domingo, 9 de setembro de 2007
Boicote Global a Beijing 2008 – uma alternativa pacífica em prol dos direitos humanos
Por Paulo Stekel
A questão é muito polêmica e tem gerado opiniões acirradas, a favor e contra a idéia de um boicote aos Jogos Olímpicos de Beijing 2008. Fora do Brasil, a idéia de um boicote está tomando forma, inclusive sendo apoiada por ONGs internacionais, como a Human Rights Watch, e consagrados artistas de Hollywood, como o cineasta Steven Spielberg. Aqui, contudo, ainda engatinhamos na mobilização. O objetivo deste artigo é mostrar um apanhado geral da situação, procurando apresentar as justificativas para um boicote e como ele será realizado dentro do período de menos de um ano que falta para o início das próximas Olimpíadas. Remeteremos o leitor a diversos links, alguns disponíveis apenas em inglês, caso este queira informar-se mais amiúde.
Situando os fatos
A questão da privação de direitos humanos na China passou a ter repercussão mundial quando, logo após a formação da RPC (República Popular da China, criada em 1949), governada por um sistema de partido único (o PCC – Partido Comunista da China), o exército de Mao Tsé Tung invadiu o Tibete (1950), que foi anexado como província, mesmo sendo um país completamente independente desde 1912. Para Mao, o Tibete era parte da China desde séculos, o que nunca foi provado por Pequim, uma vez que o Tibete era um país independente quando foi invadido. A oposição tibetana, contudo, foi derrotada numa revolta armada, em 1959. Como conseqüência, o 14° Dalai-Lama, Tenzin Gyatso, líder espiritual e político dos tibetanos, retirou-se para o norte da Índia, onde instalou o Governo Tibetano no Exílio.
O país tornou-se região autônoma da China em setembro de 1965, contra a vontade popular. Entre 1987 e 1989, tropas comunistas reprimiram com violência qualquer manifestação contrária à sua presença. Há denúncias de violação dos direitos humanos pelos chineses, resultantes de uma política desumana que se constitui um verdadeiro genocídio cultural. Em agosto de 1993, iniciaram-se conversações entre representantes do Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz em 1989, e os chineses, mas tais conversações têm se mostrado infrutíferas.
Ugyen Tranley, o karmapa-lama, terceiro mais importante líder budista tibetano, que era reconhecido tanto pelo governo da China como pelos oposicionistas, seguidores do Dalai Lama, fugiu do país em dezembro de 199, pedindo asilo à Índia. A China tentou negociar seu retorno, mas Tranley, de 14 anos, criticou com veemência a ocupação chinesa no Tibete.
A causa da independência do Tibete ganhou força perante a opinião pública ocidental após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na Praça da Paz Celestial e a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Tenzin Gyatso, ambos em 1989. O Dalai Lama passou a ser recebido por chefes de Estado, o que provocou protestos do governo chinês. No início de 1999, o governo chinês lançou até mesmo uma campanha de difusão do ateísmo no Tibete, visando diminuir a força da crença religiosa na região. A fuga do karmapa-lama, bem-visto pelos ocupantes, causou grande embaraço à China.
O Massacre da Praça da Paz Celestial
O Protesto na Praça Tiananmen, em 1989, ou Massacre da Praça da Paz Celestial, como ficou mais conhecido, foi um evento no qual vários estudantes em demonstração pró-democracia ocorrida na Praça da Paz Celestial, em Pequim, foram duramente reprimidos. Os protestos aconteceram entre 15 de abril a 4 de junho de 1989 e acabaram em violência quando o exército chinês usou de força atacando os estudantes para restaurar a ordem na capital. Como se sabe, não teve nada a ver com a questão tibetana: eram chineses matando chineses por causa da privação de direitos fundamentais.
Em 04 de maio de 1989, aproximadamente cem mil estudantes, intelectuais e trabalhadores marcharam pacificamente nas ruas de Pequim exigindo reformas democráticas, adesão a princípios de liberdade e igualdade, e para protestar contra a corrupção do governo. Já vimos isso acontecer no Brasil sem o desfecho que houve na China.
Em 20 de maio o governo declarou Lei Marcial. No entanto, os protestos continuaram, de modo que o governo mandou tropas e tanques do Exército avançarem para a Praça Tiananmen. Em 03 e 04 de junho, o Exército confrontou violentamente os manifestantes. A cena mais conhecida do evento ocorreu no dia 04, quando um misterioso estudante irrompeu na frente de diversos tanques à porta da Cidade Proibida, até ser puxado. Sua foto (tirada por Jeff Widener, da Associated Press) estampou manchetes no mundo todo e ganhou o Prêmio Pulitzer em 1990. Até hoje não se sabe o nome do rapaz, apelidado de “Homem-tanque” ou “Rebelde desconhecido”.
As estimativas de mortes civis variam de quatrocentos a oitocentos (segundo o New York Times), mil (de acordo com a Agência de Segurança Americana), 2.600 (pela Cruz Vermelha chinesa) e sete mil mortes (segundo os manifestantes). O número de feridos situa-se entre sete e dez mil. Seguindo os protestos e a violência, o governo aprisionou civis e os líderes do movimento, limitando o acesso à imprensa estrangeira e liberando apenas uma cobertura controlada à imprensa chinesa sobre os acontecimentos.
É possível assistir a um documentário sobre o massacre no site YouTube. Procure pelo nome “The Gate of Heavenly Peace” e você encontrará o mesmo dividido em 20 partes. A primeira delas está no link: http://www.youtube.com/watch?v=r7ou2-Kv4UA [o vídeo está em chinês e inglês apenas; o “Rebelde desconhecido” aparece já nos primeiros minutos].

[Passeata pela liberdade no Tibete promovida pela juventude tibetana no exílio em 08 de agosto último]
A situação não mudou
Desde 1989 a China passou por diversas reformas, o que a tem assemelhado um tanto ao modelo capitalista ocidental. Contudo, a mão de ferro do regime de Pequim quanto aos direitos humanos continua a mesma. Recentemente a Internet passou a ser alvo de restrições e muitas pessoas foram presas por denunciar através da rede as atrocidades patrocinadas pelo governo chinês, seja contra ativistas tibetanos em busca de mais liberdade ou mesmo dos compatriotas chineses prejudicados pela miséria que assola o país.
Todos sabemos que a China tem mais trabalho escravo (inclusive infantil) que qualquer país do mundo, que seus produtos são de péssima qualidade e que os salários são muito baixos (os das mulheres, mais baixos ainda). Sabemos também que não há liberdade mínima de expressão. Quem discorda do regime, ou é preso ou mesmo condenado à morte. Não há julgamentos justos ou transparentes. Há corrupção nas altas esferas do governo mas, ao contrário do que vemos no Brasil de hoje, isso não pode ser noticiado pela imprensa.
Aliás, este é um ponto importante a destacar: muitos dos problemas que vemos na China ocorrem também em outros países. A questão é que lá não se pode falar deles livremente. Não há liberdade de expressão, não há respeito aos direitos humanos, e isso deve ser repudiado. Um boicote é um dos poucos meios pacíficos de fazê-lo.
Proponentes do Boicote: dentro e fora da China
Um grupo de legisladores dos EUA defendeu em agosto último o boicote aos Jogos Olímpicos de Beijing 2008, a menos que a China “acabe com os sérios abusos aos direitos humanos”. Apesar dos EUA também terem seus problemas com direitos humanos, não significa que os cidadãos dos EUA devam fechar os olhos para o que acontece na China, uma economia crescente que influencia o mundo cada vez mais.
Uma resolução apresentada à Câmara de Representantes e apoiada por oito legisladores republicanos destaca que “a integridade do país anfitrião é da máxima importância para não manchar a participação dos atletas ou o caráter dos Jogos”.
O texto, que deve ser analisado em breve pelo comitê de Assuntos Externos da Câmara de Representantes, pede ainda ao governo de Pequim que “deixe de apoiar os sérios abusos aos direitos humanos dos governos” de Sudão (Darfur), Myanmar e Coréia do Norte. “O regime chinês nega regularmente o direito à liberdade de consciência, expressão, religião e associação, e mantém milhares de presos políticos sem julgamento”, destaca a resolução.
A concentração de dirigentes do Comitê Olímpico Internacional e outras autoridades esportivas em Pequim está atraindo inúmeras entidades que protestam contra a falta de liberdade e repressão na China. Organizações como a Anistia Internacional (AI), Human Rights Watch (HRW), Free Tibet Campaign (Londres) e Reporters sans Frontières (RSF), aproveitam o início da contagem regressiva para chamar a atenção para as violações dos direitos humanos no país mais populoso do mundo.
Uma dessas organizações, a Anistia Internacional afirmou, em relatório oficial, que a China pode “manchar” os Jogos se não combater as violações dos direitos humanos existentes no país. Além disso, a entidade afirma que as autoridades têm aumentado ainda mais a repressão contra ativistas e jornalistas locais. “Declarações oficiais sugerem que os Jogos Olímpicos estão sendo usados para justificar essa repressão em nome da 'harmonia' ou da 'estabilidade social' em vez de agir como um catalisador de reformas”, diz o relatório.
Além da Anistia Internacional, entidades em defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos aproveitaram a realização do Seminário dos Chefes de Missão, ocorrido entre 06 e 09 de agosto, para protestar em Pequim. Desde que a cidade foi escolhida como sede dos Jogos de 2008, não faltaram reclamações contra a exploração do trabalho e a censura imposta pelo governo chinês.
“As contínuas detenções de jornalistas fazem as medidas de maior liberdade para a mídia anunciadas por Pequim parecerem mais uma manobra de relações públicas do que uma sincera iniciativa política”, disse o CPJ (Comitê de Proteção aos Jornalistas), em comunicado divulgado à imprensa. A ONG Repórteres sem Fronteiras, organizações pró-libertação do Tibete, entre outras, também estão na cidade promovendo atividades de protesto.
Para aumentar o constrangimento do governo de Pequim, um grupo de dissidentes chineses, formado por escritores, acadêmicos e advogados, também aproveitou a presença de chefes de missões de todo o mundo na capital para protestar. Em nota assinada por 37 dissidentes, o grupo exige a libertação de exilados políticos e argumentam que o descumprimento de seus pedidos por parte das autoridades locais tornam “ridículos os ideais olímpicos e o próprio slogan dos jogos de 2008: um mundo, um sonho”.
Em agosto, a polícia chinesa barrou vários jornalistas da ONG Repórteres Sem Fronteiras que faziam um movimento por mais liberdade de imprensa. Eles foram liberados duas horas depois, sem explicação.
Ding Zilin, cujo filho foi morto nos protestos da Praça da Paz Celestial (1989) e lidera uma campanha por indenizações, foi uma das 40 pessoas que assinaram uma carta para o governo pedindo mais liberdade antes da Olimpíada.
“Deixem os cidadãos chineses que foram obrigados a viver no exílio por razões políticas, religiosa ou de crença voltar para casa, para que possam aproveitar a Olimpíada em seu país e não em algum país desconhecido”, disse a carta.
Num relatório, intitulado “China: Contagem decrescente para as Olimpíadas - um ano para cumprir as promessas de direitos humanos”, enviado às autoridades chinesas e ao COI (Comitê Olímpico Internacional), a Anistia Internacional alerta para o fato de vários ativistas continuarem a ser alvo de prisão domiciliária e de apertada vigilância policial apenas por fazerem uso da liberdade de expressão.
Diz o relatório: “As autoridades são instadas a acabar com a detenção arbitrária, intimidação ou perseguição de ativistas que não estão formalmente detidos ou presos, mas são mantidos sob rigorosa vigilância da polícia, muitas vezes como prisioneiros nas suas casas(...). A Anistia Internacional considera que violações graves dos direitos humanos constituem uma afronta aos princípios essenciais da Carta Olímpica relativos à preservação da dignidade humana e ao respeito pelos princípios éticos universais.”

["Sem Olimpíadas para a China até que o Tibete seja livre" - Um dos protestos ocorridos em Pequim em agosto]
A liberdade de expressão como algo fundamental
A China e o Comitê Olímpico Internacional (COI) já sofrem ataques por parte de ativistas e de atletas. Questões de direitos humanos, política e meio ambiente fazem parte da agenda de protestos, que devem se prolongar pelos próximos meses até o início dos Jogos.
Minorias étnicas e religiosas continuam sendo reprimidas, inúmeros presos são maltratados e ativistas tibetanos assassinados. Além disso, cerca de 10 mil pessoas são executadas na China a cada ano, segundo informações da Human Rights Watch. A Anistia Internacional observa que, desde o início de 2007, sentenças de morte têm que ser confirmadas pelo Supremo Tribunal Popular. É possível que essa instância de averiguação jurídica reduza o número de condenações no futuro.
Os ativistas de direitos humanos se concentram sobretudo em um tema: a liberdade de opinião e de mídia. Afinal, a liderança política chinesa havia anunciado melhorias nesse âmbito e prometido garantir uma cobertura jornalística livre. Pelo menos essa era a postura antes do COI, em 2001, sediar as Olimpíadas de 2008 em Pequim. Pelo jeito, o COI foi enganado ou se deixou enganar...
Um ano antes do início dos Jogos Olímpicos, ainda não se percebe nada da nova abertura de Pequim. O diretor de pesquisa da Repórteres Sem Fronteiras, Jean-Francois Julliard, se refere a diversas centenas de sites de notícias atualmente interditados pelas autoridades por motivos políticos. Muitos jornalistas e dissidentes estão na cadeia. No início do ano, o governo promulgou uma lei que permite aos jornalistas estrangeiros liberdade de expressão. Mas, ironicamente, essa lei expira em outubro de 2008, logo após as Olimpíadas, além de não trazer nenhuma vantagem para os jornalistas locais, aponta a citada ONG. É uma flagrante (e bem sucedida) tentativa de enganar o COI, além de ser uma piada de mau gosto!
As ONGs citadas alertam que os políticos chineses não apenas estão quebrando a palavra, como também estão violando os estatutos olímpicos, que postulam explicitamente a liberdade de expressão. É por isso que as novas publicações dos ativistas de direitos humanos também são endereçadas ao COI.
A exigência é de que o comitê tome uma posição clara em relação ao caráter dos jogos, segundo exige Nicholas Bequelin, especialista da Human Rights Watch para a China. Já que os estatutos contêm declarações explícitas sobre a liberdade de opinião, “o Comitê Olímpico não pode estigmatizar as críticas dos ativistas de direitos humanos como politização das Olimpíadas”, diz Bequelin.
Aliás, a “politização” é a principal crítica feita pelos opositores de um boicote, como se as pessoas não tivessem capacidade de perceber violações aos direitos humanos a menos que tivessem alguma vinculação política ou pertencessem a determinada ideologia. Isso é pura ignorância ou manipulação da opinião pública para desviar o foco principal e evitar que interesses econômicos sejam prejudicados por um boicote. Contudo, perguntamos: que importância pode ter o resguardo da economia quando nem sequer podemos garantir o sagrado direito à vida humana num país como a China? Os mortos não têm vida econômica, não consomem... e não protestam! A liberdade de expressão É e DEVE ser fundamental, para que todo o resto faça algum sentido.
Os Jogos também servirão para reivindicações políticas domésticas. A entidade Free Tibet (Tibete Livre) quer aproveitar a chance única de exposição da China para denunciar as violações cometidas por Pequim contra a região, que há décadas reivindica sua independência. [Vídeo de boicote a Beijing 2008 feito pela Free Tibet: http://www.google.com/search?hl=pt-BR&rlz=1T4SUNA_en___US208&q=free+tibet+campaign+Brasil&lr=] O ministro da Segurança Pública, Zhou Yongkang, exigiu que a polícia combata energicamente “forças hostis”. E enumera o divisionismo étnico - um claro recado para o movimentos pró-libertação do Tibete - como umas das principais ameaças à pacífica realização dos Jogos. Pequim já sente que terá problemas nos próximos meses!
Militantes pró-Tibete presos
Dois estrangeiros, militantes da independência do Tibete, foram presos em 08 de agosto último, aumentando para oito o número de ativistas da causa tibetana detidos naquele período, informou o movimento Free Tibet Campaign (Campanha por um Tibet livre), sediado em Londres.
A canadense de origem tibetana Lhadon Tethong, que dirige a ONG Students for a Free Tibet (Estudantes por um Tibete Livre), e o britânico Paul Golding foram detidos quando saíam de um hotel, anunciou Matt Whitticase, porta-voz do movimento. A jovem conseguiu avisar a prisão com uma mensagem enviada pelo celular (SMS).
Paul Golding ajuda a canadense a operar o blog, BeijingWideOpen.org. Em 08 de agosto, dois canadenses, três americanos e um britânico foram detidos após uma manifestação em uma parte da Muralha da China próxima de Pequim. Eles conseguiram exibir uma gigantesca bandeira na qual pediam a libertação do Tibete.
Tethong, que entrou na China com visto de turista, é a autora de um blog de denúncia no qual pede que as Olimpíadas de 2008 coincidam com a “libertação” do Tibete, por considerar que as condições serão ótimas para “um levante global” a favor da causa. O link do seu blog é: http://beijingwideopen.org . Os dois já foram soltos, e há informações novas no blog de Tethong, que afirma que continuará sua luta por um Tibete livre.

[A visão oficial dos Jogos Olímpicos de Beijing 2008]
Nem os Budas escapam do autoritarismo de Pequim!
A questão da falta de respeito aos direitos humanos na China chega mesmo à esfera das crenças religiosas, onde beira o ridículo. Um decreto do Governo comunista estipula que o “chamado Buda existente reencarnado é ilegal e inválido sem a aprovação governamental”. A nova lei entrou em vigor em 1º de Setembro.
Na página da Embaixada da China no Brasil está o texto oficial sobre a “proibição” (link: http://www.embchina.org.br/por/ztzl/xzwt/t347888.htm). O texto oficial com nossos devidos comentários segue abaixo:
“Reencarnação de Buda do Tibet deve ser aprovada pelo governo chinês - 2007-08-03
Beijing, 3 ago (Xinhua) – Todas as reencarnações do Buda vivo no Budismo Tibetano devem obter aprovação governamental ou do departamento de assuntos religiosos do governo, segundo informou a Administração Nacional dos Assuntos Religiosos (ANAR). Sem a aprovação, o suposto Buda vivo reencarnado é considerado uma figura ilegal e inválida, preveniu a ANAR.”
Onde antes vimos tal afronta à crença religiosa de um povo? Como o Budismo Tibetano, uma religião independente de qualquer ligação com o comunismo chinês, pode ter suas crenças atreladas a ditadores e assassinos? Seria o mesmo que a Itália passasse a vincular a eleição de um novo Papa no Vaticano à aprovação do governo de Roma!!! Seria um absurdo!
“A administração emitiu recentemente regulamentações sobre a reencarnação do Buda vivo no Budismo Tibetano, assinalando que esse é um avanço importante para institucionalizar a administração da reencarnação de Buda vivo. As regulamentações entrarão em vigor em 1º de setembro.”
Regulamentações sobre reencarnação? Institucionalizar [leia-se "regular"] a administração da reencarnação de Buda vivo? A que ponto chegamos? A ditadura chinesa, além de pérfida, é também desprovida de inteligência? Como se pode regular uma crença, a não ser em tempos de opressão, como é o caso atual? Para nós, essa é a maior prova da opressão religiosa na China!
“A partir de agora, todos os pedidos para o reconhecimento da reencarnação devem ser entregues ao departamento de assuntos religiosos do governo provincial, à ANAR e ao Conselho de Estado, respectivamente, para verificar a fama e influência do Buda vivo no círculo religioso.”
Fama e influência? Quer dizer, para ver se não está devidamente "doutrinado" dentro das disposições do regime ditatorial de Pequim? Para não causar "problemas" no futuro? Para não suceder o Dalai Lama em seu posto de líder religioso e ícone dos direitos humanos, tanto para budistas como para toda a humanidade?
“No 13º século, o Tibet se tornou um distrito administrativo diretamente sujeito às autoridades centrais da Dinastia Yuan (1279-1368). Kublai Khan, da Dinastia Yuan, concedeu o título de Buda vivo a Vphag-pa, então líder religioso no Tibet. Desde aquela época, pessoas começaram a chamar monges eminentes tibetanos de Buda vivo.”
Esse trecho demonstra o total desconhecimento (ou má fé) na compreensão do processo de reconhecimento dos Tulkus, as reencarnações e emanações de deidades búdicas e grandes lamas tibetanos.
“A ANAR disse que a nova lei ajuda a garantir as atividades religiosas normais do Budismo Tibetano e protege a crença dos fiéis da região. Fim”
Sim, protege a crença desde que devidamente controlada pelo regime de Pequim! Um estratagema certamente ridículo e que não terá efeito, uma vez que os tibetanos não são traidores de sua pátria e, muito menos, de sua religião. Isso porque a praticam em sua vida diária, algo que se esperaria de qualquer religioso do mundo.
Ações promovidas pelo mundo todo
Eis algumas notícias que estão na mídia referindo-se a ações em favor do Boicote a Beijing 2008:
A ONG Animal Liberation Front pede boicote à China pelos maus tratos aos animais, especialmente quanto ao comércio de peles permitido por Pequim: leia o blog http://holocaustoanimalbrazil.blogspot.com/2006/11/boycott-beijing-2008.html
A ONG Repórteres Sem Fronteiras chama a China de “a maior prisão do mundo para jornalistas e ciber-dissidentes”: leia em http://www.rsf.org/article.php3?id_article=2293
A ONG Free Tibet Campaign pergunta em seu site “O que Pequim está escondendo no Tibete?”: leia no site oficial (disponível apenas em inglês) - http://www.freetibet.org/campaigns/olympics/index.html
A ONG Human Rights Watch tem uma página específica para tratar das violações aos direitos humanos na China: leia http://china.hrw.org/ (em inglês) e a seção http://www.hrw.org/portuguese/ (em português).
O cineasta Steven Spielberg falou à ABC News que considera a possibilidade de boicotar os Jogos Olímpicos por causa do apoio da China ao genocídio de Darfur (Sudão), apesar das negativas de Pequim quanto ao assunto da venda de armas ao Sudão (leia em http://thehorsesmouth.blog-city.com/72607.htm).
A ONG chinesa China Freedom Blog Alliance tem um blog (infelizmente apenas em inglês) muito bom sobre a questão dos direitos humanos, além de propor um boicote aos produtos chineses: leia em http://boycott2008games.blogspot.com/2007/08/olympics-taiwan-torch-relay-to.html (o blog está sediado no Canadá).
Nós mesmos criamos uma comunidade no site de relacionamentos Orkut chamada “Boicote a Beijing 2008”. O objetivo é noticiar de modo atualizado os avanços no sentido do boicote e apoiar esta iniciativa pacífica. Os interessados podem pedir ingresso pelo link: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=37415836
Esperanças, expectativas e responsabilidades
Com certeza há mais ações, promovidas tanto por ONGs quanto por ativistas individuais, que usam principalmente os blogs para disseminar a proposta de um boicote aos Jogos Olímpicos. Quanto mais nos aproximarmos do evento, maior será o estardalhaço causado na Internet pelas ações dos ativistas pró-direitos humanos.
Já percebemos, entretanto, a reação inicial da opinião pública brasileira à idéia de um boicote às Olimpíadas assim que criamos a comunidade no Orkut. Muitas pessoas parecem estar mais preocupadas com o risco dos atletas que treinaram por quatro anos a fio não poderem concorrer a medalhas do que com o bem estar daqueles que são, a cada dia, privados de seus direitos mínimos, e mesmo da própria vida. Qual o valor de uma “glória olímpica” sedimentada sobre cadáveres da opressão? Alguns atletas fora do Brasil já manifestam o desejo de boicotar Beijing 2008. Aqui, ainda não há qualquer movimento ou postura oficial nesse sentido. Mas o quadro poderá mudar em alguns meses, quando a situação internacional se tornar tão inflamada que as entidades esportivas brasileiras serão instadas a manifestar uma opinião oficial. Então veremos se nossos atletas, sempre tão cortezes e gentis com o público e a mídia têm consciência do que seja liberdade e espírito olímpico, já que os dois conceitos estão unidos desde o começo da história dos Jogos.
Mas, pensando bem, quem teria coragem de se manifestar publicamente contra os direitos humanos? Porém, pensar não é dizer e dizer não é agir. Apenas a ação justifica a ideologia, seja ela qual for. O ideal da fraternidade, muito esposado pelos que se dizem “espiritualistas” passa, seguramente, pela defesa dos direitos humanos, seja na China ou em qualquer lugar do mundo. Façamos a nossa parte, em nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso país, no mundo todo, pois somos irmãos e nossa verdadeira pátria ... é o cosmos!

[A visão dos Jogos Olímpicos de Beijing 2008 segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras]
Entrevista: Ingrid Cañete – Crianças Índigo: a evolução do ser humano

Entrevista concedida a Paulo Stekel por uma das maiores especialistas no tema - ©Todas as fotos foram cedidas por Tânia Meinerz
Inicialmente, Ingrid Cañete é uma pessoa gentil, para nós, uma característica espiritual por excelência. Nascida em Porto Alegre (RS), psicóloga, especialista e Mestre em Administração de Recursos Humanos, consultora de empresas, professora universitária e escritora, podemos considerá-la, sim, uma das maiores (se não a maior) especialistas brasileiras em “Crianças Índigo”.
É autora de três livros e co-autora de outros três. Seu livro mais recente, “Crianças Índigo – a evolução do ser humano”, divulgado na edição nº 10 de Horizonte – Leitura Holística, já em sua 2ª edição, é muito esclarecedor. Motivou-nos, inclusive, a solicitar esta entrevista, a qual Ingrid acedeu imediatamente. Suas respostas profundas e criteriosas sobre o fenômeno índigo informarão, seguramente, ao leitor interessado em saber mais sobre o que está acontecendo com algumas crianças consideradas “diferentes” por quem não sabe o que se passa.

Horizonte: Em seu mais recente livro, você diz que as Crianças Índigo representam a evolução do ser humano na Terra. Em que sentido isso deve ser considerado? A evolução não seria um processo envolvendo o todo da humanidade?
Ingrid: O que eu digo é que os índigos representam sim a evolução do ser humano, da espécie humana ou se quiser, da humanidade. Deve ser considerado exatamente assim. A humanidade desde seus primórdios está em constante evolução e manifesta essa evolução através de características comportamentais, físicas, emocionais, espirituais distintas que vão se mostrando e sendo observadas ao longo da história. Estas características em mutação são observadas especialmente pelos estudiosos do comportamento, como os psicólogos, por antropólogos, geneticistas, entre outros. Mas essas mutações são primeiramente sentidas e percebidas nas famílias, pelos pais e depois pelos professores que se relacionam com as novas gerações e são impactados e exigidos no dia-a-dia por essas transformações das novas gerações na medida em que se sucedem. É claro que a evolução envolve toda a humanidade e quando falamos nos índigos não estamos excluindo ninguém nem querendo criar mais rótulos que motivem fragmentações e segmentações desnecessárias e inadequadas. O termo Índigo apenas está sendo usado didaticamente para efeitos de estudo e de permitir que se faça referência às novas gerações que estão agora chegando com muitas características diferentes e que chegam em número cada vez mais massivo ao planeta Terra.
Faz parte do processo evolutivo acontecer na maior parte do tempo em silêncio e quase imperceptível, digamos, sutil. Apenas em etapas específicas e de tempos em tempos é que nos chama a atenção quando muitas mudanças, incluindo as mudanças na mentalidade, se reúnem e fazem com que essa evolução cresça e apareça aos nossos olhos. Como explica a Teoria do Caos, os sistemas de ciclo-limite são os sistemas que se excluem do fluxo do mundo externo porque grande parte de sua energia se dedica a resistir à mudança e a perpetuar padrões de comportamento mecânicos. Os sistemas de ciclo-limite são os que nos fazem sentir impotentes e incapazes de fazer as mudanças que desejamos e sabemos ser necessárias. Esses sistemas encontram-se em toda a nossa sociedade. Para que as mudanças aconteçam é preciso deixar que a energia e o fluxo do Caos se manifestem naturalmente e neste fluxo há uma ordem perfeita subjacente. Essa mudança vai ocorrendo de forma sutil e inexorável e chama-se de Efeito Borboleta ou poder de influência sutil. A influência sutil é a que cada pessoa exerce para o bem ou para o mal, por ser como é. Trata-se de um padrão vibratório de energia e, portanto, de um nível específico de consciência atuando não pelas palavras, mas pelas atitudes e por sua simples presença que influencia tudo e todos à sua volta. Tanto é que sabemos que as crianças, especialmente elas por sua sensibilidade, reagem ao que você é e não ao que você diz. Quanto mais pessoas agem e interagem pelo bem ou pelo mal, com este ou aquele nível de consciência, existe uma interação de diferentes ciclos de feedback até que, sem podermos distinguir quem individualmente provocou a mudança, ela ocorre e o sistema de ciclo-limite é rompido. É quando passamos a ver a mudança, pois ela se tornou evidente para a maioria da sociedade ou pelo menos para um grande grupo.
Por exemplo, há muitos anos os cientistas vêem observando que as crianças estão nascendo com pés maiores, o que já fez com que a indústria de calçados fizesse muitas adequações a essa mudança. No âmbito do comportamento viemos observando, especialmente ao longo das últimas duas décadas, que as crianças e jovens já não aceitavam mais o serem tratados na base do controle e imposição. E que as crianças especialmente estavam manifestando comportamentos mais maduros e assim mostrando-se mais adultas em suas respostas e atitudes.
Mas atualmente, além de algumas mudanças aqui e ali, estamos presenciando uma mudança muito mais significativa que nos permite reunir uma série de características apresentadas por um número crescente de crianças. Estas características não são observadas em todas as crianças ainda, mas em uma parcela crescente delas. Para estudar estas mudanças e seu significado é que utilizamos uma terminologia específica como o termo “crianças índigo”. E, como trata-se de uma transformação que se dá a nivel de freqüência vibratória e de nível de consciência correspondente a esse padrão vibratório, podemos dizer que essa freqüência está acessível a todas as pessoas, a toda a humanidade, mas precisa ser buscada conscientemente para que o acesso se dê com maior rapidez. Estas crianças vêm com um nível de consciência mais expandido que se relaciona com sua freqüência vibratória e, na medida em que elas chegam, vão acelerando com sua simples presença o acesso de mais e mais pessoas, adultos e crianças que não estejam ainda vibrando nesta freqüência e que, portanto, ainda não estejam acessando o mesmo nível de consciência. É importante entender que, da mesma forma que durante o processo evolutivo, que é contínuo, as crianças não nasceram todas de uma vez com os pés maiores, mas isso foi ocorrendo gradualmente, assim é com a freqüência vibratória e a consciência expandida destas novas gerações. Gradualmente toda a humanidade vai acessando mais e mais níveis elevados de consciência na medida em que busque seu desenvolvimento e evolução e na medida em que convive com estas crianças e novas gerações.
Pierre Weil, em seu livro Fronteiras da Evolução e da Morte fala sobre a inquietação dos seres humanos com relação à supervalorização do raciocínio lógico-formal. Ele comenta que por muitos anos aqui no Ocidente nós acreditamos que o limite máximo a que o ser humano pode chegar em seu processo evolutivo corresponde ao ponto em que torna-se um intelectual, um universitário ou um doutor. Essa é uma crença arraigada em nossa cultura. Entretanto ele propõe uma pergunta: “Existirá outra forma de se experimentar a realidade? Existirão outras fases evolutivas no ser humano ou será que este chegou ao máximo de suas possibilidades? Será o ser humano um 'vir-a-ser' em pleno desenvolvimento neste planeta ou será que está se aproximando do fim de sua evolução possível?
Assim, a evolução é um processo de toda a humanidade e o que se chama de fenômeno índigo é apenas uma forma de aproximarmos a nossa lente para estudarmos e procurarmos conhecer e re-conhecer em profundidade, quem somos nós, os seres humanos.”
Horizonte: O conceito de "Crianças Índigo" apareceu, como já informamos em um artigo da Revista Horizonte – Leitura Holística, em 1980, no livro "Understanding you life through color", da professora Nancy Ann Tappe (EUA). O processo de identificação do "padrão" índigo passou por canalização (Channeling). Qual a confiabilidade desse conceito, uma vez que foi embasado em informações "canalizadas"? Os autores posteriores a Tappe não teriam se aproveitado de suas avaliações e "exacerbado" as coisas, criando um "mito" índigo?
Ingrid: Na verdade, como bem me explicou o próprio Lee Carroll recentemente, o trabalho e o livro de Nancy Ann Tappe não trata sobre o tema índigos. Ela sempre estudou, pesquisou, como cientista que é, e escreveu neste livro referido sobre as cores vitais das pessoas e relacionou as cores vitais com características de personalidade e habilidades, potenciais e missão de vida que as pessoas trazem para a existência.
O que ela fez na década de 70 foi identificar a presença da cor índigo na aura ou campo energético de uma criança pela primeira vez. Isso foi possível, pois ela tem uma disfunção no cérebro que lhe permite ver o campo energético das pessoas com muita clareza. É como se ela fosse, digamos, uma máquina de bioeletrografia (antiga Foto Kirlian).
O livro escrito por Lee Carroll e Jan Tober apenas se referiu à cor vital para identificar os índigos, pois esta é uma das maneiras de se identificar a chegada destas crianças, já que ela havia identificado a presença de um novo tipo de ser humano aqui no planeta. Quanto a essas informações serem canalizadas e a pergunta sobre se elas podem ser confiáveis, o que eu posso dizer é que mesmo que não houvessem essas canalizações, nós temos muitos estudos e dados de diversos cientistas no mundo que apontam para o surgimento de uma humanidade diferente, com características distintas de outrora. Além disso, isso já era previsto por todos os estudos de civilizações mais antigas, como os maias e também nas Escrituras Sagradas. Entretanto, sobre a comunicação através de canalizações, elas estão cada vez mais freqüentes e acessíveis a um número cada vez maior de pessoas. Na verdade, todos nós temos esse acesso. Apenas o que é preciso é analisar a qualidade e confiabilidade do canal. No caso de Lee Carroll, que conheci pessoalmente e com quem converso periodicamente, sinto confiança no que ele escreve e diz, e já presenciei suas canalizações e li seus livros, sentindo que há verdade e coerência no que ele traz de suas canalizações. Existe coerência com outras teorias e, inclusive, com as ciências humanas mais avançadas, como a Física Quântica e a Teoria do Caos, a Teoria das Supercordas e a Teoria dos Campos Morfogenéticos, de Rupert Sheldrake.
Sobre canalizar, eu mesma canalizo e acredito que este é o sistema de comunicação mais avançado que está sendo disponibilizado a todos nós, humanos. É um sistema de comunicação e de relações interdimensionais. É simples para quem quiser ver assim, é complexo e complicado e talvez absurdo para quem quiser ver desta forma. Acima de tudo está o livre-arbítrio que rege nosso planeta.
Se fôssemos levar para o lado de que se aproveitaram, o que eu não acredito sinceramente, então poderíamos fazer tal questionamento a muitos temas como, por exemplo, o rótulo de hiperatividade e DDA e bipolaridade que está sendo atribuído a tantas crianças e jovens na atualidade, e que está fazendo com que certos autores, terapeutas, professores, escolas e principalmente laboratórios, ganhem muito (!) dinheiro rotulando, na maior parte dos casos com falta absoluta de provas e de competência para isso, rotulando e medicando essas crianças e jovens em série, com ritalina e também com outros medicamentos tais como antidepressivos, colocando-os no caminho de muitos distúrbios e doenças graves que esta droga pode causar, incluindo a perda de peso, tics, agressividade, câncer, crises psicóticas, ataques cardíacos e até a morte. Eu acho que a revelação do tema Índigos por parte de Lee Carroll e Jan Tober é sim um alerta e uma chamada geral para que se evite esses graves erros de “diagnóstico” e a medicação em série destas crianças e jovens que visam anestesiar e impedir a manifestação de seus melhores talentos, já que estes incomodam e desacomodam, já que têm o propósito de promover a mudança, a transformação. Essas novas gerações vêm com o potencial e a missão de romper com os sistemas de ciclo-limite de que fala a Teoria do Caos, e isso é assustador para quem está no controle hoje, para quem está no poder.
Horizonte: Entre as características dos Índigo, a mais difícil de se confirmar é a questão da "aura azulada". Como a psicologia convencional e mesmo a transpessoal têm encarado essa "característica"? Cientificamente falando, quem pode confirmar a existência de uma "aura azul"?
Ingrid: A existência da aura azul é a mais simples de ser confirmada, embora não seja necessário se usar este recurso para identificar a freqüência índigo numa criança, jovem ou adulto. O caminho é buscar um profissional competente e confiável e fazer a bioeletrografia ou antiga Foto Kirlian. Veremos ali a presença ou não do espectro azulado em coloração índigo ou não. Eu mesma já fiz minhas fotos e tenho usado este recurso para acompanhar minha própria evolução do ponto de vista inclusive de equilíbrio energético e de saúde. A Psicologia Transpessoal já está incluindo este tema como disciplina de estudo e já existem pesquisas começando a ser feitas aqui no Brasil, tais como trabalhos de monografia e de mestrado. Temos muito a caminhar, estudar e descobrir. Sem dúvida, é um campo aberto para a pesquisa.
Horizonte: Há como separar o fenômeno índigo de questões metafísicas ou realmente a solução é unir ciência e mística ou metafísica e física? A psicologia já se mostra inclinada a essa união?
Ingrid: Eu, sinceramente acho que não há como separar. Tendo para a visão holística e transdisciplinar, tanto do tema Índigos como da realidade em si e de nossa existência aqui na Terra, assim como a respeito do cosmos e de nossas relações com ele. A Psicologia Transpessoal eu creio que sim. Já não posso afirmar isso quanto à Psicologia dita tradicional, que ainda insiste em resistir a enxergar essas mudanças. É um bom exemplo dos sistemas de ciclo-limite que falei. A Psicologia tradicional que vigora no ensino acadêmico está ainda muito fechada a essas mudanças. Entretanto, o efeito sutil da borboleta está agindo e, como sabemos, é inexorável...
“A história humana é feita desta forma. Husserl, no século XX e alguns outros pesquisadores num esforço de questionamento a respeito dos fundamentos da ciência, descobriram a existência dos diferentes níveis de percepção da realidade pelo sujeito observador. Mas eles foram marginalizados pelos físicos e filósofos acadêmicos e incompreendidos pelos físicos, fechados em sua própria especialidade. De fato eles foram pioneiros na exploração de uma realidade multidimensional e multireferencial, onde o ser humano pode reencontrar seu lugar e sua verticalidade.” (Basarab Nicolescu, no seu livro Manifesto da Transdisciplinaridade)
Horizonte: A suposta imunidade dos Índigo a doenças como câncer e AIDS (conforme Maria Dolores Paoli) seria por sua origem "especial" ou, por outro lado, poderia ser atribuída a um processo biológico natural de imunidade, pelo fortalecimento das defesas do feto gerado em uma mãe infectada cujo organismo busca o reequilíbrio imunológico?
Ingrid: A imunidade dos índigos, ou seja, seu sistema imunológico fortalecido e resistente, é decorrência da ativação de quatro códigos do seu DNA. Quer dizer, ele vem programado para manifestar essa resistência maior às doenças. Em casos que temos atendido e também em muitos citados pelos autores, quando os índigos adquirem doenças na sua infância e adolescência é muito mais devido ao estresse excessivo da falta de amor, de limites e de referência adequados e até a violência a que são submetidos. Mas o que se observa nestes casos é que eles logo se recuperam, ressurgem ainda mais fortes e energéticos, com uma vitalidade impressionante, lembrando muito fênix que ressurge das cinzas. Agora, é claro, são seres humanos, e como o processo de evolução é dinâmico e holístico e transdisciplinar, não podemos ignorar também as influências biológicas naturais atuando e dando um colorido particular à trajetória de cada indivíduo, incluindo os índigos.
Horizonte: Algumas das principais características atribuídas às Crianças Índigo não foram sempre comuns em uma parcela das crianças em geral, como hipersensibilidade, muita energia, resistência à autoridade, aprendizado pela exploração, bloqueios de aprendizagem, não suportar ameaças, etc.? Não são coisas pertinentes ao desenvolvimento infantil em geral?
Ingrid: O que se analisa é um padrão de características que andam juntas e não características isoladas para estudar os índigos. De qualquer modo, claro que sempre houveram crianças e jovens com hipersensibilidade, por exemplo. Esses, possivelmente, se fôssemos analisar de perto poderiam ser identificados como índigos presentes em menor número em outras épocas ou não, apenas como seres mais sensíveis do que outros. Sabemos que freqüência índigo está presente aqui na Terra, em casos raros, desde a época de Cristo, como diz Josenildo de Carvalho, autor de um livro sobre índigos ainda inédito, aqui no Brasil. Sabemos que Einstein, Van Gogh, Gandhi, provavelmente foram seres de freqüência índigo e pioneiros que estiveram aqui e sofreram muito por estarem em meio a uma freqüência muito densa que predominava na Terra na época em que viveram.
Horizonte: José Manuel Piedrafita Moreno diz que muitas Crianças Índigo simplesmente não trazem consigo "cargas cármicas". Como isso é possível, considerando que "carma" é o produto da ação no mundo manifestado e só cessa, segundo os orientais, com a Iluminação? Os Índigo seriam "iluminados"?
Ingrid: Bem, isso é o que este autor diz. Entretanto, outros autores colocam que os índigos trazem, sim, alguma carga cármica, se bem que menor e que, por causa disso, eles trazem alguns sintomas relacionados a essa carga. Por exemplo, estamos vendo muitas crianças nascendo com refluxo esofágico que, segundo uma colega médica, que recebeu informações através de canalização, o refluxo está ligado a que estas crianças sabem que têm uma missão, sabem que será difícil, desafiadora e, diante disso, exitam e somatizam, devolvendo como refluxo numa manifestação da dificuldade de engolir o alimento e de digerí-lo, o que equivale à dificuldade de aceitar esta missão, que contém carga cármica, sim.
Não acredito que os índigos já nascem iluminados, no sentido em que os orientais se referem de que um iluminado seria aquele que já alcançou a plenitude, a unidade com a essência e a luz. Mas acredito que os índigos nascem com a consciência expandida, mais expandida do que aqueles que ainda não vibram nesta freqüência. Assim, eles estão mais iluminados neste sentido, já que consciência é luz e quanto mais a expandimos, mais nos iluminamos.
Horizonte: Qual a verdadeira origem dos Índigo? Seriam espíritos vindos de outros mundos, como pensam algumas correntes? Extraterrestres, segundo outras? Ou nada disso?
Ingrid: Os índigos, em termos de origem, segundo o que já li e pesquisei, são sim seres vindos de outros planetas, como consta, inclusive, na nossa origem como espécie humana. Mas não todos eles, e sim uma parcela deles. Se eles são espíritos de outros planetas eles são, portanto, extraterrestres, porém como eu disse, não todos, uma parcela deles. Agora, o que julgo mais importante é não fantasiar sobre isso e buscar uma compreensão mais profunda sobre o que significa outros mundos ou outros planetas, quem são os extraterrestres. Tudo está conectado com a nossa própria origem. Nós somos, provavelmente em grande percentual aqui na Terra, extraterrestres, ou seja, seres que vieram de outros planetas e ajudaram a povoar a Terra. A vida existe em muitos níveis de realidade e em muitos planetas, assim como em outras galáxias. Não há porque duvidar disso e a mim parece tão simples essa possibilidade. Entretanto, não estou querendo convencer ninguém daquilo que acredito. É apenas o modo como eu sinto e acredito. Já que existem tantas crenças diferentes da origem da humanidade, o que posso dizer é que cada um deve sentir primeiro e depois buscar a verdade que ressonar como verdade com sua essência. Não acredite ou se deixe convencer por ninguém. Encontre dentro de você a verdade através de sua própria conexão com a Fonte, com Deus. Sugiro um livro muito importante neste sentido que é o livro O Código de Deus, de Gregg Braden, como leitura muito esclarecedora sob muitos aspectos sobre nossa essência e origem. Além deste, temos livros como Yo Vengo del Sol, escrito pelo menino que hoje já é um jovem argentino chamado Flavio Capobianco, e que não só falava desde pequeno sobre seu planeta de origem, como conta detalhes da vida neste planeta e detalhes de como formou-se nossa espécie humana. Ele acrescenta desenhos muito específicos e esclarecedores tanto quanto impressionantes. Também o livro El Niño de las Estrellas, de Phoebe Lauren, que foi escrito pela mãe de um menino chamado Marcos, que viveu só até os dez anos de idade e que desde pequeno contava que vinha de um determinado planeta, contava detalhes da vida neste mesmo planeta e que já tinha estado na Terra e tinha sido filho deste mesmo casal. Explicava para a mãe que ele iria partir em breve e que ela deveria escrever livros sobre tudo o que ele lhe contava e ainda contaria.
Agora, na medida em que falamos de seres humanos, os índigos são seres humanos mais evoluídos que estão encarnando ou nascendo aqui e chegando em número crescente, manifestando o potencial que existe em todos os seres humanos de forma mais ativada, com um DNA ativado, ou seja, quatro códigos a mais ativados, o que faz com que esses potenciais que todos possuem se manifeste e impressione muito. São dons e capacidades que parecem fantásticas e que antigamente se classificava como fenômenos metafísicos, mas que hoje em grande parte a ciência já comprova e podem ser considerados fenômenos físicos. Na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), os experimentos mostraram que, ao mesclar células destas crianças com doses letais do vírus da AIDS e com células cancerosas, não houve alteração. Essas crianças não contraíram as doenças e suas células não sofreram alteração.
Eu poderia me estender mais, mas vou finalizar esta resposta com a citação que fiz na palestra mais recente sobre o tema:
“A Nona Visão... A Cultura Emergente:
Como todos nós evoluímos para melhor conclusão de nossas missões espirituais, serão completamente automatizados os meios tecnológicos de sobrevivência, permitindo que o ser humano focalize sua atenção nos eventos de sincronicidade que contribuem para o seu crescimento pessoal e coletivo. Tal crescimento permitirá que o ser humano ingresse em estados de consciência mais elevados, transformando, inclusive, a densidade do seu corpo, que passará a ser cada vez mais sutil e se unirá a uma dimensão de existência pós-vida, colocando um fim ao ciclo sucessivo de nascimento e morte.” (James Redfield, no livro de sua autoria, A Profecia Celestina)
Horizonte: Agradecemos a gentileza de ceder-nos essa entrevista. Gostaríamos que a encerrasse discorrendo sobre a missão que teriam os Índigo em nosso mundo daqui por diante.
Ingrid: Os índigos têm como missão principal romper com os padrões vigentes, com as fronteiras estabelecidas por estes padrões e com os valores e leis humanas que se estabeleceram ao longo do tempo e que determinaram que chegássemos ao estágio atual de degradação social e ambiental e de desigualdade e injustiça, devido a que se perdeu a conexão com a fonte de toda a vida, com a essência, com a luz ou, se quisermos, com os valores fundamentais e mais elevados.
Os índigos vieram para provocar e cutucar, desacomodar, sacudir e fazer a humanidade parar e pensar, repensar e reavaliar os seus valores, seu rumo, as conseqüências de todas as suas atitudes até aqui. Eles vieram para fazer tudo isso, porém, com muita sabedoria e amor, sempre guiados pela força do amor que é fortemente manifesto por eles. Os índigos vêm para promover a mudança, especialmente do modelo educacional vigente e a construção de um novo modelo educacional com base no amor incondicional, na consciência, na criatividade e na espiritualidade que vise à criação de um mundo de paz, um mundo mais humano e mais evoluído para todos, onde as desigualdades e preconceitos sejam simplesmente eliminados. Eles vêm como arautos da paz, preparar o “terreno” para a chegada em massa das crianças com uma freqüência ainda mais sutil, que são as crianças cristal.
Os índigos vêm para serem os líderes que criarão as novas empresas e novas formas de gestão, que criarão novas formas de governar e de educar e que nos guiarão na direção desta transformação da realidade e do planeta. Eles vão nos guiar na direção de um mundo fraterno, amoroso e pacífico. É claro que para isso ainda precisamos de mais duas ou três gerações para que se configure essa nova realidade. Mas tenhamos certeza, ela está em marcha e não haverá retrocesso...
Obrigado pelo espaço e pela oportunidade de divulgar minhas idéias, e desejo estar contribuindo para o estudo e para a pesquisa em torno deste tema tão atual e importante quanto urgente.
Um abraço fraterno e afetuoso a todos os leitores e aos responsáveis por esta revista.

O Coletivo Quan An, a primeira ONG brasileira de Budismo Engajado, procura parcerias e financiamentos para promover a consciência do interser no país
Por Antonino Condorelli
condor_76@hotmail.com
Nordeste: veia aberta do Brasil. Rio Grande do Norte, minúsculo Estado econômica e politicamente insignificante na esquina do sub-continente latino-americano. Periferia da periferia. Foi aqui onde visionários e sonhadores, tantas vezes, aprenderam que o estrume é só a outra face das flores. Foi em Natal, no miserável bairro das Rocas, que o histórico prefeito Djalma Maranhão implantou, em 1961, a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”: escolas de palha que não agrediam o ambiente nem a cultura local e alunos descalços, pois para aprender a ler não é preciso ter sapatos. Em três anos, a campanha matriculou 17.000 alunos. Foi neste Estado, no coração do Sertão potiguar, que em 1963 Paulo Freire realizou as 40 horas de Angicos, inaugurando uma nova pedagogia que parte das exigências da pessoa humana e tem como fim a libertação. E é aqui que, hoje, um jovem praticante do Dharma do Buda ligado à Ordem do Interser do mestre Zen vietnamita Thich Nhât Hanh, o monge que nos anos Sessenta fundou o Budismo Socialmente Engajado, criou junto a uma pequena equipe de pioneiros a primeira ONG brasileira diretamente inspirada neste movimento: o Coletivo Quan An de Promoção da Liberdade, a Igualdade e a Solidariedade entre Todos os Seres. Quan An, o nome em vietnamita do bodhisattva Avalokitesvara, o ser que na tradição budista Mahayana encarna a bondade amorosa e a compaixão universais e no capítulo XXV do Sutra do Lótus é descrito como aquele que “escuta todos os gemidos do mundo” e “olha para todos os seres com os olhos da compaixão”, abençoou esta iniciativa que tem como principal objetivo promover a consciência do interser na sociedade brasileira.
O fundador do Coletivo Quan An já trabalha em uma ONG de promoção dos direitos humanos histórica no Rio Grande do Norte, que possui uma trajetória de mais de 20 anos e cujo principal foco de ação é atualmente a educação para os direitos humanos e a cidadania, mas sentia profundamente a falta da perspectiva fornecida por tradições espirituais como o Dharma, pela ecologia profunda e outras abordagens holísticas e orgânicas à existência no fazer educacional e nas demais esferas de atuação das entidades da sociedade civil brasileiras. Por isso resolveu juntar um pequeno grupo e fundar uma ONG própria.
O macro-projeto do Coletivo Quan An é contribuir a fazer brotar na sociedade brasileira (mais na frente, seus integrantes esperam ter condições de atuar também em outros países da América Latina) uma nova consciência baseada na percepção nítida da conexão do indivíduo com a grande Teia da Vida. No Brasil trata-se de um trabalho em grande parte inédito e o elo com a educação em direitos humanos, que já possui seu Plano Nacional elaborado de forma participativa, vai ser o gancho que unirá as atividades tradicionais de muitas ONGs, instituições e pessoas a esta nova abordagem sobre a realidade.
Em linhas gerais, a idéia central da organização é a formação de uma ou mais equipes que, após uma fase de intenso treinamento, ministre workshops e seminários propondo algo que, usando a terminologia forjada pela eco-filósofa norte-americana Joanna Macy, poderíamos chamar de "exercícios de re-conexão" (com a nossa verdadeira natureza, com a Rede de Indra da existência), valendo-se de técnicas oriundas do Dharma, mas sem excluir complementações procedentes de outras tradições espirituais, do trabalho da própria Joanna Macy, da teoria dos sistemas vivos, da ecologia profunda, da física quântica e das tradições indígenas do Brasil e o resto das Américas. Tais oficinas seriam gratuitas, dirigidas a distintos públicos que, no seu conjunto, componham um leque amplo, diferenciado e abrangente de forças da sociedade.
O elo com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) se daria, na concepção do fundador da ONG, de duas formas. Em primeiro lugar, através da seleção de uma parte do público alvo. O PNEDH inclui cinco áreas de atuação: educação básica, educação superior, educação não-formal (ou seja, o trabalho da sociedade civil organizada), educação dos profissionais de segurança pública e educação e mídia. Portanto, os workshops do Coletivo Quan An estariam dirigidos, primeiramente, a educadores do ensino básico e superior; a alunos destas mesmas áreas de ensino (o que implicaria atuar nas escolas e universidades); a ativistas sociais de diferentes áreas (militantes ambientalistas, feministas, dos direitos humanos, da área de crianças e adolescentes, dos direitos das minorias, etc.); a profissionais da segurança pública e a operadores da comunicação de massa. A partir desta base, poderia-se depois ampliar o leque incluindo outros setores sociais e categorias profissionais, como arquitetos e urbanistas; funcionários públicos da saúde, o transporte e outras áreas; lideranças comunitárias; etc. e também grupos sociais específicos, como workshops para mulheres, para negros e pardos (por exemplo, em comunidades quilombolas), para comunidades indígenas desenraizadas, para moradores de favelas e bairros pobres, para trabalhadores rurais, etc. No caso de quilombolas e comunidades indígenas, tais oficinas seriam uma forma de se reconectar com as suas raízes históricas e culturais, com os seus ancestrais, os sofrimentos pelos quais passaram e as forças e dons que lhes legaram, e incorporar um sentimento mais profundo de ligação com a história dos seus povos.
O segundo elo de conjunção com o PNEDH se dará no nível conceitual e dos princípios, consistindo na substancial convergência entre a abordagem dos workshops e a visão que impregna o Plano: a da indivisibilidade, interrelação e interdependênca entre todos os direitos humanos, que remete diretamente para a interconexão de todas as esferas da existência, o interser de todos os fenômenos, a grande Teia da Vida que é o mais profundo insight das tradições espirituais assim como das novas ciências, da ecologia profunda, da teoria dos sistemas vivos e todas as demais abordagens à realidade que inspiram o Coletivo Quan An.
Haveria uma fase prévia de formação e treinamento dos membros da equipe que desenvolveria o trabalho (ou as equipes, se forem mais de uma), que poderia ser realizada dentro ou fora do Brasil dependendo das circunstâncias e os recursos, e sucessivamente passaria-se à execução dos workshops. Estes últimos poderiam ser dados em número maior ou menor e em um só lugar ou vários dependendo dos recursos disponíveis, tendo-se suficiente flexibilidade como para adaptar os projetos específicos às efetivas possibilidades dos financiadores. A priori, o ideal seria um trabalho itinerante e continuado que atinja vários Estados do Brasil e que depois das oficinas forneça algum tipo de acompanhamento e apoio aos participantes delas nos seus projetos e atividades sociais. Além do mais, todo ano realizariam-se novos workshops para dar a mais pessoas, organizações, escolas, instituições etc. a possibilidade de participar neste tipo de trabalho com a consciência.
Paralelamente aos workshops, a equipe da ONG pensou na possibilidade de desenvolver um portal em português rico em textos e informações sobre Budismo e as demais filosofias inspiradoras do trabalho (teoria de Gaia, ecologia profunda, etc.), instruções sobre exercícios de re-conexão e veículos de comunicação direta entre os capacitadores e o público das oficinas, assim como de qualquer pessoa interessada que não tenha tido a oportunidade de participar das mesmas, e até pensar em desenvolver workshops à distância via Internet.
Por último, mas com certeza não por importância, para levar adiante a missão do Coletivo Quan An a equipe da ONG pensou na possibilidade de criar um centro de capacitação permanente para facilitadores de workshops e, se alguém se dispuser a financiar a iniciativa, trazer todo ano pessoas de diferentes Estados para se formarem nele. A idéia é que, depois de um amplo e abrangente processo de treinamento, estas pessoas possam voltar às suas realidades habilitadas para dar oficinas e multiplicar este trabalho.
Essa é a idéia geral, a arquitetura ou concepção global do trabalho a ser desenvolvido pelo Coletivo Quan An. Por enquanto, não existe absolutamente nada a não ser uma organização-não-governamental fundada no final de maio como entidade de fato e reconhecida como pessoa jurídica no começo de agosto, uma pequena equipe sem nenhum recurso e sem sequer uma sede própria e um grupo um pouco maior (mas também não muito grande) de praticantes do Dharma espalhados pelo Brasil e desejosos de participar deste projeto e as idéias que foram aqui apresentadas. Além disso, só muita vontade de trabalhar e de oferecer a compaixão, a bondade amorosa, a equanimidade e os insights que proporciona a prática do Dharma como valores agregados para a transformação não-violenta da sociedade brasileira.
A equipe do Coletivo Quan An gostaria de poder contar com o seu apoio e a sua participação ativa na concretização destas idéias. Qualquer sugestão, opinião ou insight sobre como poder melhorar as idéias iniciais ou concretizá-las serão bem-vindos. Do mesmo jeito, a ONG está totalmente aberta a parcerias e toda proposta para juntar forças ao redor de objetivos comuns e a realização de projetos conjuntos será atentamente e carinhosamente analisada. A entidade também agradecerá imensamente os contatos de quaisquer potenciais financiadores interessados nas nossas propostas.
Para contatar o Coletivo Quan An, escreva para quan.an@hotmail.com ou budistas.engajados@hotmail.com. Não deixe de entrar em contato e ajudar como puder o Dharma socialmente engajado a crescer e espalhar a consciência do interser no Brasil!
Blog: Nasce a Rede Brasileira de Budistas Engajados
O fundador do Coletivo Quan An de Promoção da Liberdade, a Igualdade e a Solidariedade entre Todos os Seres lançou, através de um blog, mais uma iniciativa para levar as energias da compaixão, a bondade amorosa e a equanimidade do Dharma para a imensa legião de excluídos, explorados e sofredores do Brasil: a Rede Brasileira de Budistas Engajados.
A intenção do blog é fornecer um espaço de diálogo, articulação, debate, divulgação de atividades, troca de informações e de experiências entre organizações, grupos e praticantes individuais de qualquer escola do Dharma que, com a própria sangha ou dentro de organizações de outro caráter, realizam atividades de promoção dos direitos humanos, a justiça social, a paz, o respeito ao meio ambiente e a harmonia entre todos os seres em qualquer parte do Brasil.
A idéia que sustenta o site é construir uma ampla rede informal de organizações e praticantes budistas que, em um futuro não muito longínquo, possa realizar ações e projetos conjuntos em prol da paz e os direitos humanos no Brasil. Para que esta idéia deixe de ser um mero estado de espírito e torne-se uma realidade efetiva e atuante, é essencial o envolvimento de todos os praticantes do Dharma desejosos de contribuir à construção de um Brasil e um mundo melhor.
Se quiser participar desta iniciativa, visite o blog http://www.budistasengajados.blogspot.com ou escreva um e-mail para budistas.engajados@hotmail.com.
Junte-se a esta grande correnteza de compreensão, compaixão e amor verdadeiro!
Sobre Antonino Condorelli (condor_76@hotmail.com)
Italiano de nascimento, brasileiro e latino-americano de adoção e coração. Comunicador e educador engajado ativamente na luta por uma sociedade justa, democrática, igualitária, pacífica, solidária e participativa, desde 2003 é membro da equipe do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) de Natal.
É articulador internacional de redes de direitos humanos, membro de diversos Conselhos e Comitês, assessor internacional de comunicação da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC) da República de Cabo Verde (África) e ativista com vocação internacionalista que passou longos períodos em outros países da América Latina. É também uma ponte entre os movimentos sociais e as universidades na área de educação em direitos humanos.
É praticante budista ligado à Ordem do Interser do mestre Zen vietnamita Thich Nhât Hanh, um dos fundadores e principais protagonistas do Budismo Socialmente Engajado.
Lobsang Rampa - a história

[Tuesday Lobsang Rampa, na verdade Cyril Henry Hoskins]
Victor de Figueiredo - FRC
(Publicado originalmente no “Jornal do Incrível” n.º 386, de 7/4/87)
Um dos aspectos éticos que devem ser observados pelos adeptos de Misticismo – na busca humilde e sincera do seu encontro directo com Deus, que concebe imanente em si mesmo e em toda a Criação – é “NÃO JULGAR”.
De um lado, qualquer julgamento, crítica ou juízo do semelhante sempre será parcial, pois é impossível a alguém que tenha de julgar o próximo, mesmo com espírito da mais rigorosa isenção, poder dispor de todas as informações e coordenadas intrínsecas às razões objectivas e subjectivas das acções e reacções de outro ser humano.
Por outro lado, qualquer julgamento impõe, implicitamente, a impossibilidade de compreendermos o comportamento dos outros em sua própria realidade, condicionados que estamos a apreciá-los em nossa visão pessoal, subliminar, com os nossos olhos e a nossa consciência; isto é, julgando-os, não como eles são e se comportam mas, como nós somos e nos comportaríamos nas mesmas condições. Neste sentido, toda a crítica e avaliação do outro é uma extensão de nós próprios, pelo que a justiça humana, autêntica, é impossível.
Por isso, hesitámos em responder ao leitor Inácio S. Moura, de Vila Nova de Gaia, que nos apresentou a seguinte questão:
“É T. LOBSANG RAMPA uma pessoa de crédito ou não passa de um embusteiro? Sempre gostei dos seus livros (foi através deles que entrei no mundo da Parapsicologia), mas desde há uns tempos que os deixei de ler, depois de algumas afirmações negativas a seu respeito”.
Em resumo, o que o leitor nos solicita é um juízo que, em nossa interpretação, parece conter dois aspectos básicos:
a) – autenticidade de T. Lobsang Rampa como sacerdote Lama do Budismo Tibetano; e
b) – autenticidade do conteúdo místico-religioso da sua obra, baseada nas práticas e doutrinas do Budismo do Tibete.
Antes de nos pronunciarmos sobre estes aspectos, parece-nos necessário que o leitor compreenda o seguinte:
É de acordo com o estágio evolutivo individual, e seu consequente senso de valores, que as pessoas buscam e encontram (no processo de realização das suas motivações interiores), os livros, os amigos, as religiões, as ideologias, o conhecimento, entre as mil opções que fazem em sua vida. Tudo é, afinal, resultado da busca subconsciente das coisas que têm ressonância e empatia com aquilo que sentem e que interiormente são. Citando de cor ERNEST HEMINGWAY, dizia ele num dos seus livros, mais ou menos o seguinte: “O que acontece às pessoas não é o que elas desejam ou merecem, é o que se assemelha com elas”.
No grupo daqueles que buscam o insólito, o transcendente, o Esotérico, por íntimo imperativo da sua consciência, a grande maioria parte sozinha, desaconselhada, indecisa e inocentemente ignorante nessa aventura. (Aqueles que acreditam em reencarnação dizem que sempre temos de continuar o aprendizado anterior, de voltar à mesma estrada, já em parte percorrida). Assim, quase todos começam da mesma maneira, geralmente através dos livros, e sua natural falta de preparação e de orientação leva-os também à procura de literatura do género, de “linguagem” mais fácil e sensacional.
É quando encontram os livros de Lobsang Rampa. É o chamado “mal necessário”, considerando a escuridão do túnel do conhecimento espiritualista e metafísico, área que o Ocidente mantém mal iluminada e de trânsito difícil, sobretudo em alguns países mais atrasados da Europa.
“Quem não passou por Lobsang Rampa que atire a primeira pedra...”, dizia um assistente numa palestra nossa, e com óbvia razão.
No início da nossa “caminhada” temos, com inocência e heroicidade, de bater em muitas portas erradas, subir penosamente as vertentes da montanha da Luz, sem certeza alguma de acharmos, algum dia, o "pico" confortável ou a porta “certa” para nós, já que não existe qualquer “Céu” ou “Paraíso” seguros e adequados para todos. As raras setas indicativas do “caminho” são pouco visíveis, e qualquer atalho sempre parece – em nossa pressa de chegar à “Verdade” – a senda óptima. O problema é que sempre obtemos – na inflexível Lei de Causa e Efeito, motor da evolução – não o que desejamos, mas aquilo que, no momento, se parece com o que somos. É só na medida do esforço e da persistência que as “lanternas” começam a surgir e a aclarar o caminho.
Um pouco de humor, se me permite: um amigo nosso, brasileiro, que praticava o Budismo Zen e dava sempre um “show” de humor em suas palestras, foi inquirido uma vez por uma senhora (que lhe disse ser leitora de Rampa e que ele, Rampa, lhe ensinara tudo e a preenchia totalmente), perguntou-lhe se ele via algum inconveniente nisso. E ele, então, respondeu-lhe:
“Bem, mais vale ter mau hálito do que não ter hálito nenhum... Ainda pode tratar-se!”
Se o leitor duvida que Lobsang Rampa seja um Mestre autêntico é porque já o ultrapassou, já saiu dessa trilha, desse degrau necessário no rumo do conhecimento, para se encaminhar na direcção de uma Religião, de uma Organização ou Ordem Mística, ou mesmo de outro autor ou autores que estejam de acordo com a sua actual e última necessidade de conhecimento.
Não queremos frustrar o nosso leitor sem lhe darmos uma resposta menos pessoal e mais objectiva. Todas as informações que colhemos ao longo do nosso aprendizado sobre o autor referido, mormente no Brasil, e até em Instituições Budistas que frequentámos como visitantes, apontaram-nos sempre e conclusivamente para as seguintes conclusões:
a)– De Lobsang Rampa nunca ter sido como indivíduo físico e psíquico, na encarnação terrena em que produziu seus livros, um Monge Lama Tibetano;
b)– De ser incrível e mesmo ridícula a ideia de que Cyril Henry Hoskins, (também conhecido como Dr. Kuan, ou Carl Kuansuo), tenha “incorporado”, como adulto, a Personalidade-Alma de um Sacerdote Lama Tibetano, chamado T. Lobsang Rampa, nome com o qual Cyril iniciou a sua obra;
c)– De Cyril ter sido, pura e simplesmente, filho de um modesto canalizador, nascido e criado numa pequena cidade do interior de Inglaterra, o qual, tendo pesquisado sobre o Budismo Tibetano, decidiu escrever sobre o assunto. Desempregado e pressionado por dificuldades financeiras, apresentou a um editor, então, o livro “A Terceira Visão” (The Third Eye), que se tornou um “best-seller”.
Para nós, que acreditamos firmemente na reencarnação, seria aceitável que, no seu nascimento, Cyril tivesse recebido a Personalidade-Alma de um sacerdote Lama que tivesse sido na existência anterior, de cuja consciência e sabedoria viria a beneficiar para a obra que mais tarde faria. Infelizmente, não foi isso que ocorreu nem o que Lobsang Rampa disse. Sustentou firmemente a justificativa de que a alma de um Lama se apossara do seu corpo físico, quando adulto, tomando a sua individualidade, fenómeno que intitulou, obviamente, de “Transmigração”.
Seria injusto omitir ou negar o mérito que coube a Lobsang Rampa, como autor de vários livros (fosse ele quem fosse), os quais, à sua revelia, contribuíram, na época, de modo acessível e popular, para a divulgação de vários assuntos esotéricos e metafísicos e despertaram o interesse de milhões de pessoas para o foro espiritualista.
Mais seriamente, é o mesmo mérito que creditamos ao livro “O Despertar dos Mágicos”, de Louis Pawells e Jacques Bergier, e às obras de Dale Carnegie, Joseph Murphy, Vernon Howard, Rhine e, mais recentemente, a Og Mandino, além de outros autores que foram pioneiros na implantação do Mentalismo Positivo, no Domínio da Mente sobre a Matéria, na Parapsicologia, etc.
Visando uma indispensável exegese mística e esotérica, não seríamos honestos com os leitores se omitíssemos a nossa opinião sobre o perigo – para as pessoas sem cultura mística e sem experiência selectiva – de certas práticas tratadas por Rampa nos seus livros. Mormente da incorrecta e superficial apresentação de alguns ensinamentos nas suas obras, emergentes de um nítido objectivo de êxito comercial e sensacionalismo, os quais visaram insensatamente satisfazer um público consumista ainda não exigente e pouco esclarecido.
Das correntes importantes do Budismo – o Maayana, o Hinayana e o Zen – o Vajrayana (Lamaísmo, ou Budismo Tibetano) é o mais completo e profundo sistema Budista. Que nos conste, nem os Dalai Lamas, seus chefes espirituais, nem mesmo os Lamas, escreveram livros, mesmo enquanto seu sistema de governo religioso não foi perturbado e eles puderam viver tranquilamente em seus mosteiros no Tibete.
Conhecemos apenas uma obra oriunda do Tibete, que remonta a um antigo manuscrito em poder dos monges desde o ano de 732 e que, depois de traduzido para o Chinês com permissão especial do Dalai Lama da época, foi posteriormente traduzido para Inglês, em 1749, e publicado na Inglaterra em 1760. Esta obra parece ter sido escrita pelo Faraó Akhnaton (Amenhotep IV) do Egipto, entre 1360 e 1350 antes de Cristo. Seu título é: “A Vós Confio...”. É uma verdadeira Bíblia de ensinamentos místicos. Uma obra rara e iluminada.
Julgo interessante, agora que o Budismo está muito divulgado no Ocidente, esclarecer um pouco mais sobre ele. Actualmente é considerado dividido entre duas grandes correntes, que decorreram do cisma ocorrido cem anos depois da morte de Buda, em 380 Ac: a “Theravada”, denominada “Escola dos Anciãos” ou “Veículo Pequeno” (Hinayana), e o Maayana, o veículo da solidariedade ou “Grande Veículo”.
Basicamente, a Theravada, (ou Hinayana), considera-se mais exegético e original, como sendo um caminho de salvação individual e auto-redenção, cabendo a cada discípulo, leigo ou monge, responsabilizar-se pelo seu desenvolvimento religioso e ético. Todavia, apenas os monges poderão chegar à sua salvação.
Todavia, a corrente Maayana concebe e acredita que todos os crentes poderão alcançar a redenção, monges ou leigos, pois considera o Buda como o verdadeiro salvador, enquanto no Hinayana Buda é somente um ideal, uma Luz para o alcance do Nirvana. O Maayana segue o exemplo de Buda que renunciou a alcançar o Nirvana (Iluminação ou Consciência Cósmica) que, não obstante, atingiu, por compaixão com os semelhantes, sendo hoje muito diferente do Budismo Hinayana na sua filosofia e prática.
É especialmente interessante o estudo do Budismo, pela diferença entre estas duas correntes, no que respeita à sua visão intrínseca sobre a Lei do Karma, estudo que o espaço não nos permite explicar neste artigo.
Acrescentamos, apenas, que nas últimas décadas houve um interesse especial sobre dois movimentos desencadeados no interior do Maayana, o Vajrayana tibetano, ou Lamaísmo, (Veículo Diamante), que decorreu da fusão com a religião local, a Bon, e o Zen Japonês (meditação) muito mais disseminado no Japão de que na China.
Os autores ocidentais que estudaram profundamente o Budismo são raros, até hoje. Destacamos Allan Watts, teólogo inglês e D. T. Suzuki, um japonês que escrevia em inglês, os quais divulgaram o Budismo Zen no Ocidente. O Lamaísmo foi divulgado por Evans-Wentz e Alexandra David-Neel, esta de origem francesa, a única mulher que, (com excepção de Madame Blavatsky, co-fundadora da Teosofia), viveu com os Lamas e foi iniciada por eles; suas obras são autênticas e importantes sobre o Budismo Tibetano.
Depois da ocupação do Tibete pela China Marxista, em 1951, da fuga do Dalai Lama e de alguns Lamas para a Índia, em 1959, e depois de muitos monges terem vindo para o Ocidente, alguns deles fundaram Instituições Budistas na Escócia e Estados Unidos, como o “Nyingma Institute”. E então escreveram alguns livros sobre o Budismo. Que saibamos, Lobsang Rampa não foi nenhum deles e não esteve ligado às Lamaserias ou às organizações budistas, quer no Tibete quer na Escócia ou nos Estados Unidos.
O próprio Dalai Lama, em 1972, questionado por um jornalista canadiano, esclareceu que nem Lobsang Rampa nem seus trabalhos literários mereciam qualquer crédito, por serem fruto de imaginação e ficção do autor.
Terminamos com a nossa opinião particular de que Cyril Hoskins – ou Carl Kuansuo – ou Dr. Kuan – ou, finalmente, Tuesday Lobsang Rampa – pagou um preço caro para tornar verosímil a sua personagem de monge Tibetano, em termos de saúde, intranquilidade e frustração, lutando a vida inteira contra os cépticos e mantendo um obsessivo conflito com os jornalistas de todo o Mundo que, sem lhe darem tréguas, procuraram desmascará-lo.
Escondendo-lhes as mil facetas de sua vida aventurosa, tentando impor uma coerência impossível para as inúmeras justificativas e contradições quanto à sua verdadeira identidade, isolando-se e tornando-se amargo, distante, auto-suficiente e cínico, Lobsang Rampa descoloriu e ofuscou o flagrante valor divulgador e pioneiro da sua obra, para um público carente de conhecimento místico, na época, não obstante a sua duvidosa legitimidade e as imperfeições que a enfermam.
Todavia, “Quem não passou por Lobsang Rampa que atire a primeira pedra...”
