sábado, 8 de novembro de 2008

 

Como se previa: "Eles não vieram!" (Comentando as explicações de Blossom Goodchild)

Paulo Stekel




Sinceramente, alguém esperava o contrário? Sim, milhares de pessoas acreditaram nela... Há alguns meses todos nós estávamos com nossas caixas de entrada lotadas com emails referentes à mensagem supostamente recebida pela canalizadora autraliana Blossom Goodchild a partir de uma espécie de “Federação Extraterrestre” intitulada “Federação da Luz”.

A mensagem e sua promessa, a de que uma nave extraterrestre seria vista no hemisfério sul durante três dias, a partir de 14 de outubro, ganhou mais notoriedade do que se poderia imaginar em casos semelhantes. Afinal de contas, promessas como estas feitas por pseudocontatados golpistas já ocorreram até no Brasil e o resultado, evidentemente, foi o mesmo: a decepção.

Chegou o dia 14 de outubro, e “eles” não vieram. Aguardou-se a explicação de Blossom, que veio somente no dia 16. Assim que o vídeo foi postado no YouTube, as comunidades de Ufologia das principais redes sociais na Internet iniciaram acalorados debates, explicações, argumen-tos prós e contra. Incrivelmente, ainda havia gente defendendo Blossom.

Em uma comunidade do Orkut, por exemplo, foram postados trechos mal-traduzidos do vídeo de Blossom Goodchild, trabalho feito por gente que se acha a nata da seriedade ufológica no Brasil. Então, um membro resolveu corrigir a tradução, fazendo considerações pertinentes, e foi quase que imediatamente expulso da comunidade (???), sem maiores explicações. Parece que o assunto irritou os ufólogos que se consideram sérios, mas que querem na realidade, é evitar holofotes cruzados. (Risos)

Assista abaixo o vídeo traduzido de Blossom, com suas “explicações” sobre o motivo dos extraterrestres não terem aparecido. A tradução foi feita pelo Marcelo, o membro expulso da comentada comunidade de Ufologia. Além de excelente ator, o Marcelo também sabe como traduzir corretamente a partir do inglês.



http://br.youtube.com/watch?v=3XYPXEnmnoE

As legendas, bem como a tradução, são de Marcelo L. Callegaro.

Depois de assistir ao vídeo, a primeira questão que se nos apresenta é: Blossom é uma fraude ou simples-mente uma crédula?

Ainda que muitos possam simplesmente dizer que ela é uma fraude, como certos pseudocontatados brasileiros que agem como grilheiros de terras nas horas vagas, nos parece que o caso dela é o de uma credulidade excessiva nas próprias canalizações, bem como uma ausência de critérios na hora de definir o que pode ser transmitido ao público e o que precisa ser filtrado ou aguardar por algum indício mínimo de veracidade.

Sempre alertamos as pessoas para que não creiam em quaisquer profecias com datas programadas para isso ou aquilo. Quantas vezes o apocalipse já mudou de data? Quantas vezes o contato final com extraterrestres foi marcado? Quantas vezes a 3ª Guerra Mundial foi prevista? Muitas. E em todas a previsão falhou. A cada ano inventam uma nova data para explodir o mundo...

Blossom realmente pode ter acreditado piamente no que dizia a mensagem que achava ter recebido de extraterrestres, como ela mesma deixa transparecer no vídeo. Talvez não tenha ganho tanto dinheiro, como revela no esclarecimento. Mas isso não a exime da responsabilidade por aquilo que anuncia publicamente, desiludindo milhões de pessoas, afirmando categoricamente algo que não tinha base suficiente para ser dado a público.

Por outro lado, muito nos decepciona a atitude de certos grupos ufológicos, que nem se dão ao trabalho de debater o assunto com vistas a orientar as pessoas para situações futuras semelhantes. Simplesmente defenestraram quem se atreveu a debater, a contestar, a argumentar. Não é à toa que a Ufologia goza de pouca credibilidade e tem pouco apelo nos meios científicos. Há que se diferenciar a Ufologia séria do Ufomarketing que tomou conta do meio, em especial no Brasil, desde que alguns congressos nacionais de certa monta e algumas revistas especializadas apareceram. Apareceram e pararam no tempo. Apareceram e apenas se aproveitaram comercialmente do fenômeno, sem contribuir de fato para a elucidação dele. E, por que? Porque, ao banalizar comercialmente o assunto, embaçaram a visão dos pesquisadores, permitindo a criação e a divulgação de algumas “lendas ufológicas” que transformaram a Ufologia mais numa crença exótica ou numa quase-seita, do que em um campo de pesquisa científica, apenas para utilizarmos uma expressão preferida pelo saudoso general Moacir Uchoa.

Aliás, relembrando o general Uchoa, que era um contatado adepto da mediunidade e da canalização, mas que nunca cedeu à tentação de fixar datas e prometer contatos ao grande público, a Ufologia sem a espiritualidade é capenga, incompleta e sem possibilidade de adentrar na complexidade do fenômeno UFO. Mas os métodos paracientíficos neste caso precisam ser adaptados, já que incluem questões subjetivas de difícil comprovação pelos métodos científicos cartesianos que regem a chamada "Ufologia Científica", que não tem nada de "holística".

Mas, o que fez Blossom Goodchild não é ciência, nem paraciência, é credulidade pura, e perigosa, como se viu. Todos nós que acreditamos na existência de seres extraterrestres e na possibilidade deles estarem nos visitando gostaríamos de que o que ela afirmou fosse verdade. Contudo, não caímos na tentação de abdicar da razão e ceder unicamente à emoção. O senso crítico tem que permanecer de alguma forma, para não corrermos o risco de uma esquizofrenia pseudoreligiosa contagiosa...

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