segunda-feira, 9 de julho de 2007

 

Os Paradigmas da Era de Aquário (versão completa)



[MARTA SILVA LOWENSTEIN - Revisão e correção, a pedido
da autora, por VITOR DE FIGUEIREDO]


Inicialmente, parece-nos cabível e necessário definir o significado da palavra latina PARADEIGMA; o que, realmente, significa este termo.
“Paradeigma”, em grego, significa exemplo, norma, modelo ou padrão, paradigma.
Na Filosofia Platónica, é o “mundo das ideias”, protótipo do mundo sensível em que vivemos. Platão usa este termo na seguinte sentença: “Talvez se encontre no céu um paradigma para este que, tendo-o precedido, quer lá se estabelecer.”
Ainda a propósito de paradigma, Pierre Weil afirma que: “Na sua origem, o termo foi usado mais especialmente em linguística, para designar em gramática um exemplo tipo.” E acrescenta: “A força de um paradigma reside no consenso de uma determinada comunidade científica, em certa época.”
“Uma revolução científica é, antes de tudo, uma revolução de paradigma. Quando uma geração de cientistas produz uma nova síntese, a antiga geração se extingue e dá lugar a uma nova geração, que adere ao novo paradigma. Alguns teimam em se agarrar a alguns aspectos ultrapassados do antigo paradigma; são fatalmente erradicados do novo meio ou da nova comunidade científica, e às vezes se agrupam para constituir grupos “ortodoxos.” A respeitabilidade de um cientista é uma consequência directa da sua adesão ao novo paradigma.”… “A transição de um paradigma para outro caracteriza-se por uma crise.”
Diz Edgar Morin: “… paradigma é um modelo conceptual que dirige todos os novos discursos.”
Enfim, um paradigma acaba sendo, por consenso, uma palavra que especifica, que individualiza o que seria mais do que um modelo, mais do que uma regra ou de um conjunto de regras ou conceitos. Paradigma é um termo abrangente para modelo ou conceito, onde se toma uma ideia como um alicerce para a actuação, para o discurso.
Os “Paradigmas da Era de Aquário…”. Uma Era seria uma época que, no nosso caso, é um ciclo astrológico de 2 160 anos.
À medida que o Sol se desloca, aparentemente, pela Esfera Celeste, coloca-se em alinhamento com determinadas constelações estelares. Pela sua característica aparente de movimentação, a cada dois mil cento e sessenta anos, ele passa para uma diferente constelação. Este movimento do Sol (aparente) chama-se precessão. Quando ele se acerca de uma outra determinada constelação, após os dois mil cento e sessenta anos, diz-se que se completou uma Era, e às Eras foram dados, simbolicamente, os nomes das respectivas constelações.
Podemos tentar dizer isto de outra maneira, com uma explicação mais técnica (ou astrológica), necessária para aqueles que não estão familiarizados com a Astronomia e a Astrologia. Todavia, talvez esta explicação, apesar da tentativa bem intencionada, não ajude muito mas, em nossa opinião, é válida:

Em 130 a.C., O filósofo, astrónomo e matemático grego, Hiparco, em resultado da sua observação regular de 1 020 estrelas, que lhe serviram de referência, constatou que o chamado Ponto Vernal (ponto equinocial da Primavera), que é o ponto de intersecção da eclíptica com o Equador Celeste, não é fixo. Este Ponto desloca-se com movimento regressivo (anti-horário), atrasando-se 30º (um signo do Zodíaco) em cada 2160 anos e dando uma volta completa aos 12 signos do Zodíaco em 25 920 anos terrestres (1 ano cósmico).
A eclíptica é um círculo imaginário correspondente à órbita (aparente) do Sol, em volta da Terra num ano (órbita que, na verdade, é a Terra que descreve em volta do Sol).
O Equador Celeste é o círculo máximo da Esfera Celeste, perpendicular ao eixo da Terra.
A Esfera Celeste é o globo ilimitado que rodeia a Terra por todos os lados e onde parecem estar cravadas as estrelas, agrupadas em constelações.
Para completarmos esta análise (desprezando o movimento de rotação diário da Terra, que traz o dia e a noite) temos de considerar dois movimentos da Terra:
O primeiro: – O da revolução da Terra, inclinada sobre seu próprio eixo, em torno do Sol, durante um ano, que provoca a sucessão das estações e à qual, dividida a circunferência de 360º em 12 meses, corresponde um signo astrológico mensal de 30º. É como se o Sol passasse por todos os 12 signos do Zodíaco.
O segundo: – É o do “Ponto Vernal”, a que já aludimos, onde 1 “ano cósmico” corresponde a 360º e 25 920 anos terrestres, correspondendo a cada signo do Zodíaco uma “Era” de 2 160 anos.

De acordo com Jaap Huibers, autor de “Aquário – A Nova Era – Homem conhece a ti mesmo” (Editora Hemus), onde nos apoiámos parcialmente para esta análise, a cronologia das últimas 4 Eras é a seguinte:

– De 4 304 até 2 154 a.C. : Era de Touro;

– De 2 154 até 4 a.C. : Era de Carneiro ou Áries;

– De 4 a.C. até 2 146 d.C. : Era de Peixes;

– De 2 146 até 4 296 d.C. : Era de Aquário.

O referido autor considera 2150 anos para cada Era. Se considerarmos o ano de 4304 a.C. como início da Era de Touro, e os “nossos” 2 160 anos, podemos alterar estas datas para:

– A Era de Touro, de 4 304 a.C. a 2 144 a.C. ;

– A Era de Áries, de 2 144 a.C. a 16 d.C. ;

– A Era de Peixes, de 16 d.C. a 2 176 d.C. ;

– A Era de Aquário, de 2 176 d.C. a 4 336 d.C.

A data de mudança de uma Era para outra é muito imprecisa, pois, pela “movimentação do Sol”, a sua passagem de uma constelação para outra, dura alguns anos. No aspecto histórico da Humanidade esta mudança também não ocorre bruscamente de um dia para o outro.
Na Era de Touro cultuou-se o “Touro de Ouro”. Depois de Moisés, iniciou-se a Era de Áries, quando o Sol passou para a constelação de Carneiro. Foi quando se acentuou o misticismo e a civilização egípcia conheceu o seu apogeu.
E no início da Era de Peixes conhecemos o apogeu (e queda) da civilização romana, assim como o início da civilização Judaico-Cristã.
A cada Era têm-se atribuído influências cósmico-energéticas que, teoricamente, teriam influenciado o comportamento da Humanidade. Não se sabe se, efectivamente, isto ocorre ou não, mas tem-se constatado, realmente, a existência de modelos, ou padrões de comportamento, comuns e específicos a cada uma destas Eras.
O que a História Ocidental tem registado com mais detalhes são os modelos, ou mais especificamente os paradigmas das grandes Eras, ou ciclos, da evolução da Civilização Ocidental. A Era de Touro, genericamente entre 4000 a.C. e 2000 a.C. – a Era do Império Egípcio – foi, basicamente, a era dos faraós ou reis-deuses. Com a mudança do eixo económico-cultural para a Grécia, tivemos o início da Era de Áries, a era das cidades-estado, dos grandes filósofos, da democracia “escravocrata” grega, onde os ricos eram livres, mas dependiam do trabalho dos escravos para manterem o seu poder e suas fortunas.
Também do ano 2000 a.C. até ao ano 1º da era Cristã, conhecemos o surgimento do Império Romano, época dos ditadores, dos grandes Césares e, paralelamente, o militarismo, proporcionando um grande desenvolvimento das ciências e das artes (geralmente aplicadas a fins militares; por exemplo, as grandes obras de engenharia e cantuária da Roma Imperial).
É nesta Era que, na outra margem do Mediterrâneo, se desenvolveu a cultura Judaica, a era dos grandes rabinos detentores da cultura, e das tribos com seus chefes comandando e decidindo os destinos das pessoas.
A Era de Peixes, iniciando-se nesta conjuntura Judaico-Romana, assistiu, perplexa, a um dos maiores cismas filosófico/religiosos que a História conheceu.
Dentro da cultura Judaico-Cristã, que surgiu deste cisma, temos alguns aspectos importantes a salientar, antes de entrarmos no detalhe dos paradigmas da Era de Aquário, que parece ter-se iniciado já neste século.
A era da cultura Judaico-Cristã viveu, basicamente, sob alguns paradigmas especiais. Citamos, por exemplo: a autovalorização, o egocentrismo, a divisão, a estagnação do desenvolvimento cultural-filosófico, a procura das emoções imediatas, o exclusivismo e, basicamente, a separação; nos governos, diversas formas de ditadura prevaleceram.
Numa breve definição, a autovalorização é o abuso da palavra EU, o discurso sempre na 1.ª pessoa, os discursos auto-laudatórios, enfim, o Rei-Sol – “Le État c’est moi”, como disse um dos reis Luíses da França. O egocentrismo é alicerce da autovalorização, é a centralização de todo o pensamento no próprio Ego.
O que seria a divisão? Basicamente, é o anti-holismo. Homens separados por fronteiras entre um país e outro, as cercas e muros separando os jardins, as cidades-estado muradas, os homens separados das mulheres (nas sinagogas, igrejas e mesquitas), as crianças não participando da vida dos adultos, o patrão distante do empregado, etc.
Pierre Weil exemplifica: “Se olharmos em nosso redor, neste final do 2.º milénio da era Cristã, seremos obrigados a reconhecer que vivemos numa época caracterizada pela divisão, pelas dissenções, pela violência e pela guerra.”
“O fantasma da separação traz consigo consequências danosas para a harmonia do Homem tanto interna como externa: o apego e a possessividade, que trazem consigo o medo de perder o que se julga possuir; a raiva, a agressão e a violência ligadas à defesa da posse de ideias, pessoas ou coisas, sem contar o ciúme, a competição e o orgulho paranóico…” O paradigma Newtoniano-Cartesiano ainda domina a mente da maioria dos cientistas actuais… Os conceitos de espaço e tempo absolutos, e o de objectos materiais separados, movendo-se nesse espaço e interagindo mecanicamente; o rigoroso conceito de determinismo e a noção de uma descrição objectiva da Natureza, baseada na divisão Cartesiana entre matéria e mente.”
“O antigo paradigma afectou a prática económica contemporânea: a fragmentação das especializações, o desvirtuamento dos valores superiores da Humanidade, a abordagem competitiva na exploração da Natureza, o esgotamento progressivo dos recursos naturais, o consenso de que a Natureza existe para o Homem, a visão do Homem como ente consumidor (o que levou a um consumismo desenfreado), a confusão entre riqueza material e felicidade, a tecnologia ao serviço da destruição em massa.”
Na educação, o conhecimento torna-se uma espécie de mercadoria a ser adquirida e guardada no armazém da memória. Na medicina, assistimos ao desaparecimento da clínica geral e à fragmentação em superespecializações que levam os pacientes a sentirem-se perdidos diante da frequente ausência de uma visão sintética do seu caso.
Os sistemas políticos reinantes nos últimos séculos, propugnando a luta pelo poder, o maquiavelismo pregando que os fins justificam os meios, levaram a população global a uma total descrença em seus dirigentes.
Na filosofia, um sem número de teorias levou a que os próprios filósofos não mais se entendessem, e nenhum deles é capaz de conhecê-las todas a fundo.
Nesta Era de Peixes, anteriormente a esta excessiva divisibilidade ocorrida nos últimos séculos, houve, especialmente durante a Idade Média, uma absurda estagnação de todo o desenvolvimento humano. O rigorismo e o determinismo do comportamento obrigaram o Homem a viver, durante mil anos, sob a égide dos papas e senhores feudais, sem acontecer qualquer mudança ou desenvolvimento filosófico-cultural. Aqueles poucos que ousaram buscar a Gnose foram considerados hereges, condenados e queimados vivos.
Erbnest Becker, em seu livro “A Negação da Morte”, explica o aspecto psicológico deste fenómeno: “Com relação à estagnação, podemos citar Kierkegaard, que nos fornece algum esboço descritivo do estilo de negação, ou o que seriam as mentiras de carácter – o que é a mesma coisa. Ele pretende descrever o que hoje chamamos de homens inautênticos, aqueles que evitam desenvolver a própria originalidade. Eles acompanham os estilos de vida automáticos e displicentes aos quais foram condicionados quando crianças. São inautênticos pelo facto de não pertencerem a si mesmos, não serem suas próprias pessoas, não agirem a partir do seu próprio centro, não verem a realidade nos termos desta. São os homens unidimensionais, totalmente imersos nas brincadeiras de ficção em moda na sua Sociedade, incapazes de transcender o seu condicionamento social. São os homens de empresa, no Ocidente; os burocratas, no Oriente; os homens tribais aprisionados à tradição; o homem de toda a parte, que não entende o que significa pensar por si próprio e que, se o fizesse, se esquivaria ante a ideia de tamanha audácia e risco.”
Neste mesmo livro, Erbnest Becker continua afirmando: “Kierkegaard dá-nos uma descrição do homem imediato: …seu eu, ou ele próprio, é algo incluído com “o outro”, no âmbito do temporal e do mundano. Assim, o eu adere imediatamente ao “outro”, querendo, desejando, divertindo-se, etc., Porém, passivamente; …ele consegue imitar os outros homens, observando como se conduzem para viver, e assim, ele vive também de uma certa forma. Na cristandade, ele também é cristão, vai à igreja todos os domingos, ouve e entende o sacerdote; realmente, eles se entendem um ao outro; ele morre; o sacerdote o conduz à eternidade pelo preço de dez dólares – mas ele não foi um eu e nunca se tornou um eu… Pois o homem imediato não reconheceu seu eu; ele só se reconhece por sua roupa… Ele se reconhece como um eu só pelas aparências.”
Este é o “Homem da trivialidade”, que se embala nas rotinas diárias da sua Sociedade, que permanece contente com as satisfações por ela oferecidas; ele tranquiliza-se com a sua TRIVIALIDADE. “É o homem desprovido de imaginação, que vive num sector de experiência trivial, no que toca ao andamento das coisas, daquilo que geralmente ocorre.”

Um outro paradigma da cultura Judaico-Cristã seria o exclusivismo, baseado, essencialmente, na propriedade privada. Isto é “a minha casa”, “o meu carro”, “o meu filho”, “a minha escola”. É tudo “MEU”, o que “eu tenho e que é exclusivo para o meu usufruto, e somente MEU”!
No aspecto filosófico, a Era de Peixes caracterizou-se também, basicamente, por ser a era dos grandes líderes. O importante para uma pessoa era o que o outro dizia, e seguia-se (muitos ainda seguem) a orientação desses líderes, sua filosofia, e os conselhos desses verdadeiros “condutores de homens”. É a era dos mestres, dos grandes professores, dos líderes carismáticos, dos “gurus”.
Estamos agora a entrar lentamente na Era de Aquário, a chamada Era onde o Sol estará alinhado com a constelação de Aquário.
Mas, entre a grande Era de Peixes e a nova Era de Aquário, em que transitamos, aconteceu um interregno, que se caracterizou por ser a época da “contracultura”, a grande época dos “hippies”, da geração “beatnik”.
Sabemos hoje que foi uma época tipicamente de transição, de adopção de novos paradigmas, e que mostrou ser uma época de profunda crise, de quebra ou demolição de antigos valores, especialmente dos morais.
Enquanto não se ajustavam os novos paradigmas, a Sociedade observou, atónita, a “revolução” dos anos 60, cuja culminância de agitação ocorreu em Paris, em Maio de 1968, e cujo início se dera com o movimento “Beat”, de São Francisco da Califórnia, nos meados dos anos 50.
Os principais paradigmas do movimento “Beat” (ou hippie) foram: a auto-anulação, a fragmentação do Ego, a antidivisão, a transformação e fuga da realidade – apoiada no uso abusivo de drogas alucinatórias – e no plano dos governos a democracia, maior abertura ideológico-política, o antimilitarismo (as passeatas gigantescas contra a guerra do Vietname, cujo mote principal era: “Make love, not war” (“Faça amor, não faça guerra”).
O movimento “Hippie” trouxe para quem o vivenciou, e mostrou para quem o observou à distância, a auto-anulação voluntária e a vida em comunidade. Nesta época, também sentimos quebrarem-se muitos dos conceitos antigos da Cultura Judaico-Cristã. Intensificou-se a busca por outras soluções.
Nesta época começou a entender-se e a perceber-se o mundo e a sociedade contemporânea de uma maneira diferente. Doris Peçanha, no seu livro “Movimento Beat, Rebeldia de uma Geração” (Ed. Vozes), diz que “O movimento “Beat” surgiu no cenário norte-americano na década de 50, caracterizando-se por contestar a ordem estabelecida em favor de uma plasticidade na cultura, nas emoções e no intelecto.”
“Optaram por uma nova forma de vida e de representá-la literariamente, determinando uma mudança decisiva na literatura e no comportamento da juventude em geral.”

Todavia, o movimento “Beat” trazia internamente o germe da sua auto-anulação: O inimigo da geração “Beat” e da contracultura, de um modo geral, não foi apenas o poder manipulador e neutralizador da sociedade tecnocrática, mas encontrava-se também no seio do próprio movimento, na medida em que, desejando opor-se à racionalidade louca do sistema, muitos sucumbiram no irracional, entregando-se totalmente ao comando dos seus impulsos.
Diz André Stephanie: “Não pode haver revolução fundada em uma negação da realidade.”
Doris Peçanha conclui, dizendo: “Os “Beats”, que mostraram os exageros da racionalidade tecnocrática, caíram na situação antiética de negar o sistema como um todo e, ao fazê-lo, suprimiram o representante psíquico da figura paterna.”
“Ora, o espírito revolucionário conduz a substituir o pai e não simplesmente a banir a relação paterna.”

“O movimento “Beat” apontou novas formas de viver, vigorou como expressão ficcional, mas sucumbiu tragicamente às forças de desintegração interna e externa. Constituiu um dos sonhos perdidos dos anos 60, a matriz onde se gerava um frágil mundo alternativo e que, sendo parte integrante da contracultura, era tudo de que se dispunha para enfrentar o totalitarismo tecnocrático.” “Enfim, os “Beats” buscaram uma revolução, mas foram incapazes de concretizá-la, enquanto antiédipos; foram negativistas da História e, portanto, incapazes de realizar politicamente um projecto histórico.”
No alvorecer desta Era de Aquário estamos a viver a passagem de um ciclo de materialidade para um ciclo de espiritualidade. Esta Era levará essas mudanças a transformações das necessidades humanas, raciais e planetárias.
Seguindo a lógica da divisão por Eras, e mirando-se o futuro através da perspectiva do passado, é evidente que uma nova Era haverá de começar quando o Sol entrar plenamente na constelação de Aquário, em sua lenta precessão na Galáxia. Uma nova fase de religiosidade e misticismo, e de verdadeiro e tradicional gnosticismo, se realizará no mundo, através do Homem, revelando-nos ideais mais altos e mais nobres do que os nossos actuais conceitos emergentes da Civilização Cristã.
O processo de preparação da Era de Aquário já se iniciou – e, provavelmente, já estamos bem dentro dele – e, como Aquário é um signo aéreo, científico e intelectual, a nova filosofia, ou dizendo de outro modo, a nova corrente de pensamento, estará baseada na Razão e será capaz de resolver os enigmas da Vida e da Morte de um modo que satisfaça tanto a mente quanto o instinto religioso/filosófico.
Os novos paradigmas da Era de Aquário estão voltados para serem o desenvolvimento pessoal, o desinteresse pessoal, o altruísmo, a unificação, a superação, o autoconhecimento e a integração ou não separação.
Entendemos por desenvolvimento pessoal a ansiosa busca de compreensão maior dos fenómenos humanos e do autoconhecimento. Ultimamente, afirmando a chegada da nova Era, aumentou muito a procura do entendimento do Eu, a percepção dos fenómenos da Natureza e dos fenómenos místicos e metafísicos.
Mas, talvez o novo e grande paradigma para esta Era de Aquário seja o conceito, cada dia mais difundido e estudado, de Holismo.
Pierre Weil define esse movimento filosófico comportamental como: “O sentimento de mal-estar generalizado diante dos grandes problemas da actualidade, tais como: a violência interindividual, a violência política internacional sob a forma de guerras, o perigo da proliferação nuclear, o desequilíbrio ecológico, entre outros, que têm levado à construção de pontes sobre todas as formas de fronteiras criadas, em última instância, pela mente humana. Entre outros, podemos citar as organizações internacionais (a ONU e a UNESCO, por exemplo), os movimentos de encontro das grandes tradições espirituais, os encontros interdisciplinares, e o advento de uma mentalidade de trabalho de equipa em todos os domínios das ciências e da tecnologia."
Um bom exemplo prático do que veio a ser designado de Holismo, é citado por Pierre Weil como sendo: “O aparecimento de movimentos alternativos à destruição, em medicina e terapia, o conceito de medicina psicossomática e a abordagem holística em terapia; e, enfim, os primeiros encontros entre Ciência e Sabedoria são já a aplicação prática deste conceito holístico. “… A palavra holístico está a infiltrar-se subrepticiamente na Ciência, na Educação e na Terapia, sem que se tenha feito um esforço para conhecer a sua origem e traçar a história da evolução deste conceito”.
Existe uma palavra que, de tanto se ter tentada sua definição, acabou perdendo muito do seu significado ou potencial de expressão: AMOR. Mas, se tomarmos o conceito holístico como fundamento para uma nova definição, então é este autor que nos ajuda, quando nos diz que “A vida é indivisível; só é dividida pela mente humana. Cabe ao Homem descobrir essa unidade que está por detrás das aparências… Portanto, o ser humano tem de voltar-se para dentro para verificar o que realmente é, qual o seu mais alto potencial, qual a mais nobre faculdade que possui, e não imaginar-se como uma espécie superior de animal… Essa tarefa de autocompreensão e autoconhecimento é o que há de mais importante para a felicidade e paz de toda a Humanidade. Somente os que entram profundamente dentro de si mesmos e conseguem dissolver completamente a separação, o apego e a rejeição, e realizam sua verdadeira natureza, encontram condições de viver o verdadeiro Amor, o qual assume características de equanimidade, dirigindo-se a todos os seres do Universo”.

Apesar de estarmos no limiar desta nova Era, temos de nos voltar para uma personalidade que viveu há 2 000 anos, no limiar da Era passada. É claro que nos estamos a referir a Cristo. Seu discurso foi tão importante que sobreviveu a estes 2 000 anos de História!
Pinchas Lapide, em seu livro “O Sermão da Montanha, Utopia ou Programa” (Ed. Vozes), cita Eckhart: “Jesus era a um só tempo mestre de doutrina e mestre da vida”; e explica que: “O mestre de doutrina educa por sua fala prudente, sua sensibilidade e pedagogia. Do mestre de vida espera-se um pouco mais. Não apenas o saber, mas a sabedoria; não apenas os conhecimentos, mas a irradiação; não apenas a retórica, mas a arte de viver – harmonia interna entre doutrina e vida, palavra e acção”.
O discurso de Jesus está claramente expresso no Sermão da Montanha. Pinchas diz que “O sermão da Montanha e os Evangelhos, no seu conjunto, são o produto de determinado momento histórico caracterizado pela crise iminente. Todavia, acaso isso significa que seu condicionamento histórico o despoje de sua actualidade hodierna?”
Como provam os factos, o Sermão da Montanha enquadra-se perfeitamente no momento histórico actual e ainda é uma proposta de paradigma para a Era de Aquário. Pinchas afirma que “…O assim chamado equilíbrio do medo, a crescente escalada armamentista das superpotências e a capacidade já alcançada do género humano em deslizar para o suicídio global – esta situação apocalíptica, reveste o Sermão da Montanha de nova relevância em nossos dias …Acaso o nosso tempo, tal como a era de Jesus, não é assinalado por ameaças de catástrofes, por dúvidas e busca quase doentia de alicerces firmes?…”
O melhor que a razão humana poderia realizar hoje seria levar a regra áurea das casas de Deus e implantá-la nos Parlamentos e Ministérios: “O QUE QUISERDES QUE VOS FAÇAM OS HOMENS, FAZEI-O TAMBÉM A ELES” (Mateus 7,12).
“URGE O TEMPO NO RELÓGIO DO MUNDO. NOSSO TEMPO DE PROVA EXPIROU!” (P. Lapide).
A Era de Aquário traz-nos uma veemente esperança de que a solução para a existência humana não mais esteja, somente, na procura do retorno à Natureza, nem na obediência cega à figura paterna e a líderes ou governantes.
Erich Fromm, no seu livro “A Revolução da Esperança”, sugere-nos “…Uma nova visão de que o Homem pode novamente sentir-se à vontade no mundo e vencer sua sensação de apavorante solidão, que ele pode alcançar pelo pleno desenvolvimento dos seus poderes humanos, da sua capacidade de amar, de usar sua razão, de criar e gozar a beleza, de partilhar sua humanidade com o seu próximo…” …“O novo laço que permite ao Homem sentir-se concordante com todos os homens é fundamentalmente diverso da submissão ao pai, ou à mãe, ou a governantes ou líderes. É o laço harmonioso da FRATERNIDADE, no qual a SOLIDARIEDADE e os laços humanos não serão viciados pela restrição da liberdade emocional ou intelectual” (grifos meus).
Poderíamos ficar aqui enumerando mais umas centenas de pensamentos dos filósofos antigos e modernos a respeito do que deva ser uma sociedade ideal…
Era de Aquário ou não, utopia ou não, todos os homens, indistintamente, devem procurar uma nova solução. “BELEZA, BONDADE E SENTIDO PARA A VIDA deverão ser encontrados aqui, bem diante dos nossos olhos”.
Por mais absurdas que possam parecer as ideias e os paradigmas da nova Era de Aquário, elas já existiam na Era de Áries. Os filósofos gregos já tinham encontrado uma parte da solução. E muitos dos filósofos cristãos também. Se juntarmos esses retalhos de pensamentos faremos uma belíssima colcha. Aparentemente, uma colcha de retalhos; mas poderíamos construir uma nova vida, reabilitando o Homem.
Até que ponto estes novos paradigmas virão naturalmente, sem esforço, causa-nos alguma dúvida. Ou o Homem terá de tomar a decisão de adoptar estes novos paradigmas? Neste caso, terá de se reeducar e educar as próximas gerações. E teríamos de construir uma nova pedagogia.
Uma nova pedagogia, ou a velha pedagogia resgatada? Não precisamos inventar uma nova pedagogia. Podemos inspirar-nos em Coménius: “Na educação Comeniana, a união com Deus é alvo para ser atingido, porque, de contrário, o que se aprende não passa de vã jornada, um exercício de mera vaidade.”

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