sexta-feira, 8 de junho de 2007
Espiritualidade na universidade: o academicismo abre as portas para o transcendental? [versão completa]


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(fotos do evento gentilmente cedidas por Marlene Reinaldo)
[Reflexões sobre o Fórum Universidade e Espiritualidade 2007 – Olhares Transdisciplinares: 23 a 26 de maio de 2007 - UFRGS – Porto Alegre]
por Paulo Stekel
No período de 23 a 26 de maio a Revista Horizonte – Leitura Holística esteve presente no “Fórum Universidade e Espiritualidade 2007 – Olhares Transdisciplinares”, realizado em Porto Alegre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em conjunto com a sua Pró-Reitoria de Extensão e o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade (NIETE).
Nas palavras da própria organização, entre os objetivos do evento está o de “contribuir para manter, ancorar e alavancar a proposta de inserção do conhecimento sobre Espiritualidade nas instituições de ensino superior e em instituições da sociedade”.
Neste artigo, ao invés de uma apresentação jornalística usual optamos por fazer algumas reflexões baseadas no que assistimos e em conversas pessoais que tivemos com conferencistas e também com o público participante.
Objetivos
O “Caderno do Programa” apresenta os cinco objetivos do Fórum (nossos comentários estão entre parênteses):
Estabelecer o intercâmbio com todas as instituições afins, nas diferentes áreas, para a reflexão acerca da produção de conhecimento sobre espiritualidade (tal produção tem aumentado significativamente nos últimos anos e, felizmente, por sua abordagem científica, tem conseguido escapar do parcialismo comum a visões fanáticas e fundamentalistas embutidas em apresentações “pseudo-científicas” promovidas por grupos religiosos);
Refletir sobre implicações e impactos das concepções vigentes e de outras a serem construídas para as tomadas de posição e ações nos níveis pessoal e institucional (uma das conclusões óbvias é a diversidade de concepções e a clara dificuldade de conciliá-las entre si e também com o pensamento científico moderno, a não ser que haja uma maior abertura da ciência para a visão espiritual e um reconhecimento da necessidade de método científico por parte dos partidários de tais concepções);
Estabelecer uma rede de grupos e núcleos de interesse existentes nas universidades e demais instituições, que propicie o fortalecimento da temática como objeto de conhecimento em nível de extensão, ensino e pesquisa (em nível de extensão o número de projetos envolvendo espiritualidade aumenta a cada ano pelo mundo acadêmico afora; as pesquisas científicas na área são as mais antigas e proliferam positivamente; o ensino ainda esbarra em alguns pontos polêmicos, devido a questões de orientação religiosa por parte de alguns grupos polemizadores);
Criar um fórum de discussão a partir dos novos paradigmas da ciência, destacando-se o compromisso da Universidade na produção e socialização do conhecimento e na formação profissional, que venham contribuir para a qualidade de vida no planeta (os novos paradigmas científicos, ainda que um pouco localizados em seus nichos de origem, estão cada vez mais penetrando a cultura geral, de modo que conceitos como ecologia profunda, visão holística, hipótese Gaia e sustentabilidade não são mais tão estranhos como antes);
Buscar uma cultura científica voltada para valores de espiritualidade (tais valores são geralmente éticos e, salvo exceções, as diversas concepções espirituais concordam quanto a eles, o que permite uma cultura científica não-sectária e imparcial voltada a valores desta natureza).
Quebrando velhos paradigmas
Durante a abertura do evento, Neusa Junqueira Armellini, da Comissão de Coordenação Executiva, explanou sobre a origem do NIETE, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade, principal articulador do fórum. Criado a partir de março de 2000, o NIETE hoje “conta com a participação de ex-docentes e docentes, alunos e ex-alunos, técnicos administrativos e ex-técnicos administrativos e de membros da comunidade”. Para Neusa, a “espiritualidade é um conhecimento e um processo em construção. (...) O forte do NIETE é a relação entre espiritualidade e ciência”.
O coordenador geral do evento, Prof. Nelton Luis Dresch explicou que, nos primórdios do NIETE, a discussão sobre espiritualidade na UFRGS estava restrita à própria universidade. Depois o objetivo passou a ser o compartilhamento da proposta com outras universidades e a comunidade em geral.
Para a Pró-reitora de Extensão, Dra. Sara Viola Rodrigues, o contato com a diversidade é o mais importante para a extensão universitária. Segundo ela, o NIETE conseguiu quebrar um velho paradigma corrente na UFRGS (e certamente em muitas universidades), provocando a discussão de temas alternativos como a espiritualidade. Foi uma vitória sobre um positivismo exagerado que ainda dominava a UFRGS há bem pouco tempo.
Olhares transdisciplinares
A primeira mesa redonda do fórum foi simplesmente primorosa. O primeiro a falar foi o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira (UNIESPÍRITO – SP; www.uniespirito.com.br), pesquisador na área de Psicobiofísica. Ele desenvolve há cerca de 20 anos estudos sobre a glândula pineal e busca provar que a existência de cristais de apatita na mesma tem relação com atividades psíquicas. Apesar de fortemente contestado por outros cientistas, que o acusam de estar ligado a uma religião (o espiritismo), o que prejudicaria a imparcialidade de suas pesquisas, sua presença no Fórum foi ótima para mostrar o quanto sua pesquisa é séria, independente de suas convicções religiosas. Durante muito tempo os cientistas foram de alguma forma ligados a visões cristãs ou teístas (afinal, Deus é uma crença!) e poucos contestaram a validade de suas pesquisas. Por que aqui seria diferente?
Para o Dr. Sérgio, se o cérebro é um computador, a inteligência deve vir de fora. O pensamento causa um impacto sobre a matéria. Sua abordagem é a de um metasistema envolvendo o cérebro e a mente. Para ele, “precisamos deixar de colocar a opinião pessoal em cima da ciência”. [Pretendemos apresentar com mais detalhe o trabalho do Dr. Sérgio e talvez uma entrevista nas próximas edições de Horizonte – Leitura Holística]
O segundo a palestrar foi o Dr. José Roberto Goldim (UFRGS/PUCRS; www.ufrgs.br/bioetica), professor, biólogo e fundador da Sociedade Riograndense de Bioética. Seu tema foi bioética e espiritualidade, baseado numa pesquisa iniciada em 2002 que culminou em livro a ser lançado em breve. O objetivo do projeto era “identificar o conceito de pessoa, início e fim da vida utilizado pelas diferentes religiões sobre a participação de seres humanos em pesquisas”. Várias situações de trato delicado foram descritas, com a proibição pelas Testemunhas de Jeová da transfusão de sangue, o que causa um dilema no caso de risco de vida. Foram realizadas várias reuniões com os membros dessa e de outras religiões, objetivando melhor atender os pacientes. O Dr. Goldim deixava claro nestes debates com os religiosos que não se tratava de discutir crenças, mas a melhor forma de conduzir o tratamento médico.
Durante o tempo da pesquisa se trabalhou com grupos católicos, luteranos, budistas, mórmons, religiões afro-brasileiras, etc., todos incentivados a participar de um grupo de bioética. A maioria deles se mostrou aberto ao diálogo. Alguns, entretanto, se mostraram muito fechados, como foi o caso de quatro religiões consideradas neo-pentecostais.
Para o Dr. Goldim: “As pessoas têem o direito de exercer sua espiritualidade. (...) O fato da universidade ser laica não deve impedir que ela se debruce sobre a pesquisa da espiritualidade.”
Espiritualidade e Física Quântica
A 3ª mesa redonda do evento também merece destaque. Ali se discutiu a espiritualidade e as contribuições da Física Quântica.
O Dr. Moacir Costa de Araújo Lima (PUCRS), orador, escritor, físico e jurista, lembrou que alguns se consideram “proprietários da verdade na ciência”. Para ele, “não se deve querer resolver o novo paradigma com o velho paradigma, pois o novo amplia o antigo”. A ciência mecanicista tem relações com as religiões fatalistas no sentido de que tudo parece preestabelecido, seja pelos átomos ou por Deus. Mas, “o universo é feito de energia e intenção”.
Nas palavras do Dr. Moacir: “A Teoria da Relatividade fez as idéias maniqueístas perderem sentido. (...) Einstein disse que todo o fenômeno físico é relativo a um observador e não que 'tudo é relativo'. (...) Os conceitos perderam seu grau de absolutismo. (...) O que faz o elétron se comportar como onda ou partícula é a consciência do observador.”
O Dr. Jeverson Rogério Costa Reichow (UNESC/SC), graduado em Psicologia, com ênfase em Psicologia Transpessoal, focou sua apresentação nas relações complementares entre Transdisciplinaridade, Física Quântica e Espiritualidade. Para ele, o universo é informacional, coordenado. Lembrou da importância de se ampliar as pesquisas científicas envolvendo a espiritualidade, uma vez que há em curso estudos com viés organicista tentando provar que a espiritualidade é um mero produto do cérebro.
O Dr. Reichow, ao se perguntar “qual é a natureza essencial do universo”, deu a resposta: “informação consciente.”
Durante uma das muitas sessões simultâneas do Fórum, a Dra. em Engenharia, Liane Roldo (UFRGS) se propôs a demonstrar como enxergar a espiritualidade através dos olhos da Física Quântica e da Teoria da Relatividade. Apresentando idéias de Einstein, Max Planck e o físico norte-americano Lee Smolin, autor da Teoria da Gravidade Quântica em Laço [Loop] (ver arquivos em inglês em http://web.archive.org/web/20060428001322/www.qgravity.org/), a Dra. Liane se questionou se a expansão de consciência não teria a ver com o aumento de volume do sistema, como ocorre em física. Segundo ela, se um corpo aumenta de volume, se torna mais leve e isso teria relações com a idéia de expansão da consciência. Então, tornando qualquer sistema mais leve ou sutil por aumento de volume (o que é muito bem feito através do calor), isso, no caso dos seres vivos, poderia ser a chave da cura? Pensamos ser algo que merece ser pesquisado.
Hereditariedade e Crianças Índigo
Em outra sessão, o médico Luís Eduardo Zamprogna (Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre) procurou explicar o fenômeno das crianças índigo através de uma abordagem envolvendo a hereditariedade, modificações do código genético e mesmo uma mudança na conformação energética do planeta Terra. Segundo sua apresentação, citando freqüentemente o “canalizador” norte-americano Lee Carroll (ver www.kryon.com [em inglês]), os índigos seriam crianças que viriam com o código genético ativado. Lembrou que cerca de 08% das crianças que nascem apresentam déficit de atenção, mas imagina que este número deve estar superestimado. Contudo, está aumentando o número de crianças que dizem falar com “espíritos”.
Segundo Zamprogna, o Projeto Genoma Humano descobriu que temos apenas 30 mil gens, cifra muito menor do que se esperava. Para ele, “talvez ainda não se tenha descoberto tudo sobre o DNA”. Apresentou ainda a idéia de Lee Carroll, que afirmou que em 1994 houve uma mudança no padrão de energia da Terra, mudando mesmo a estrutura do DNA, que teria passado de duas para doze cordas! As crianças índigo teriam essas doze cordas em seu DNA. Esse é um assunto polêmico, que divide opiniões, tanto quanto a teoria do cinturão de fótons, igualmente citada por Zamprogna. São teorias que aparecem cada vez mais em livros, artigos e pela internet, mas cujas bases são ainda insuficientes para que se possa considerá-las verdades pelo menos aceitáveis fora do terreno da crença.
Se tais teorias têem alguma lógica, ainda estamos à espera dos trabalhos científicos que venham a confirmá-las. Por enquanto, o que temos são afirmações de inúmeras fontes “canalizadas”, e muitas delas contraditórias.
Influência do pensamento em funções biológicas?
Uma das sessões simultâneas mais interessantes trouxe os resultados ainda parciais da pesquisa realizada pelo professor da UFRGS, João Henrique Corrêa Kanan, Doutor em Bioquímica e Biologia Molecular Aplicada (University of Manchester Institute of Science and Technology, 1992). Seu tema foi “A influência do pensamento consciente em funções biológicas: um estudo com bactérias”.
Kanan citou as pesquisas científicas realizadas por Radin;Taft;Yount - de 2004 -, utilizando a técnica conhecida como Johrei (uma técnica ligada à Igreja Messiânica Mundial – ver http://johrei.zip.net) para provocar o aumento de reprodução em bactérias; as pesquisas de Ohnishi;Ohnishi;Nishino – de 2005 -, utilizando células cancerosas; as pesquisas de Astin;Harkness;Ernst – de 2000 -, utilizando cura à distância. No primeiro caso, houve uma diferença de crescimento das bactérias tratadas com Johrei ao longo do tempo. No segundo caso, diminuíram as células cancerosas, mas aumentou a quantidade de proteínas.
As pesquisas realizadas pelo próprio Dr. Kanan e sua equipe utilizaram duas bactérias: enterococus faecalis e escheria coli XL1-B.
No primeiro caso, o método utilizado foi o passe espírita. Na avaliação dos resultados se pôde detectar um maior crescimento das bactérias tratadas com relação às que não foram submetidas ao passe. Contudo, os números não foram estatisticamente significativos. Em 10 experimentos, 06 apresentaram maior crescimento e 04 crescimento menor.
No segundo caso, as bactérias foram expostas à luz ultravioleta por cinco segundos antes do processo de imposição de mãos. A luz ultravioleta matou quase todas as bactérias das culturas, restando umas poucas. Aqui, os energizadores foram: 05 médiuns espíritas, 06 passistas não-médiuns e 01 voluntário sem treinamento (o próprio Dr. Kanan). Os resultados foram um pouco mais estimulantes, mas ainda são preliminares, requerendo novos experimentos. A pesquisa do Dr. Kanan ainda está em andamento.
Espiritualidade e Ecologia
No último dia do Fórum estiveram presentes o ecologista e engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro (Núcleo de Economia Alternativa da UFRGS) e a psicóloga Dra. Bárbara Haro dos Santos, que discursou sobre a importância de se procurar a significação, e não o significado, das imagens e acontecimentos.
A importante relação entre espiritualidade, biologia e ecologia foi o tema da última mesa redonda do Fórum Universidade e Espiritualidade 2007: Olhares transdisciplinares.
O ecologista Sebastião Pinheiro iniciou o debate apresentando a importância social e biológica da agricultura orgânica, sem aditivos e não-transgênica. Para ele, toda a sociedade deveria ter acesso a produtos cultivados através de um sistema natural, orgânico e não predatório, o que não acontece hoje devido ao elevado preço desses alimentos. Sebastião também enfatizou a necessidade de se dar valor à terra na qual se planta. “É um valor transcedental, porque a terra está em nós e nós estamos nela”, afirmou o ecologista.
Para Vânia Schneider, professora do curso de engenharia ambiental da UCS: “O mundo está se transformando muito rapidamente e quem provocou isso fomos nós mesmos (...). Espiritualmente, podemos encontrar a força e o equilíbrio para enfrentar esse momento de crise, compreendendo a nossa ecologia interior.”
Encerrando o debate, o professor de ecologia da UFRGS, Feliciano Flores, refletiu sobre a importância da cooperação no processo de evolução dos seres vivos. “O processo evolutivo se deu pela colaboração, pela junção, pela simbiose”, afirmou o professor, que acredita que também devemos colaborar uns com os outros para evoluir nossa espécie.
Espiritualidade na pauta da academia
A avaliação do evento, feita pelo seu coordenador, o professor da UFRGS Nelton Dresch foi de que o Fórum atingiu seu principal objetivo, o de estabelecer o intercâmbio entre diferentes áreas para a reflexão acerca da produção de conhecimento sobre espiritualidade.
O que parece evidente é que o número de eventos promovidos por universidades brasileiras e estrangeiras envolvendo espiritualidade, terapias complementares e novos paradigmas é cada vez mais freqüente. Ainda este ano a cidade de Porto Alegre contará com outro evento, o I Congresso Brasileiro de Espiritualidade e Religiosidade na Saúde Mental, promovido pelo Pronto Psiquiatria (ver www.prontopsiquiatria.com.br). Uma rápida consulta à internet revela outros eventos ocorrendo pelo Brasil e pelo mundo afora. E todos com abordagem científica. Em nossa opinião, estes eventos ajudam a desmistificar a espiritualidade, a quebrar as barreiras do preconceito junto às instituições acadêmicas e a colocar o transcendente na ordem do dia na pesquisa científica.
O Fórum Universidade e Espiritualidade 2007: Olhares transdisciplinares, uma iniciativa do NIETE - Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade, da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, é algo a ser repetido nos próximos anos e em outras universidades.
Para mais informações, consulte o website do Fórum (www.psico.ufrgs.br/espiritualidade) e do NIETE (www.prorext.ufrgs.br/nucleos/niete).
Entrevista: Delci Jardim da Trindade – A essência do MOINTIAN [versão completa]

Entrevista concedida a Paulo Stekel pelo decodificador do MOINTIAN, Método Integrado de Transmutação Interior e Ascensão
Conhecemos o Delci através de uma grande amiga em comum há pouco tempo. De nossas conversas muito profundas sobre espiritualidade e da leitura de seu livro nasceu a idéia desta entrevista, que julgamos útil para aqueles leitores que se sentem em constante busca do caminho perfeito, mas que sempre se decepcionam com os caminhos trilhados.
Delci Jardim da Trindade, ou Jardim, é o Codificador do método conhecido como MOINTIAN. O livro de Jardim, contendo as técnicas do MOINTIAN, foi divulgado na edição anterior de Horizonte – Leitura Holística.
Jardim mantém o Centro de Treinamento do MOINTIAN na cidade de Santiago (RS), onde ensina, pratica e divulga o método. As atividades no Centro de Treinamento envolvem a prática terapêutica, reuniões com iniciados e meditações em grupo.
Atualmente Jardim confere palestras e cursos onde ensina a utilização do manual completo para aqueles que não querem realizar as auto-iniciações, conforme demonstradas no manual.
Para maiores informações, consulte o site do MOINTIAN: www.mointian.com.br
Horizonte: O que é exatamente o MOINTIAN, esta técnica descrita em seu recente livro, já divulgado pela Revista Horizonte – Leitura Holística?
Jardim: O MOINTIAN é, por definição, uma Escola, um método que pode, através de vários níveis e técnicas, proporcionar a elevação do nível de consciência dos que se iniciam nele, visando que se atinja a Consciência Cósmica, Ascensão ou Iluminação. Este é e sempre foi o propósito das verdadeiras Escolas Esotéricas, movimentos espiritualistas e até mesmo das religiões, antes de se tornarem institucionalizadas.
Horizonte: Sendo uma técnica de harmonização, reequilíbrio energétigo ou espiritual, o MOINTIAN é também uma técnica de cura, que seria o reequilíbrio integral do Ser. Qual a relação dele, então, com técnicas já conhecidas, como o Reiki, por exemplo?
Jardim: O MOINTIAN não visa o reequilíbrio como a maioria dos métodos atuais, mas é, antes de tudo, uma renovação dos conceitos espirituais, ou o resgate da verdadeira espiritualidade, aquela onde a prioridade é alcançar a Iluminação, e proporcionar a introdução de modos de vida em conformidade com a civilização que habitará os planos mais densos em um futuro próximo. A única relação que existe com métodos como Reiki é a forma de aplicação no Nível I e a utilização de símbolos no Nível II. Vale lembrar que as aplicações têm um sentido diferente daquele buscado para a maioria das terapias, qual seja da pura harmonização ou efeitos de alívio imediato, e que os símbolos do MOINTIAN não são encontrados em outros métodos.
Horizonte: Você diz que o uso do MOINTIAN "potencializa" outras técnicas porventura utilizadas por terapeutas holísticos e curadores. Como espera que eles aceitem esta afirmação como verdadeira, como imagina que eles não pensarão ser o MOINTIAN apenas mais uma técnica entre tantas?
Jardim: Somente através da utilização das técnicas e das iniciações, realizadas individualmente, este questionamento pode ser respondido. Através da experimentação pessoal, cada um poderá SENTIR o que é exposto no MOINTIAN e saber se o método faz parte de seu ser ou deve ser deixado de lado.
Horizonte: Em seu livro, você diz que o MOINTIAN está baseado em informações novas, em uma nova matriz energética humana, algo muito tratado em obras de Trigueirinho desde a década de 1980. Ele tem seus defensores e também opositores ferrenhos. Qual a relação real de sua técnica com as idéias dele e de autores semelhantes?
Jardim: O MOINTIAN é um elo entre a nossa atual civilização e a próxima. Não está vinculado ao pensamento de um autor ou escola, nem está associado a qualquer movimento existente. As informações veiculadas pelo MOINTNAN são a expressão daquilo que é vivido pela Hierarquia Espiritual em seus vários escalões.É a chave para aqueles que desejarem, possam conhecer e experimentar uma nova realidade ou padrão de existência, totalmente diferente do aplicado pela sociedade atual. Inclua-se nisto as necessidades básicas como sono, nutrição e mesmo a forma de raciocínio. Para isto, para que este padrão seja vivido, cada um precisa ascender do nível puramente humano ou de “buscador profissional”, para o de participante ativo do Plano Divino na Terra. As técnicas e as iniciações são potentes formas de acelerar o encontro com esta realidade.
Horizonte: Atualmente muito se fala em mudanças planetárias, alteração do DNA, resgate planetário, dias de trevas e coisas do gênero. Não há um certo alarmismo fanático nestas idéias? Qual a conexão da filosofia do MOINTIAN com algumas idéias consideradas típicas da "nova era"?
Jardim: A maioria destas teorias são apenas especulações geradas pela necessidade de mostrar algum serviço. Tenho visto que muitos dos que se dedicam ao que chamam espiritualidade, são pessoas frustradas, que não conseguiram obter uma boa qualidade de vida material ou profissional. Escondem-se na fachada de uma busca espiritual eterna e criam idéias de carma ou que o traçado de seu suposto destino impede que concebam uma realidade cheia de alegria. Para a verdadeira espiritualidade, se ocorrem catástrofes ou situações desagradáveis para uma população, isto é apenas a ocorrência de um ciclo natural, de mudança, de transmutação. Ademais, segundo consta, pessoas espiritualizadas crêem na existência da alma. Então, se algo ocorre no plano material, continua a caminhada no plano espiritual... Atualmente, as chamadas dívidas passadas podem ser consumidas pela plena vivência espiritual, pela entrega imparcial da personalidade ao Eu Superior, sem a necessidade de dor ou sofrimento, a menos que seja voluntariamente um serviço a ser prestado para um grupo ou população.
Horizonte: Que tipo de resultados visíveis a técnica do MOINTIAN apresentou ao ser aplicada em milhares de pessoas nos últimos anos?
Jardim: O número de pessoas que utilizam o MOINTIAN, no plano externo e conscientemente, neste ciclo atual, talvez não atinja ainda duas centenas, mas esta pergunta deveria ser dirigida a cada aluno. Sei que, após o MOINTIAN, ninguém continua do mesmo jeito que antes. As mudanças ocorrem.
Horizonte: O 3º Milênio continuará sendo uma época de busca de Mestres externos ou passaremos a buscar o Mestre internamente? Neste caso, cada buscador pode vir a codificar seu próprio método de cura e reequilíbrio?
Jardim: O ideal a ser atingido por todos é o de não precisar mais de métodos ou técnicas, mas viver o divino na consciência terrena. Quando esta fase chega, cada um deve ser a própria expressão da divindade e, por conseqüência, de todas as energias disponíveis para si ou para os outros.
Horizonte: Como se formam instrutores e mesmo "mestres" no MOINTIAN?
Jardim: Ainda não temos instrutores autorizados no MOINTIAN, mas o pressuposto básico é que tenha vivência real das técnicas, sabendo não pela leitura, mas pelo resultado em sua vida, do que cada técnica e cada nível proporciona. Não é uma formação realizada em um curso, mas uma formação interna e pessoal – espiritual. Outros requisitos são que não ingira carnes, álcool e fumo. Qualquer pessoa verdadeiramente integrante da realidade interna sabe que estes requisitos não são dogmas, mas libertação.
Horizonte: Qualquer pessoa pode utilizar o MOINTIAN sem conexão direta com você, já que o livro publicado possui até "auto-iniciações"? Como elas funcionam, já que isso diferencia muito o MOINTIAN de técnicas que requerem iniciações – geralmente muito caras – para que sejam utilizadas pelas pessoas?
Jardim: O Caminho Espiritual pressupõe liberdade, libertação de amarras, de conceitos, de formas de vida que aprisionem o ser na densidade planetária e na estagnação gerada por isto. Temos visto uma parafernália de instrumentos, livros e “ferramentas”, rituais, objetos, etc., criados para o que seria realizar esta libertação. Mas como pode um ser libertar-se de algo e ficar preso a outra coisa? A devoção, atualmente, não é dirigida para o externo, como no passado, quando os Mestres (ascensionados, fique claro) criavam uma conexão com o discípulo (escolhido por ele por mérito espiritual) através da visualização da figura ou da expressão de atitudes que a figura do MESTRE representava. Hoje, ela deve ser dirigida para o Ser Interno, o Mestre Interior, o Eu superior de cada um e, através deste contato, cada um poderá descobrir o seu verdadeiro caminho, sua verdadeira IDENTIDADE ESPIRITUAL, facilitando a busca e, principalmente, sua ascensão neste Caminho. As Hierarquias do planeta, autorizam o MOINTIAN como uma força extra para todos os grupos, tipos de seres e para todos os discípulos de todos os Raios ou Escolas, favorecendo este encontro. Em outras palavras, desde tempos pretéritos o MOINTIAN é ativado em ciclos importantes de transformação planetária para auxiliar as Hierarquias do planeta Terra. Então, cada pessoa que se inicia no MOINTIAN é auxiliada por seres do plano espiritual (que nada tem a ver com seres desencarnados ainda pertencentes ao reino humano) que são auxiliares diretos das Hierarquias e dos Mestres próprios para cada novo aluno. Isto é facilitado pela Consciência de Grupo do MOINTIAN, uma espécie de reunião de energias-consciências que acolhe e redireciona cada novo aluno para o departamento que seja próprio para ele. Então, o Método é pioneiro para a visão atual e perdida da espiritualidade, mas é algo que sempre foi realizado no plano interno. Nisto consiste o resgate da verdadeira vida espiritual, ou da chamada busca, que não necessita de intermediários, mas necessita de entrega, de fidelidade, de trabalho interno, de responsabilidade. As técnicas auxiliam para cada novo aluno realizar primeiro a conexão com esta Consciência de Grupo e depois, geram a força para o trabalho inicial com as iniciações. Depois disto, o trabalho interno deve ser realizado com as técnicas de cada nível para que se atinja o objetivo da vida espiritual de cada um. As transformações decorrentes deste processo de utilização das técnicas e símbolos é que proporcionam alívio para traumas, doenças ou sofrimentos.
Horizonte: Agradecemos a gentileza desta entrevista. Deixamos espaço para suas últimas considerações e conselhos aos interessados na cura interna.
Jardim: O pensamento que deve nutrir a vida pessoal de um buscador, é o de ascender em nível espiritual. Primeiro ele busca um contato, depois, torna-se um discípulo de um Mestre ou Hierarquia Espiritual. Logo a seguir, será um iniciado e assim, até atingir a própria maestria. Por que isto tem sido esquecido pelas pessoas que se dizem espiritualizadas? Por que pensar que a vida espiritual é algo distante da vida externa? Por que temer de entregar-se ao profundo do próprio ser, encontrando o direcionamento real de sua existência, se é esta a meta que todos devemos atingir? Lembrem-se: o objetivo da humanidade é sair do reino humano e entrar no espiritual, vivendo o que é chamado plano divino, realizando a meta de sua alma e mônada. Esta realidade, sem fantasias, como a criada por pessoas que se utilizam da boa fé de buscadores com problemas de personalidade, problemas materiais, terrenos, é que deve ser buscada e vivida por todos.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
4º Debate no MSN: Profecias para o 3º Milênio - realidade ou fanatismo?

No dia 02 de junho realizamos o 4º Debate da Revista Horizonte - Leitura Holística no MSN. O tema foi: "Profecias para o 3º Milênio - realidade ou fanatismo?" A discussão foi bem acalorada, mas produtiva, como vocês poderão confirmar ao lerem os principais argumentos abaixo:
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Prezados amigos leitores da Revista Horizonte. Estamos iniciando o 4º debate, cujo tema é: PROFECIAS PARA O 3º MILÊNIO - REALIDADE OU FANATISMO? Bem, iniciando, gostaria que cada um desse sua opinião sobre profecias para o 3º milênio, independente da crença. Vocês acreditam que profecias têm algum sentido?
Tiago diz:
Se baseadas na ciência, sim!
[b]Lord Victor[/b] - [c=4]Death Note[/c] diz:
De certa forma, podem ser interpretadas...
Tadeu Fleck diz:
Acredito quando são pautadas na racionalidade.
Tiago diz:
A questão é como agir diante de uma possivel situação apocalíptica.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Pois é. Muitas vezes as profecias são de natureza apocalíptica, mas nem sempre. Não podemos confundir.
Mariângela diz:
Penso que têm conexão com as mais variadas áreas da ciência, e também paraciências, portanto partes de verdades.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Concordo Mariângela: "partes de verdades".
Tiago diz:
Isso leva a uma relativização. É muito perigoso!
Tadeu Fleck diz:
Existem coisas inevitáveis na vida: morte, envelhecimento, doença. As profecias se cumprirão independente de nossa vontade quando verdadeiras.
Tiago diz:
Querem relativizar tudo.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Mas, como saber se são verdadeiras, Tadeu?
Tadeu Fleck diz:
Pelos Sinais, Paulo.
Mariângela diz:
Não creio nesses perigos, o que tem que se cumprir, cumprir-se-á. E nem sempre somos sabedores da totalidade.
Tiago diz:
Não existe meia verdade. Ou é a verdade ou estamos diante de algo novo.!
Tadeu Fleck diz:
Concordo com o Tiago no ponto em que não há meias verdades.
Renata Machado diz:
Depende de quem vem...
Tiago diz:
O portador da profecia é importante?
Renata Machado diz:
Claro que sim!
Mariângela diz:
Sempre o portador da profecia é importante.
Tiago diz:
Ou você aceitaria qualquer idéia.. para ignorar uma verdade!
Renata Machado diz:
Pra mim é e muito.
Tadeu Fleck diz:
Também acho importante o portador, sua credibilidade ou não.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Acredito que o portador da profecia tenha alguma relação com idoneidade, Tiago, embora não seja tudo sobre a verdade de uma profecia.
Mariângela diz:
Justamente a credibilidade.
Tiago diz:
Essa credibilidade vem de forma racional, baseada em fatos e comprovações científicas, medidas, estudos, coleta de dados...
Mariângela diz:
A credibilidade não são dados apenas.
Tiago diz:
Agora sem dados não há como realizar uma medição de uma profecia, se é real ou não.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Sim, mas no final das contas, que dados temos para confiar em profecias? E, neste caso, a confiança nelas não acaba sendo algo de grupos específicos e não algo de massa?
[b]Lord Victor[/b] - [c=4]Death Note[/c] diz:
Profecias podem ser interpretadas de várias formas diferentes.
Tiago diz:
A massa sempre vai ignorar.
Mariângela diz:
Em princípio, todas as formas de estudos, confirmações, relações com outros fatos, realidade em suma.
Tiago diz:
Isso é comum em uma sociedade.
Tadeu Fleck diz:
As "Profecias Celestinas", por exemplo, dão pano pra várias interpretações.
Renata Machado diz:
Às vezes as pessoas estão "vendo" uma profecia e não se dão conta disso.
Tiago diz:
A fé de alguns cientistas é tão grande sobre um possível aquecimento global que esmaga as pesquisas.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Vamos especificar melhor. O que vocês pensam sobre as profecias bíblicas? Muitas as interpretam livremente como sinais de um "fim do mundo". O que vocês pensam?
Tiago diz:
São profecias baseadas na cultura do povo hebreu. Fora dele não há sentido!
Renata Machado diz:
Sou cristã e acredito.
Mariângela diz:
Concordo contigo, Renata.
[b]Lord Victor[/b] - [c=4]Death Note[/c] diz:
Não acredito nisto.
Tadeu Fleck diz:
Se este mundo terminar, penso na possibilidade, como Richard Bach em "Ilusões": podemos criar outros mundos além destes.
Tiago diz:
Eu não acredito e nem desacredito, apenas essas idéias fazem parte de uma cultura do oriente médio!
Mariângela diz:
Em relação às profecias bíblicas, nós estamos 'vendo' algumas delas no seu início, e negamos sua existência.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Bem, profecia é questão de crença realmente. Não há como negar. Então, vamos colocar nossos argumentos, pró ou contra, para que todos tenhamos mais elementos de debate.
Tiago diz:
Logo, não há sentido debater em uma sociedade moderna. Você chega a coincidências e diz que é verdade.
Renata Machado diz:
Coincidências?
Tiago diz:
Você realmente quer que isso seja verdade e você age de forma como fosse realmente uma verdade para todos.
Tadeu Fleck diz:
Não existem acasos neste mundo.
Renata Machado diz:
Eu não acredito em coincidências.
Tiago diz:
Eu vejo que a "fé" tanto na ciência como na religião faz parte do homem. É insolúvel quando este não enxerga a razão.
Tadeu Fleck diz:
Como diria o apóstolo Paulo: "em parte conhecemos e em parte profetizamos"...
Tiago diz:
É mais fácil criar verdades do que procurar por elas.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Bem, depois das profecias bíblicas temos as de Nostradamus. Ali também as interpretações são variadas, mas tentam se adequar às profecias bíblicas. O que vocês acham?
Mariângela diz:
Profecia não é criação de verdade...
Renata Machado diz:
Isso aí, mari! Profecia É a verdade.
Tiago diz:
A Bíblia é um argumento já refutado. Não há lógica debater sobre sua veracidade.
Mariângela diz:
Tiago...haja vista a sua proposição, então Nostradamus estaria também refutado.
Tiago diz:
Todos querem provar por meio da fé as verdades bíblicas. Sim... Nostradamus! Falou sobre momentos de sua epoca atacou reis! De uma forma simbólica.
Mariângela diz:
Todos é muita gente Tiago!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Uma correção: provar por meio da fé não é possível. Prova é fato científico e uma verdade só pode ser provada pela ciência, ou seja, por método, confirmação, etc, etc.
Tiago diz:
Nostradamus fez um ataque a sua sociedade; é muito fácil pegar essas frases e montar possíveis profecias. Nostradamus questionava o seu rei e governo de uma forma inteligente. Isso não tem relação com profecias.
Mariângela diz:
Não concordo contigo Tiago...profecias não são frases...montagens.
Tiago diz:
Depende quem pegou esses escritos, qual era o propósito de publicar. E depois, só se faz profecia depois que acontece, e não antes.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Realmente, no caso das profecias de Nostradamus existem milhares de livros de interpretação, e nenhum deles se entende. São suposições. Aliás, a profecia tem uma natureza obscura, um mistério, e isso fica evidente no estilo bíblico de profecia. Se fosse diferente, ela não seria tão simbólica.
Tiago diz:
Isso que é mais estranho: você não tem uma profecia montada...mais depois que acontece o fato, tudo vira realidade.
Renata Machado diz:
Existe evidentemente falsidade nisso tudo.
Mariângela diz:
Paulo, eu não sei se as profecias de Nostradamos foram levadas à público quando ele estava ainda vivo...
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Algumas profecias sim, Mari. Não todas. Embora haja pesquisadores que dizem que elas são mais enigmáticas para nós hoje, já que na época em que foram escritas os símbolos a que aludem seriam mais bem compreendidos.
Tiago diz:
É fácil pegar frases e depois com uma livre interpretação, sendo que a frase tem um teor alegórico, criar profecias. Querem pegar um fato e distorcer baseado na sua fé. Isso é terrível!
Mariângela diz:
Eu já presenciei citação de profecia, que se cumpriu, e não foi frase alegórica.
Renata Machado diz:
Eu também.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Quais profecias se cumpriram, na opinião de vocês?
Tiago diz:
Que se cumpriu? Então porque você não avisou ninguém?
Mariângela diz:
Vejo profecia, talvez, de uma maneira um pouco diferente.
Tiago diz:
Por que vocês não avisaram?
Mariângela diz:
Porque as pessoas que estavam envolvidas sabiam.
Tiago diz:
Já que sabiam...
Mariângela diz:
Não foi necessário.
Tiago diz:
hum..!
Mariângela diz:
Existem vários tipos de profecias, Tiago.
Tiago diz:
Que belo argumento.
Renata Machado diz:
Por que não perguntou?
Mariângela diz:
Não sei se você já teve oportunidade de presenciar, não com intuito de fazer disso um argumento, mas de experienciar. Assim a gente aprende, vendo, comprovando, estudando.
Tiago diz:
Quem acredita em átomos e em partículas subatômicas aqui?
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Gostei da forma da pergunta, Tiago. Átomos e partículas são teorias, como se sabe.
Tiago diz:
Bem, são teorias fundamentadas em experimentos, onde são medidas. E existe uma especulação não baseada na fé, mas sim na própria matemática.
Mariângela diz:
A medida da profecia é terreno variável, nunca exato.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Mas ainda são teorias, o que significa que os físicos não são forçados a crer nelas. Tanto que podem criar teorias novas.
Tiago diz:
Exato! Eu mesmo não creio na posição dos elétrons em torno das camadas eletrônicas.
Renata Machado diz:
E mais, temos que saber interpretar as profecias. Às vezes, são interpretadas de maneira errada.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
O big Bang também é uma teoria. E há ferrenhos contestadores dela na ciência.
Tiago diz:
Porque existem diversos fatos que levam a crer que se teria uma variação na massa de um átomo. A única evidência do Big bang é a chamada radiação de fundo, o eco da explosão, onde se gerou determinadas radiações cósmicas. E elas são capturadas por meio de equipamentos! O chamado radiotelescópio captura essas freqüências e analisa. Tendo uma medida são analisadas todas as variações possíveis. Essa é "prova" física do big bang e a expansão das galáxias.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Então, profecias, átomos, partículas e big bang são teorias? Uma questão de crença? Ainda há as profecias budistas, como as escritas por Padmasambhava no Tibete, no séc. VIII. Segundo as mesmas, das quais tratamos no 1º número da revista Horizonte, neste período em que vivemos a humanidade passará por muitas transformações.
Tiago diz:
O homem sofre evoluções constantes.
Renata Machado diz:
Ainda bem!
Tiago diz:
Nunca pára. Essa idéia estabilizada do homem é uma loucura dos religiosos. Sofre evoluções biológicas tanto que o homem vive mais, mesmo não tendo condições financeiras para tomar remédios ou ir ao hospital. A expectativa de vida só aumenta!
Renata Machado diz:
E isso é bom?
Tiago diz:
É bom, mas o problema é que não há recursos para todos. A natureza vai fazer sobreviver apenas os melhores.
Renata Machado diz:
Seleção natural.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Retornando ao tema, vocês acham que as profecias bíblicas, Nostradamus, etc. se referem também às mudanças climáticas?
Tiago diz:
Não.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
E será que tais mudanças trarão uma mudança tão grande ao planeta?
Renata Machado diz:
Claro que sim, Paulo!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
O assunto parece agradar uns e desagradar outros. Alguns grupos religiosos parecem exultantes com as péssimas notícias dos relatórios do IPCC sobre mudanças climáticas. Já os cientistas parecem céticos demais sobre o assunto. Não seria melhor um meio termo?
Tiago diz:
Existe um lobby sobre a questão do aquecimento global. Alguns cientistas interessados em ganhar dinheiro. Ou por motivos pessoais "criam" teorias e dados. Como aquele cientista coreano. Alguém lembra do cientista sul-coreano?
Renata Machado diz:
Lembro desta pessoa.
Tiago diz:
Paulo você lembra da questão da clonagem? O cientista sul-coreano que falsificou dados.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Não me recordo.
Tiago diz:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14373.shtml Bem, dá uma olhada aí. Isso já faz um certo tempo. Quem estiver interessado pode olhar o link. Isso não é tão incomum: em 1989 dois físicos australianos dizem ter feito a fusão nuclear a frio. Ou seja, um fonte ilimitada de energia...e "limpa".
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Interessante. Isso me lembra as teses da seita de Rael, que também pretende ter clonado humanos.
Tiago diz:
Uma grande bobagem; eles liberaram alguns neutrons e colocaram como sendo um fusão! Coisa de gente pequena.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Isso só mostra que tem gente má intencionada tanto nos flancos da religião quanto da ciência.
Tiago diz:
Eles podem manipular as pesquisas de várias formas. O problema é questão moral e ética. Isso pesa muito na formação de um cientista.
Renata Machado diz:
Isso mesmo.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Mas esta gente não é nem A religião nem A Ciência!
Renata Machado diz:
Verdade, são os donos da verdade!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Isso, Renata. A Verdade não tem donos, é de todos que a acharem.
Renata Machado diz:
Isso mesmo.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Isso quer dizer, achar por experiência, seja experiência religiosa, mística, interior, ou experiência científica. A Psicologia Transpessoal tem pesquisado essa questão de verdade interior x verdade da ciência. Qualquer "dado" que nos chega é recodificado segundo nossas experiências anteriores e vira outra coisa, às vezes bem diferente da original.
Tiago diz:
O mercado fala mais alto hoje em dia. Ou melhor, sempre falou. É muito fácil querer ser famoso: você desenvolve uma tese, uma tese muito polêmica e ganha dinheiro em cima dela. A questão do aquecimento global está nessas pautas hoje em dia.!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Parece o mesmo pessoal que fica criando religiões por aí!!!
Renata Machado diz:
É verdade Paulo. Mas isso um dia vai ser cobrado, e bem caro, por sinal.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Acredito que sim, Renata.
Tiago diz:
Não acredito nessa possibilidade. Mas, bem, não é impossível, mas pouco provável!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
O problema é que a "improbabilidade" da Ciência muitas vezes aparece como desconhecimento de todas as variáveis de um evento querendo aparecer como conhecimento completo de todas elas. Não soa contraditório? Quase religioso? E essa crítica à ciência não é só minha, mas de muitos cientistas, como o Fritjof Capra, o Von Weisacker, etc.
Renata Machado diz:
Vamos ser cobrados por nossas ações...
Tiago diz:
Eu não quero ser cobrado por ação nenhuma! Porque sou apenas mais um indivíduo que tende a ser esmagado. Não julgo ninguém; também não quero ser julgado.!
Renata Machado diz:
Por isso temos que ter cuidado com o que fazemos, com o que dizemos.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Verdade. Isso está na raiz do bem comum e do sofrimento.
Tiago diz:
Não acredito nessa possibilidade. Mas sempre é possivel!
Renata Machado diz:
Acontece comigo...
Tiago diz:
Mas a fé nos leva à alienação, disso não tenho dúvida! Nos leva tanto por um Deus quanto pela ciência.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Alienação do quê?
Tiago diz:
Alienação da vida! O homem pode ser ético e moral sem um Deus.
Renata Machado diz:
Muito pelo contrário, eu acho que a fé me anima, e muito. Às vezes estou me sentindo fraca, e na fé eu tenho um "up". E é físico, viu? Eu sinto mesmo. Minhas mãos brilham!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Qual vida? A que percebemos, que não é o todo da vida, ou a vida que inclui o que não percebemos dela e, portanto, temos poucos elementos para julgar?
Tiago diz:
Eu acredito em espírito, que o homem possui um espírito imortal!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Sim, Tiago, o homem pode ser ético e moral sem um Deus. E muitas vezes pode ser sem ética e sem moral com um Deus! É o que o dia-a-dia tem demonstrado. Ou será que os deputados e senadores corruptos de Brasília são ateus?
Tiago diz:
Eu acredito, mas não existe um Deus.
Renata Machado diz:
Depende muito.
Tiago diz:
Deus não existe, não é apenas certeza, mas também uma idéia. A idéia de que não precisamos de um Deus para fazer o bem ao próximo!
Renata Machado diz:
EU ACREDITO EM DEUS. E DIGO MAIS, UM DEUS VIVO. É verdade que precisamos de "um Deus" pra fazer o bem.
Tiago diz:
Deus é apenas uma mera especulação da cultura humana para tentar concentrar seu sofrimento!
Renata Machado diz:
Mas ter ele consigo, facilita, e muito!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Deus não é um consenso entre as religiões, mas o amor ao próximo é. Mesmo as religiões que não acreditam em Deus pregam o bem ao próximo.
Renata Machado diz:
Isso aí, Paulo!
Tiago diz:
Não há problema, eu acredito no bem! No bem que o homem pode fazer a partir de um desenvolvimento ético e moral baseado no bem de todos!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Mas, quanto a crenças, todos têm o direito a crer no que quiserem. Defendo esse direito.
Renata Machado diz:
Referindo-me ao que o Paulo falou sobre os corruptos de Brasília, existem lá deputados cristãos e corruptos. Eles sabem da verdade, vão ser cobrados.
Tiago diz:
Todos nós estamos sujeitos a corrupção.
Renata Machado diz:
Sim, claro. Somos gente.
Tiago diz:
A questão não é essa.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Pois é. Acho que o respeito à religião do outro deve passar também pelo respeito à sua própria religião. E isso só ocorre quando você cumpre a ética pregada por sua fé para com os outros. Senão, é falsidade.
Tiago diz:
Mas o Estado não tem aparelhagem para impedir a corrupção.
Renata Machado diz:
Concordo.
Tiago diz:
O Estado é o povo, não um revolucionário, um líder. Mas, sim, o próprio povo!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Claro que não, Tiago. Ninguém consegue impedir o livre-arbítrio do ser humano. Seja para o bem ou para o mal!
Renata Machado diz:
O que eu procuro NÃO SER é "religiosa". Tem muito "religioso" por aí. Eu creio no amor universal. Que é tão difícil, né?
Tiago diz:
O livre-arbítrio tem esse preço! Eu acredito que o homem apenas evolui.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Já estudei muito as profecias bíblicas, as Centúrias de Nostradamus, as profecias budistas e cheguei a algumas conclusões: O antigo profetismo de Israel era quase um processo xamânico: o profeta caía em êxtase, se retorcia todo, balbuciava algumas palavras ininteligíveis, escrevia alguns símbolos confusos no chão e depois seus discípulos interpretavam. Pelo menos é o que a história diz sobre como funcionava o profetismo de Israel. Isso é descrito nas notas da Bíblia de Jerusalém, por exemplo.
Tiago diz:
A Bíblia é apenas válida para uma data específica e época! E para o povo da cultura hebraica. Ter a Bíblia como argumento universal, seria o equivalente tornar o pinóquio, veracidade!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Nostradamus, por seu turno, tinha suas visões proféticas visualizando uma espécie de bacia com água. Depois ele consultava os astros apenas para confirmar o que vira. Isso foi descrito por ele mesmo.
Renata Machado diz:
Paulo, tu que estudou muito a Bíblia, que eu sei: nunca leu sobre, por exemplo, as tragédias climáticas?
Tiago diz:
Nostradamus fazia críticas aos políticos da época. E fizeram das suas frases, críticas às atrocidades do período da frança, universais.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Tiago, a Bíblia não pode ser usada como argumento universal mesmo. Assim como não posso impô-la a não cristãos, não posso impor os Vedas hindus ou o Tipitaka budista aos cristãos e dizer que são verdades universais! Renata, realmente as profecias bíblicas falam em alterações do clima, assim como Nostradamus e até o Buda Padmasambhava em suas profecias tibetanas.
Renata Machado diz:
Sim.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Para a bíblia, as profecias se referem a um "fim do mundo".
Tiago diz:
Não sabemos nem da existência de vida inteligente fora da terra!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Para Nostradamus, as profecias se referem ao fim de um ciclo messiânico, sem ser o fim do mundo.
Tiago diz:
O mundo em que vivemos é apenas um em mais um bilhão de trilhão de mundos, possíveis mundos! Não quero dizer que realmente esses mundos existem. Mas há uma possibilidade muito grande.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Para o Buda Padmasambhava, as profecias descrevem mudanças naturais dentro de ciclos cósmicos. Nada fica imutável! Todos concordam então que profecias falam de mudanças!
Renata Machado diz:
Falam sim.
Tiago diz:
Não!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Infelizmente não conheço nenhum tratado científico sobre a realidade das profecias. Mesmo porque é algo complicado de estudar em laboratório!
Tiago diz:
Profecias podem ser apenas especulações de um determinado período! Isso não vale para outros tantos.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Concordo que podem ser e são, em muitos casos, especulações. Mas algumas podem ter um elemento psíquico ou transpessoal, que muitos chamam de paranormal também. E sobre isso já há estudos feitos pela Psicologia Transpessoal.
Tiago diz:
Daí, a partir desse momento, não posso afirmar nada. Não conheço esses estudos. Perdoe a minha ignorância.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Realmente neste ponto é difícil afirmar qualquer coisa, Tiago, já que todo fenômeno psíquico é muito particular e só vivido pelo próprio indivíduo.
Tiago diz:
Mas eu teria chamado isso de puro misticismo! Então o homem cria e experimenta Deus dentro do proprio cérebro. Apenas o indivíduo pode crer. Não é universal nem experimentado em grupo. É apenas do próprio ser. Eu não sei como argumentar. Não faço idéia de como isso seja medido!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Sim, mas há um detalhe, Tiago. Você só se sente você e isso também é subjetivo. Mas a ciência não contesta isso. Ela se baseia na suposição de que todos se sentem como você sobre essa questão de identidade. O mesmo vale para seus pensamentos e, nessa lógica, para qualquer evento psíquico ou paranormal. Ou seja, é complicado. E a profecia é um evento psíquico, independente das conotações religiosas. Há cientistas tentando provar o que você disse, Tiago, mas há outros tentando provar o contrário.
Renata Machado diz:
Foi muito enriquecedor.
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Boa noite, Renata.
Tiago diz:
Abraços!
Paulo Stekel/Revista Horizonte diz:
Uma boa noite a todos. Agradecemos a todos e encerramos este debate. Até o próximo, que será anunciado com antecedência.
