sexta-feira, 19 de outubro de 2007

 

Editorial Nº 01 [19/10/2007]

Em defesa do direito à livre expressão




Em um ano de existência da Revista Horizonte – Leitura Holística, esta é a primeira vez que nos vemos inclinados a escrever um editorial, e com a função específica de esclarecer aspectos de nossa linha editorial e do que se constitui o chamado “direito à livre expressão”.

Temos publicado matérias polêmicas desde o primeiro número, versando sobre temas como a liberdade de expressão sexual, o fundamentalismo religioso, a pseudo-espiritualidade, as mudanças climáticas e o boicote aos Jogos Olímpicos de Beijing 2008. No caso deste último tema, os debates gerados na Internet (Orkut, MSN, blogs) foram intensos, mas sempre respeitosos. Os ânimos, por vezes, acirraram-se, mas dentro do aceitável quando se deseja defender determinado ponto de vista.

Mas, após o lançamento de nossa edição de aniversário (Nº 12 – outubro de 2007), as coisas se encaminharam de um modo, até então, para nós, sui generis. Nosso entrevistado do mês foi o médico colombiano, até há pouco radicado nos EUA e atualmente morando em São Paulo (Brasil), o Dr. Roberto Giraldo, sabidamente um dos cientistas dissidentes da teoria oficial do HIV/AIDS. Até aí, tudo bem.

Lançada a revista e iniciados alguns debates pela Internet, entre eles vários em comunidades do site de relacionamentos Orkut, os ânimos se acirraram de vez. Não em todas as comunidades onde os debates foram propostos e a entrevista apresentada. Apenas em uma. Uma comunidade de combate à homofobia com mais de 52 mil membros, da qual fazíamos parte.

Esperávamos que, numa comunidade com tantos membros, as pessoas soubessem ser pluralistas e não fundamentalistas quanto ao assunto HIV/AIDS. Os ataques, inicialmente apenas contra as idéias do entrevistado, logo passaram também a ser dirigidos ao editor da Revista Horizonte – Leitura Holística, por conta deste se ter dado a entrevistar o Dr. Roberto Giraldo, desafeto ideológico da maioria dos adeptos da teoria oficialista. Por fim, ficou evidente que o que se propunha era colocar no limbo os cientistas dissidentes e nem sequer lhe dar ouvidos. Como se pode pensar assim em pleno Terceiro Milênio, quando a liberdade de expressão de pensamento está tão difundida? Quando a liberdade de imprensa está sacramentada? Quando a liberdade de discordar em questões científicas e propor teorias alternativas é um fato, e não algo contrário à lei? Aliás, em qual país do mundo os cientistas dissidentes são considerados foras-da-lei? Em nenhum. É tudo, portanto, uma questão de opinião pessoal, a que cada um tem direito.

À medida que a polêmica foi se agravando, junto com as ofensas pessoais, muitas vezes ignoradas pela moderação da comunidade, ficava cada vez mais claro que as pessoas estavam confundido o entrevistador com o entrevistado, por conta de sua fúria por ter o primeiro se dignado a entrevistar um “maluco dissidente”, como muitos diziam. Como se pode cercear o direito de um jornalista entrevistar qualquer pessoa, ainda mais se esta pessoa não fala coisas contra a lei, não é um bandido e nem está sendo processado por ninguém? Não estaria o entrevistado, neste caso, totalmente amparado pela lei, ainda que tratando de um assunto polêmico, mas legal? Óbvio que sim. Mas não parecia tão óbvio para os debatedores daquela comunidade. Contudo, nas demais comunidades onde o debate fôra proposto, as coisas continuavam andando bem, com críticas mordazes, mas dentro do aceitável. Nenhuma comunidade, além daquela, propôs deletar os tópicos do debate.

Como conseqüência dos debates cada vez mais acalorados e desrespeitosos, a moderação daquela comunidade, incapaz de lidar com algo que se mostrou tão polêmico, preferiu ceder às instâncias dos “ortodoxos” e deletar os dois tópicos existentes sobre o assunto, um deles de nossa autoria. De nossa parte, procuramos observar o que acontecia apenas de forma jornalística, tentando concluir os motivos de tal acirramento dos ânimos. Ainda mais que, em outras comunidades e mesmo em nosso blog, isto não estava acontecendo.

Uma das conclusões a que chegamos é a de que, em comunidades onde há um grande número de militantes do movimento GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), a teoria oficialista de que o HIV é o único causador da AIDS reina absoluta. Os motivos disso podem ser vários, mas um talvez salte aos olhos: os homossexuais foram, durante muito tempo, as maiores vítimas do preconceito associado à AIDS, além de serem considerados por setores religiosos fundamentalistas como disseminadores da doença, por conta da promiscuidade.

Quando a teoria oficialista se fixou, mesmo sem todas as bases científicas necessárias, como advertem os dissidentes (e o reconhece o próprio Dr. Luc Montagnier, no documentário espanhol “Sida, La Duda”), e remédios foram desenvolvidos para aumentar a sobrevida dos soropositivos, à custa de uma intoxicação severa, como a causada pelo AZT, o movimento GLBT aderiu à idéia imediatamente, sem qualquer debate ou contraditório, vendo ali a chance de reduzir o ataque aos soropositivos homossexuais. Não é a questão de julgar tal atitude, mesmo porque era uma situação muito séria e premente. Mas não se pode abdicar ao debate por este mesmo motivo.

Voltando ao ponto em questão, a conseqüência final do debate acirrado foi a delecção dos dois tópicos e, por fim, nossa exclusão da dita comunidade, o que chocou alguns membros, que não viam motivo algum para isso. Para nós, a sentença era bem clara: Uma expulsão motivada pela audácia em entrevistar um cientista dissidente e ainda dar notícia do fato! Uma expulsão motivada pela entrevista e pela audácia do entrevistador em defender o direito de seu entrevistado a pensar diferente, baseado no princípio de liberdade de expressão, uma vez que o Dr. Giraldo não é um fora-da-lei, nem está sub judice, tem titulação suficiente para argumentar cientificamente e, até onde sabemos, não padece de problemas mentais.

É lamentável uma situação dessas num país como o Brasil, que saiu de uma Ditadura Militar há pouco mais de 20 anos, que passou duas décadas sem liberdade plena de expressão. É lamentável que a referida atitude tenha partido de pessoas jovens, que não sofreram os horrores da privação de liberdade de pensamento. É lamentável perceber como, em plena era da informação, da Internet em milhões de lares, da facilidade em se pesquisar as bases de qualquer assunto em poucos minutos, os jovens pareçam tão desinformados e tão intolerantes quando instados a buscar subsídios para defender suas posturas fixas. Aliás, esta parece uma postura comum em todas as idades: para quê contestar conceitos já estabelecidos, se é mais cômodo aceitá-los e pronto? Isso não combina com os tempos atuais, definitivamente.

Eis alguns dos argumentos mais absurdos que apareceram no referido debate deletado:

“Por favor, o assunto é sério demais! (...) Nem vou entrar no mérito. É totalmente absurdo. (...) Desculpe, não posso sequer ler esta bobagem. * Taí um bom caso de tópico a ser deletado!” [Este foi um dos primeiros comentários!]

“Protesto formal. Vou pedir pessoalmente para a moderação que esse tópico seja deletado, pois ele contém informações (...) que são criminosas, levianas e inverídicas sobre a questão. (...) eu não posso admitir a divulgação dessa informação perigosa e sem nenhum fundamento médico.” [Informações criminosas? Em qual país são consideradas assim? Informações perigosas porque fazem pensar?]

“Realmente este 'Dr.' deveria estar preso ou se tratando.” [Se é assim, por que discutir o assunto não é ilegal?]

“Eu acho que a comunidade médica/científica deveria dar um basta nesta especulação absurda de uma vez por todas.” [Se não o fez é porque não pode. Como calar cerca de 5 mil cientistas dissidentes, entre eles, dois Prêmios Nobel?]

“(...) se o Sr. Paulo [editor] e o próprio Dr. [Giraldo] acreditam nesta teoria, será que aceitariam receber sangue contaminado pelo HIV sem tomar medicamentos nos cinco anos seguintes?” [Confundindo o entrevistador com o entrevistado, como já dissemos. A idéia de contaminação consentida, proposta pelo Dr. Peter Duesberg para si mesmo, mas em condições estritamente científicas, como forma de comprovar sua teoria, nunca foi aceita por nenhum laboratório do mundo. Acaso aceitariam se nos dispuséssemos?]

Abaixo, trecho de nossa justificativa junto à moderação, muito útil para apresentar a opinião editorial da Revista Horizonte – Leitura Holística daqui por diante:

“Impedir que os membros do Orkut tenham acesso ao conteúdo de debates sobre assuntos polêmicos, mas não contrários à lei, uma vez que tais debates são públicos, já que qualquer 'orkuteiro' pode lê-los sem participar da comunidade é, no mínimo, uma atitude contestável pelo senso comum.”

Depois disso, ocorreu a expulsão sumária... Lamentável num país livre!

Posto isso, a Revista Horizonte – Leitura Holística, através de seu editor, declara o seguinte:

Continuaremos a tratar de assuntos polêmicos, seja nas entrevistas ou nos artigos em geral, desde que embasados na lei de liberdade de expressão. Esclarecemos que SEMPRE estamos abertos ao contraditório, ao contraponto. Desta forma, qualquer pessoa que discorde do que foi tratado em um artigo ou entrevista, pode propor outro artigo ou outro entrevistado, para que os leitores tirem suas próprias conclusões. Comprometemo-nos a dar espaço a todos os lados de qualquer questão polêmica, desde que os autores ou entrevistados tenham argumentos substanciais e acrescentem algo de útil ao debate. Por uma questão de equilíbrio de argumentos, preferimos que um “rebatedor”, seja articulista ou entrevistado, tenha, pelo menos, o mesmo grau de titulação daquele a quem rebate e que pertença à mesma área. Assim, os leitores terão argumentos mais ou menos equivalentes em visões opostas.

Utilizando esta regra, considerando que o Dr. Roberto Giraldo é médico especialista em infectologia e imunologia, seu “rebatedor” deveria, no mínimo, pertencer à mesma área ou ter titulação semelhante, para que seus contra-argumentos fossem considerados justos e suscetíveis de confrontação. Isso responde e satisfaz uma pergunta feita a alguns de nossos leitores nos últimos dias: O que você prefere, que um doutor dissidente da teoria oficial do HIV/AIDS, especialista em imunologia, seja contestado em outra entrevista por um clínico geral ou por outro especialista na área, partidário da teoria oficialista? A resposta é óbvia, não é mesmo?

Ficamos, então, disponíveis, se em algum momento um especialista oficialista quiser se manifestar através da Revista Horizonte – Leitura Holística.

Não poderíamos encerrar sem um enorme elogio a nossos milhares de leitores. Deles, recebemos várias avaliações sobre a entrevista do Dr. Giraldo, favoráveis ou não a suas idéias. Contudo, em todas as situações nossos leitores foram, como sempre, corteses, educados, conscientes e interessados em informar-se mais sobre o assunto. Queremos esclarecer que as críticas pesadas à nossa atitude de entrevistar o Dr. Giraldo partiram de pessoas que mal conhecem a Revista Horizonte – Leitura Holística. Algumas, por sinal, revelaram não saber a diferença entre visão holística e “mistificação”.

Manifestamos, mais uma vez, nosso repúdio a atitudes de intolerância, cerceamento do direito de expressão do pensamento, ofensas pessoais por idéias esposadas, argumentos passionais e hostilidade, gerados por qualquer assunto polêmico permitido por lei tratado em qualquer veículo de informação midiática ou de expressão individual (como é o Orkut) em qualquer lugar do mundo. Afinal, perder a linha, é perder a razão!

Fraternalmente,

Paulo Stekel
(editor)

Comments:
Estevam enviou o link de um blog para você:

Olá, por favor, gostaria de saber, se possivel, o e-mail do senhor Selso Barden. Obrigado pela atenção. Estevam

Blog: Blog da Revista Horizonte - Leitura Holística
Postagem: Selso Barden, pesquisador do Apocalipse, visita a Revista Horizonte – Leitura Holística
Link: http://revistahorizonte.blogspot.com/2007/08/selso-barden-pesquisador-do-apocalipse.html

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O site do Sr. Selso Barden está fora do ar no momento. O contato com ele era feito por ali. A solução é aguardar.
 
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