos científicos transparentes para confirmar suas teses, ele pode acreditar no que quiser! Cheguei a ser procurado por seus opositores bósnios ortodoxos, que diziam ter provas de atos inadequados dele mas, quando li tais argumentos, se tratava apenas de preconceito quanto às idéias místico-espirituais do Sr. Osmanagic. Naquele momento me vi no mesmo barco do colega bósnio: todos nós que, mesmo sendo espiritualistas, pesquisamos de modo científico, somos indesejados pela ciência acadêmica. É o mesmo caso do arqueólogo dos EUA, Michael Cremo, que acaba de me conceder uma entrevista para a Revista Horizonte - Leitura Holística, que edito mensalmente. Ele também é atacado pelos cientistas ortodoxos e deixou isso bem claro em sua entrevista. E ele é também um espiritualista, ligado à Sociedade Hare Krishna.Se as pesquisas de pessoas como Osmanagic, Cremo e eu fossem confirmadas, realmente mudariam a visão da história sobre o passado da humanidade. Mas, se isso chegar a ocorrer, deve demorar ainda algumas décadas.

4-E os Extraterrestres, onde entram no estudos da História do Homem e seu destino ?

Resposta: Este é um terreno lodoso. Os maiores desvarios em idéias e teorias está no campo do que se chama de Ufologia e ramos de pesquisa afins. Há muita fraude, mistificação e gente dizendo que "canaliza" ETs. Outros dizem que os ETs são os salvadores da humanidade e que a Terra vai colapsar frente a grandes catástrofes, que seriam iminentes. Acredito que a coisa está ruim e que teremos conseqüências, como as das mudanças climáticas, por exemplo, mas não acredito no fim do mundo nem no fim da civilização, pelo menos para agora.Erich von Däniken e, mais recentemente, o russo Zecharia Sitchin, acreditam em influência ET no passado da Terra. Sitchin tem mais base científica que Däniken (que é só um jornalista), pois é arqueólogo, e um dos poucos existentes capaz de decifrar a escrita cuneiforme suméria. Já foi ligado à NASA. Mas suas idéias são vistas como ridículas pelo mundo científico. Gosto dos argumentos dele, mas não os considero científicos realmente. São idéias, crenças até, e precisam ser confirmadas pela pesquisa futura. O que não podemos é confundir crenças científicas ou idéias fantásticas que nos pareçam agradáveis com ciência. Isso traria como prejuízo uma incapacidade de separar a ilusão da realidade. E não é isso que pregava Blavatsky, nem Buddha, nem qualquer Mestre do passado. Sou um pesquisador curioso e sempre insatisfeito que uso todos os métodos possíveis para descobrir a verdade. Me permito crer em tudo e ter todas as idéias até chegar o momento da confirmação. Aí, seleciono o que é viável e descarto - ou apenas ponho "de molho" - o que é difícil de comprovar. Não nego que existam realidades desconhecidas pela humanidade; ao contrário, creio que elas existem mesmo! Mas não posso me sentir satisfeito apenas com a crença, como parece acontecer com muitos irmãos que se consideram "teósofos". Dizem estar "estudando", mas estão, na verdade, apenas reforçando suas crenças, não seu conhecimento e muito menos sua sabedoria.

5-Quais são seus projetos atuais e quais as suas conclusões até o momento?

Resposta: Em nível de pesquisa tenho dois projetos. O primeiro é o da decifração da escrita encontrada em Glozel (França) em 1924, o "glozélico". O Museu de Glozel acaba de publicar meus artigos referentes à decifração no seu site oficial (http://www.museedeglozel.com/Stekel.htm ). Eles estão em inglês e podem ser baixados gratuitamente. Devo preparar material em português para breve, incluindo um livro. A pesquisa publicada neste site francês é o coroamento de 12 anos de pesquisas sobre as inscrições de Glozel. Mas a pesquisa não deve parar por aí. Considero ter encerrado apenas a primeira fase. O segundo projeto é o da decifração da escrita encontrada na Bósnia, junto à suposta pirâmide do sol, em Visoko, numa montanha chamada Visocica. A escrita foi batizada de "Proto-Script Visoko" [Proto-escrita de Visoko] e seus sinais lembram muito a escrita de Glozel. Por isso me inseri no projeto. Há ali um projeto multidisciplinar de escavação e pesquisa sobre as tais "pirâmides" e os materiais arqueológicos encontrados no local. são até agora 21 cientistas. O único do continente americano sou eu, que fui convidado por Semir e seu pai, o Dr. Muris Osmanagic, para integrar o staff de sete líderes do projeto, que foi apresentado em fevereiro ao governo bósnio, solicitando permissão para 20 anos de excavações e alguma verba, com certeza. É um projeto para muitos anos, mas já identifiquei que a escrita de Visoko tem 55,5% de semelhança com a de Glozel, o que foi considerado muito importante para a evolução da pesquisa. Entre os 21 cientistas há geólogos, arqueólogos, lingüistas, etc. Sou o único que não tem formação universitária. Sou um autodidata à antiga, como faziam os buscadores do passado, onde o que valia era o conhecimento verdadeiro, não o validado por um diploma. Tenho vivido assim até hoje e não me arrependo. Pretendo ser a prova de que o conhecimento vale mais que um diploma! Os cientistas bósnios entenderam isso e me descobriram. Os franceses também entenderam e me descobriram. Os brasileiros estão um pouco atrasados neste aspecto. Mas sou um brasileiro orgulhoso de meu país, e levo o nome dele em meus trabalhos internacionais. Mas lembro que, antes de ser brasileiro, sou um cidadão do planeta Terra. Defendo o planeta e seus habitantes antes de defender meu país, porque entendo que nenhum ser humano vale mais ou menos que outro, independente do seu país de origem. Não enalteço meu país diminuindo o país dos outros. Seria um nacionalismo xenófobo e preconceituoso, o que não se encaixa na palavra "espiritualidade".

Felicidade a toda a humanidade - a visível e a invisível!

Fraternalmente,

Paulo Stekel(escritor, jornalista, cabalista, prof. de línguas sagradas e editor da Revista Horizonte - Leitura Holística)

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