domingo, 30 de março de 2008

 

Mensagem URGENTE de Delhi – Apoio ao Tibet – uma nova proposta [por FPMT mail group]



Editor: Este importante email foi recebido por nossa redação hoje de manhã. Traduzimos e postamos para nossos leitores e todos os engajados na causa humanitária do Tibet, que vive um genocídio cultural e um verdadeiro holocausto negado pelas forças políticas do mundo. É uma vergonha para a humanidade que o holocausto tibetano, tão cruel e violento quanto o holocausto judeu, seja desconsiderado pelas grandes potências, pela ONU, pelo COI e pelos setores políticos que ainda vêem no regime ditatorial da China um sistema válido de vida para todos os seres humanos.

Mensagem traduzida:

Assunto: Mensagem URGENTE de Delhi – Apoio ao Tibet – uma nova proposta
[Encaminhado em nome do FPMT mail group]


Queridos,
Nós, Valentina Dolara e Alison Murdoch, estamos escrevendo de Delhi, onde tivemos a boa sorte de assistir a alguns ensinamentos privados com Sua Santidade o Dalai Lama.

Ontem, Sua Santidade falou diretamente sobre os problemas no Tibet, convidando todos os apoiadores pelo mundo a ajudar de qualquer forma que possam, desde que isso ocorra de um modo estritamente não-violento. Ele explicou que este é um momento de crise, e que se refere a todos nós, ao invés de apenas aos tibetanos em exílio, que têm o potencial de mudar a situação.

Sua Santidade especificamente declarou, não pela primeira vez, que o dharma tibetano não pode sobreviver sem liberdade tibetana. Ele explicou que apenas o Budismo Tibetano conseguiu preservar a tradição de Nalanda por completo, com sua mensagem de compaixão universal, suas técnicas para promover valores interiores e seus ensinamentos sobre a interdependência, com seu extraordinário potencial para trazer paz e hamonia ao mundo moderno. Como membros da rede FPMT (Foundation for Developing Compassion and Wisdom – Fundação para o Desenvolvimento de Compaixão e Sabedoria), experimentamos estes preciosos ensinamentos por nós mesmos. De coração, este mais precioso entre os professores tem convidado a cada estudante do Dharma para ajudar na causa do Tibet.

Uma das únicas formas pelas quais podemos influenciar as decisões do governo chinês é mostrar que existe uma generalizada e crescente condenação pública de suas ações no Tibet. Como podemos fazer isso? Como podemos unir todos os sentimentos dos indivíduos, que sozinhos podem se sentir sem forças, mas como um grupo poderiam ter um impacto inesquicível?

Nós temos uma sugestão simples. Todos nós queremos apoiar o Tibet. Faça isso, literalmente. Todos os dias, entregue-se a um apoio simples, só por alguns momentos, com uma foto impressa ou digital da bandeira do Tibet em suas mãos. Individualmente ou em grupo. Silenciosa ou ruidosamente. Da forma mais criativa e espetacular imaginável. Na rua, nas escolas, nos trens e ônibus, no local de trabalho, em bares e restaurantes. Seja visível, notável, divertido e contagioso. Queremos tornar públicas nossas sensações em todo o mundo, e queremos que milhões de pessoas participem.O dia 31 de março foi designado como um dia internacional de ação pela International Tibet Support Network. Você apoiará este dia, onde quer que esteja? Então, continue, enquanto a situação se desenrola.

Estamos buscando um modo de registrar o número de pessoas que fazem isto – um sistema simples pelo qual possamos registrar quanta gente apoiará, e postagem de fotos disso realizando-se. Obviamente queremos gerar tanta publicidade quanto possamos. Avisaremos quando isto estiver definido.

Não estamos apenas defendendo um país que está experimentando a opressão, mas cada ato de injustiça e repressão que nos tenha acontecido pessoalmente, ou a outros povos no mundo.Isto é algo que todos podemos fazer pelo Tibet. A quem você pode telefonar, escrever ou contatar por correio eletrônico e estimular para participar? Podemos fazer isto acontecer no mundo todo, em particular durante as próximas semanas, antes que seja tarde demais?

Estamos em Deli, onde é difícil verificar o nosso correio eletrônico. Podemos não ser capazes de responder-lhe pessoalmente neste tempo. Mas precisamos da sua ajuda e somos muito agradecidos por algo que você possa fazer para que isto aconteça.
Com uma grande oração pela paz no Tibete

Valentina e Alison

Alison Murdoch - Diretor

Foundation for Developing Compassion and Wisdom (FDCW)
43 Renfrew Road, London SE11 4NA - Tel: +44 7866 541954
Skype: alisonmurdoch - www.essential-education.org

Residindo profundamente dentro de nosso coração, e dentro do coração de todos os seres sem exceção, está uma fonte inexaurível de compaixão e sabedoria (Lama Thubten Yeshe)

Mensagem original em Inglês:

Subject: URGENT message from Delhi - Stand Up for Tibet - a new proposal
[Forwarded on behalf of FPMT mail group]

Dear all
We, Valentina Dolara and Alison Murdoch, are writing from Delhi where we have had the good fortune to attend some private teachings with His Holiness the Dalai Lama.
Yesterday His Holiness spoke directly about the troubles in Tibet, asking all supporters worldwide to help in any way they can, providing that this happens in a strictly non-violent way. He explained that this is a moment of crisis, and that it is all of us, rather than the Tibetans in exile, who have the potential to shift the situation.
His Holiness specifically stated, not for the first time, that Tibetan dharma cannot survive without Tibetan freedom. He explained that only Tibetan Buddhism has been able to preserve the full Nalanda tradition, with its message of universal compassion, its techniques to promote inner values and its teachings on interdependence, with their extraordinary potential to bring peace and harmony to the modern world. As members of the FPMT network, we have tasted these precious teachings for ourselves. From the heart, this most precious of teachers has asked for every dharma student to support the cause of Tibet.
One of the only ways that we can influence the decisions of the Chinese government is to show that there is widespread and increasing public condemnation of their actions in Tibet. How can we do this? How can we link together all the feelings of individuals, who by themselves may feel powerless, but as a group could have an unforgettable impact?
We have a simple suggestion. We all want to stand up for Tibet. Let's do it, literally. Every day, let's commit to simply standing up. just for a few moments, with either a printed or digital photo of the Tibetan flag in our hands. Individually or in a group. Quietly or noisily. In the most creative and spectacular way imaginable. On the street, in schools, on trains and buses, in the workplace, in bars and restaurants. Let's be visible, newsworthy, fun and contagious. We want to make our feelings public throughout the world, and we want millions of people to join in.
March 31st has been designated an international day of action by the International Tibet Support Network. Will you stand up that day, wherever you happen to be? And then continue, as long as the situation lasts.
We are seeking a way to record the numbers of people who do this – a simple system whereby we can record how many people do this, and upload photos of it taking place? Obviously we want to generate as much publicity as we can. We will let you know when this is in place.
We are not only standing up for one country that is experiencing oppression, but for every act of injustice and repression that has happened personally to us, or to other people in the world.
This is something we can all do for Tibet. Who can you phone, text or email and encourage to join in? Can we make this happen across the globe, particularly during the next weeks, before it is too late?
We're in Delhi, where it's difficult to check our email. We may not be able to respond to you personally at this time. But we need your help and are very grateful for anything you can do to make this happen.
With a big prayer for peace in Tibet
Valentina and Alison

Alison Murdoch - Director

Foundation for Developing Compassion and Wisdom (FDCW)
43 Renfrew Road, London SE11 4NA - Tel: +44 7866 541954
Skype: alisonmurdoch - www.essential-education.org Dwelling deep within our heart, and within the heart of all beings without exception, is an inexhaustible source of compassion and wisdom (Lama Thubten Yeshe)

 

Ato de Solidariedade ao povo do Tibet [Monge Joaquim Monteiro]



Editor: Esta é uma mensagem enviada ontem (29 de março) à sanga (comunidade) budista brasileira pelo monge Joaquim Monteiro, do Budismo Terra Pura. O monge foi uma das cerca de 30 pessoas que participaram dos protestos em prol do Tibet junto ao Consulado da China, dia 29 de março, em São Paulo.

Prezados Irmãos do Dharma:

Participei hoje de tarde do ato de solidariedade ao povo do Tibet diante do Consulado da China. Como sempre, foram poucos os participantes e a organização dava muito a desejar, mas valeu a pena ter participado. Os participantes mantiveram um postura extremamente madura de perfeita não-violência que exclui por completo qualquer acusação de "baderna","desordem" ou "provocação". Essa maturidade contrastava fortemente com o enorme nervosismo dos funcionários da embaixada, nervosismo esse completamente desproporcional diante da fraqueza numérica e organizacional do movimento com que se confrontavam. Além de atitudes completamente policialescas e injustificáveis, como a constante tirada de fotografias do movimento, era evidente o recurso do consulado a firmas de segurança particulares completamente inapropriadas para esse tipo de situação. Seria uma demonstração de uma competência política muito maior abrir um diálogo com os manifestantes, mas isso jamais ocorreria aos defensores da "harmonia social" pós-maoísta.(Que saudades que sinto nesses momentos das críticas de meu mentor intelectual, Prof. Noriaki Hakamaia, em relação ao caráter anti-budista da ideologia do "Wa".) Aprendi hoje antes de tudo a importância de correr riscos e "pegar o bonde andando": Budismo sem coragem, pensamento e ação não passa de fato de um pseudo-Budismo, possivelmente parecido com a coisa original mas indigno de comparação com ela. E é à retomada desses valores que aconselho fortemente
aqueles que buscam pelo dharma em nosso país.

Sem mais-Gashô.
Joaquim Monteiro.
Shaku Shoshin
.

"Quanto mais se ouve o Dharma,
mais ampla e profunda se torna a vida"
- Masanobu Tominaga (1915- ) -

sábado, 29 de março de 2008

 

Ação Urgente: Envie seus apelos o mais rápido possível



PÚBLICO

Índice AI: ASA 17/057/2008

18 de março de 2008

AU 76/08 Temor de tortura e de outros maus-tratos
CHINA

Samten, 17 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Trulku Tenpa Rigsang, 26 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Gelek Pel, 32 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Lobsang, 15 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsang Thukjey, 19 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Tsultrim Palden, 20 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsher, 20 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Phurden, 22 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Thupdon, 24 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsang Ngodup, 29 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lodoe, 30 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Thupwang, 30 anos, Monastério de Darthang

Pema Garwang, 30 anos, Monastério de Darthang

Tsegyam, 22 anos, Monastério de Kashi

Soepa, 30 anos, Monastério de Mangye



Segundo a informação difundida pelo Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia, em 10 de março foram detidos 15 monges tibetanos por manifestar-se pacificamente em Barkhor, Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete. Não se dispõe de informação sobre o paradeiro nem sobre as acusações que possam ter sido apresentadas contra eles. É muito grande o perigo de que sofram tortura e outros maus-tratos.

Centenas de monges começaram na segunda-feira 10 de março uma marcha do Monastério de Drepung a Barkhor. Outro grupo, no qual estavam os 15 monges agora detidos, começou sua marcha no Monastério de Sera, mas logo foram detidos. Os monges pediam que o governo relaxasse a campanha de “reeducação patriótica”, em virtude da qual têm a obrigação de denunciar o Dalai Lama e estão submetidos à propaganda governamental.

Em apoio aos detidos, iniciaram-se protestos em outros monastérios. As manifestações, as quais se incorporaram pessoas alheias ao clero, propagaram-se depois por toda Lhasa, por outras partes do Tibete e por diversas áreas das províncias vizinhas de Qinghai, Gansu e Sichuan, que possuem numerosa população tibetana. Na sexta-feira dia 14, os protestos degeneraram em violência e alguns manifestantes atacaram e incendiaram especificamente comércios de propriedade chinesa e agrediram pessoas de outros grupos étnicos.

As autoridades chinesas instaram os manifestantes a entregar-se antes da meia-noite da segunda-feira 17 de março, e prometeram que quem o fizesse seriam tratado com indulgência. Segundo a informação disponível, hoje (18 de março) as ruas de Lhasa estavam tranqüilas e vazias.

A informação disponível assegura que policiais e soldados estão revistando Lhasa, casa por casa. Testemunhas informaram ter visto pessoas serem arrastadas de suas casas. Continuam, também, chegando informes sobre distúrbios nas províncias vizinhas de Sichuan e Gansu. Outros informes asseguram que alguns policiais e soldados chineses fizeram uso excessivo da força, incluindo força letal, contra os manifestantes tibetanos em Lhasa e outros lugares. É possível que sejam cometidas novas violações de direitos humanos, pois vários efetivos militares foram transferidos para a região.

As autoridades chinesas impuseram um bloqueio quase total sobre a informação que sai do Tibete e das áreas vizinhas. Em 12 de março pararam de emitir permissões para jornalistas que desejavam entrar no Tibete. Jornalistas foram expulsos ou proibidos de exercer sua atividade em alguns distritos das províncias de Gansu, Sichuan e Qinghai, onde se propagaram os distúrbios.

O governo chinês tem o direito e a obrigação de defender todas as pessoas e suas propriedades dos atos de violência. Ao mesmo tempo, o direito internacional obriga as autoridades a abordar tais crises de forma a respeitar os direitos humanos fundamentais e os princípios de necessidade e proporcionalidade no uso da força. Por exemplo, apenas deve-se fazer uso das armas de fogo como último recurso e quando haja vidas em perigo.

O Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia conseguiu imagens de 14 dos monges detidos. Suas fotografias podem se vistas no site do Centro em: http://www.tchrd.org/press/2008/p001.html.

AÇÃO RECOMENDADA: Por favor, envie apelos, o mais depressa possível, em mandarim, em inglês ou em português:


- instando as autoridades a libertar os 15 monges citados acima, bem como as demais pessoas detidas por exercerem pacificamente seu direito à liberdade de expressão, de associação e reunião;

- instando as autoridades a divulgar o nome das pessoas que tenham sido detidas no curso das manifestações, garantindo que não sejam torturadas nem submetidas a outros maus-tratos, que tenham acesso a advogados e a atendimento médico, e a que compareçam, sem demora, perante um tribunal independente, tendo a oportunidade de impugnar sua detenção;

- instando a garantir que sejam apresentadas acusações reconhecíveis internacionalmente contra os acusados judicialmente, e que estes sejam julgados em processos que cumpram as normas internacionais de justiça processual;

- instando as autoridades a permitirem que jornalistas e outros observadores independentes tenham acesso pleno e irrestrito ao Tibete e a outras regiões tibetanas;

- instando que permitam à ONU realizar uma investigação independente sobre os acontecimentos de março, e que nessa autorização incluam o pleno acesso aos lugares dos confrontos, a testemunhas presenciais e a detidos, e se autorize também um acesso similar a observadores independentes, entre eles jornalistas e organizações não governamentais de direitos humanos.


POR FAVOR, ENVIE APELOS PARA:

Presidente da República Popular da China

President of the People’s Republic of China

HU Jintao Guojia Zhuxi

The State Council General Office

2 Fuyoujie, Xichengqu

Beijingshi 100017,

República Popular da China

Tratamento: Your Excellency / Sua Excelência


Presidente do governo da Região Autônoma do Tibete

Chairman of the Tibet Autonomous Regional People's Government

Qiangba PUNCOG Zhuren

Xizang Zizhiqu Renmin Zhengfu

1 Kang'angdonglu

Lasashi 850000, Xizang Zizhiqu,

República Popular da China

Tratamento: Dear Chairman / Exmo Senhor Presidente



Ministro de Segurança Pública da República Popular da China

Minister of Public Security of the People's Republic of China

MENG Jianzhu Buzhang

Gong’anbu

14 Dongchang’anjie

Dongchengqu, Beijingshi 100741,

República Popular da China

Fax: +86 10 63099216 (pode ser difícil comunicar-se com este número, favor insistir)

Tratamento: Your Excellency / Sua Excelência



E CÓPIA DOS APELOS PARA:


Prefeito de Lhasa, Região Autônoma do Tibete
Mayor of Lhasa Municipal People’s Government Tibet Autonomous Region

LOBSANG Gyaincain Shizhang

Lasashi Zizhiqu Renmin Zhengfu

16 Jinjulu, Lasashi 850000, Xizang Zizhiqu, República Popular da China

Tratamento: Dear Mayor / Exmo Senhor Prefeito



Embaixada da República Popular da China

SE Sr. Chen Duqing


Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário

SES Avenida das Nações quadra 813 lote 51

CEP: 70.443-900 – Brasília / DF

Fax: (61) 3346-3299

E-mails: chinaemb_br@mfa.gov.cn / china@opendef.com.br

Tratamento: Sua Excelência



MODELO DE CARTA:


À

HU Jintao Guojia Zhuxi

Exmo Presidente da República Popular da China



Escrevo para expressar minha preocupação pela detenção de manifestantes, inclusive os monges Samten, 17 anos, Trulku Tenpa Rigsang, 26 anos, Gelek Pel, 32 anos, Lobsang, 15 anos, Lobsang Thukjey, 19 anos, Tsultrim Palden, 20 anos, Lobsher, 20 anos, Phurden, 22 anos, Thupdon, 24 anos, Lobsang Ngodup, 29 anos, Lodoe, 30 anos, Thupwang, 30 anos, Pema Garwang, 30 anos, Tsegyam, 22 anos e Soepa, 30 anos, que teriam sido presos unicamente por exercerem pacificamente seu direito à liberdade de expressão, de associação e reunião.



Peço a S.Ex.ª que sejam divulgados os nomes e paradeiro das pessoas presas durante as manifestações ocorridas no Tibete e outras regiões tibetanas, e que os detidos tenham acesso a advogados e a atendimento médico, que compareçam sem demora perante um tribunal independente, e que tenham a chance de impugnar a detenção. Caso sejam abertos processos judiciais contra eles, solicito que sejam apresentadas acusações internacionalmente reconhecíveis, e que sejam julgados em processos que cumpram as normas internacionais de justiça processual. Além disso, apelo para que eles não corram riscos de serem submetidos à tortura ou a qualquer outro tipo de maus-tratos.



Apelo a S.Ex.ª, ainda, para que seja autorizado o acesso pleno e irrestrito de jornalistas e observadores independentes ao Tibete e a outras regiões tibetanas, e que o governo permita que a ONU realize uma investigação independente sobre os eventos ocorridos neste mês de março, com pleno acesso aos locais onde ocorreram os confrontos, a testemunhas e aos detidos. Solicito, ainda, que esta permissão seja estendida a observadores independentes, incluindo jornalistas e organizações não governamentais de direitos humanos.



Conto com sua especial atenção e agradeço, desde já, qualquer informação atualizada sobre a situação e apresento minhas cordiais saudações.



Respeitosamente,



(seu nome)

Brasil


COMO ESCREVER OS APELOS PARA AS AUTORIDADES:

1) Leia a seção "Ações Recomendadas" da Ação Urgente no mínimo duas vezes para se familiarizar com a lista específica de preocupações.

2) Seja breve. Geralmente uma página é suficiente para passar a mensagem e requerer a atenção de quem lê.

3) Vá aos fatos. Transmita os detalhes do caso como se você os conhecesse bem. Não discuta ideologia ou política. Sua mensagem precisa ser para o benefício da vítima e não para veicular suas próprias opiniões políticas. Atenha-se às orientações da AI.

4) Seja educado. Linguagem ofensiva não é efetiva. Presuma que a autoridade não está informada, mas está disposta a tentar remediar a violação dos direitos humanos.

5) Mostre respeito. É mais provável que você consiga reter a atenção do leitor mostrando respeito pela constituição e procedimentos judiciais de seu país. Se houver tido casos positivos no país (liberação de prisioneiros, por exemplo), isto pode ser brevemente reconhecido e saudado.

6) Seja claro na expressão de sua preocupação com a vítima. Você pode se mostrar fortemente contra a tortura ou outras injustiças praticadas contra um indivíduo e ainda mostrar um tom respeitoso na mensagem. Você pode presumir que a autoridade desconheça o caso da vítima e assim, mostrar sua grande preocupação com o erro que a envolve.

7) Escreva em português. É mais eficiente escrever suas mensagens em português, a menos que possa ser escrita na língua do país envolvido. Se você decidir traduzir sua mensagem para a língua do país, não deixe que isso diminua a rapidez de envio da mensagem. Lembre-se: trabalhamos com ações urgentes!

8) Escreva de modo claro. A autoridade precisa ler facilmente sua carta e, se ela for escrita à mão, assegure-se que seja simples e legível.

9) Use atalhos. Faça todo o necessário para fazer sua carta o mais rápido possível. Assim elas não serão deixadas de lado e poderão ser enviadas mais cedo. Por exemplo, no computador você pode fazer um arquivo genérico para cada tipo de preocupação expressas nas AUs (Ações Urgentes). Parágrafos sobre desaparecimentos, tortura, pena de morte, negação de cuidados médicos, etc, podem ser copiados para o arquivo de trabalho e editados, se necessário.

POR FAVOR, ENVIE APELOS IMEDIATAMENTE.

Consulte a RAU-Brasil (rau@br.amnesty.org) se for enviá-los após 29 de abril de 2008.

Caso recebam respostas de qualquer uma das autoridades sobre este caso ou de outras ações urgentes, por favor, enviem cópia para a RAU-Brasil:

e-mail: rau@br.amnesty.org

fax: (13) 3236-7320

Caixa Postal 2516

Santos – SP CEP 11021-970

sexta-feira, 28 de março de 2008

 

Dia de Mobilização Global pelo Tibet será em 31 de março: Entrega da petição da ONG AVAAZ ao governo chinês



O Editor: Recebemos o email abaixo de Ricken Patel, representante da ONG internacional AVAAZ, que lançou a petição em prol do Tibet, a ser entregue ao Presidente da China Hu Jintao, na segunda-feira, dia 31 de março. Como a Revista Horizonte - Leitura Holística apóia integralmente a iniciativa, torna pública a ação de AVAAZ.

Amigos,

Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.

Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.

Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/83.php/?cl=68285218

Embora alguns líderes linha dura da China têm atacado o Dalai Lama publicamente, muitos líderes chineses acreditam que o diálogo é a melhor esperança para estabilizar o Tibete. Governos ao redor do mundo começaram a pedir o diálogo e muitos sinais indicam que, se a pressão da sociedade civil global continuar, a China terá que ceder.

O presidente da China Hu Jintao valoriza a reputação da China perante o mundo e ele precisa ouvir que a marca “Made in China” e as Olimpíadas de Pequim só serão um sucesso se ele optar pelo diálogo ao invés da repressão. Uma avalanche de solidariedade global está se mobilizando para chamar sua atenção. Nossa petição reconhece as preocupações dos líderes chineses de que protestos e separatismo podem gerar uma perigosa instabilidade, porém nós apoiamos o posicionamento do Dalai Lama que afirma que o melhor caminho é o diálogo e respeito, ao invés da repressão.

Esta é a primeira oportunidade em décadas que vemos um movimento promissor para enfrentar as injustiças no Tibete, porém a atenção dá mídia pode durar pouco. Está na hora de aproveitarmos esse momento para divulgar a manifestação de solidariedade massiva que irá acontecer na segunda-feira, vamos usar todas as nossas forças para fazer dos próximos quatro dias um momento decisivo na história do Tibete.

Com esperança,

Ricken, Graziela, Ben, Iain, Pascal, Milena, Galit, Paul, Esra'a e toda a equipe Avaaz


SOBRE A AVAAZ

Avaaz.org é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas.

Para entrar em contato com a Avaaz, escreva para info@avaaz.org, ou envie correspondência para 260 Fifth Avenue, Nova York - NY 10001 EUA. Avaaz.org está presente também em Washington, Londres, Rio de Janeiro e ao redor do mundo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

 

Protestos no Rio de Janeiro: 26 e 30 de março

Paulo Stekel (editor)



Conforme informação enviada pelo Monge Gabriel Jaeger, haverá uma manifestação pró-Tibet em frente ao Consulado da China, no Rio de Janeiro, na próxima quarta-feira, dia 26 de março.
Transcrevo alguns trechos do email enviado:

Nesse momento em que o mundo se volta para a dor dos tibetanos, é de extrema importância que façamos movimentos pela paz no Tibet. Um grupo de amigos * do RJ está se mobilizando para que façamos um protesto PACÍFICO e silencioso em frente ao consulado Chinês nesta quarta feira , 12h e uma caminhada na praia no domingo dia 30/03, 11h (por favor vejam o convite anexo).

*O Marcos Prado ( diretor da produtora ZAZEN que faz filmes protesto como: TROPA DE ELITE, ONIBUS 174 , ESTAMIRA etc ) e o cantor Leoni , praticante como eu, do budismo tibetano ) é que tomaram a iniciativa , e me convidaram para contactar as sangas para esta manifestação ...

Além de apoiar uma causa mais que justa, esse é um símbolo de luta contra as torturas e perseguições oficiais em todo o planeta. É uma manifestação de cidadãos, não de governos ou partidos políticos.

Se você é do Rio de Janeiro, compareça e traga uma faixa preta para colocar sobre a boca ou sobre os olhos, como uma forma de protesto contra a censura de imprensa e de livre expressão. Você sabe que os jornais e a internet estão censurados ou bloqueados na China e no Tibet, e que os jornalistas estrangeiros não podem entrar no Tibet? Não existe mais notícia, só versão oficial dos fatos.

Se você não é do Rio, que tal organizar na sua cidade algo semelhante para fazer barulho com o seu silêncio na quarta-feira?

Nós podemos muito mais do que imaginamos. Com as manifestações populares pelo mundo, o diretor Steven Spielberg já desisitiu de dirigir a abertura das Olimpíadas, o governo chinês já admite negociar com o Dalai Lama e outros resultados positivos virão.

Manifeste–se.

POR FAVOR, O MOMENTO É ESSE! NOS PRONUNCIEMOS AGORA!
ENVIEM ESTE E MAIL PARA TODOS QUE PUDEREM E FAÇAMOS UMA CORRENTE .... ESTAMOS FAZENDO , FAIXAS , GALHARDETES E CONVOCANDO TODOS OS CIDADÃOS PARA QUE MOSTREMOS A NOSSA TRISTEZA COM ESTE ATO TÃO DESUMANO.

Vamos nos pronunciar para acabar com esse HOLOCAUSTO QUE ESTÁ ACONTECENDO NO TIBETE ...

Até quando vamos assistir a toda essa violência sem fazer nada?
O povo brasileiro sofre, mas tem autonomia de ir e vir, votar, ter a religião que quiser...

O povo tibetano perdeu sua pátria, sua dignidade, é escravizado, torturado e massacrado diariamente há mais de 50 anos... e, por questões políticas e econômicas o mundo não se pronuncia. ATÉ QUANDO!?

O Mundo está sangrando...

ESTE É UM ATO DE CIDADANIA....
AUTONOMIA PARA O TIBET JÁ!
DIREITOS HUMANOS PARA O TIBET , JÁ!
CHEGA DE SOFRIMENTO....

FIQUE NA PAZ
ANGELA MATTOS


[fim da mensagem]

O recado está dado. Toda a manifestação pacífica em prol da liberdade, da paz e do fim da violência no Tibet contribui para a formação de um mundo melhor e será apoiada pela Revista Horizonte - Leitura Holística, que dará notícia de tudo o que está acontecendo.

 

Seria esta a origem da logomarca das Olimpíadas de Beijing 2008?

Paulo Stekel (editor)

Estas figuras nos foram enviadas por um amigo de Brasília. Estão correndo a Internet, como tudo o que se refere à campanha pró-Tibet. Realmente nos fazem pensar sobre o sentido de se realizar Olimpíadas num país que adota o "paredão" como forma de dirimir divergências e acabar com protestos pacíficos.

Alguns poderão dizer que as imagens abaixo são chocantes e provocativas. Mas, será que podem ser mais chocantes, provocativas e vergonhosas para a humanidade do que a chacina dos tibetanos por parte do regime ditatorial chinês, que continua promovendo aquilo que o Dalai Lama chama de "genocídio cultural", mas que nós (e muitos outros) preferimos chamar de "holocausto tibetano"?

A ditadura chinesa matou mais de 1 milhão de tibetanos desde 1959, prendeu sabe-se lá quantos, torturou milhares, prendeu sem julgamento, seqüestrou o Panchen Lama, colocou um robozinho do Partido Comunista no lugar e ainda acusa o Dalai Lama de não ser promotor da paz, mas um incentivador da violência? Estão nos considerando idiotas, sem cérebro e sem capacidade de pensar?







Liberdade para o Tibet! Boicote a Beijing 2008!! Boicote aos produtos chineses!!!

quarta-feira, 19 de março de 2008

 

 

Lama Samten fala sobre o Conflito no Tibet

Lama Padma Samten



[A Revista Horizonte - Leitura Holística, defensora do direito de todos à paz, liberdade e autonomia, irmana-se ao povo tibetano e aos promotores da paz neste momento de tensão. Por isso estamos postando notícias, informações gerais e artigos referentes ao conflito no Tibet e aqueles enviados por ONGs de defesa dos Direitos Humanos do Brasil e de todo o mundo. Continuaremos atualizando as informações e conclamando os leitores a ajudarem pacificamente a causa do povo do Tibet. Este presente artigo foi reproduzido do website http://www.caminhodomeio.org/Noticias/conflito.html sob autorização da assessoria de imprensa do Lama Padma Samten.]


Queridos amigos,

Nós budistas estamos aspirando que haja uma solução pacífica para os recentes conflitos no Tibete. Esses eventos me lembram os anos 60 e 70, quando nós tivemos uma repressão muito grande também aqui no Brasil. Na medida em que o governo militar estabeleceu um regime de exceção, no qual a opinião da população não importava, sempre que a população se manifestava de algum modo havia um temor, um verdadeiro medo por partes das autoridades.

Agora, quando eu vejo as notícias, quando vejo as imagens que vêm do Tibete, me vêm à mente essas lembranças. É como se eu estivesse vendo nos chineses, os militares brasileiros dos anos de 60 e 70: um regime fechado, no qual as pessoas tinham grandes dificuldades de expressar suas opiniões. Era um tempo em que falar em paz ou anistia era uma grande subversão.

Quando eu vejo os monges tibetanos, pacificamente, manifestando o que eles acham melhor para o seu país, sua cultura, seus parentes e para o budismo, eu vejo o medo dos chineses de que, repentinamente, a população ache que possa ter opiniões, possa ter idéias. Não só as populações tibetanas dentro da China, mas também outras minorias poderiam eventualmente começar a se manifestar. Eu acredito que há uma tensão desnecessária.

Vocês observem o que aconteceu no Brasil: à medida que nós fomos liberando essa veia autoritária, esse processo autoritário, isso custou susto para muitas pessoas e para os militares também, mas o Brasil melhorou. Hoje nós somos capazes de expressar nossas opiniões sem sustos. Somos capazes de viver conflitos de opinião. Chegamos até mesmo a depor um presidente, sem que houvesse realmente um rompimento da ordem pública.

Nós podíamos rezar pelos chineses, para que eles pudessem passar por esse período de tremor de forma digna. Rezar para que eles não se valessem da violência, que abandonassem esses meios negativos e que pudessem acolher. Se os tibetanos são chineses, como eles consideram, porque não podem expressar suas opiniões? Que seja permitido aos tibetanos expressar suas idéias.

Na verdade, os governos se legitimam por sua capacidade de acolher a opinião do povo e expressar isso da melhor forma. Eu acho maravilhoso que os tibetanos tenham essa coragem, tenham essa disposição de se manifestar e expressar claramente o que eles aspiram. Do mesmo modo, eu aspiro que o governo chinês manifeste a coragem de acolher, conversar sobre isso e encontrar a forma adequada de resolver essas tensões, que são, na verdade, tensões mínimas.

O movimento dos monges é um movimento pacífico. A índole do povo tibetano é pacífica. Sua Santidade, o Dalai Lama, aspira o benefício de todos os seres. Neste momento, eu gostaria de pedir a todos vocês que dediquem suas práticas e seus pensamentos à longa vida de Sua Santidade, este grande mestre budista, um mestre da Paz, independente de sua condição de monge budista, completamente respeitado por todas as tradições religiosas, prêmio Nobel da Paz em 1989. Que nós possamos ter em mente essa obra extraordinária que ele tem feito e este exemplo de grande qualidade.

Em todos esses anos, desde a anexação do Tibete pela China, ele tem desenvolvido sempre uma atitude pacífica. Ele sempre se refere às autoridades chinesas como seus amigos de amanhã. Ele não desenvolve nenhuma animosidade, nenhuma hostilidade. Para os budistas seria muito estranho desenvolvermos hostilidade em relação aos nossos adversários, porque aqueles que lutam contra nós, que nos trazem grandes dissabores, grandes desafios, são nossos professores. É isso que Sua Santidade tem nos ensinado.

Eu aspiro que não nos falte essa compreensão; que não geremos sentimentos negativos, que não tornemos nosso coração apertado e excludente. Isso seria uma tristeza para o nosso grande mestre, que é Sua Santidade, o Dalai Lama. Nós não deveríamos permitir que a ação negativa de alguns tornasse o nosso coração negativo também. A maior batalha, a maior dificuldade, se dá dentro da nossa mente, de tal modo que nós possamos nos manter estáveis, lúcidos, sempre praticando as quatro qualidades incomensuráveis de Compaixão, Amor, Alegria e Equanimidade, em todas as direções.

Agora eu vou fazer a prece das Sete Linhas, aspirando que Sua Santidade mantenha a estabilidade, que os tibetanos tenham a coragem de seguir manifestando de um modo equilibrado e pacífico as suas opiniões e conquistem um espaço em que suas opiniões importem e que as autoridades chinesas conquistem a coragem de dialogar, de entender as opiniões de seus próprios cidadãos. Peço a todos que se unam a essa prece, porque ela tem poder. Com certeza, Guru Rinpoche, o protetor do Tibete, vai ajudar a todos. Peço que os praticantes de todos os CEBBs dediquem suas práticas e façam acumulação do mantra de Guru Rinpoche, aspirando uma resolução elevada para os fatos que nós estamos vivenciando.

Muito obrigado!

Lama Padma Samten
18/03/2008
Viamão / RS


Prece de Sete Linhas

HUNG OR DJEN IUL DJI NUB DJANG TSAM
HUNG Na fronteira noroeste do país de Ordjen,

PE MA GUE SAR DONG PO LA
no coração de pólen de uma flor de lótus,

IA TSEN TCHOG GUI NGÖ DRUB NIEI
Você obteve o mais excelente e maravilhoso siddhi.

PE MA DJUNG NE JEI SU DRAG
Renomado como Aquele que Nasceu do Lótus,

KOR DU KA DRO MANG PÖ KOR
você está cercado por um séquito de muitas dakinis.

TCHED TCHI DJEI SU DAG DRUB TCHI
Enquanto pratico, seguindo seus passos,

DJIN DJI LOB TCHIR JEI SU SOL
Rogo que se aproxime para conceder suas bençãos!

GURU PE MA SI DI HUNG
Ó Guru Pema, conceda-me siddhis!

 

Nota de Imprensa de S.S. Dalai Lama em 18 de março

Edição de Horizonte - Leitura Holística



Sua Santidade Dalai Lama lançou ontem, 18 de março, uma nota à imprensa no website de seu escritório, para esclarecer ao mundo sobre as acusações infundadas do governo chinês, de que este homem da paz, Nobel de 1989, esteja incentivando atos violentos dentro e fora do Tibet invadido.

Abaixo, a tradução da nota, feita por Ricardo Sasaki e que aparece em: http://nalanda.org.br , que remete a um blog, que deve ser a fonte original da tradução: http://folhasnocaminho.blogspot.com/2008/03/tibet-nota-de-imprensa.html

NOTA DE IMPRENSA

"Gostaria de aproveitar essa oportunidade para expressar minha gratidão aos líderes mundiais e à comunidade internacional por sua preocupação com relação aos eventos recentes no Tibet e por suas tentativas em persuadir as autoridades chinesas no exercício da moderação ao lidar com as demonstrações.

Uma vez que o Governo Chinês tem me acusado de orquestrar tais protestos no Tibet, eu clamo por uma completa investigação da parte de algum órgão respeitável, o que deve incluir representantes chineses, a fim de investigar tais alegações. Tal órgão precisará visitar o Tibet, as áreas tradicionais tibetanas fora da Região Autônoma Tibetana e também a Administração Tibetana Central aqui na Índia. De forma que a comunidade internacional, e especialmente os mais de um bilhão de
chineses que não têm acesso à informação não-censurada, possam saber o que realmente está acontecendo no Tibet seria de extrema ajuda que representantes da imprensa internacional também realizassem tais investigações.

Se intencional ou não, acredito que uma forma de genocídio cultural tem lugar no Tibet, onde a identidade tibetana passa por constante ataque. Os tibetanos foram reduzidos a uma insignificante minoria em sua própria terra como resultado da imensa transferência de não-tibetanos ao Tibet. A distinta herança cultural tibetana, com sua linguagem costumes e tradições características está desaparecendo. Ao invés de trabalhar pela unificação de suas nacionalidades, o governo chinês realiza uma discriminação contra as nacionalidades minoritárias, entre elas a dos tibetanos.

É conhecimento comum que os mosteiros tibetanos, os quais constituem nossos principais lugares de saber, além de serem repositórios da cultura buddhista tibetana, têm sido severamente reduzidos em número e população. Naqueles mosteiros que ainda existem, o estudo sério do Buddhismo Tibetano não mais é permitido; de fato, mesmo a admissão em tais centros de saber é estritamente regulada. Na realidade, não há liberdade religiosa no Tibet. Mesmo um chamado por um pouco mais de liberdade torna-se um risco de ser rotulado como separatista. Nem mesmo há qualquer real autonomia no Tibet, mesmo apesar de tais liberdades básicas serem garantidas na constituição chinesa.

Acredito que as demonstrações e protesto que ocorrem agora no Tibet são uma explosão espontânea do ressentimento popular acumulado por anos de repressão em reação a autoridades que são cegas aos sentimentos do povo local. Elas erroneamente acreditam que mais medidas repressivas são o caminho para conquistar seu objetivo declarado de unidade e estabilidade a longo prazo.

De nossa parte, permanecemos compromissados em seguir a abordagem do Caminho do Meio e buscar um processo de diálogo a fim de encontrar uma solução mutuamente benéfica para a questão tibetana.

Com tais pontos em mente, busco também o apoio da comunidade internacional em nossos esforços para resolver os problemas do Tibet por meio do diálogo, e incentivo que clamem às lideranças chinesas para que exerçam a máxima moderação em lidar com a situação turbulenta atual e tratem aqueles que têm sido presos de maneira apropriada e justa.

Dalai Lama - Dharamsala
18 de Março de 2008"


Abaixo, o texto original, que aparece em: http://www.dalailama.com/news.218.htm

PRESS RELEASE
Contacts: Chhime R. Chhoekyapa, Secretary - Mobile + 91 (09816021879)
Tenzin Taklha, Joint Secretary - Mobile + 91 (09816021813)

PRESS RELEASE

I would like to take this opportunity to express my deep gratitude to world leaders and the international community for their concern over the recent sad turn of events in Tibet and for their attempts to persuade the Chinese authorities to exercise restraint in dealing with the demonstrations.

Since the Chinese Government has accused me of orchestrating these protests in Tibet, I call for a thorough investigation by a respected body, which should include Chinese representatives, to look into these allegations. Such a body would need to visit Tibet, the traditional Tibetan areas outside the Tibet Autonomous Region, and also the Central Tibetan Administration here in India. In order for the international community, and especially the more than one billion Chinese people who do not have access to uncensored information, to find out what is really going on in Tibet, it would be of tremendously helpful if representatives of the international media also undertook such investigations.

Whether it was intended or not, I believe that a form of cultural genocide has taken place in Tibet, where the Tibetan identity has been under constant attack. Tibetans have been reduced to an insignificant minority in their own land as a result of the huge transfer of non-Tibetans into Tibet. The distinctive Tibetan cultural heritage with its characteristic language, customs and traditions is fading away. Instead of working to unify its nationalities, the Chinese government discriminates against these minority nationalities, the Tibetans among them.

It is common knowledge that Tibetan monasteries, which constitute our principal seats of learning, besides being the repository of Tibetan Buddhist culture, have been severely reduced in both in number and population. In those monasteries that do still exist, serious study of Tibetan Buddhism is no longer allowed; in fact, even admission to these centres of learning is being strictly regulated. In reality, there is no religious freedom in Tibet. Even to call for a little more freedom is to risk being labeled a separatist. Nor is there any real autonomy in Tibet, even though these basic freedoms are guaranteed by the Chinese constitution.

I believe the demonstrations and protests taking place in Tibet are a spontaneous outburst of public resentment built up by years of repression in defiance of authorities that are oblivious to the sentiments of the local populace. They mistakenly believe that further repressive measures are the way to achieve their declared aim of long-term unity and stability.

On our part, we remain committed to taking the Middle Way approach and pursuing a process of dialogue in order to find a mutually beneficial solution to the Tibetan issue.

With these points in mind, I also seek the international community’s support for our efforts to resolve Tibet’s problems through dialogue, and I urge them to call upon the Chinese leadership to exercise the utmost restraint in dealing with the current disturbed situation and to treat those who are being arrested properly and fairly.

Dalai Lama
Dharamsala, March 18, 2008


Com esta declaração inequívoca, esperamos que cessem os ataques mentirosos a S.S. Dalai Lama por parte do regime ditatorial chinês.
Aspiramos ainda que a situação no Tibet seja avaliada por órgãos internacionais, como solicitou S.S. Dalai Lama. Assim, aguardamos manifestações da ONU, do COI e de todos os países, organizações e pessoas que desejam um mundo de paz, liberdade, compaixão e solidariedade entre os povos.

(O Editor)

terça-feira, 11 de março de 2008

 

[Notícias] Dalai Lama, Olimpíadas, privação dos Direitos Humanos e os 49 anos da Revolta Nacional Tibetana

Paulo Stekel (editor) & Gabriel Jaeger (correspondente - Índia)



Panorama da desgraça: o holocausto tibetano

Desde o início deixamos bem claro que a Revista Horizonte – Leitura Holística apóia integralmente as ações de Sua Santidade Dalai Lama (Tenzin Gyatso), bem como a causa tibetana e ainda o boicote aos Jogos Olímpicos de Beijing 2008. Tudo por uma questão de defesa dos Direitos Humanos.

O Tibet foi covardemente invadido pelo regime socialista chinês em 1949, e ficou instalado ali em caráter de ocupação até 1959, quando o Dalai Lama, pressionado pela situação, exilou-se na Índia com 120 mil compatriotas, inaugurando o Governo Tibetano no Exílio. Desde então, o Tibet foi definitivamente anexado à República Popular da China, transformado em região autônoma, mas que de autônoma não tem nada.

Mais de um milhão de tibetanos foram mortos desde então, devido à política desumanamente repressora do regime de Pequim. Isso constitui um verdadeiro holocausto tibetano, só que sem a correspondente ação mundial em favor dos oprimidos, pelo menos em nível governamental, já que o Tibet, no período da invasão, foi lançado à própria sorte. Mais de 6 mil monastérios foram destruídos e milhares de tibetanos foram torturados e presos por suas crenças religiosas e por apoiarem um Tibet livre. O Panchen Lama, figura importante na hierarquia religiosa tibetana, está preso desde os seis anos de idade. Em 1989, o Dalai Lama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mas o regime chinês insiste em chamá-lo de subversivo, incitador do separatismo e até de criminoso, guerrilheiro e absurdos do gênero.

Tentáculos de Pequim

Temos provas de que a Embaixada da China no Brasil atrelou a viagem de um grupo de brasileiros pertencentes a uma ONG que produz vídeos de espiritualidade e os apresenta em canais da NET no Brasil todo, e que queria filmar um congresso na China, à imediata retirada da grade de programação de todos os programas sobre, com ou que fizessem referência ao Dalai Lama. O embaixador teria dito que o Dalai Lama era um incitador do separatismo, um guerrilheiro, etc. Infelizmente, o presidente desta ONG anuiu à chantagem do embaixador. Depois reconheceu o erro na frente de cerca de trinta pessoas, muitas ligadas à comunidade budista tibetana de Brasília (Linhagem Kagyü), incluindo dois lamas tibetanos. A secretária de um dos lamas teve que ser segurada para não avançar no presidente da ONG, já um septuagenário. Não sabemos se o erro foi corrigido a ponto dos programas com o Dalai Lama voltarem ao ar... Se isso aconteceu no Brasil, imaginem o que mais o regime socialista (?) chinês não patrocina pelo mundo afora!

Notícias do momento

No dia de hoje (11 de março de 2008), nosso colaborador da Revista Horizonte – Leitura Holística e informante na Índia, Gabriel Jaeger (Monge Ngawang Tenphel) , enviou-nos algumas anotações feitas por ele mesmo ontem, 10 de março, em Dharamsala, por ocasião da fala de S.S. Dalai Lama acerca dos 49 anos do Dia da Revolta Nacional Tibetana contra a ocupação do Tibet, pela China maoísta, em 10 de março de 1959. O monge Gabriel é responsável pelo website www.montanhadourada.org , fonte de muitas informações sobre o Budismo e sobre o monastério onde se encontra, na Índia. Tendo presenciado e ouvido a fala de S.S. Dalai Lama, Gabriel enviou o texto em Inglês (abaixo), que traduzimos para os leitores:

Notícias de Dharamsala

Por Gabriel Jaeger (Monge Ngawang Tenphel)


Statement of His Holiness the Dalai Lama on the Forty-Ninth Anniversary of Tibetan national Uprising Day

On 6 March 2008, President Hu Jintao stated: “The stability in Tibet concerns the stability of the country, and the safety in Tibet concerns the safety of the Country”. He added that the Chinese leadership must ensure the well-being of Tibetans, improve the work related to religions and ethnic groups, and maintain social harmony and stability. President Hu’s statement conforms to reality and we look forward to its implementation.

This year, the Chinese people are proudly and eagerly awaiting the opening of the Olympic Games. I have, from the very beginning, supported the idea that China should be granted the opportunity to host the Olympic Games. Since such international sporting events, and specially the Olympics, uphold the principles of freedom of speech, freedom of expression, equality and friendship, China should prove herself a good host by providing these freedoms. Therefore, besides sending their athletes, the international community should remind the Chinese government of these issues. I have come to know that many parliaments, individuals and non-governmental organisations around the globe are undertaking a number of activities in view of the opportunity that exists for China to make a positive change. I admire their sincerity. I would like to state emphatically that it will be very important to observe the period following the conclusion of the Games. The Olympic Games no doubt will greatly impact the minds of the Chinese people. The world should, therefore, explore ways of investing their collective energies in producing a continuous positive change inside China even after the Olympics have come to an end.

I would like to take this opportunity to express my pride in and appreciation for the sincerity, courage and determination of the Tibetan people inside Tibet. I urge them to continue to work peacefully and within the law to ensure that all the minority nationalities of the People’s Republic of China, including the Tibetan people, enjoy their legitimate rights and benefits.

I would also like to take this opportunity to thank the Government and people of India, in particular, for their continuing and unparalleled support for Tibetans refugees and the cause of Tibet, as well as express my gratitude to all those governments and people for their continued concern for the Tibetan cause.

With my prayers for the well-being of all sentient beings. The Dalai Lama

Dharamsala
10 March 2008


(Anotado por Gabriel Jaeger, Monge Ngawang Tenphel, ao presenciar a fala de S.S. Dalai Lama, em Dharamsala)

Tradução (Paulo Stekel):

Declaração de Sua Santidade o Dalai Lama no 49º Aniversário do Dia da Revolta Nacional Tibetana

No dia 6 de Março de 2008, o Presidente Hu Jintao afirmou: “a estabilidade no Tibete diz respeito à estabilidade do país, e a segurança no Tibete diz respeito à segurança do país”. Ele acrescentou que a liderança chinesa deve assegurar o bem-estar dos tibetanos, melhorar o trabalho relacionado às religiões e grupos étnicos, e manter a harmonia social e a estabilidade. A afirmação do presidente Hu conforma-se com a realidade e ansiamos pela sua implementação.

Neste ano, o povo chinês está esperando orgulhosa e ansiosamente a abertura dos Jogos Olímpicos. Desde o começo apoiei a idéia de que à China deve ser concedida a oportunidade de apresentar os Jogos Olímpicos. Uma vez que tais eventos esportivos internacionais, e especialmente as Olimpíadas, sustentam os princípios da liberdade do discurso, a liberdade de expressão, igualdade e amizade, a China deve comprovar-se um bom anfitrião fornecendo essas liberdades. Por isso, além do envio de seus atletas, a comunidade internacional deve lembrar o governo chinês dessas questões. Vim a saber que muitos parlamentos, indivíduos e organizações não-governamentais no mundo estão empreendendo atividades em vista da oportunidade que existe para a China de fazer uma modificação positiva. Admiro a sua sinceridade. Eu gostaria de afirmar enfaticamente que será muito importante observar o período depois da conclusão dos Jogos. Os Jogos Olímpicos, não há dúvida, impactarão muito as mentes do povo chinês. O mundo, por isso, deveria explorar modos de investir as suas energias coletivas na produção de uma modificação positiva contínua dentro da China até mesmo depois que as Olimpíadas tenham terminado.

Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para exprimir meu orgulho e apreciação pela sinceridade, coragem e determinação do povo tibetano dentro do Tibete. Incito-os a continuar trabalhando pacificamente e dentro da lei para assegurar que todas as nacionalidades que são minoria na República Popular da China, inclusive o povo tibetano, desfrutem dos seus direitos e benefícios legítimos.

Eu também gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer ao governo e ao povo da Índia, especialmente, por sua ajuda contínua e ímpar aos refugiados tibetanos e à causa do Tibet, bem como exprimir a minha gratidão a todos aqueles governos e povos pelo seu contínuo interesse pela causa Tibetana.

Com minhas preces pelo bem-estar de todos os seres sencientes. O Dalai Lama.

Dharamsala
10 de Março de 2008

Comentários

O monge Gabriel enviou-nos ainda alguns comentários seus a respeito do que viu e ouviu no dia 10 de março, quando esteve em Dharamsala:

Curiosidades vistas e ouvidas por mim aqui em Dharamsala neste dia: A caminhada-passeata ao Tibet inicia-se logo após a fala de S.S. Dalai Lama em Dharamsala.

S.S. Dalai Lama em seu discurso não cita qualquer palavra quanto a esta passeata até a fronteira do Tibet. Não há qualquer incentivo ou comentário mesmo por parte do governo tibetano no exílio.

Alguns tibetanos dizem que caso não sejam barrados ou presos pela polícia e exército indiano dentro da Índia, seguirão ao Nepal. Caso não sejam também interrompidos pelo exército nepalês, seguem até a fronteira do Tibet com o Nepal, com o objetivo de atravessá-la e seguir pacificamente até Lhasa, capital do Tibet.

As notícias são de que o governo chinês enviou novas tropas à fronteira Índia-China e Nepal-China para conter qualquer tentativa de invasão ou protesto.

Aqui em Dharamsala encontramos vários repórteres, jornalistas e grupos em prol do Tibet livre que irão fazer parte de ou toda esta caminhada até o Tibet junto aos tibetanos. Um dos jornalistas que está a acompanhá-los é um dos mais famosos da CNN. (Veja o vídeo da CNN sobre o início da Marcha de protesto em http://edition.cnn.com/video/#/video/world/2008/03/10/vo.india.tibet.ap?iref=videosearch)

Ainda não se tem uma estimativa precisa de quanto tempo levará esta caminhada até a fronteira do Tibet, caso consigam chegar até lá. Mas o previsto por alguns líderes tibetanos deste movimento é de 20 a 30 dias.

Um site foi feito com o propósito de divulgar esta caminhada e manifestação no link www.march10.org

Gabriel Jaeger (Monge Ngawang Tenphel)

www.montanhadourada.org
Dharamsala, Índia
11 de março de 2008

A passeata de protesto "March 10"



No site recomendado (ver banner acima) pelo monge Gabriel (www.march10.org) há o seguinte texto:

Rise Up, Resist, Return!
One World, One Dream: Free Tibet


March 10th 2008, marks the 49th anniversary of the Tibetan National Uprising when tens of thousands of Tibetans rose up against China's illegal invasion and occupation of their country. Despite China's best attempts to destroy the Tibetan spirit, Tibetan resistance has continued for nearly half a century inside Tibet and in exile communities worldwide.

This year, with all eyes focused on the Olympics in China, Tibetans and supporters worldwide are protesting the Chinese government's use of the Olympics as a political tool to legitimize its illegal occupation of Tibet.

Join the Global Uprising for Tibet! Help us draw attention to the worsening human rights situation inside Tibet. Help us use the Olympics spotlight to shame and embarrass the Chinese government and show them that until Tibet is free, China will never be never be accepted as a leader on the world stage.

TIBET WILL BE FREE

Tradução (Paulo Stekel):

Erga-se, Resista, Regresse!
Um Mundo, Um Sonho: Tibet Livre


10 de Março de 2008 marca o 49º aniversário da Revolta Nacional Tibetana, quando dezenas de milhares de tibetanos rebelaram-se contra a invasão ilegal da China e a ocupação do seu país. Apesar das melhores tentativas da China de destruir o espírito Tibetano, a resistência tibetana continuou durante quase meio século no Tibete e em comunidades de exílio no mundo inteiro.

Neste ano, com todos os olhos concentrados nas Olimpíadas na China, os tibetanos e os apoiadores no mundo inteiro estão protestando pelo uso das Olimpíadas pelo governo chinês como um instrumento político para legitimar a sua ocupação ilegal do Tibet.

Uma-se à Revolta Global pelo Tibet! Ajude-nos a chamar a atenção para a piora na situação dos direitos humans dentro do Tibete. Ajude-nos a usar o foco das Olimpíadas para envergonhar e embaraçar o governo chinês e mostrar-lhe que, até que o Tibete seja livre, a China nunca, nunca será aceita como um líder no cenário mundial.
O TIBETE SERÁ LIVRE

Assim aspiram todos os tibetanos, expatriados de modo grosseiro e desumano. Assim também o aspiramos nós, que prezamos pelos Direitos Fundamentais de todos os seres humanos.

segunda-feira, 10 de março de 2008

 

Chagdud Gonpa: O Darma no Brasil

Uma visita durante o encerramento do ano novo tibetano

Paulo Stekel



(Chagdud Gonpa Khadro Ling, em Três Coroas, RS. * Todas as fotos foram tiradas pelo autor)

Espetáculo de Ano Novo

Já visitamos o templo budista tibetano em Três Coroas (RS) diversas vezes. Mas esta foi a primeira vez que assistimos a tradicional dança dos lamas, um espetáculo belíssimo de som, cores, movimentos graciosos e atmosfera espiritual que ocorre no final do Drubtchen de Vajrakilaia.

O Chagdud Gonpa Khadro Ling, localizado em Rodeio Bonito, Três Coroas (RS) é um centro de prática do Budismo Vajraiana Niyngma fundado por Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche, que em 1995 se mudou dos EUA para o Brasil, com a intenção de instalá-lo na serra gaúcha.


(Detalhes do alto do Templo Khadro Ling)

O Khadro Ling, sede do Chagdud Gonpa Brasil, é um local dinâmico onde praticantes do Budismo Varjayana e visitantes do mundo todo se reúnem em um ambiente sagrado. Ali são realizadas cerimônias e transmitidos ensinamentos da linhagem Nyingma do Budismo Tibetano.

Kha significa céu; Dro significa mover-se, ir, dançar; Ling significa local sagrado.

O templo foi construído numa área que possui uma vista belíssima, como mostram as fotos que tiramos por ocasião do Drubtchen.


(Bandeiras de oração no telhado do Templo)

Realizado de 02 a 10 de fevereiro último, o Drubtchen de Vajrakilaia ajuda seus participantes a vencer os obstáculos ao caminho espiritual, derrotar seus venenos mentais e “demônios internos” e a afastar a hostilidade e as calamidades externas. O Drubtchen contou com a participação de mais de 150 praticantes.

A dança dos lamas encerra as comemorações do Losar, o ano novo tibetano, que segue um calendário lunar sendo, portanto, uma data móvel. Muitos lamas estiveram presentes, entre eles Lama Chagdud Khadro (diretora espiritual do Khadro Ling), Lama Tsering Everest (Chagdud Gonpa Odsal Ling, SP), Lama Padma Samten (Caminho do Meio, Viamão), Lama Sherab Drolma (administradora do Chagdud Gonpa Brasil) e diversos outros, incluindo alguns tibetanos e butaneses.


(Da esq. para dir.: Lama Chagdud Khadro, Diretora espiritual do Chagdud Gonpa, e Lama Tsering Everest, do Chagdud Gonpa Odsal Ling, São Paulo)


(Lama Padma Samten, do CEBB - Viamão, RS)


(Vários lamas estavam presentes, vindos de várias partes do mundo)


(Centenas de pessoas, entre praticantes e visitantes, assistiram a apresentação da Dança dos Lamas, no dia 10 de fevereiro)

Após a apresentação, o templo foi aberto à visitação pública. A arquitetura imponente, as pinturas belíssimas e os detalhes minuciosos encantaram os visitantes.

A visita ao templo

Uma vez, Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche falou sobre a importância de se visitar o templo:

“Este templo foi construído com o propósito de beneficiar todos que o vêem, que escutam falar dele ou até mesmo que ouvem o vento soprando por suas paredes; todos que caminham sobre seus pisos ou que se lembram dele.

O templo é um receptáculo para a energia iluminada do corpo, da fala e da mente. As pessoas podem visitar o templo como turistas que querem ver uma novidade e objetos interessantes. Podem, também, vir com a intenção de encontrar alívio para situações difíceis como problemas físicos, emocionais, financeiros ou de relacionamentos, que são parte integrante da nossa condição humana.



(Presença de Lucélia Santos, ela mesma uma praticante do Darma)


(Instrumentos tradicionais tibetanos)

A fonte do sofrimento pode ser purificada quando vamos a uma igreja ou a um templo, rezamos com profundo arrependimento, fazemos o compromisso de não repetir os erros e pedimos pelas bênçãos de absolvição dos seres iluminados.

Ao reconhecer que a fonte da felicidade é a virtude, o templo oferece uma oportunidade para se fazer oferendas de água, lamparina, incenso e flores. Os seres iluminados não precisam dessas oferendas, mas, pela generosidade da sua ação você cria méritos, que são a fonte de felicidade. A sabedoria da realização espiritual surge do mérito, como também o bem-estar e prosperidade presentes e futuros.





(Momentos da primeira dança)

Por fim, as orações que oferecemos com intenção pura e compassiva e a virtude que elas geram são incrementadas pela dedicação. Ao invés de nos apegarmos às nossas virtudes, com um coração aberto as oferecemos para o benefício de todos os seres. Dedicar a nossa virtude dessa forma assegura não só que ela jamais será exaurida como também que se expandirá continuamente. Assim, um único ato de uma visita ao templo pode se tornar uma fonte de bondade para todo o universo.”


(Chagdud Khadro, Diretora espiritual do Chagdud Gonpa)

A Terra Pura de Padmasambava

Além do templo já conhecido, outro está sendo construído no Chagdud Gonpa Khadro Ling. Trata-se de uma réplica da Terra Pura de Padmasambava, Zangdog Palri (A Gloriosa Montanha Cor de Cobre).

A construção desta réplica foi o último grande desejo de Chagdud Rinpoche, que faleceu logo após ter adquirido a terra ser sido adquirida e quando a planta estava em seus estágios iniciais.

Padmasambava (“nascido do lótus”), também chamado de Guru Rinpoche (“Mestre Precioso”), cujo surgimento foi profetizado por Buda Shakiamuni, propagou os métodos do Budismo Vajraiana no séc. VIII, no Tibete.



(Excelente performance de Lama Sherab Drolma durante a segunda dança dos lamas)

Quando Padmasambava partiu desta terra na forma de luz de arco-íris, manifestou a Terra Pura de Zangdog Palri. No topo dessa montanha em formato de coração está o palácio esplêndido de Pema Od (Luz de Lótus). Mestres realizados de meditação que têm devoção a Guru Rinpoche vão até lá em sonhos e visões e após a morte.

O templo de Padmasambava deve ser inaugurado ainda este ano, e contará com cerimônias extensas e muito bonitas. Tivemos a oportunidade de visitá-lo ainda nesta fase de construção. O prédio já impressiona, com suas dezenas de estátuas de deidades budistas. Uma estátua central de Guru Rinpoche, ainda sem a pintura, tem alguns metros de altura. Artistas butaneses e seus auxiliares brasileiros trabalham intensamente para deixar tudo pronto ainda em 2008.



(Deidades iradas durante a terceira dança dos lamas)

Quem foi Chagdud Tulku Rinpoche

Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche nasceu no leste do Tibete (Kham) em 1930. Reconhecido aos quatro anos como um tulku (encarnação de um mestre de meditação), recebeu treinamento rigoroso e aprofundou os seus estudos em retiros extensos. Ele tinha uma afinidade especial pelas artes sagradas e pela medicina tibetana e era famoso por sua voz maravilhosa como cantor.

Em 1959, ele escapou da ocupação comunista do Tibete e viveu exilado em comunidades de refugiados na Índia e no Nepal até se estabelecer nos Estados Unidos em 1979. A pedido dos seus alunos ocidentais, estabeleceu a Fundação Chagdud Gonpa, uma bem-sucedida rede de centros da linhagem Nyingma do Budismo Vajraiana. Em 1994, Rinpoche mudou-se para o Brasil, estabeleceu o Chagdud Gonpa Brasil e começou a construção do seu centro principal, Khadro Ling, no Rio Grande do Sul. Quando morreu, em 2002, ele havia estabelecido mais de vinte centros no Brasil, Uruguai e Chile.





(Momentos da quarta e última dança dos lamas)

Ao viajar e ensinar constantemente, irradiando entusiasmo e compaixão, tornou-se o lama do coração de centenas de alunos e foi uma inspiração profunda para milhares de outros. Quando lhe perguntavam por que, aos sessenta e quatro anos, mudou-se para a América do Sul ao invés de permanecer confortavelmente nos Estados Unidos, respondia: “percebi a fé dos brasileiros e o seu interesse no Budismo e quis ensiná-los”. [fonte: http://www.chagdud.org]


(Visitação ao interior do Templo, onde não é permitido fotografar)

Quem é Chagdud Khadro

Chagdud Khadro conheceu Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche em 1978, casou-se com ele em 1979 e foi sua aluna dedicada por vinte e três anos. Ao ordená-la lama, em 1997, Chagdud Rinpoche designou-a como a futura Diretora Espiritual do Chagdud Gonpa Brasil.

Desde o parinirvana de Rinpoche, em 2002, ela tem se concentrado em dar continuidade ao treinamento Vajraiana de alta qualidade estabelecido por ele. Khadro supervisiona as atividades e ensina em todos os centros do Chagdud Gonpa Brasil e Chagdud Gonpa Hispanoamérica. Ela também concede ensinamentos na Europa, Estados Unidos e Europa e Austrália.
[fonte: http://www.chagdud.org]


(Maravilhosa paisagem visível do alto do Khadro Ling)



(O Palácio de Padmasabava, ainda em construção)


(Estátua de Tara Verdade junto a uma fonte)


(O Khadro Ling numa visão frontal)


(Estátua do Buda Akshobia)


(Detalhe da base da estátua do Buda Akshobia)



(Estupas, relicários)


(Detalhe da base de uma das estupas)



(Estátua de Guru Rinpoche, Padmasambava)


(Panorama das estátuas de Guru Rinpoche, Akshobia e das estupas do Khadro Ling)


(Tormas, oferendas)


(Rodas de oração da entrada do Templo)


(O Templo Khadro Ling, em todo seu esplendor, apesar do tempo nublado)

Quem deseja saber mais sobre o Chagdud Gonpa Khadro Ling ou sobre os demais centros de prática espalhados pelo Brasil e pelo mundo, acesse o site:

http://www.chagdud.org

 

Fosfenismo [artigo bilíngüe - Português/Espanhol]

Francesc Celma
Director de Fosfenismo® España e Iberoamérica
www.fosfenismo.com



Desde a origem dos tempos o homem tem buscado a luz, tem se rodeado de luz, desejado ser luz, ter, dar e receber luz, sua luz interior, a luz da alma, a luz que lhe guia, a luz que lhe nutre, a luz que lhe conforta. A humanidade, portanto, embasou toda sua evolução espiritual em conceitos vinculados à luz.

Todas as religiões, todas as iniciações, todos os ritos de expansão da consciência utilizam a luz como eixo central de seus ensinamentos que, ademais, indefectivelmente se dirigem à luz primordial e que segundo eles, ilumina seu caminho e seu devir.

Um marco sem precedentes na história da humanidade é o descobrimento do fogo. O fogo permite ao homem aquecer-se, cozinhar os alimentos, afugentar os animais, etc. Nesse momento, não existe ao redor do fogo ainda nenhuma liturgia, nenhuma poesia, nenhuma manipulação do conceito inerente à palabra fogo, isto é, a luz. Efetivamente, falar de fogo é falar de luz, mas nessa época primigênia essa luz recém descoberta devia ser vigiada sem cessar, já que esse dom divino acabado de se descobrir desapareceria subitamente por um descuido… Perdê-la devia ser catastrófico e provavelmente em alguma ocasião assim ocorreu. Sempre, em todo momento, em toda circunstância, o fogo devia estar vigiado, a sobrevivência do grupo dependia do cuidado com que essa vigilância fosse feita. O personagem encarregado de vigiar o fogo, isto é, a luz, acabou convertendo-se no xamã do grupo, no personagem mais importante, nesse tipo de sociedade. Um sujeito que não só entesourava o poder da cura ou o poder da vidência, mas também ostentava a liderança política do grupo, definitivamente. O xamã, o guarda do fogo, era o ser mais proeminente dessas sociedades primitivas.



O clã, o grupo, não fazia mais do que ser guiado por um observador da luz, por um guardião do fogo. A partir desse momento todos os ritos, todas as iniciações, todas as religiões se basearam nessa observação da luz. Quando dizemos todas queremos dizer todas. A necessidade de liderança, de distinção, de poder, ao longo da história, fez com que os personagens que no passado controlaram a ciência da luz não explicassem os segredos da mesma mais que a um reduzido grupo para assim, em meio ao mistério, edificarem impérios. Às vezes é difícil, se não se tem a informação, dar-se conta deste denominador comum presente em todos os processos de ativação psicológica e espiritual. Por exemplo, quando falamos da luz falamos do sol, do céu luminoso, dos reflexos do sol na água ou também em qualquer superfície polida, da observação das estrelas, da observação da lua, dos exercícios de fixação do olhar em uma vela, etc., de um modo ou de outro sempre se tem procurado olhar a luz.

Alexandra David-Neel foi uma reconhecida investigadora dos exercícios que se realizavam no Tibete. Ela descobriu que havia um volumoso, secreto e bem guardado livro que explicava como interpretar os signos que aparecem quando se observa fixamente o sol. O imperador romano Juliano, (chamado o apóstata, o que renega sua fé) que chegou a ordenar a seus soldados rezar olhando fixamente para o sol (a observação fixa dura só dois ou três segundos), foi um dos muitos que foram iniciados no culto solar da religião de Mitra.

Imagina Deus como uma luz na luz é uma frase importante no Corão. Os incas rezavam olhando o sol. Em Fátima, 70.000 pessoas vieram dançar, tremer enquanto escureceu-se o sol. Assim, 70.000 pessoas olharam o sol. Em Saint-Paul-d’Espis (Tarn y Garona, França), em 1947, se produziram quatro “prodígios solares” parecidos aos de Fátima diante de vários centenas de pessoas. A Igreja proibiu aos fiéis e ao clero publicar qualquer coisa referente a essas “danças do sol”. A razão desta proibição é clara: como o começo e o desenvolvimento eram parecidos aos de Fátima, e também aos de Tilly-sur-Seulles (Calvados, França) por volta de 1900, haveria resultado evidente, ao compará-los, que o que ocorreu em Fátima não foi uma “suspensão das leis naturais”, mas um fenômeno científico estudável. Etimologicamente a palavra adoração provém do latim adorare, que quer dizer “rezar”, de modo que, quando se fala de adorar o sol se está falando de rezar olhando fixamente o sol como fazem os zoroástricos. A definição da palavra “mago”, segundo os dicionários, é sacerdote de Zaratustra... O taoístas foram perseguidos por explicar os segredos de seus senhores. Eles praticavam observações fixas do reflexo do sol em um espelho e dos reflexos da lua sobre uma concha bem polida. Os cátaros rezavam olhando fixamente o sol, porque segundo diziam, Cristo assim o havia ensinado. Seu refúgio, o castelo de Montsegur, foi construído como um templo solar. A luz impulsiona em direção ao bem - Maniqueu (Les cathares de Montségur, Fernand Niel, Ed. Berghers), por isso, havia ordenado aos maniqueus que rezassem sete vezes ao dia olhando fixamente o sol. Foi condenado à morte pelo clero zoroástrico da época, que não queria este retorno às fontes. Segundo certas tradições, em suas origens, os peregrinos de Santiago de Compostela utilizavam a concha como pequeno recipiente para pôr água e deviam rezar olhando fixamente o reflexo do sol nessa água.



Nos Mistérios de Elêusis o iniciado era recluso em uma cova e devia olhar uma tocha para mais tarde, com os olhos vendados, observar o que passava em seu campo visual. Nesse momento devia pensar em uma espiga de trigo. Desvelar o segredo levava à pena de morte. No Egito foi Akenaton quem instaurou o culto ao sol. Após sua morte os sacerdotes fizeram desaparecer completamente os traços de sua lembrança. Os imperadores chineses recebiam o nome de filhos do céu porque segundo se dizia, obtinham seu poder do céu. A religião arcaica chinesa era um culto do céu luminoso. Os lamas tibetanos até hoje praticam com freqüência a observação fixa do céu luminoso e das estrelas. Os imperadores japoneses eram chamados os filhos do sol, porque o xintoísmo é um culto solar. O Buda pertencia a um povo onde seus membros eram chamados os descendentes do sol. No mito xintoísta a deusa do sol mandou seu sobrinho à terra dando-lhe um espelho e uma mensagem: venera este espelho como veneras a nós. Os celtas praticavam a observação fixa dos reflexos do sol na água para desenvolver o dom da adivinhação. O monte Athos, célebre promontório grego coberto de monastérios, foi citado por Heródoto como sítio monástico. Sua vocação mística é, portanto, anterior ao cristianismo e foi cristianizado posteriormente. É um fóssil vivo dos métodos místicos pre-históricos. Ainda hoje, alguns monges recitam a Bíblia olhando fixamente o sol nascente e depois projetam o olhar no umbigo.



Pode ser que, a esta altura, possamos convir, a maioria de nós, que a frase Deus é a luz que guia os homens, pode, deve e tem outro significado neste momento.

O Doutor Lefebure descobriu que quando se observa fixamente uma luz, uma “lâmpada fosfênica” (é imprescindível trabalhar com o material especializado criado pelo Fosfenismo para evitar riscos oculares), aparece no campo visual uma imagem que denominamos “fosfeno”. Esta imagem, longe de ser simplesmente uma imagem de persistência retiniana, é um elemento vinculado a nossa atividade cerebral, psicológica, emocional e espiritual. Assim, trabalhar com o fosfeno com os exercícios de Fosfenismo, favorece a ideação, a concentração, a criatividade, a motricidade, a intuição, etc., além de desenvolver as capacidades sutis e espirituais do indivíduo. Isto é, potencializa a inteligência e a espiritualidade. Nada diferente do que nos dizem todas as religiões, mas desta vez com a possibilidade de compreender o que fazemos, dirigir a nosso bel-prazer essa fantástica força interior para o aspecto que criamos oportunamente, com autonomia, sem restrições, com a alegria própria que dá a consciência e o controle que proporciona, sem dependências, sem álibis. E tudo isso de um modo tão e tão fácil que parece incrível. Estamos acostumados ao pedantismo do complexo, à subordinação do revés, que às vezes não levantamos o olhar para contemplar o evidente, que quando se manifesta, atinge continuamente nossa consciência em forma de sensação, uma sensação extremamente familiar para os praticantes do Fosfenismo.



Pense em uma casa. Já está aí? Bem, agora essa imagem que está dentro de sua cabeça, que você sabe que está, mas eu não, demonstre-me que existe; seu pensamento é seu e só seu, é uma percepção subjetiva, mas como todos a vivenciamos, a convertemos em objetiva. Conhece algo que esteja você pensando ou sentindo que possa exteriorizar-se? Os teósofos falavam das formas-pensamento. De algum modo se especula que ao se pensar em uma casa em seu campo vital se cria efetivamente uma imagem de uma casa. De acordo, mas, pode você emprestar-me sua casa? Não.

Vamos imaginar que olhamos a “lâmpada fosfênica” do Doutor Lefebure. Durante trinta segundos olhamos uma luz especial, extremamente agradável, muito relaxante e com características de temperatura, de cor e de espectro solar, excepcionais, de modo que se utiliza como luz natural; se passado esse tempo fechamos os olhos, em nosso campo visual aparece um sol maravilhoso, se manifesta com vida própria, com um ritmo e com um constante surgir de cores que seguem padrões específicos vinculados a nossa atividade cerebral durante aproximadamente três minutos.

Este sol interior, por certo ponto nevrálgico de todas as iniciações, o vemos você o seu e eu o meu, correto? Assim como a casa. O que ocorre é que podemos demonstrar, graças aos trabalhos do Doutor Lefebure, que tem relação direta com o comportamento mental, psicológico e espiritual da pessoa. Entendido isto, continuemos brincando. Realizamos a experiência uma vez mais, ambos olhamos a “lâmpada fosfênica” trinta segundos e olhamos nosso fosfeno durante três minutos que é parecido com o anterior, não igual - existem sutilezas nas cores, mas poderíamos convir que é parecido.

Agora faremos um fosfeno você e eu de novo. Você fechará os olhos como anteriormente, mas eu não. Com os olhos abertos vou projetar meu fosfeno sobre você, exatamente igual a que se você pensasse em minha casa, só que nesta ocasião verei meu pensamento, o fosfeno. Para sua surpresa sua luz interior, seu sol interior, mudará com relação às experiências anteriores de uma forma excepcional. Você se verá claramente modificado, inclusive, provavelmente veja meu fosfeno dentro do seu. Não é tudo. Freqüentemente a pessoa que realiza a experiência sente algumas sensações físicas muito marcantes.

Meu pensamento se exteriorizou e foi capaz de modificar seu fosfeno. Que espetacular, que impressionante, que caudal energético para utilizar. Que fantástica energia é capaz de, após trinta segundos, trasladar-se e interagir com uma realidade externa desse modo? A luz, o fosfeno, o Fosfenismo.

Isto, que por si só já é absolutamente fantástico e revolucionário, não é nada comparado com o descobrimento de que a energia da luz, o fosfeno, mesclada com um pensamento, traslada toda a força, toda a energia lumínica, essa capaz de exteriorizar-se, ao pensamento associado. Razão pela qual todas as culturas observam a luz, jamais de um modo poético ou marginal, nunca unicamente como elemento de sobrevivência, sempre como um acelerador dos processos mentais e vitais. O problema sempre foi que vivemos a luz com intermediários, xamãs, gurus, iluminados, e um longo, tedioso e conhecido caminho, etc., e o custo de nossa aprendizagem, de nossa evolução, se encareceu.É o que sucede normalmente com os intermediários.



Não fazemos nada sem nossa mente, nossas emoções e nosso espírito. Assim, se o fosfeno as amplifica, imaginamos o que podemos fazer com ele? Tudo. A luz é vida, a vida é luz.

Se algo é complicado, não é interessante. O Fosfenismo não é complicado, é extenso; analisa todos os processos de ativação da consciência. A luz é um deles, mas não o único. Existem outros denominadores comuns na história evolutiva de nosso cérebro utilizados por todas as culturas e religiões que o Fosfenismo explica e põe ao alcance de todo o mundo.

Desde sempre os cientistas, os físicos mais concretamente, buscam sem cessar o que denominam as leis do todo, a teoria unificada, a superforça. Com a física quântica estão muito mais próximos de conseguí-lo. Atualmente se fala da teoria das cordas e das supercordas, que seriam os elementos últimos responsáveis da realidade tal e como a conhecemos. O que as leis da física pretendem ser para o mundo quântico são os descobrimentos fosfênicos para o mundo espiritual e de expansão da consciência. É absolutamente incrível que milhares de cientistas trabalhem para compreender de que está constituída nossa realidade física e nenhum se ocupe das leis que governam nosso desenvolvimento espiritual. É incrível que não se tenha realizado nenhum esforço em buscar uma síntese de tudo o que o homem ao longo da historia fez para evoluir mental e espiritualmente, exceto naturalmente, o Doutor Lefebure. O Fosfenismo explica todas as técnicas iniciáticas à luz do raciocínio científico para colocá-las ao alcance de todo o mundo. Ninguém tinha feito eco do fato de que todas as culturas utilizam a observação do número de pontos de luz, mas esta constatação por si importantíssima, não seria nada sem a explicação científica do como e do porque essa luz, desejada por toda a humanidade, ativa nosso cérebro, nossa psique e nosso espírito.

Por essa razão, não podemos falar do Fosfenismo como uma técnica mais, como um método mais, como uma terapia mais, do mesmo modo que não podemos falar da física quântica de vanguarda em termos de tendência, de moda ou de hipótese. Tanto um como o outro esquadrinham os fundamentos, um da espiritualidade e o outro da realidade física.

Se torna, então, mais evidente a frase com a que termino os prólogos dos livros editados em espanhol: quien no haya quedado fuertemente impresionado por el Fosfenismo, es que no lo ha entendido (quem não tenha ficado fortemente impressionado pelo Fosfenismo, é porque não o entendeu).

Versão original em Espanhol:

Desde el origen de los tiempos el hombre ha buscado la luz, se ha rodeado de luz, ha intentado ser luz, tener, dar y recibir luz, su luz interior la luz del alma, la luz que le guía, la luz que le nutre, la luz que le reconforta. La humanidad, de hecho, ha basado toda su evolución espiritual en conceptos vinculados a la luz.

Todas las religiones, todas las iniciaciones, todos los ritos de expansión de la conciencia han utilizado la luz como eje vertebrador de sus enseñanzas que, además, indefectiblemente se dirigen hacia la luz primordial y que según ellos alumbra su camino y su devenir.

Un hito sin precedentes en la historia de la humanidad es el descubrimiento del fuego. El fuego permite al hombre calentarse, cocinar los alimentos, ahuyentar a los animales, etc. En ese momento no existe alrededor del fuego ninguna liturgia, ninguna poesía, ninguna manipulación del concepto inherente a la palabra fuego, es decir la luz. Efectivamente, hablar de fuego es hablar de luz, pero en esa época primigenia esa luz recién descubierta debía ser vigilada sin cesar, que ese don divino acabado de descubrir desaparecieran súbitamente por un descuido… Perderla debió ser catastrófico y probablemente en alguna ocasión así sucedió. Siempre, en todo momento, en toda circunstancia, el fuego debía estar vigilado, la supervivencia del grupo dependía del cuidado con que esa vigilancia se efectuará. El personaje encargado de vigilar el fuego, es decir, la luz, acabó convirtiéndose en el chamán del grupo, en el personaje más importante, en ese tipo de sociedades. Un sujeto que no sólo atesoraba el poder de la sanación o el poder de la videncia, también ostentaba el liderazgo político del grupo, en definitiva. El chamán, el custodio del fuego, era el ser más preeminente de esas sociedades primitivas.

El clan, el grupo, no hacía más que ser guiado por un observador de la luz, por un guardián del fuego. A partir de ese momento todos los ritos, todas las iniciaciones, todas las religiones se han basado en esa observación de la luz, cuando decimos todas queremos decir todas. La necesidad de liderazgo, de distinción, de poder, a lo largo de la historia, ha hecho que los personajes que antaño controlaron la ciencia de la luz no explicaran los secretos de la misma más que a un reducido grupo para así, alrededor del misterio, edificaron imperios. En ocasiones es difícil, si no se tiene la información, darse cuenta de este denominador común presente en todos los procesos de activación psicológica y espiritual. Por ejemplo, cuando hablamos de la luz hablamos del sol, del cielo luminoso, de los reflejos del sol en el agua o también en cualquier superficie pulida, de la observación de las estrellas, de la observación de la luna, de los ejercicios de fijación de la mirada en una vela, etc., de un modo o de otro siempre se ha procurado mirar la luz.

Alexandra David-Neel fue una reconocida investigadora de los ejercicios que se realizaban en el Tíbet. Ella descubrió que había un grueso secreto y custodiado libro que explicaba cómo interpretar los signos que aparecen cuando se observa fijamente el sol. El emperador romano Juliano, (llamado el apóstata, el que reniega de su fe) llegó a ordenar a sus soldados rezar mirando fijamente al sol (la observación fija apenas dura dos o tres segundos), fue uno de los muchos que fueron iniciados en el culto solar de la religión de Mitra.

Imagina que a Dios como una luz en la luz es una frase importante en el Corán. Los incas rezaban mirando el sol. En Fátima, 70.000 personas vieron bailar, temblar y oscurecerse el sol. Así pues, 70.000 personas miraron al sol. En Saint-Paul-d’Espis (Tarn y Garona, Francia), en 1947, se produjeron cuatro «prodigios solares» parecidos a los de Fátima delante de varios centenares de personas. La Iglesia prohibió a los fieles y al clero publicar cualquier cosa referente a esas «danzas del sol». La razón de esta prohibición es clara: como el comienzo y el desarrollo eran parecidos a los de Fátima, y también a los de Tilly-sur-Seulles (Calvados, Francia) hacia 1900, habría resultado evidente, al compararlos, que lo que ocurrió en Fátima no fue una «suspensión de las leyes naturales» sino un fenómeno científico estudiable. Etimológicamente la palabra adoración proviene del latín adorâre que quiere decir rezar, de modo que, cuando se habla de adorar al sol se está hablando de rezar mirando fijamente el sol como hacen los zoroástricos. La definición de la palabra «mago», según los diccionarios, es sacerdote de Zaratustra... Los taoístas fueron perseguidos por explicar los secretos de sus señores. Ellos practicaban observaciones fijas del reflejo del sol en un espejo y de los reflejos de la luna sobre una concha muy pulida. Los cátaros rezaban mirando fijamente el sol, porque según decían Cristo así lo había enseñado. Su refugio, el castillo de Montsegur, fue construido como un templo solar. La luz impulsa hacia el bien, Manès, (Les cathares de Montségur, Fernand Niel, Ed. Berghers), por eso había ordenado a los maniqueos que rezaran siete veces al día mirando fijamente el sol. Fue condenado a muerte por el clero zoroástrico de la época, que no quería este retorno a las fuentes. Según ciertas tradiciones, en sus orígenes, los peregrinos hacía Santiago de Compostela utilizaban la concha como pequeño recipiente para poner agua y debían rezar mirando fijamente el reflejo del sol en esa agua.

En los misterios de Eleusis al iniciado se le recluía en una cueva y debía mirar una antorcha para más tarde con los ojos vendados observar lo que pasaba en su campo visual. En ese momento debía pensar en una espiga de trigo. Desvelar el secreto estaba penado con la muerte. En Egipto fue Akenaton quien instauró el culto al sol. Tras su muerte los sacerdotes hicieron desaparecer completamente las huellas de su recuerdo. Los emperadores chinos recibían el nombre de hijos del cielo porque según se decía obtenían su poder del cielo. La religión arcaica china era un culto del cielo luminoso. Los lamas tibetanos todavía hoy practican con frecuencia la observación fija del cielo luminoso y de las estrellas. Los emperadores japoneses eran llamados los hijos del sol, porque el sintoísmo es un culto solar. El buda pertenecía a un pueblo donde sus miembros se hacía llamar los descendientes del sol. En el mito Shinto la diosa del sol mandó a su sobrino a la tierra dándole un espejo y un mensaje: venera este espejo cómo nos veneras a nosotros. Los celtas practicaban la observación fija de los reflejos del sol en agua para desarrollar el don de la adivinación. En el monte Athos, célebre promontorio griego cubierto de monasterios, fue citado por Herodoto como sitio monacal. Su vocación mística es, por consiguiente, anterior al cristianismo y fue cristianizado posteriormente. Es un fósil viviente de los métodos místicos prehistóricos. Todavía hoy, algunos monjes recitan la Biblia mirando fijamente el sol naciente y después proyectan la mirada en el ombligo.

Puede que a estas alturas podamos convenir, la mayoría de nosotros, que la frase: Dios es la luz que guía a los hombres, puede, debe y tiene otro significado en este momento.

El Doctor Lefebure descubrió que cuando se mira fijamente una luz, una «lámpara fosfénica» (es imprescindible trabajar con el material especializado creado por Fosfenismo para evitar riesgos oculares), aparece en el campo visual una imagen que denominamos fosfeno. Esta imagen, lejos de ser simplemente una imagen de persistencia retiniana, es un elemento vinculado a nuestra actividad cerebral, psicológica, emocional y espiritual. Así pues trabajar con el fosfeno con los ejercicios de Fosfenismo, favorece la ideación, la concentración, la creatividad, la motricidad, la intuición, etc., además de desarrollar las capacidades sutiles y espirituales del individuo. Es decir, potencializa la inteligencia y la espiritualidad. Nada distinto a lo que nos han dicho todas las religiones, pero esta vez con la posibilidad de comprender lo que hacemos, dirigir a nuestro antojo esa fantástica fuerza interior hacia el aspecto que creamos oportuno, con autonomía, sin restricciones, con la alegría propia que da la conciencia y el control que proporciona, sin dependencias, sin coartadas. Y todo ello de un modo, tan y tan fácil que parece increíble. Estamos acostumbrados a la pedantería de lo complejo a la subordinación de lo enrevesado y en ocasiones no alzamos la mirada para contemplar lo evidente, que cuando se manifiesta, golpea una y otra vez nuestra conciencia en forma de sensación, una sensación extremadamente familiar para los practicantes del Fosfenismo.

Piense en una casa. ¿Ya está? Bien, ahora esa imagen que está dentro de su cabeza, que usted sabe que está, pero yo no, demuéstreme que existe; su pensamiento es suyo y solo suyo, es una percepción subjetiva, pero como todos la vivimos la convertimos en objetiva. ¿Conoce algo que esté usted pensando o sintiendo que pueda exteriorizarse? Los teósofos hablaban de las formas-pensamiento. De algún modo se especula que si piensa en una casa en su campo vital se crea efectivamente una imagen de una casa. De acuerdo, pero, ¿puede usted prestarme su casa? No.

Vamos a imaginar que miramos la «lámpara fosfénica» del Doctor Lefebure. Durante treinta segundos miramos una luz especial, extremadamente agradable, muy relajante y con unas características de temperatura de color y de espectro solar, excepcionales, de hecho se utiliza como luz natural; si pasado ese tiempo cerramos los ojos, en nuestro campo visual aparece un sol maravilloso, se manifiesta con vida propia, con un ritmo y con un constante devenir de colores que siguen unos patrones específicos vinculados nuestra actividad cerebral durante aproximadamente tres minutos.

Este sol interior, por cierto punto neurálgico de todas las iniciaciones, lo hemos visto usted el suyo y yo el mío, ¿correcto? De hecho como la casa. Lo que ocurre es que podemos demostrar, gracias a los trabajos del Doctor Lefebure, que tiene relación directa con el comportamiento mental, psicológico y espiritual de la persona. Entendido esto, vamos a continuar jugando. Realizamos la experiencia una vez más, los dos miramos la «lámpara fosfénica» treinta segundos y miramos nuestro fosfeno durante tres minutos que es parecido al anterior, no igual, existen sutilezas en los colores, pero podríamos convenir que es parecido.

Ahora haremos un fosfeno usted y yo de nuevo. Usted cerrará los ojos como anteriormente pero yo no. Con los ojos abiertos voy a proyectar mi fosfeno sobre usted, exactamente igual que si, sobre usted pensara en mi casa, sólo que en esta ocasión voy a ver mi pensamiento, el fosfeno. Para su sorpresa su luz interior, su sol interior, cambiará respecto a las experiencias anteriores de una forma excepcional. Se verá claramente modificado, incluso, probablemente vea mi fosfeno dentro del suyo. No es todo. Frecuentemente la persona que realiza la experiencia siente unas sensaciones físicas muy marcadas.

Mi pensamiento se ha exteriorizado y ha sido capaz de modificar su fosfeno. Que espectacular, que impresionante, que caudal energético para utilizar. ¿Que fantástica energía es capaz de, tras treinta segundos, trasladarse e interactuar con una realidad externa de ese modo? La luz, el fosfeno, el Fosfenismo.

Esto que ya de por sí es absolutamente fantástico y revolucionario, no es nada comparado con el descubrimiento de que la energía de la luz, fosfeno, mezclada con un pensamiento, traslada toda la fuerza, toda la energía lumínica, esa capaz de exteriorizarse, al pensamiento asociado. Razón por la cual todas las culturas han mirado la luz, jamás de un modo poético o marginal, nunca únicamente como elemento de supervivencia, siempre como un acelerador de los procesos mentales y vitales. El problema siempre ha sido que hemos vivido la luz con intermediarios, chamanes, gurús, iluminados, y un largo, tedioso y conocido, etc., y el coste de nuestro aprendizaje, de nuestra evolución, se ha encarecido. Es lo que sucede normalmente con los intermediarios.

No hacemos nada sin nuestra mente, nuestras emociones y nuestro espíritu. Así pues, si el fosfeno las amplifica, ¿se imagina lo que podemos hacer con él? Todo. La luz es vida, la vida es luz.

Si algo es complicado, no es interesante. El Fosfenismo no es complicado, es extenso; analiza todos los procesos de activación de la conciencia. La luz es uno de ellos, pero no el único. Existen otros denominadores comunes en la historia evolutiva de nuestro cerebro utilizados por todas las culturas y religiones que el Fosfenismo explica y pone al alcance de todo el mundo.

Desde siempre los científicos, los físicos más concretamente, buscan sin cesar lo que denominan las leyes del todo, la teoría unificada, la superfuerza. Con la física cuántica están mucho más cerca de conseguirlo. Actualmente se está hablando de la teoría de las cuerdas y de las supercuerdas, que serían los elementos últimos responsables de la realidad tal y como la conocemos. Lo que las leyes de la física pretenden ser al mundo cuántico son los descubrimientos fosfénicos al mundo espiritual y de expansión de la conciencia. Es absolutamente increíble que miles de científicos trabajen para comprender de que está constituida nuestra realidad física y ninguno se ocupe de las leyes que gobiernan nuestro desarrolló espiritual. Es increíble que no se haya realizado ningún esfuerzo en buscar una síntesis de todo lo que el hombre a lo largo de la historia ha hecho para evolucionar mental y espiritualmente, excepto naturalmente, el Doctor Lefebure. El Fosfenismo explica todas las técnicas iniciáticas a la luz del razonamiento científico para ponerlas al alcance de todo el mundo. Nadie se había hecho eco del hecho de que todas las culturas hayan utilizado la observación cifra de puntos de luz, pero esta constatación ya de por sí importantísima, no sería nada sin la explicación científica del como y el porqué esa luz, anhelada por toda la humanidad, activa nuestro cerebro, nuestra psique y nuestro espíritu.

Por esa razón, no podemos hablar del Fosfenismo como una técnica más, como un método más, como una terapéutica más, del mismo modo que no podemos hablar de la física cuántica de vanguardia en términos de tendencia, de moda o de hipótesis. Tanto uno como la otra escudriñan los cimientos, uno de la espiritualidad y la otra de la realidad física.

Se hace pues más evidente la frase con la que suelo terminar los prólogos de los libros editados al castellano: quien no haya quedado fuertemente impresionado por el Fosfenismo, es que no lo ha entendido.

 

Psicologia Transpessoal - em busca da unidade do ser

Parte 4 - O enfoque holístico em Psicologia

Ana Maria Garcez




"O homem é livre de tudo o que sabe e escravo de tudo o que ignora." (Rohden)

"Deus dorme nos minerais, sente nos vegetais, sonha nos animais e desperta no homem." (Ditado oriental antigo)

"Um em tudo
O tudo em Um.
Se apenas isto por compreendido
Não te preocupes mais com tua imperfeição."
(Seng Tsan)

"De uma determinada geração de homens e mulheres bem poucos alcançam a finalidade suprema da vida humana. A oportunidade de chegar ao conhecimento unitivo será , de uma forma ou de outra, oferecida, até que todos os seres humanos compreendam, de fato, quem eles são." (Aldous Huxley)

4.1 A Psicologia Transpessoal

O desenvolvimento da psicologia humanista, na década de sessenta, afirma Capra (1993), com sua ênfase sobre a auto-realização, gerou um novo movimento que tratava dos aspectos espirituais, transcendentes ou místicos da auto-realização. Este movimento foi denominado "Psicologia Transpessoal".

Como seus interesses aproximam-se das tradições espirituais, muitos psicólogos que aderiram a esse movimento, trabalham em sistemas conceituais que pretendem unir e integrar a psicologia na busca espiritual.

No nível transpessoal, conforme este autor:

"(...) o objetivo da terapia é ajudar os pacientes a integrar suas experiências transpessoais com suas formas ordinárias de consciência no processo de crescimento interior e desenvolvimento espiritual." (p.373)

Os modelos conceituais que se ocupam do domínio transpessoal, segundo este autor, incluem a psicologia analítica de Jung, a psicologia do ser de Maslov, e a psicossíntese de Assagioli.

Segundo Capra (1993), ao romper com Freud, Jung abandonou os modelos newtonianos de psicanálise e desenvolveu numerosos conceitos que são inteiramente compatíveis com os da física moderna e da teoria geral dos sistemas. Revela que Jung estava consciente dessas semelhanças pois mantinha contato estreito com muitos dos mais eminentes físicos de seu tempo.

Este mesmo autor destaca as diferenças entre as concepções de Freud e Jung. Aponta que a teoria freudiana da mente baseava-se no conceito do organismo humano como uma complexa má quina biológica, onde a vida mental, na saúde e na doença, refletia a interação de forças instintivas no interior do organismo e seus choques com o mundo exterior. Assinala que apesar das concepções de Freud sobre a dinâmica destes fenômenos terem mudado com o tempo, este nunca abandonou sua orientação cartesiana básica. Jung, no entanto, comenta o autor, não estava interessado em explicar os fenômenos psicológicos em termos de mecanismos específicos, mas tentou, diferentemente, compreender a psique em sua totalidade, especialmente suas relações com o meio ambiente mais vasto.

Conforme Capra (1993), Jung via a psique como um sistema dinâmico auto-regulador, caracterizado por flutuações entre pólos opostos, tendo usado o termo "libido" para descrever sua dinâmica, porém dando-lhe um significado muito diferente de Freud. Acrescentando que, para Freud, "libido" era um impulso instintivo intimamente ligado à sexualidade, com propriedades semelhantes às de uma força na mecânica newtoniana, enquanto Jung concebeu a libido como uma "energia psíquica" geral, considerando-a uma manifestação da dinâmica básica da vida.

Constata o autor, no entanto, que a diferença fundamental entre as psicologias de Freud e de Jung está em suas respectivas concepções do inconsciente.

Observa que o inconsciente para Freud era predominantemente de natureza pessoal, contendo elementos que nunca foram conscientes e outros que foram esquecidos ou reprimidos. Por seu lado, Jung reconheceu essa posição mas considerava o inconsciente muito mais do que isso. Para ele, o inconsciente era a própria fonte da consciência, sendo que já existe ao nascer. Grof (1987) esclarece que para Jung o inconsciente não era um depósito psicobiológico de tendências instintivas rejeitadas, memórias reprimidas e proibições assimiladas subconscientemente, como pensava Freud, mas o via como um princípio criativo e inteligente, ligando o indivíduo a toda a humanidade, à natureza e a todo o cosmos.

Ressalta que, através da análise de seus próprio sonhos e dos sonhos e fantasias de seus pacientes, Jung descobriu que estes contém imagens e motivos que podem ser encontrados nos mais diversos pontos da terra assim como em diferentes períodos da história da humanidade.

Desta forma suas observações o levaram a concluir que há um inconsciente coletivo, além do inconsciente individual, que é comum a toda a humanidade. O conceito de inconsciente coletivo, complementa, propõe um vínculo entre o indivíduo e a humanidade como um todo, envolvendo padrões formados pelas experiências remotas da humanidade, que refletem-se em sonhos assim como nos motivos universais de mitos e contos de fada no mundo inteiro.

Franz (s.d.) afirma que os conceitos de inconsciente coletivo e arquétipos de Jung sofreram muitas interpretações errôneas. Ela esclarece que na concepção de Jung, os arquétipos são os dinamismos inconscientes por trás das representações coletivas conscientes, acrescentando que eles a produzem, mas não são idênticas a elas. Revela também que Jung enfatizou que os arquétipos são estruturas que só podem ser isoladas de modo relativo pois se interpenetram num grau extraordinário, sendo possível na prática estabelecer associações de sentido, de motivo e de identidade entre todos os símbolos arquetípicos, mas que uma delimitação racional de certos motivos é arbitrária.

Segundo Fadimam e Frager (1979) o conceito de inconsciente coletivo constitui uma das maiores contribuições da obra de Jung à Psicologia.

Acrescentam que Jung dedicou-se ao estudo das antigas tradições ocidentais e orientais sendo que estas últimas lhe forneceram a primeira confirmação exterior de muitas de suas próprias idéias, especialmente do seu conceito de individuação.

Os mesmos autores apontam que:

"Jung descobriu que as descrições orientais do crescimento espiritual, do desenvolvimento psíquico e da integração, correspondem rigorosamente ao processo de individuação que ele observou em seus pacientes ocidentais." (p.46)

No entanto preocupou-se em apontar importantes diferenças entre os caminhos de individuação oriental e ocidental, pois reconhece que a estrutura social e cultural onde o processo ocorre, é muito diferente no Oriente e no Ocidente.

Conforme Hall (1981), Jung enfatizou que o alvo da vida é a individuação, e que segundo ele, a individuação é a manifestação, na vida, do potencial inato e congênito da pessoa. Acentua que a individuação é mais uma busca do que um alvo e que, o ego neste processo, alcança, repetidas vezes, pontos nos quais deve transcender a imagem que fazia de si mesmo até então. Revela, por isso, que é uma experiência dolorosa. Este autor afirma que muitos sintomas neuróticos são causados pela tentativa do ego no sentido de recuar diante de um desenvolvimento necessário no processo de individuação, e que Jung propunha que o sujeito "vivenciasse" seu conflito interno até chegar a uma solução, não apenas lidando com os sintomas no sentido de eliminá-los. Isso pressupõe, acrescenta ele, que a pessoa "participe" do seu sofrimento, ao invés de ser uma vítima passiva.

Revela ainda este autor que a individuação descreve "o processo pelo qual as potencialidades de uma psique particular se manifestam no curso de uma história de vida." (1988, p. 64)

Outro importante conceito desenvolvido por Jung foi o se "sincronicidade". Consiste segundo Franz (s.d.) numa conexão entre um evento interior (sonho, fantasia, pressentimento) e um evento exterior, que não é considerado causal, ou seja, de causa e efeito, mas antes de uma relativa simultaneidade, apresentando-se ambos os eventos um mesmo significado para o indivíduo que passa pela experiência.

O princípio da sincronicidade, conforme Jaffé (1988), tornou possível a classificação científica e a compreensão de numerosos fenômenos até então inexplicáveis. Com base nesses conhecimentos, afirma, a parapsicologia passou a ser a ponte entre a psicologia do inconsciente e a microfísica.

Jaffé (1988) revela que para Jung, a parapsicologia não era apenas objeto de pesquisa científica, experiências e teoria, já que sua própria vida era rica de experiências pessoais no domínio dos fenômenos espontâneos e acausais ou misteriosos.

No entanto, afirma ela, os fenômenos ocultos revelados em certas ocorrências acausais, as percepções extra-sensoriais, consistiram para Jung, motivo de grande interesse. J. B. Rhine comprovou estatisticamente através de experiências, que o homem possui a faculdade paranormal de ter percepções extra-sensoriais (ESP). A partir daí, Jung apoiou-se amplamente nos resultados positivos das pesquisas de Rhine. Acrescenta ainda a autora que a principal objeção à sustentação científica dos fenômenos parapsicológicos baseia-se na impossibilidade da explicação causal, sendo que para o homem ocidental é uma dificuldade quase insuperável abandonar a categoria da causalidade - válida como absoluta desde Descartes - e aceitar a realidade das relações acausais.

Entretanto, acrescenta esta autora, Jung constatou que em determinadas circunstâncias há necessidade de recorrer à outro princípio elucidativo, no caso a sincronicidade.

Atualmente, este ponto de vista parece estar sendo confirmado por numerosas conquistas na física.

Grof (1987), acredita que a contribuição fundamental de Jung para a psicoterapia foi seu reconhecimento das dimensões espirituais da psique e suas descobertas nos campos transpessoais. Revela ainda que o material resultante das inúmeras pesquisas psicodélicas que realizou, sustenta a existência do inconsciente coletivo, da dinâmica das estruturas arquetípicas, da compreensão junguiana da natureza da libido, da distinção feita por Jung entre ego e self, do reconhecimento da função criativa do inconsciente, do processo da individuação e da sincronicidade. Ressalta que as diferenças encontradas nos conceitos junguianos em relação às suas experiências psicodélicas são relativamente poucas, se comparadas com as similaridades ou concordâncias.

Segundo Grof (1987) cabe a Maslow o crédito pela primeira formulação explícita dos princípios da psicologia transpessoal.

Uma de suas grandes contribuições, destaca este autor, foi seu estudo sobre indivíduos que tiveram espontaneamente, experiências místicas ou de "pico". Refere o autor que na psicoterapia tradicional, experiências místicas de qualquer tipo são consideradas sérias psicopatologias, e encaradas como processo psicótico. Porém revela que Maslow, em seu estudo, demonstrou que as pessoas que tiveram experiências espontâneas de "pico" beneficiavam-se delas com freqüência e mostravam uma clara tendência para a auto-realização. A partir desse fato delineou os fundamentos de uma nova psicologia.

Conforme Frick (1973) Maslow propunha uma ciência menos preocupada com a tecnologia e a an lise reducionista e mais comprometida com uma concepção holista, funcional e dinâmica. Revela que Maslow chamou este enfoque de "ponto de vista holista-dinâmico".

Outro sistema de psicologia a ser abordado aqui é a "psicossíntese", desenvolvido pelo psiquiatra italiano Assagioli.

A psicossíntese constitui, conforme Grof (1987), uma nova técnica de terapia e auto-exploração, cujo sistema conceitual é fundamentado na suposição de que o indivíduo está em um constante processo de crescimento, atualizando seu potencial oculto. Focaliza os elementos positivos e criativos da natureza humana e acentua a importância funcional da vontade.

O processo terapêutico da psicossíntese, resume o referido autor, envolve quatro estágios consecutivos. Primeiramente o cliente toma conhecimento de v rios elementos de sua personalidade. O passo seguinte é a desidentificação com esses elementos e a tentativa de controlá-los. Após descobrir gradualmente seu centro psicológico unificado, é possível ao cliente a realização total da psicossíntese, que se caracteriza pela culminância do processo de auto-realização e integração dos "eus" à volta do novo centro.

Conforme Assagioli (1982), entretanto, os vários estágios do processo da psicossíntese estão intimamente inter-relacionados e não precisam ser seguidos numa estrita sucessão de fases ou períodos distintos. O processo pode ser iniciado em vários pontos simultaneamente e os diferentes métodos podem ser criteriosamente alternados de acordo com as circunstâncias e as condições internas.

De acordo com Assagioli (1982, p. 43), a psicossíntese é ou pode tornar-se:

"Um método de desenvolvimento psicológico e de auto-realização para aqueles que se recusam a permanecer escravos de seus próprios fantasmas interiores ou de influências externas, que se recusam a submeter-se passivamente ao jogo de forças psicológicas em curso dentro dela, e que estão determinados a tornarem-se os senhores de suas próprias vidas."

O modelo descrito por Assagioli, aproxima-se bastante das concepções junguianas.

É preciso fazer referência, ainda, ao trabalho desenvolvido por Pierre Weil, psicólogo e estudioso da Psicologia Transpessoal.

Segundo Weil (1991), a Psicologia Transpessoal, como um ramo da psicologia especializada no estudo dos estados de consciência, lida especialmente com a "experiência cósmica", "ou os estados ditos superiores" ou "ampliados" da consciência, que consistem na entrada numa dimensão fora da do espaço-tempo tal como se percebe pelos cinco sentidos. Trata-se, portanto, de uma ampliação da consciência comum que leva a uma realidade que se aproxima muito dos conceitos da física moderna.

Weil (1979), procura definir os diferentes estados de consciência existentes.

Refere que Tart definiu um estado de consciência como um sistema feito de subsistemas e estruturas sendo que, como sistema, um estado de consciência é um conjunto de eventos energéticos.

Este autor cita como exemplo que no estado de consciência de vigília, percebemos um pedra com sua cor acinzentada, suas nuanças, sua forma e textura. No estado de consciência cósmica, percebemos a estrutura atômica e energética desta pedra e podemos, inclusive, "viajar" dentro dela até nos confundirmos com a mesma, quando desapareceria a diferença observador e objeto observado. Conclui que em cada estado de consciência percebemos a mesma realidade de modo diferente, mas nem por isto mais ou menos verdadeiros.

Os principais estados de consciência que são conhecidos atualmente, segundo a descrição do referido autor são:

1 - Estado de consciência de sono profundo (sem sonhos): Registro no eletroencefalograma de ondas delta, extremamente lentas, abaixo de quatro ciclos por segundo. Os olhos ficam imóveis. Desaparece o mundo do ego (mente, emoções, os cinco sentidos), da dualidade, da tridimensionalidade do tempo e do espaço. A consciência forma uma unidade com a consciência universal ou cósmica.

2 - Estado de consciência de sonho

3 - Estado de consciência de devaneios: Estado intermediário entre o de vigília e o de sonho. Neste estado surgem as idéias criativas. A atenção é difusa e há receptividade. O eletroencefalograma registra uma predominância de ondas alfa, de 9 a 13 ciclos por segundo.

4 - Estado de consciência de vigília: Mais comum e mais conhecido de todos. Estado de consciência que nos encontramos quando estamos acordados, pensando, trabalhando, etc. No registro eletroencefalográfico, aparecem ondas beta, de freqüência bastante rápida, de 14 a 26 ciclos por segundo).

5 - Estado de despertar: Estado intermediário entre a consciência cósmica e a consciência individual no seu estado de vigília. O campo da consciência se amplifica. A concentração em estado de relaxamento profundo e a meditação são os instrumentos ideais para penetrar neste estado.

6 - Estados transpessoal ou de consciência cósmica: Resultante de uma integração do estado de consciência de sono profundo no de sonho, devaneio e vigília. Quanto mais expandida a consciência, tanto menor a freqüência das ondas do cérebro.

7 - Outros estados de consciência: Recebem outras denominações por serem induzidos de fora (por drogas, pela ação direta de outra pessoa, etc.). Estão dentro das faixas dos estados de consciência descritos.

Sendo a "consciência cósmica" o objeto essencial da Psicologia Transpessoal é necessário definir esse termo, a fim de explicitar o que ele representa.

A "consciência cósmica", segundo Weil (1989):

"(...) traduz uma experiência em que determinadas pessoas percebem a unidade do Cosmos e se percebem dentro dela (e não fora, como muitos poderiam imaginar); a experiência é acompanhada de sentimentos de profunda paz, plenitude, amor a todos os seres. Compreende-se de um relance o funcionamento e a razão de ser dos Universos, a relatividade das três dimensões do tempo e do espaço, a insignificância e ilusão do mundo em que vivemos, os erros monumentais cometidos por muitos seres humanos; uma iluminação acompanha muitas destas percepções. A morte é vista apenas como uma passagem para outra espécie de existência e o medo dela desaparece totalmente. Ela pode ser e é, em geral, o resultado de uma longa e lenta evolução; às vezes, no entanto, ela constitui o início de uma profunda transformação no sentido dos valores mais elevados da humanidade; neste último caso ela acontece em momento inesperado." (p.19)

Tabone (1988) refere que:

"Dentro da perspectiva da psicoterapia transpessoal é reconhecido o potencial humano para experimentar uma ampla gama de "estados alterados de consciência". Estes estados, que muitas vezes implicam uma expansão de identidade, são vistos como potencialmente úteis, saudáveis e provavelmente como tendo funções específicas." (p.104)

A psicoterapia transpessoal, afirma esta autora, "tem sido profundamente influenciada pelo Budismo, um dos mais antigos sistemas médico-filosóficos conhecidos, cujo conteúdo ético, religioso e espiritual é de grande profundidade." (p.105)

A psicologia budista, destaca, é vista como um suporte capaz de auxiliar o homem em sua busca do significado da vida e compreensão de si mesmo, da mente e da natureza da experiência.

Acrescenta que os psicólogos transpessoais estão buscando os ensinamentos espirituais e a sabedoria oriental. A abordagem transpessoal visa a integração de tais conhecimentos com a visão científica da psicologia ocidental, com o objetivo de desenvolver uma nova ciência e um novo modo de viver.

Jung (1983) revela que o ocidente possui uma tendência extrovertida e o oriente uma tendência introvertida. Por isso possuem uma característica complementar. Afirma que:

"No oriente o homem interior sempre exerceu sobre o homem exterior um poder de tal natureza que o mundo nunca teve oportunidade de separá -lo de suas raízes profundas. No ocidente, pelo contrário, o homem exterior sempre esteve de tal modo no primeiro plano, que se alienou de sua essência mais íntima." (p.498)

Assinala que ambos são unilaterais, o primeiro subestimando o mundo da consciência reflexa e o segundo, o mundo do espírito uno.

Com essa atitude extrema, afirma, ambos perdem metade do Universo e sua vida separa-se da realidade total.

Ao constatar que o homem ocidental tomou conhecimento da maneira de pensar do oriental, ao invés de aprendermos decór as técnicas espirituais do oriente e tentar imitá-las numa atitude forçada, deveríamos antes procurar ver se não existe no inconsciente uma tendência introvertida que se assemelhe ao princípio espiritual básico do Oriente.

Esta posição decorre do fato de ele reconhecer as diferenças fundamentais entre um e outro pólo, oriental e ocidental, e entender que deve haver uma busca de complementação, não uma inversão total de valores. Este também é o pensamento da Capra (1983) quando reconhece que não podemos adotar as tradições espiritualistas orientais no Ocidente sem, alterá-las em muitos aspectos importantes, para adaptá-las à nossa cultura.

A Psicologia Transpessoal, segundo Tabone (1988), considerando sua visão integradora do homem, do Universo e desta relação entre ambos, busca a união da moderna pesquisa científica da consciência com a tradição esotérica do mundo ocidental e oriental.

De acordo com esta autora os conceitos da psicoterapia transpessoal fundamentam-se na visão holística da realidade e correspondem às necessidades culturais e científicas do novo paradigma. O homem é visto como um sistema ou totalidade cuja estrutura específica emerge da interação dos níveis da consciência - físico, emocional, mental, existencial e espiritual - interligados e interdependentes.

O objetivo desses sistemas voltados para o nível transpessoal, observa Tabone (1988) é:

"Expandir a consciência e direcionar o processo de crescimento interior ou desenvolvimento espiritual rumo à consciência unitiva. Eles são indicados para as pessoas que intuem a totalidade e estão conscientizadas quanto às limitações da identificação exclusiva como o nível egóico." (p.170)

Conforme Capra (1991) a nova psicologia que surge, compatível com a visão sistêmica de vida (que vê o mundo em termos de relações e de integração) e que se harmoniza com as concepções defendidas pelas tradições espirituais, ainda não é uma teoria completa, desenvolvendo-se até agora na forma de modelos, idéias e técnicas terapêuticas pouco interligadas.

Este autor acredita que a nova psicologia tem uma perspectiva holística e dinâmica, considerando o organismo humano um todo integrado que envolve padrões físicos e psicológicos interdependentes.

Afirma ele que o foco da psicologia está se transferindo agora das estruturas psicológicas para os processos subjacentes, sendo a psique humana vista como um sistema dinâmico que envolve uma variedade de funções.

Ressalta este autor como uma grande conquista da psicologia contemporânea, uma adaptação da abordagem bootstrap à compreensão da psique humana. De acordo com essa abordagem, afirma, pode não haver uma teoria capaz de explicar o espectro total de fenômenos psicológicos, e tal como os físicos, os psicólogos terão que se contentar com uma rede de modelos interligados, usando diferentes linguagens para descrever distintos aspectos e níveis de realidade.

CONCLUSÃO

A partir da constatação da inadequação da ciência mecanicista para explicar certos fenômenos da física atômica e subatômica, revelou-se a necessidade da busca de um novo paradigma.

Com a mudança nos conceitos de realidade ocasionadas pela Física moderna, começa a surgir uma nova e consistente visão de mundo, que pode ser qualificada como orgânica, holística e ecológica.

O Universo passa a ser visto como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas, sendo entendidas dentro de um processo cósmico. Esta visão é compartilhada pelos místicos orientais, e uma identificação dos paralelismos entre a Física moderna e as concepções das tradições orientais foi realizada por Capra.

Essas similaridades, no entanto, que decorrem da metafísica da Física quântica, revelam apenas que as duas abordagens são complementares, uma vez que o físico experimenta o mundo através da mente racional e o místico da mente intuitiva. Como suas visões são convergentes, apesar da aparente falta de relação entre ambas, é necessário buscar não uma síntese, mas uma interação dinâmica entre a intuição mística e a análise científica. Assim, encontraremos um ponto de equilíbrio.

É preciso ressaltar que a nova concepção de Universo que surge não desqualifica a física newtoniana, mesmo porque os problemas surgem da aplicação da visão de mundo mecanicista e não da aplicação da física newtoniana.

Além disso, uma mudança de paradigma significa, essencialmente, que a abordagem anterior era limitada e não falsa. A ciência moderna demonstra, inclusive, que todas as teorias científicas são aproximações da verdadeira natureza da realidade.

Com relação às limitações impostas pelo paradigma mecanicista às diferentes áreas do conhecimento, acredito, como Capra, que cada ciência terá que identificar essas restrições em seu respectivo contexto.

Uma questão que decorre diretamente do modelo científico tradicional, reducionista, é a impossibilidade da formulação de enunciados científicos nas pesquisas da consciência em Psicologia. A ciência clássica está associada somente aos enunciados quantitativos e à medição, e a crítica que se faz é que ela é incapaz de lidar com a experiência, a qualidade ou os valores e, portanto, inadequada para compreender a natureza da consciência, uma experiência central do nosso mundo interior. Impõe-se, portanto, uma redefinição do conceito de ciência a fim de possibilitar o avanço da Psicologia, assim como de outros campos do conhecimento.

A teoria quântica já revelou o papel crucial da consciência do observador no processo de observação, descartando a tradicional idéia de uma descrição objetiva da natureza.

Na Psicologia, a ciência mecanicista não é apropriada ao estudo da pessoa global. É necessária, portanto, uma ciência baseada na experiência e na qualidade, de caráter complementar a abordagem já existente, que possibilite atingir a compreensão global da pessoa.

A visão de mundo holística, que enfatiza o todo em vez das partes, constitui o aspecto central do novo paradigma.

Comentei neste trabalho sobre as teorias psicológicas que apresentaram contribuições para uma compreensão mais global do ser humano, em reação às concepções existentes nas quais predominava a abordagem newtoniana.

Esses novos conceitos procuraram mostrar a relação indissociável mente-corpo, através do argumento de que o organismo é uma unidade integrada, de que o ser humano deve ser entendido como uma totalidade organizada, que busca espontaneamente o crescimento interior e a auto-realização.

Essas concepções culminaram no movimento transpessoal, que indo um pouco mais além, considera a dimensão espiritual do ser humano. As formulações psicológicas de Jung já consideravam as dimensões espirituais da psique.

Desta forma, a Psicologia Transpessoal ocupa-se com a expansão dos campos da pesquisa psicológica, incluindo os estudos dos estados de consciência, que possibilitam o conhecimento dos níveis que podem ser alcançados pelo homem, alguns dos quais estendem-se além dos limites usuais do ego e da personalidade.

O objetivo da expansão da consciência relaciona-se com o processo de crescimento interior, com o desenvolvimento espiritual em direção à unidade.

A abordagem transpessoal constitui, portanto, uma ampliação das concepções psicológicas tradicionais. E como tem uma proposta holística, não descarta a perspectiva científica ocidental, mas procura integrá-la à visão das tradições místicas orientais, configurando, assim, uma interação de abordagens complementares em benefício do ser.

Contudo, quero ressaltar que acredito que o desenvolvimento da Psicologia Transpessoal nos colocar bem mais próximos de solucionar antigas questões, que aguardam uma formulação e um entendimento mais convincente e consistente, como por exemplo, a questão da doença mental (psicose). O conceito de saúde mental, a partir deste novo enfoque holista, igualmente dever ser reformulado ao considerar a capacidade do indivíduo para integrar em sua vida, suas experiências de natureza incomum.

Finalmente, gostaria de registrar que me sinto gratificada pela oportunidade de desenvolver este estudo sobre um tema com o qual me identifico e sobre o qual nem sequer ouvi referências em todos estes anos de formação acadêmica, o que é compreensível. Procurei, assim, preencher esta lacuna, embora de forma breve, ressaltando que me sinto satisfeita pela possibilidade de explorar um campo que restitui ao homem seu caráter integral, unindo intuição e razão.

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