terça-feira, 5 de agosto de 2008

 

Crepúsculo de uma cultura de cinco mil anos: O caos dos Direitos Humanos na China

Paulo Stekel



Introdução

A China de Lao Tse, a China de Confúcio, a China do Tao, do Tai Chi, a China de Bodhidharma... Onde está sepulta esta China milenar e tão gloriosa? Ela jaz sob toneladas de cinzas produzidas pela queima de cinco mil anos de uma rica cultura em apenas cinquenta anos... Um genocídio promovido por uma das ditaduras mais cruéis da história da humanidade, contudo, a primeira ditadura cruel ignorada pelo resto do mundo, que a vê como um simples parceiro comercial, e não como ameaça à segurança e à liberdade do mundo inteiro.

Uma nação cresce de modo desenfreado, louco, irresponsável e sem a menor consciência do valor da vida humana, quanto mais de valores como ética, verdade, liberdade e bem-estar social. Por isso persegue com mão de ferro os membros do Falun Dafa.

Esta nação é a China pós-maoísta, uma caricatura de um comunismo utópico tão almejado e um esboço mal-acabado de um capitalismo de “viés socialista” tão hipócrita quanto o capitalismo ocidental em si. Esta nação cresce através do medo, da delação, do trabalho escravo, de uns poucos ienes por mês, do paredão diário bem ao estilo dos circos romanos, do pane et circensis... mas sem o pão, pois a maior parte da nação chinesa ainda padece de uma miséria – física, cultural, social, mental e espiritual – impensada pelos grandes mestres do passado.

Ainda assim, o prêmio que esta China caricata recebeu do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi sediar os Jogos Olímpicos de 2008. O dragão chinês agarrou a oferta com unhas e dentes, pois viu aí a oportunidade de mostrar sua força e dar seu recado de terror ao resto do mundo. Mas não se dispôs nem um pouco a melhorar a vida de seus cidadãos ou a situação dos direitos humanos no país. As privações, abusos de poder, torturas e julgamentos sumários são sofridos por todos, tibetanos, chineses, separatistas muçulmanos do Turquestão Oriental, insurgentes da Mongólia Interior... Nem os jornalistas ocidentais, cobrindo as “Olimpíadas da Vergonha”, têm escapado ao espancamento, como ocorreu com os jornalistas japoneses em Xinjiang, a três dias dos Jogos. Para os próximos dias não podemos esperar situação mais amena.

Mas, o que realmente acontece na China? Nem mesmo os chineses, privados de informações verídicas e livres, o sabem ao certo. Procuraremos, neste artigo, dar uma visão geral da situação dos direitos humanos na China, das atrocidades promovidas pelo governo ditatorial de Pequim e da posição do governo brasileiro frente ao assunto.

Breve história do Maoísmo, a sepultura da China milenar...

O maoísmo é uma corrente comunista baseada nos ensinamentos de Mao Tse Tung (1893-1976). Na República Popular da China, este pensamento é a doutrina oficial do Partido Comunista. Desde as reformas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978, a definição e o papel da ideologia maoísta mudou radicalmente na China e tem agora um papel decorativo.


[Mapa administrativo da República Popular da China. Um sistema complexo comandado com mão de ferro.]

O maoísmo é do tipo voluntarista, ou seja, as condições objetivas da sociedade são quase irrelevantes se as condições subjetivas, isto é, a vontade revolucionária do povo, estão presentes. Por isso defende a luta armada como forma de tomar o poder em todas as sociedades. A cultura, a língua e a religião de um povo, bem como a identidade das etnias não têm qualquer valor numa doutrina deste tipo. Por isso a revolta dos separatistas do Turquestão Oriental e dos tibetanos.

A idéia de tomada do poder na visão maoísta é diferente da experiência russa: primeiro a guerra civil, de base camponesa e prolongada, que cerque e conquiste as cidades e finalmente tome o poder de Estado.

Mao defendia que era preciso desde o princípio conquistar o apoio permanente dos operários e dos camponeses à guerra civil, mediante uma sintonia profunda entre o Partido e as aspirações populares. Eis o motivo do maoísmo ter se tornado o modelo de todas as guerras de guerrilha posteriores, desde o Vietnã.

Essa "linha de massas" deu ao maoísmo uma natureza diferente da do bolchevismo e do socialismo europeu. As execuções de "inimigos do povo" eram precedidas de julgamentos populares, com um intuito “pedagógico”. Os militares do exército branco que se rendiam eram geralmente integrados no exército vermelho, e muitos oficiais e patrões foram também incorporados, desde que aceitassem honestamente a direção do partido.

A guerra civil chinesa terminou em 1949, quando o Partido Comunista Chinês (PCC) tomou o controle da China continental e o Kuomintang (KMT), partido de oposição, recuou para a ilha de Formosa (Taiwan). Em 1º de outubro de 1949, Mao Tse Tung proclamou a República Popular da China, declarando que o "povo chinês se pôs de pé". Neste contexto, o Tibet, reivindicado pelos chineses há muito tempo, foi invadido aos poucos, o que resultou na fuga do Dalai Lama de Lhassa para a Índia, em 1959. De lá para cá, mais de 1,2 milhões de tibetanos foram mortos por conta da repressão chinesa. Não há liberdade religiosa, nem de língua, nem de cultura.

Após uma série de fiascos econômicos (que coincidiram com o “Grande Salto Adiante”), Mao deixou o cargo de presidente em 1959, mas ainda manteve um certo grau de influência sobre o partido, até ser afastado da administração diária dos assuntos econômicos, que passou ao controle de Liu Shaoqi e Deng Xiaoping.

Em 1966, Mao e seus aliados lançaram a Revolução Cultural, que durou dez anos. Ela foi motivada por uma luta pelo poder dentro do partido e por medo da União Soviética, o que provocou um grande caos generalizado na sociedade chinesa. Uma cultura de cinco mil anos começava a ser exterminada... Em 1972, no auge da ruptura entre chineses e soviéticos, Mao e Zhou Enlai encontraram-se com Richard Nixon em Pequim para estabelecer relações com os EUA. Desde então, a República Popular da China aderiu às Nações Unidas, substituindo a República da China (Taiwan) no assento permanente do Conselho de Segurança. Esta posição privilegiada, aliás, impede qualquer ação mais intensa (como sanções) como forma de obrigar a China a respeitar os direitos humanos.

Após a morte de Mao (1976) e a prisão da Camarilha dos Quatro, acusada dos excessos da Revolução Cultural, Deng Xiaoping tomou o poder de Hua Guofeng, sucessor escolhido por Mao. Deng levou o país a implementar grandes reformas econômicas. Posteriormente, foram dissolvidas as comunas e muitos camponeses receberam terras, para aumentar os incentivos à produção agrícola. Desta forma a China saiu de uma economia planejada para uma economia mista com um mercado crescente mas livre, um "socialismo de mercado". Na verdade, um capitalismo travestido de socialismo, mas definido por uma ditadura.

Contudo, os Direitos Humanos neste tempo todo se ressentem de reformas da mesma magnitude. E isso não vale apenas para o caso dos tibetanos. Todos os chineses insurgentes que contestam o governo sofrem torturas de todos os tipos, quando não sentenciados com a pena de morte. Lembremos que a China é o país que mais aplica a pena de morte no mundo! São quase 10 mil pessoas por ano, segundo a Anistia Internacional.

COI, COB e vistas grossas a atrocidades

O governo da China é autoritário, impondo pesadas restrições em diversas áreas, em especial no que se refere às liberdades de imprensa, de reunião, de movimento, de direitos reprodutivos e de religião, além de obstáculos ao livre uso da internet. Aliás, este último ponto está muito evidente durante a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim. O COI (Comitê Olímpico Internacional) insiste em fazer vistas grossas a mais essa privação de direitos, mas a verdade é que as Olimpíadas de 2008 só beneficiam uma ditadura cruel e insensível ao ser humano. Infelizmente o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) segue o mesmo descaso do COI e o recomenda a seus atletas. Uma vergonha total! Que nossos atletas são totalmente alienados quanto a questões sociais internacionais ou de direitos humanos, já sabíamos, mas pensávamos que neste caso as coisas poderiam ser diferentes...

Embora a sua constituição contenha direitos e garantias individuais, a China atual é considerada um dos países menos livres em termos de liberdade de imprensa, sendo comum a censura à manifestação de opiniões e de informações. Por isso a “ditadura” chinesa, pois não há outra definição melhor e mais justa, é freqüente alvo de críticas de ONGs e outros governos devido a violações graves de direitos humanos, como prisões sem julgamento, confissões forçadas, tortura, maus-tratos a prisioneiros, estupro, pena de morte excessiva, etc. Nenhum outro país recebe tantas críticas, nem mesmo os EUA, por conta da base de Guantánamo, do Afeganistão ou do Iraque. Como, então, o COI pôde desconsiderar tudo isso e vir com aquele discurso hipócrita de que as Olimpíadas vão ajudar a democratizar a China, se o que estamos vendo é exatamente o contrário? Ingenuidade ou acordos obscuros?

Xinjiang e Tibet – regiões de conflito


[Região de Xinjiang em destaque]

Xinjiang ou Sinkiang é uma região autônoma da República Popular da China. O nome significa literalmente "a fronteira nova", e foi dado durante a dinastia Qing da China manchu. Ele é considerado ofensivo pelos defensores da independência, que usam nomes históricos ou étnicos tais como Turquestão chinês, Turquestão Oriental ou Uiguristão. Devido à associação destes nomes com o movimento de independência do Turquestão Oriental, são considerados pelo governo chinês como relacionados com o terrorismo islâmico pan-túrquico.


[Tibet em destaque]


O Tibet é hoje uma província incorporada à República Popular da China, que a considera como "região autônoma". Possui uma área de aproximadamente 1,2 milhões de quilômetros quadrados. Taiwan (República da China) também reivindica o domínio total da região.

Quanto à soberania tibetana, o governo da República Popular da China e o governo do Tibet em Exílio discordam quanto à legitimidade de sua incorporação pela China.

Em 1950 o regime maoísta invadiu a região, que foi anexada como província. A oposição tibetana foi derrotada numa revolta armada em 1959. Como conseqüência, o 14° Dalai Lama, Tenzin Gyatso, líder espiritual e político tibetano, retirou-se para o norte da Índia, instalando um governo de exílio.

Em 1965, contra a vontade popular de seus habitantes, o país tornou-se região autônoma da China. Entre 1987 e 1989 tropas comunistas reprimiram com brutal violência manifestações contrária à sua presença. Tornou-se cada vez mais evidente estar em curso uma política de genocídio cultural.

Em 1993 iniciaram-se conversações entre representantes do Dalai Lama (prêmio Nobel da Paz em 1989) e a China, mas desde então mostram-se infrutíferas, devido à má vontade dos governantes chineses.

A causa da independência do Tibete ganhou força internacionalmente após o massacre de manifestantes pelo exército chinês na praça da Paz Celestial e a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Tenzin Gyatso, ambos em 1989. O Dalai Lama passou a ser recebido por chefes de Estado, o que provoca protestos por parte da China. Em 1999, o governo chinês lançou uma campanha de difusão do ateísmo no Tibete, visando enfraquecer a fé religiosa dos tibetanos e sua admiração pelo Dalai Lama.





[Fotos da campanha encomendada pela Anistia Internacional para a ocasião dos Jogos Olímpicos de Pequim. Mensagem clara.]

A perseguição ao Falun Dafa: prova da intolerância

O Falun Dafa é uma filosofia chinesa criada por Li Hongzhi em 1992, que cultiva características como verdade, benevolência e tolerância (Zhen-Shan-Ren), buscando o aperfeiçoamento moral, a natureza da mente e o coração para a evolução integral do ser humano através da realização de exercícios com movimentos tranqüilos e suaves que lembram o antigo Qi Qong. A prática foi apoiada oficialmente pelo governo chinês, mas em 1999 seus milhares de adeptos começaram a ser perseguidos, e o Falun Dafa foi proibido. Quando isso aconteceu, seu número de adeptos já era maior do que o de todos os filiados ao Partido Comunista Chinês. Ou seja, a organização filosófica de caráter pacífico passou a ser considerada uma ameaça para a ideologia nada transparente de Pequim simplesmente por ser eticamente correta e induzir os cidadãos ao mesmo. “A Verdade vos libertará” nunca ecoou tão alto...

Daí em diante começou uma indescritível cena de graves violações dos direitos humanos. Até agora, foram registradas mais de mil mortes de praticantes do Falun Dafa na China. Segundo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, há mais de cem mil pessoas em campos de trabalho forçado, sofrendo torturas.

O brasileiro Jan Hendriks, um praticante do Falun Dafa, descreve as atrocidades praticadas na China contra os adeptos que insistem em continuar sua filosofia pacífica:

“Há denúncias de que mais de cem mil pessoas estão em campos de trabalho forçado, sofrendo torturas, choques elétricos, inclusive em partes íntimas; calabouço de água, privação do sono por longos períodos; queima e marcação a ferro; exposição a condições climáticas severas, como frio intenso ou calor excessivo; lascas de bambu marteladas embaixo das unhas; abortos forçados; pessoas dependuradas por longo período, estupro e lavagem cerebral. Além disso, um grande número de praticantes saudáveis foi enviado para hospitais de doentes mentais. Foram injetadas drogas que destroem o sistema nervoso central e causam danos psicológicos irreparáveis. Essas torturas são aplicadas em homens e mulheres de todas as idades. A perseguição se estende por todo o território chinês.” [ver: http://www.falundafa.pro.br/Entrevistas/2004-04-Jan.htm ]

São os mesmos métodos descritos pelas vítimas tibetanas... Alguma dúvida de que a China atual sepultou a China milenar, sua cultura, sua dignidade e sua própria humanidade, substituindo-a por uma das mais cruéis ditaduras vistas na face da Terra?

A posição do governo brasileiro: “não é comigo”


Quando o presidente Lula quis tomar conhecimento da situação dos direitos humanos na China, em 2004, voltou dizendo que tinha visto os implementos nesta área. Mas não é isto o que mostram os dados de inúmeras ONGs internacionais de direitos humanos. Na verdade, quem disse alguma coisa foi o chanceler Celso Amorim ao afirmar que "Lula está consciente de que os direitos humanos fazem parte da Constituição chinesa", declaração que irritou muito as ONGs internacionais de direitos humanos. A Human Rights Watch declarou que esse discurso mostra que o Brasil "dá importância à retórica das autoridades chinesas, não a seus atos". Como em política tudo é interesse e hipocrisia...

Para o mercado chinês o ser humano é só um detalhe. O presidente Lula parece ter concordado com isso. Sua covardia ao calar-se sobre a privação de direitos humanos na China beira a boçalidade. Contrariamente, e em plena ditadura militar (governo Geisel), o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, em visita ao Brasil, falou abertamente da falta de liberdade e do desrespeito aos direitos humanos por aqui, além de ter recebido líderes anti-ditadura. Ah, se o atual presidente do Brasil tivesse a mesma coragem... Poderia ter a mesma coragem de Chavez, mas sem suas idéias utópicas e de viés expansionista evidente.

Afinal, para um presidente que pretende ser uma espécie de novo líder mundial (embora viva dizendo “amém” a Chavez e Morales), ser apenas chefe de uma turba de mercadores (ou antes mercenários) atrás de umas merrecas comerciais do “dragão chinês”, é uma vergonha para todos os brasileiros, além de contribuir para a derrocada da falácia (pseudo)esquerdista que seu partido sempre pregou. A mediocridade é o destino de ambos... “Para o diabo com os direitos humanos!” parecemos ouvir.

A contagem da tragédia

Os números falam por si mesmos:

No período de 1958-1960, época do “Grande Salto Adiante”, o grande fiasco de Mao Tse Tung, julga-se que foram mortos entre 15 e 50 milhões de chineses.

A Revolução Cultural (1969-1976) matou de 1 a 3 milhões de pessoas.

O massacre da Praça da Paz Celestial, Tiananmen, em 1989, ceifou a vida de 200 a 3 mil pessoas, a maioria jovens estudantes. De muitos deles nunca mais se ouviu falar. Outros, devem estar presos até hoje, vítimas de torturas diárias inimagináveis.

Quanto ao tipo de violações aos direitos humanos na China, temos: pena capital excessiva (mais de 10 mil pessoas ao ano), tráfico humano (inclusive de órgãos), perseguição a grupos (tibetanos, darfurianos*, membros do Falun Dafa, separatistas de Xinjiang), desrespeito às liberdades básicas (de língua, de religião e de família).

*A China apóia o genocídio de Darfur (Sudão), fornecendo armas em troca de petróleo. Mais de 200 mil pessoas já morreram por conta do genocídio promovido pelo governo sudanês e mais de 2,5 milhões de pessoas fugiram da região. A ONU tem se mostrado incompetente para resolver a questão, por conta, inclusive, do assento permanente da China no Conselho de Segurança.

Entre os 68 crimes que podem acarretar a pena de morte na China estão: fraude, suborno, desfalque, incêndio premeditado e prostituição. Essa é a medida da intolerância e desumanidade da ditadura chinesa. O sistema judicário chinês é corrompido, conseguindo confissões na base da tortura, anunciando sentenças injustas e sem direito a qualquer apelo legal. Ademais, não se publicam os dados sobre as penas de morte (segredo de estado). As leis são inflexíveis e os julgamentos são uma verdadeira palhaçada, levando milhares de pessoas à execução pública, que geralmente é feita em estádios e até transmitida pela TV como um “Big Brother dos horrores”.

Homens, mulheres e crianças são traficados para trabalhos forçados, exploração sexual, escravidão e até mesmo retirada de órgãos (cerca de 10 a 20 mil vítimas por ano). Os produtos chineses à venda no Ocidente, inclusive no Brasil, estão manchados com o sangue de milhões de infelizes escravos de uma das piores ditadura de todos os tempos. Além disso, são de péssima qualidade, como todos nós que já os consumimos sabemos. Um boicote mundial aos produtos chineses é a única solução pacífica para esta vergonha.

Quanto à censura da Internet, um simples teste é suficiente. Ao digitar a palavra “tiananmen” (a Praça da Paz Celestial) para ver imagens num site de buscas, se você estiver fora da China, aparecerão as fotos do massacre promovido pelo exército chinês em 1989. Se estiver na China, só aparecerão imagens da praça, suas construções, e nenhuma cena do massacre!

A agência de notícias France Press divulgou em 2005 que o serviço de hospedagem de blogues MSN Spaces, da Microsoft, não permite que chineses escrevam textos com palavras como democracia e direitos humanos. Quando se tenta usar uma dessas palavras, uma mensagem informa que a linguagem utilizada é proibida. O controle da pessoa humana na China chega às raias absurdas do 1984 de Orwell!!! O Grande Irmão (Big Brother) é o Partido Comunista com seus múltiplos olhos e ouvidos delatores... Quem de nós suportaria viver continuamente o modo de vida do cidadão chinês comum?

Que outras características compravam que a China atual se converteu numa ditadura? Além do exposto acima, o fato de que: o discurso plural e o direito à divergência de opinião são praticamente inexistentes; a liberdade de expressão é suprimida e reprimida; a sociedade se tornou fechada, isolada; o governo cria a todo o momento programas de intimidação e intolerância.

E as ONGs de Direitos Humanos na China?

Hipocritamente, em abril deste ano, o vice-presidente do Instituto de Direitos Humanos da China, Li Junru, afirmou ao discursar no "Fórum de Direitos Humanos de Beijing" (não é piada, um fórum assim existiu!) que a causa de direitos humanos da China tem características “próprias” (?).

Segundo afirmou a própria Rádio Internacional da China, em seu website:

“Li Junru acrescentou que os direitos humanos dos cidadãos chineses são concretizados gradualmente no processo da salvaguarda dos direitos coletivos do Estado. O desenvolvimento e a prosperidade do país constituem uma condição para concretizar e garantir os direitos humanos dos cidadãos. Ele disse que ao lado da salvaguarda da soberania estatal, 'a preservação dos direitos de participação e desenvolvimento da igualdade de todos os membros da sociedade conforme a lei' é um indicador visível do respeito e da garantia dos direitos humanos no processo de desenvolvimento da política democrática socialista na China.”
[http://portuguese.cri.cn/101/2008/04/21/1@87314.htm ]

Ou seja, Li Junru disse tudo e não disse nada! Apenas evidenciou que as organizações de direitos humanos na China estão sob o comando do regime ditatorial de Pequim e devem ajudar a manter o equilíbrio do poder do Estado, não a vida dos cidadãos. Algo de que já desconfiávamos e que já tinha sido denunciado por vários ONGs ocidentais e dissidentes chineses.

Em 2005, um projeto de regulamentação que concedia maior liberdade às ONGs chinesas, e cuja promulgação estava prevista para o final daquele ano, foi completamente abandonado. Por outro lado, o Ministério de Assuntos Civis deixou de receber pedidos para a criação de novas associações civis, impedindo assim a expansão da sociedade civil. De lá para cá, nada melhorou.

O que o mundo pensa da China autoritária

Muitas são as campanhas, cartoons e figuras criadas para protestar contra a falta de direitos humanos na China. Apresentamos algumas delas aqui, traduzindo os textos quando se fizer necessário:


[Campanha da Anistia Internacional. O texto em inglês diz: “A China está se preparando. Em nome de uma assegurada estabilidade e harmonia no país durante os Jogos Olímpicos de 2008, o governo chinês continua a deter e a hostilizar ativistas políticos, jornalistas, advogados e ativistas pelos direitos humanos. Envolva-se: www.amnesty.sk ."]


[Este cartoon não precisa de tradução. Refere-se à política chinesa quanto aos direitos humanos, Darfur e Jogos Olímpicos.]


[Este cartoon se refere às empresas dos EUA (Yahoo, Microsoft e outras) que são acusadas de ajudar o governo chinês a prover os meios para controlar a Internet e a vida dos cidadãos da China. A tradução do texto: [Bush] “Estamos reprimindo jornalistas, vazadores e outros traidores que poderiam ameaçar nosso governo...” [Hu Jin Tao] “Yahoo!!”]


[Cartoon de Chappatte, do The International Herald Tribune. Dispensa explicações.]


[Este cartoon faz um paralelo com o massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen). Seu nome é, sugestivamente, Tibetanmen, de Peter Lewis, do Cagle Cartoons.]


[Outro cartoon de Chappatte, do The International Herald Tribune. Fala por si mesmo.]


[Logo de campanha de http://www.beijingolympicsboycott.com/ . Os anéis olímpicos servem para criar a palavra “no” (não) cinco vezes. O texto diz: “Não, não, não, não, não a menos que a China cumpra suas promessas de direitos humanos.”]


[Cartoon intitulado “Green Dragon Marching” (dragão verde marchando). De Scott Stantis, do Birmingham News.]


[“The Beijing Circus” (O circo de Pequim), Graeme MacKay, Ontario, Canada, do The Hamilton.]


[Sem necessidade de explicações. Fonte: http://www.truthout.org/docs_2006/041008T.shtml .]

Provas de autoritarismo em fotos espalhadas pela Internet

Há muitas provas do autoritarismo promovido pelo regime chinês e elas estão espalhadas por centenas de sites de todo o mundo. Apresentamos algumas fotos selecionadas:


[Este é o tratamento “exemplar” do regime chinês para com seus prisioneiros. É público, vexatório e desumano. E ainda reclamam de Guantánamo?]


[Mulher tibetana torturada pelos chineses. Seu seio ficou desfigurado devido a choques elétricos. Uma barbaridade não vista desde Hitler! Copyright © of Yangchen Kikhang (Independent Tibet Network – UK).]


[Prostitutas chinesas da cidade de Shenzhen sendo vexadas em ato público. Estas tiveram sorte (talvez), pois muitas são condenadas à morte sumariamente pelo simples fato de serem prostitutas. Cerca de cem delas tiveram seus nomes revelados em frente às câmeras de TV, enquanto eram levadas algemadas em grupo até o julgamento. Cena medieval em pleno século XXI...]


[Uma execução “trivial” na China.]


[Uma execução chinesa típica: brutalidade e sangue frio.]


[Estes tibetanos estão fugindo para a Índia pelos Himalaias. O indivíduo circulado foi abatido pelo exército chinês. Assista o vídeo em http://olympia2008.wordpress.com/2008/04/04/undercover-in-tibet/ .]


[Imagem chocante da tortura chinesa. Realmente medieval. A execução de um prisoneiro, especialmente no interior da China, ocorre assim: A execução ocorre após 3 dias de tortura. Neste tempo, o prisioneiro terá sofrido cerca de mil cortes. Se o prisioneiro morre antes, os cortes continuarão sendo feitos até atingir este número. O equipamento da execução é uma faca afiada, como a que se pode ver na foto. Os cortes começam pelos grandes músculos, depois as partes menores de carne e finalmente genitais e órgãos internos. Repugnante.]


[Tortura de membros da Falun Dafa nas prisões chinesas. Covardia de uma ditadura que ainda não encontrou seu algoz...]


[Outro flagrante de tortura dos membros da Falun Dafa.]


[Choque elétrico na boca com um bastão. Prática comum da polícia e exército chineses.]


[A dura realidade da tortura vivida por muitos monges e monjas do Tibet invadido.]


[O drama da tortura nas prisões chinesas. Uma vergonha para a humanidade inteira.]


[When Zhang Xiaohong, 29 anos, morto depois de tortura contínua e pesando somente 32 kg.]

Por estes e outros motivos, as Olimpíadas que estão em curso na China são uma vergonha para a humanidade. Vergonha maior que as Olimpíadas dos tempos de Hitler (1936), pois quando elas ocorreram, a 2ª Guerra ainda não havia começado. Ao contrário, os Jogos de 2008 acontecem em meio à ditadura chinesa, o governo que mais tortura, humilha e mata pessoas em todo o planeta.

O espírito olímpico foi definitivamente jogado na sarjeta com a decisão do COI de manter Pequim como a sede dos Jogos deste ano. Temos certeza de que, além de nós, milhares e mesmo milhões de pessoas no mundo todo discordam desta decisão e estão solidárias com a causa tibetana, com os direitos do Falun Dafa e principalmente com o direito de cada chinês a um governo justo e que respeite os direitos fundamentais de seus cidadãos. Um governo cuja estabilidade é instituída pelo medo, pela delação e pelo controle “orweliano” da vida dos indivíduos não merece continuar em ascensão. Assim o entendemos.


Por um Tibete Livre, por uma China Livre, antes que o mundo seja a próxima vítima!

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