sexta-feira, 9 de março de 2007

 

Entrevista com Michael Cremo [versão completa]

[Versão completa inglês-português da entrevista concedida a Paulo Stekel e publicada na edição nº 05 (março/2007) da Revista Horizonte - Leitura Holística]


Tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho do Sr. Michael Cremo quando trabalhávamos em Brasília, junto a uma ONG espiritualista. Cremo é um daqueles raros pesquisadores que ousam desafiar o status quo e buscar a verdade sem limitações de dogma científico.
Nosso entrevistado tem viajado pelo mundo há decadas, procurando aquelas "provas" arqueológicas da origem do homem, especialmente aquelas que parecem não se encaixar na atual teoria da origem das espécies e do homem a partir de um tronco comum aos símios antropóides (chimpanzé, gorila, gibão, etc.).

Juntamente com o pesquisador Richard L. Thompson, Cremo escreveu o polêmico livro "Forbidden Archeology" [Arqueologia Proibida], que foi lançado no Brasil numa versão condensada chamada "A história secreta da raça humana", pela Editora Aleph, de São Paulo – SP [http://www.editoraaleph.com.br/home.htm]. Apresentaremos algumas matérias contendo trechos deste livro nas próximas edições. Este livro é praticamente o único material em português de Michael Cremo, que tem vindo ao Brasil com freqüência nos últimos anos.

MICHAEL A. CREMO é membro da History of Science Society, do World Archeological Congress, da Philosophy of Science Association e da European Association of Archaeologists, além de pesquisador de história e filosofia da ciência do Bhaktivedanta Institute. Sua persistente pesquisa, que durou 8 anos, culminou na publicação do livro em questão.

Quando solicitamos a entrevista ao Sr. Cremo, ele nos atendeu pronta e gentilmente e, uma vez enviadas as perguntas, nos respondeu no dia seguinte. Saltará aos olhos dos leitores que, antes de ser cientista, o Sr. Cremo é um espiritualista, ainda que sua formação científica pareça ser mais antiga. Ele tem buscado unir em sua visão de mundo as duas coisas: um conhecimento científico e uma sabedoria espiritual. Mas vamos à entrevista, pois ela fala por si mesma e nos remete a algumas reflexões importantes.
Logo abaixo, a íntegra da entrevista, em inglês e português:

1) According to your heterodox researches, what is your thinking about nature of reality? Is it possible a consensus about this nature?
(De acordo com suas pesquisas heterodoxas, qual é seu pensamento sobre a natureza da realidade? É possível um consenso sobre esta natureza?)

Cremo: At certain points in history there are shifts in the dominant scientific views of the nature of reality. At the present moment, the dominant view is that humans are collections of molecules, consciousness is the temporary by product of biomolecular actions in the brain, and the universe is made of matter and material energy only. But that dominant view is now breaking up, and we will see over the next decades the emergence of a new consensus on the nature of reality. I see the new consensus including the views that humans are a combination of matter, subtle matter in the form of mind, and a pure conscious self that can exist apart from matter. We will see the cosmos as a multilevel cosmos, with one level dominated by ordinary matter, inhabited by beings adapted to conditions there (that is where we find ourselves now); with a second level dominated by subtle mental energies, inhabited by beings adapted to the conditions there (people have called them astral beings, gods, goddesses, angels, etc.); and finally a level of pure consciousness, or spirit, inhabited by beings adapted to the conditions there (ie. eternal conscioius beings and their Source). We will understand that we did not evolve up from matter, but that we have instead devolved, or come down, from that level of pure consciousness, or spirit. And our purpose is to go back to that original position of pure consciousness and live in love and harmony with the Source of all concious beings. One thing we notice about consciousness is that it is individual and personal. You have your consciousness and I have mine. That suggests to me that the original source of all conscious beings is also individual and personal. There are different names in different languages for that source of al conscious beings, just like there are different names for sun in different languages. But all the names point to the same thing. One nice Sanskrit names for the source of all conscious beings is Krishna, which means the source of spiritual pleasure.

(Em certos pontos na História há mudanças nas idéias científicas dominantes sobre a natureza da realidade. Até o presente momento, a idéia dominante é a de que os humanos são coleções de moléculas, a consciência é o temporário como produto de ações biomoleculares no cérebro e o universo é feito de matéria e energia material somente. Mas esta visão dominante está agora se dissolvendo, e veremos ao longo das próximas décadas o emergir de um novo consenso sobre a natureza da realidade. Vejo o novo consenso a incluir as idéias de que os humanos são uma combinação de matéria, matéria sutil na forma de mente e um Eu puro e consciente que pode existir à parte da matéria. Veremos o cosmo como um cosmo multinível, com um nível dominado pela matéria comum, habitado por seres adaptados àquelass condições (que é onde nos encontramos agora); com um segundo nível dominado por energias mentais sutis, habitado por seres adaptados àquelass condições (as pessoas os têm chamado de seres astrais, deuses, deusas, anjos, etc.); e finalmente um nível de consciência pura, ou espírito, habitado por seres adaptados àquelas condições (i.e. Seres de consciência eterna e sua Fonte). Compreenderemos que não evoluímos da matéria, mas que ao invés disso, fomos transferidos, ou decaímos, daquele nível de pura consciência ou espírito. E nosso propósito é voltar àquela posição original de consciência pura e viver em amor e harmonia com a Fonte de todos os seres conscientes. Uma coisa que notamos sobre a consciência é que ela é individual e pessoal. Você tem a sua consciência e eu tenho a minha. Isto me sugere que a origem de todos os seres conscientes é também individual e pessoal. Há diferentes nomes em diferentes línguas para esta fonte de todos os seres conscientes, assim como há diferentes nomes para o sol em línguas diferentes. Mas todos os nomes apontam para a mesma coisa. Um dos melhores nomes sânscritos para a origem de todos os seres conscientes é Krishna, que significa “a fonte do prazer espiritual”.)

2) What kind of connections are between your theories or ideas and the founder of Hare Krishna Movement's ideas, Swami Prabhupada?
(Que tipo de conexões há entre suas teorias ou idéias e as idéias do fundador do Movimento Hare Krishna, Swami Prabhupada?)

Cremo: In the early 1970s when I was a young man in my twenties, I became dissatisfied with the cultural and style of life in the United States. Of course, there are some good things there, but some things seemed to me not so good. So I left the country to find my own truths. Eventually my search for truth lead me to spiritual India and the teachings of His Divine Grace A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, who was the founder of the Hare Krishna movement. In 1976 I became his initiated disciple. Through him, I began studying key texts of Indian philosophy, especially the Bhagavad-gita and Shrimad-Bhagavatam. Before my studies of these works I had no reason to question the view of reality I had learned from my teachers in school and university. But after I read them, I understood there were other ways to see things.

(No começo dos anos de 1970, quando eu era um jovem em meus vinte anos, me tornei insatisfeito com a cultura e o estilo de vida nos Estados Unidos. Claro que há coisas boas ali, mas algumas coisas não me pareciam tão boas. Então, deixei o país para encontrar minhas próprias verdades. Finalmente, minha busca pela verdade guiou-me até a Índia espiritual e aos ensinamentos de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivendanta Swami Prabhupada, que foi o fundador do movimento Hare Krishna. Em 1976, tornei-me seu discípulo iniciado. Através dele, comecei estudando os textos chave da filosofia indiana, especialmente o Bhagavad-gita e o Shrimad-Bhagavatam. Antes de meus estudos destas obras eu não tinha razão para questionar a visão de realidade que aprendera de meus professores na escola e na universidade. Mas após tê-los lido, eu compreendi que havia outros modos de ver as coisas.)

3) You state that man exists since two billion years ago. Is it true? If it is true, how this fact is possible?
(Você afirma que o homem existe desde dois bilhões de anos atrás. É verdade? Se é verdade, como este fato é possível?)
Cremo: This information comes from the ancient Sanskrit texts, such as the Shrimad-Bhagavatam, which is also known as the Bhagavata Purana. The word purana means "history." So this historical work tells us that humans have existed for vast periods of cyclical time. The basic united of cyclical time in Indian cosmology is called the day of Brahma, or the kalpa. The day of Brahma lasts for about 4 billion years. It is followed by a night of Brahma, which also lasts for about 4 billion years. During the days of Brahma, life, including human life, is manifest. And during the nights of Brahma, life, including human life is dormant. According to the Indian cosmological calendar, the current day of Brahma began about two billion years ago. And the Bhagavata Purana informs us that humans and other forms of life were present at the beginning of the day of Brahma. For me, the statements of the Bhagavata Purana are enough to establish this, but there is also archaeological evidence in the form of human bones, human footprints, and human artifacts that go back hundreds of millions of years. Of course, as you go further back in time, the fossil remains become more and more scarce because of geological processes that have eliminated them. But there are some apparent human artifacts from South Africa, some grooved metallic spheres, that go back about 2 billion years.

(Esta informação vem dos antigos textos sânscritos, como o Shrimad-Bhagavatam, que é também conhecido como Bhagavata Purana. A palavra “purana” significa “história”. Portanto, esta obra histórica nos fala que os humanos têm existido por vastos períodos de tempo cíclico. A unidade básica de tempo cíclico em cosmologia indiana é chamada dia de Brahma ou Kalpa. O dia de Brahma dura cerca de 4 bilhões de anos. É seguido por uma noite de Brahma, que também dura cerca de 4 bilhões de anos. Durante os dias de Brahma a vida, incluindo a vida humana, é manifestada. E durante as noites de Brahma a vida, incluindoa a vida humana, é inativa. Conforme o calendário cosmológico indiano, o atual dia de Brahma começou há cerca de 2 bilhões de anos. E o Bhagavata Purana nos informa que os humanos e outras formas de vida estavam presentes no começo do dia de Brahma. Para mim, as afirmações do Bhagavata Purana são suficientes para estabelecer isso, mas também há evidência arqueológica na forma de ossos humanos, pegadas humanas e artefatos humanos que vão a centenas de milhões de anos. Claro, à medida que você vá mais atrás no tempo, os restos fósseis se tornam mais e mais escassos, por causa dos processos geológicos que os eliminam. Mas há alguns artefatos humanos visíveis do sul da África, algumas esferas metálicas entalhadas, que vão a cerca de 2 bilhões de anos.)

4) Do you think that man was born before apes in Earth?
(Você pensa que o homem nasceu antes dos macacos antropóides na terra?)
Cremo: According to the Shrimad Bhagavatam and other Sanskrit works, the first being in the material universe is the demigod named Brahma. From him come various god and goddesses called prajapatis, generators of population. Brahma and the prajapatis exist in the second level of the cosmos, the level dominated by subtle mental energies. By reproductive acts, the prajapatis produce the forms of bodies that we see on the terrestrial level of the cosmos, the different forms of humans, ape men, and apes, along with other kinds of animals and plants. These bodies are vehicles for conscious selves, souls. So I would say that the humanlike demigods come before the ordinary humans and apes. The ordinary humans and the apes, I believe, come into existence at about the same time.

(Conforme o Shrimad Bhagavatam e outras obras sânscritas, o primeiro ser no universo material é o semideus chamado Brahma. Dele vieram vários deuses e deusas chamados Prajapatis, geradores de população. Brahma e os prajapatis existem no segundo nível do cosmo, o nível dominado por energias mentais sutis. Através de atos reprodutivos, os Prajapatis produzem as formas corpóreas que nós vemos no nível terrestre do cosmo, as diferentes formas de humanos, homens-macaco e macacos, juntamente com outras espécies de animais e plantas. Estes corpos são veículos para eus conscientes, almas. Então, eu poderia dizer que os semideuses semelhantes aos humanos vieram antes dos humanos e macacos antropóides comuns. Os humanos e os macacos antropóides comuns, acredito, vieram à existência praticamente ao mesmo tempo.)

5) Do you know Helena Blavatsky's theory (explained in "The Secret Doctrine" - published in 1888), that states apes are a kind of "degeneration" of men from Atlantis? In this theory, man precedes apes.
(Você conhece a teoria de Helena Blavatsky (exposta em “A Doutrina Secreta” - publicada em 1888), que afirma que os macacos antropóides são uma espécie de “degeneração” dos homens da Atlântida? Nesta teoria, o homem precede os macacos antropóides.)

Cremo: I am familiar with the idea. I agree with some of Madame Blavatsky's ideas, but not all of them. As for this particular idea, I would not agree with it specifically. But I would say that the forms of human and apes are in a sense degenerated from the forms of the demigods, who have humanlike forms, but of a much higher energy level than our forms. In my book Human Devolution, I explain this idea in detail. We humans and other forms of life, are in reality conscious selves, souls, who have devolved, or come down, from our original position on the level of pure consciousness or spirit. And when that happened we became covered by bodies made of mind and matter. So you could call that a kind of degeneration.

(A idéia me é familiar. Concordo com algumas das idéias de Madame Blavatsky, mas não com todas elas. Quanto a esta idéia em particular, não poderia concordar com ela especificamente. Mas poderia dizer que as formas de humanos e macacos antropóides são, em certo sentido, degeneradas a partir das formas dos semideuses, que têm formas humanas, mas de um nível energético muito superior às nossas formas. Em meu livro “Human Devolution” eu exponho esta idéia em detalhes. Nós humanos e outras formas de vida, somos na realidade eus conscientes, almas, que fomos transferidos, ou caímos, de nossa posição original no nível da consciência pura ou espírito. E quando isso ocorreu, nós nos tornamos cobertos por corpos feitos de mente e matéria. Então, você poderia chamar isso de uma espécie de degeneração.)

6) Do you think that is possible to connect all data shown in your books about man's antiquity in a cohesive, coherent and convincing way? Could be some shown evidences, in fact, frauds, lacks of precision or ignorance from discovers of these evidences?
(Você acha possível conectar todos os dados mostrados em seus livros sobre a antigüidade do homem de um modo coeso, coerente e convincente? Algumas evidências mostradas poderiam ser, na verdade, fraudes, imprecisões ou ignorância dos descobridores destas evidências?)
Cremo: One could try to say that the discoveries I have documented in my books are all frauds or can be explained as mistakes made by the discoverers. That is possible. But for those who want to say that, they have to actually demonstrate that a particular case is a fraud, or that a mistake was made in a particular case. For example, I could say to you or any of the readers of this publication that it is possible that you are a murderer, or an embezzler, or some other kind of bad person. So, of course, it is possible. But to say such a thing without proof is not very good. So yes, it is possible, theoretically, that the cases I have mentioned are like that. But one has to keep in mind that the cases I have mentioned are for the most part discoveries made by professional scientists and they are reported in the professional scientific literature. And we find that the discoverers themselves considered the possibility of fraud and ruled it out, and considered various possibilities of error, and ruled them out, quite convincingly. Still they could be wrong. But it is not enough to say that "maybe there was fraud, or maybe there was some mistake." You actually have to show that in a particular case, there was fraud, that in a particular case there was a mistake. Otherwise, you could say about all archeological evidence, including the evidence that supports the current theories, that there could be some fraud, some mistake. Yes, there could be. But was there really some fraud, really some mistake? It is up to you to show that there was. Until you do that, the evidence stands.

(Alguém poderia tentar dizer que as descobertas que tenho documentado em meus livros são todas fraudes ou podem ser explicadas como erros cometidos pelos descobridores. É possível. Mas para os que queiram dizer isso, terão que realmente demonstrar que um caso particular é uma fraude, ou que um erro foi cometido em um caso particular. Por exemplo, eu poderia dizer-lhe ou a algum dos leitores desta publicação que é possível que você seja um assassino, ou um estelionatário, ou algum outro tipo de má pessoa. Então, é claro, é possível. Mas dizer tal coisa sem prova não é muito bom. Então, sim, é possível, teoricamente, que os casos que tenho mencionado sejam deste tipo. Mas se tem que deixar em mente que os casos que tenho mencionado são, a maior parte, descobertas feitas por cientistas profissionais e eles estão noticiados na literatura científica profissional. E achamos que os próprios descobridores consideraram a possibilidade de fraude e a excluíram, e consideraram várias possibilidades de erro, e as excluíram, um tanto convincentemente. Ainda poderiam estar errados. Mas não é suficiente dizer que “talvez fosse uma fraude ou talvez fosse algum erro”. Você realmente tem que mostrar que em um caso particular houve fraude, que em um caso particular houve um erro. Do contrário, você poderia dizer a respeito de todas as evidências arqueológicas, inclusive a evidência que apóia as teorias atuais, que poderia haver alguma fraude, algum erro. Sim, poderia haver. Mas haveria realmente alguma fraude, algum erro? Cabe a você demonstrar que houve. Até que você o faça, as evidências permanecem.)

7) What is the posture from academic archeologists about your theories?
(Qual é a postura dos arqueólogos acadêmicos sobre suas teorias?)

Cremo: There are three main reactions from three groups. The first group I call the fundamentalists evolutionists. This group supports the Darwinian theory of evolution for reasons that go beyond scientific reasons. It is a kind of ideology for them. Of course, my works contradicts the Darwinian theory of human evolution. So this group does not like me very much. They do not want to hear me, and they do not want others to hear me. They are a minority in the world of science, but a very vocal and influential minority. Among archeologists and other scientists there is a second group, which is larger, and more openminded. They support the theory of evolution for more or less scientific reasons. They think it best explains the evidence. But they are willing to consider the possibility that theory might be wrong. So this group has been willing to give me a respectful hearing. I have been invited to give lectures about my work at some leading scientific institutions around the world, such as the Royal Institution in London and the Russian Academy of Sciences in Moscow. I have also been invited to give papers at the meetings of the World Archaeological Congress and the European Association of Archeologists. And I have also been invited to give lectures at universities around the world. That is good, because if ideas are going to change, the first thing necessary is for scientists to be willing to hear a new idea. And many of them are willing. Among those who do hear me are the third group, those who come to agree with me. Of course, at the present moment, they are few in number, but that is how these things work.

(Há três reações principais de três grupos. Ao primeiro grupo chamo os fundamentalistas evolucionistas. Este grupo apóa a teoria darwinista da evoluçao por razões que vão além de razões científicas. É uma espécie de ideologia para eles. É claro que minhas obras contradizem a teoria darwinista da evolução humana. Então este grupo não me quer muito bem. Eles não querem me ouvir, e não querem que outros me ouçam. Eles são uma minoria no mundo da ciência, mas uma minoria muito veemente e influente. No meio de arqueólogos e outros cientistas há um segundo grupo, que é maior e de mente mais aberta. Eles apóiam a teoria de evolução por razões mais ou menos científicas. Eles a acham melhor para explicar a evidência. Mas eles estão dispostos a considerar a possibilidade de que a teoria possa estar errada. Então, este grupo tem estado disposto a me dar uma audiência respeitosa. Tenho sido convidado a dar palestras sobre minha obra em algumas das principais instituições científicas do mundo, como a Royal Institution, em Londres, e a Academia de Ciências da Rússia, em Moscou. Também tenho sido convidado a fornecer artigos em encontros do Congresso Arqueológico Mundial e da Associação Européia de Arqueólogos. E também tenho sido convidado a palestrar em universidades pelo mundo. Isso é bom, porque se idéias estão por mudar, a primeira coisa necessária é os cientistas estarem dispostos a ouvir uma nova idéia. E muitos deles estão dispostos. Entre os que me escutam estão os do terceiro grupo, aqueles que chegam a concordar comigo. Claro que até agora eles são poucos em número, mas é como estas coisas funcionam.)

8) You have coming frequently to Brazil last years. Including, you published your books here. What your brazilian readers think about your heterodox point-of-view in archeology?
(Você tem vindo com freqüência ao Brasil nos últimos anos. Inclusive, você publicou seus livros aqui. O que seus leitores brasileiros pensam sobre seu ponto de vista heterodoxo em arqueologia?)

Cremo: Brazilians have given me a very good welcome. One of my books has been published here: A Historia Secreta da Raca Humana by Aleph publishing company, Sao Paulo. On my author tours, arranged by my publisher and members of the Hare Krishna movement, I have visited most of the big cities in Brazil, including Sao Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Recife, Fortaleza, Belem, Manaus, Porto Alegre, Florianopolis, Belo Horizonte, and Brasilia. In each city, I spoke at universities. In each city, I had author events at the major bookstores. In each city, I had interviews with reporters, mostly newspaper reporters, but also many television reporters. The newspaper articles were all very big and very favorable. I have to say I like the country very much. I like the food (the vegetarian things!), I like the people.

(Os brasileiros têm me dado ótimas boas vindas. Um de meus livros foi publicado aí: “A História Secreta da Raca Humana”, pela Editora Aleph, São Paulo. Em minhas excursões de lançamento, organizadas por meu editor e membros do movimento Hare Krishna, visitei as maiores cidades do Brasil, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte e Brasília. Em cada cidade falei em universidades. Em cada cidade tive eventos de lançamento nas maiores livrarias. Em cada cidade tive entrevistas com repórteres, principalmente repórteres de jornais, mas também alguns repórteres de televisão. Os artigos de jornal foram todos muito extensos e muito favoráveis. Tenho a dizer que gostei muito do país. Gostei da comida (as coisas vegetarianas!). Gostei das pessoas.)

9) How we can differ your work from work of other heterodox researchers, like Erich von Däniken and Zecharia Sitchin, for example? Do you believe in extraterrestrial interference in Earth's past time or not?
(Como podemos diferenciar seu trabalho do de outros pesquisadores heterodoxos, como Erich von Däniken e Zecharia Sitchin, por exemplo? Você acredita em interferência extraterrestre no passado da Terra ou não?)
Cremo: If anyone reads my books or comes to my lectures, you will see that I do not mention works of other researchers. My general philosophy is that it is best to just let people read my books and read the books of others and make their own comparisons and judgements. But if someone asks me directly a question like yours, then I do offer some reply. As far as Sitchin and von Daniken are concerned, I agree with them on some points and disagree with them on others. As for the major point of agreement, I would say we all agree on the idea that there are extraterrestrial forms of human or humanlike life and that they have been in contact with humans on earth. The ancient Sanskrit writings tell us that there are human forms of life on other planets, on other levels of our cosmos, and even in other universes. The ancient Sanskrit writings have many accounts of gods from higher levels visiting the earth, and humans from earth visiting the planets of the gods. Sometimes they use flying vehicles called vimanas for these travels. Sometimes they just use mystic powers. In one sense, we are all extraterrestials, because as conscious beings, as souls, we are not from this planet. We are ultimately from some spiritual planet that exists on the topmost level of the cosmos, the level of pure consciousness or spirit. And we are meant to return there. But to do it we have to change our consciousness. One way to do that is by chanting mantras. For example, everywhere I go in the world, I spend some time each day chanting the Hare Krishna mantra, because I find it gives my spiritual energy, it spiritualizes my consciousness, and keeps it at a high level.

(Se alguém ler meus livros ou vier a minhas palestras verá que não menciono trabalhos de outros pesquisadores. Minha filosofia geral é que o melhor é apenas deixar as pessoas lerem meus livros e ler os livros de outros e fazer suas próprias comparações e julgamentos. Mas se alguém me formula diretamente uma pergunta como a sua, então eu de fato ofereço alguma resposta. Até onde interessam Sitchin e von Däniken, eu concordo com eles em alguns pontos e discordo em outros. Quanto ao maior ponto de concordância, diria que todos concordamos com a idéia de que existem formas extraterrestres de vida humana ou semelhantes à humana e que elas tem estado em contato com os humanos na Terra. Os antigos escritos sânscritos nos dizem que há formas humanas de vida em outros planetas, em outros níveis de nosso cosmo, e até mesmo em outros universos. Os antigos escritos sânscritos têm muitos relatos de deuses de níveis superiores visitando a terra, e humanos da terra visitando os planetas dos deuses. Às vezes, eles usam veículos voadores chamados “vimanas” para estas viagens. Às vezes, eles só usam poderes místicos. Em um sentido, nós todos somos extraterrestres, porque como seres conscientes, como almas, não somos deste planeta. Somos, afinal de contas, de algum planeta espiritual no mais elevado nível do cosmo, o nível da pura consciência ou espírito. E estamos destinados a retornar para lá. Mas para fazer isso temos que mudar nossa consciência. Um modo de fazê-lo é cantando mantras. Por exemplo, em qualquer lugar que eu vá no mundo, gasto algum tempo a cada dia cantando o mantra Hare Krishna, porque eu acho que ele fornece minha energia espiritual, ele espiritualiza minha consciência e a mantém em um alto nível.)

10) We thank for your kindness in conceding this interview to Horizon - Holistic Reading magazine and we permit you end this interview with some words about the importance in knowing our true historical past:
(Agradecemos por sua gentileza em conceder esta entrevista à revista “Horizonte – Leitura Holística” e lhe damos a oportunidade de terminar esta entrevista com algumas palavras sobre a importância em conhecer nosso verdadeiro passado histórico:)

Cremo: This question of the true nature of our past influences our present and our future. The goals we set for ourselves, individually, and collectively, are determined by the answers we give to the fundamental questions "who am I?" and "where did I come from?" For the past 100 years, through their monopoly in the education system, the Darwinists have had the power in most countries to dictate to everyone the answers to those important questions. And they have been giving very materialistic answers. They tell us we are just purely material beings. It is therefore no surprise that our whole worldwide human civilization has become quite materialistic. Most people now believe that the main purpose of human life is to produce and consume more and more material things. And we compete for scarce material resources to do this. This results in environmental destruction, extreme inequalities in the distribution of wealth, wars, and other kinds of social conflict. What if we had a different answer to the fundamental question "where did we come from?" What if all our scientists and educators were telling us we are all beings of pure spirit who have all come from the same spiritual source? It would be a different kind of world, a different kind of culture. We would understand that beneath all the diferences of race, of nationality, etc., we are all spiritual beings from the same spiritual source. We would put less of our human energy into the processes of material production and consumption, and more energy into developing the resource of consciousenss, of spirit. It would be a more peaceful world, with less environmental destruction, and a higher level of culture and happiness for everyone. And we would make progress toward the real goal of human existence: returning to the spiritual world, where there is no birth, no death, no suffering, just eternity, knowledge, and ever increasing spiritual pleasure. My guru used to say it is time to go back to Godhead.

(Esta questão da verdadeira natureza de nosso passado influencia nosso presente e nosso futuro. Os objetivos que fixamos para nós mesmos, individual e coletivamente, são determinados pelas respostas que damos às perguntas fundamentais “quem eu sou?” e “de onde venho?”. Pelos últimos 100 anos, através de seu monopólio no sistema de educação, os Darwinistas têm tido o poder na maioria dos países para ditar a todos as respostas para estas importantes questões. E eles têm dado muitas respostas materialistas. Eles nos dizem que somos apenas seres puramente materiais. Por isso não surpreende que toda a nossa civilização humana mundial esteja se tornando bastante materialista. A maioria das pessoas agora crê que o principal propósito da vida humana é produzir e consumir mais e mais coisas materiais. E nós concorremos pelos escassos recursos materiais para fazê-las. Isto resulta em destruição ambiental, extremas desigualdades na distribuição de riquezas, guerras e outros tipos de conflito social. E se tivéssemos uma resposta diferente para a questão fundamental “de onde viemos”? E se todos os nossos cientistas e educadores nos dissessem que somos todos seres de espírito puro e que todos viemos da mesma fonte espiritual? Seria um tipo diferente de mundo, um diferente tipo de cultura. Compreenderíamos que por baixo de todas as diferenças de raça, de nacionalidade, etc., somos todos seres espirituais da mesma fonte espiritual. Nós colocaríamos menos nossa energia humana nos processos de produção e consumo material e mais energia no desenvolvimento do recurso da consciência, do espírito. Seria um mundo mais pacífico, com menos destruição ambiental, e um alto nível de cultura e felicidade para todos. E poderíamos progredir em direção ao objetivo real da existência humana: retornar ao mundo espiritual, onde não há nascimento, não há morte, não há sofrimento, apenas eternidade, conhecimento, e sempre um prazer espiritual crescente. Meu guru costumava dizer que é tempo de voltar para a Mente Divina.)

Thank you Mr. Cremo.

Fraternaly, Paulo Stekel (publisher)

 

Seja apenas uma vela!... [artigo completo]



Para todos os que desejam ou praticam um ideal de Fraternidade, de Compreensão, de Amor e de Paz .

Quando vivi na Índia assisti, uma noite, a algo insólito que me deslumbrou: a Festividade Hindu – o “Divali”, ou “Festa da Luz”.

Morava então em Pangim – Goa – numa casa térrea e numa rua estreita de um bairro onde o horizonte era limitado pelas casas próximas e, na noite da festa hindu do “Divali” (que eu jamais tinha visto e de que nunca tinha ouvido falar) cheguei acidentalmente à janela do meu quarto e fiquei estupefacto: o céu estava totalmente iluminado por um estranho e grande clarão róseo-amarelado, que se acendia por detrás das casas baixas, como se fosse um pôr-do-sol.

Olhei ao longo da rua e vi que havia nas janelas de uma e de outra casa uma profusão de pequenas velas acesas, assim como de lamparinas, e percebi, obviamente, que não eram elas que produziam, por si mesmas, aquele clarão luminoso na noite que, sem luar, seria escura.

Saí e fui observar, caminhando pelas ruas do bairro e dos bairros limítrofes, constatando que em cada rua havia geralmente muitas velas e lamparinas de óleo acesas nos parapeitos das janelas, assim como nos alpendres e nos muros de algumas casas térreas.

O que percebi, era surpreendente: cada vela ou lamparina dava uma pequena luz, fraca e trémula pela brisa da noite, que pouco iluminava em seu redor. Todavia, esses milhares de luzes anónimas e isoladas, dispersas por toda a cidade e sem importância individual, iluminavam feericamente a noite tranquila de Pangim, num clarão igual ao de muitos milhares de Watts. E de uma indescritível beleza. Era a festa da Luz contra a Treva.

Em mim, todavia, mais do que o singular aspecto luminoso, uma reflexão imediata sobre o fenómeno suscitou-me uma conclusão de natureza simbólica, a qual, alguns anos mais tarde, compreendi como sendo plenamente filosófica e mística: a de que também a “Luz” interna, singular, intrínseca à consciência de cada um de nós, sendo unida à “Luz” dos semelhantes, poderá aumentar a nossa pequena “Luz”, assim como as débeis luzes dos outros seres humanos, como se fôssemos todos espelhos uns dos outros.

E mais tarde soube que esta festa tradicional simbolizava uma mitológica vitória do Bem sobre o Mal; este representado pelo demónio Narkasur que, em forma de boneco, é queimado quando chega a meia-noite. Estes bonecos, por vezes de grandes dimensões, desfilam em transportes abertos, acompanhados ao som de ruidosos batimentos de tambores, pelos fiéis seguidores E as casas hindus são decoradas com frutas, doces e guloseimas, nas reuniões das famílias que caracterizam estas festas de cariz religioso.

Enquanto escrevo, evocando aquela longínqua noite de miríades de pequenas luzes dispersas, unidas numa só e grande luz, a memória traz-me o nome de Lewis Carrol e do seu livro, lido há muito, “Alice no outro lado do espelho”, onde o autor fala de um espelho mágico, através do qual a alma poderia passar para uma outra dimensão.

Ocorre também à minha memória uma antiga simbologia do espelho como reflexão da pureza e realidade das coisas, usada numa parábola do meu ex-Mestre Baghwan Shree Rajneesh, (Osho) em seu livro “O Segredo dos Segredos” – Vol. I – baseada numa transcendente e antiquíssima obra do Taoísmo – “O Segredo da Flor de Ouro”, de Carl Jung e Richard Wilhelm, manuscrito que este último, sinólogo, remeteu a Jung para que este escrevesse um comentário psicológico. (1)

Rajneesh baptizou-me em sânscrito como “Swami Anand Setu”, traduzindo para inglês o significado “Ponte para a Felicidade”, e ofereceu-me o colar de sementes alegórico desta condição. Sempre ironizei esse baptismo como sendo uma Ponte para a felicidade dos outros… Não a minha. Mas esse facto em nada alterou a minha anterior admiração por esse ecléctico Mestre.

Ao mesmo tempo em que escrevo, tudo se associa e concerta em minha consciência numa ideia simples, quase óbvia e, todavia, profunda: a existência de uma analogia entre a simbologia de lendas antigas (no Xintoísmo, por exemplo) que consideravam o espelho como algo mágico, e o facto de nos reflectirmos magicamente uns nos outros, através de diálogo e de troca de experiências, como se nós fôssemos espelhos.
Por palavras e gestos, quando solidários num ideal, intercambiamos valiosamente a consciência individual das coisas, do mundo e da vida, trocando conhecimento, dúvidas e certezas pessoais, quantas vezes aprendidas dolorosamente, enriquecendo-nos muito mais uns aos outros, interiormente.

No livro citado, Rajneesh conta que uma Imperatriz chinesa perguntou uma vez ao Mestre Fa Tsang se lhe poderia dar um exemplo simples e objectivo do inter-relacionamento de todas as coisas da Criação Universal, assim como destas com os seres viventes e também dos seres entre si.

O Mestre aceitou a tarefa. Colocou 8 espelhos numa sala, dispondo-os em locais correspondentes aos dos Pontos Cardeais e Colaterais. Depois colocou mais um espelho no tecto e outro no chão. Finalmente, suspendeu uma vela acesa no centro da sala, entre os espelhos.

A Imperatriz ficou maravilhada com o efeito do reflexo da chama da vela em cada um dos espelhos – efeito que Fa Tsang descreveu como sendo, simbolicamente, a Luz de Deus reflectida nas suas criaturas. Todavia, a Imperatriz perguntou-lhe como explicava o Mestre a interacção entre cada ser e os outros seres. O Mestre respondeu-lhe que a experiência, sendo ali estática e apenas próxima daquilo que é a Realidade, não mostrava nem o movimento constante e multidimensional nem a qualidade ilimitada do Universo. Mas chamou a atenção da Imperatriz para observar melhor, pois cada espelho reflectia, não apenas a chama da vela suspensa no centro da sala, mas também os reflexos da mesma chama em todos os outros espelhos, acabando cada um deles por conter um número infinito de reflexos da chama única da Unidade.

Terminando, o Mestre Fa Tsang tapou com um pano um desses espelhos, eliminando múltiplos reflexos da luz da vela nos outros, demonstrando assim à Imperatriz como qualquer uma das nossas acções neste mundo vai alterar e interferir no Todo Cósmico.

Voltando ao “Divali” e à parábola dos espelhos, imagine-se, se possível, naquela noite e na Índia iluminada por milhões de velas acesas, num país imenso, da mesma maneira que eu próprio tento imaginar o que seria este mundo se pudéssemos juntar e fazer reflectirem-se umas nas outras alguns milhões de “luzes” individuais, cada uma iluminando e multiplicando fraterna e amorosamente nelas a sua “Luz” interior. Cada qual expandindo a sua personalidade dotada de vivências e conhecimentos singulares, até mesmo de sentimentos únicos, e imbuída do desejo de unificação dos seus valores pessoais e de seus ideais. E emanando para os outros seres as elevadas vibrações devotadas à sua anónima busca de Deus, assim como seus íntimos desejos de maior compreensão e dádiva de Amor e de Paz.

A chama da vela tem um significado metafísico, místico mesmo, considerando-se o Fogo como um dos quatro grandes princípios da Natureza, definidos pelos filósofos pré-socráticos como substratos fundamentais do Universo. Mesmo pondo de lado a simbologia do Logos, em Heraclito, simbolizando a Luz Maior, o Fogo é o grande dissipador da Treva, analogamente afastando da nossa Mente, como “Luz”, a ignorância e permitindo o conhecimento.

É, pois, com esse Fogo e Luz simbólicos que o Homem adquire a percepção mais autêntica do Si mesmo, da importância da sua personalidade humana e da importância dos outros, no seu processo de sobrevivência e de transformação pessoal para a sua evolução. Com o Fogo alcança também o significado mais profundo da Criação e da contínua transformação das coisas, que lhe é inerente. Ele transmuta a natureza vibratória das coisas pela combustão e, por isso, sua luz significa a transformação, mais ou menos consciente, que todos vamos fazendo para atingir a meta final da evolução, ou Luz Maior.

Assim, cada um de nós é necessariamente apenas uma vela! Com “Luz” que se reflecte nos outros, partilhando com eles, e deles recebendo também sua “Luz”.

Se não tinha pensado nisto, é hora de fazer crescer em cada dia a sua chama e iluminar fraternalmente os que o cercam. Seja apenas uma vela, no seu caminho, mas torne a sua “Luz” sempre maior, reflectindo de dentro de si mesmo o Deus que concebe em seu coração e a perfeita réplica dele que você é. Então, não só O sentirá dentro de si como os outros O sentirão também. E, de alguma maneira, o mesmo Deus existente neles o tocará a si também.

Recordo, para finalizar, uma frase simbólica de Gary Zukav, em seu livro “A Dança dos Mestres Wu Li “ (2):
“No céu de Indra, dizem, há uma rede de pérolas dispostas de tal modo que, ao olhar-se para uma delas, se vêem todas as outras nela reflectidas.”

Notas:

(1) Editora Vozes – Petrópolis – RJ – Brasil
(2) ECE Editora – S. Paulo – Brasil

Este texto foi submetido a actual e ligeira revisão à publicação anterior inserida no romance do autor, “A Trajectória do Impensável”, Vol. I – publicado virtualmente na Editora Drica del Nero. – Direitos registados.

VÍTOR DE FIGUEIREDO FRC

quinta-feira, 8 de março de 2007

 

Entrevista concedida a www.levir.com.br


Acabo de conceder uma entrevista que será publicada em dois sites: www.levir.com.br e www.terraespiritual.org . Para os interessados em questões relativas às inscrições de Glozel, pirâmides da Bósnia e espiritualidade, aqui vai a entrevista completa:

1-Como você enveredou pela hierolinguística, que livros utilizou como autodidata e o que recomenda para quem deseja seguir suas pegadas (exemplo)...

Resposta: Tenho 36 anos e estudo Cabala desde os 14. Com 17 anos estudei com um poliglota gaúcho de origem judaica a língua hebraica. A partir daí, comecei a estudar outras línguas antigas através de gramáticas e dicionários, muitas vezes só disponíveis em inglês. Então, aprendi inglês e as línguas antigas que me interessavam (hebraico, aramaico, sânscrito, tibetano, iorubá, etc.). Atualmente estou estudando um pouco de sumério. Sempre busquei o sagrado ao estudar estas línguas e, exatamente por isso, acabei desenvolvendo o conceito de uma HIEROLINGÜÍSTICA, uma ciência para estudar as línguas e linguagens sagradas. É um modo de colocar em moldes mais científicos a lingüística comparada, a mitologia comparada e mesmo o estudo comparado das religiões, incentivado por Helena Blavatsky. As obras dela são meus livros de cabeceira desde meus 18 anos. Quanto ao que posso recomendar para quem deseja seguir o mesmo caminho, meu principal conselho é: estudem muito, com mente aberta e sem preconceitos. O preconceito embota a mente e cega a visão da realidade. Ele impede que vejamos verdades que podem estar bem na nossa frente. Como hoje o acesso à informação é bem maior do que quando comecei meus estudos, em 1984, podemos conseguir praticamente qualquer livro na internet, e muitas vezes gratuitamente. Contudo, apenas 10% deles está em português. Uns 20% já estão em espanhol. A esmagadora maioria está em inglês. Então, somos obrigados a estudar esta língua para poder ler materiais raros e indispensáveis ao estudo do sagrado.

2-Na tua opinião, os livros de Helena Blavatsky carecem de apoio quanto à história da Humanidade antiga ou do tempo da construção das pirâmides do Egito (mais de 70 mil anos)?

Resposta: Respondendo a segunda dúvida primeiro, é muito difícil que as pirâmides do Egito, mesmo a de Quéops, tenham mais de 70 mil anos. Não quero ser preconceituoso, mas realmente é difícil. Sou fã dos livros de Blavatsky, mas isso não me tornou um fanático, obcecado em provar que as obras dela não contêm erros, como se fossem "a Bíblia da Teosofia". Não vejo Teosofia como uma doutrina, mas como a Sabedoria Eterna da Mente Divina. Sua visão distorcida como "doutrina", como um "teosofismo", que foi muito criticado por René Guénon, para mim não é Teosofia verdadeira. É um pálido eco - e deturpado - do que ela seja realmente. Os escritos de Besant e Leadbeater parecem ser os maiores responsáveis pela divulgação deste equívoco. Mesmo assim, gosto dos livros deles. Mas, como disse, não sou um fanático e contesto sempre que acho que há um contrasenso. Não foi isso pregado pelo Buddha e mesmo por Blavatsky?Quanto ao apoio que os livros de Blavatsky tenham quanto à história antiga da Humanidade, a única coisa que posso dizer é que a base dela em seus livros são as informações transmitidas pelos "Mestres" ou"Adeptos" da Fraternidade Branca. Não são informações científicas, com toda certeza, são algo em que se pode crer ou não. Portanto, é uma idéia, uma proposta, não ciência. Mas isso também não significa que as informações dos livros de Blavatsky são sem valor. Têm muito valor, mas devem ser confirmadas por pesquisas futuras. Até lá, devem ficar "de molho". Este é o status das obras de Blavatsky em minha mente no momento. Contudo, acho primordial que se leia as obra dela nesta busca pelo sagrado e pelo espiritual.

3-Que fatos, que estão sendo estudados mudariam a estrutura da humanidade atual, se confirmados?

Resposta: Muita coisa. A questão é que a história, junto com a lingüística e a arqueologia, esbarram numa dificuldade que não pode ser culpa dos pesquisadores: a falta de registros materiais que confirmem a antigüidade do homem, das construções e mesmo de certas línguas do passado. Isso pode impedir mesmo que se diga que Blavatsky estava errada, mas também impedirá que se diga que estava certa. Ela era convicta de suas opiniões e devia ter suas razões de foro íntimo. Para aqueles que acham que as afirmações dela eram muito extraordinárias, lembro que hoje têm surgido milhares de livros com idéias muito mais estapafúrdias ainda, misturando "Mestres" com "ETs", "Anjos" que pilotam "Discos Voadores" e até "Exus extraterrestres" (?), como já tive oportunidade de presenciar. É o famoso "Samba do Crioulo doido". Ela, pelo menos, procurou cercar-se do que havia de mais científico em sua época para argumentar em favor de suas afirmações. Mas estes absurdos de hoje raramente oferecem algum tipo de argumentação inteligente!Atualmente estou ajudando na decifração das inscrições encontradas em Visoko, na Bósnia, junto a um conjunto arqueológico que já ficou conhecido como as "Pirâmides da Bósnia". Não sei se há mesmo pirâmides ali, mas já tive acesso às inscrições encontradas. Ainda não posso liberá-las porque a pesquisa está em curso. Espero poder fazê-lo em breve. Mas o pesquisador-chefe do projeto, o Sr. Semir Osmanagic, é desconsiderado pela ciência oficial porque acredita em livros como os de Blavatsky, acredita na Atlântida e em ETs. Qual é o problema? Desde que ele use métodos científicos transparentes para confirmar suas teses, ele pode acreditar no que quiser! Cheguei a ser procurado por seus opositores bósnios ortodoxos, que diziam ter provas de atos inadequados dele mas, quando li tais argumentos, se tratava apenas de preconceito quanto às idéias místico-espirituais do Sr. Osmanagic. Naquele momento me vi no mesmo barco do colega bósnio: todos nós que, mesmo sendo espiritualistas, pesquisamos de modo científico, somos indesejados pela ciência acadêmica. É o mesmo caso do arqueólogo dos EUA, Michael Cremo, que acaba de me conceder uma entrevista para a Revista Horizonte - Leitura Holística, que edito mensalmente. Ele também é atacado pelos cientistas ortodoxos e deixou isso bem claro em sua entrevista. E ele é também um espiritualista, ligado à Sociedade Hare Krishna.Se as pesquisas de pessoas como Osmanagic, Cremo e eu fossem confirmadas, realmente mudariam a visão da história sobre o passado da humanidade. Mas, se isso chegar a ocorrer, deve demorar ainda algumas décadas.

4-E os Extraterrestres, onde entram no estudos da História do Homem e seu destino ?

Resposta: Este é um terreno lodoso. Os maiores desvarios em idéias e teorias está no campo do que se chama de Ufologia e ramos de pesquisa afins. Há muita fraude, mistificação e gente dizendo que "canaliza" ETs. Outros dizem que os ETs são os salvadores da humanidade e que a Terra vai colapsar frente a grandes catástrofes, que seriam iminentes. Acredito que a coisa está ruim e que teremos conseqüências, como as das mudanças climáticas, por exemplo, mas não acredito no fim do mundo nem no fim da civilização, pelo menos para agora.Erich von Däniken e, mais recentemente, o russo Zecharia Sitchin, acreditam em influência ET no passado da Terra. Sitchin tem mais base científica que Däniken (que é só um jornalista), pois é arqueólogo, e um dos poucos existentes capaz de decifrar a escrita cuneiforme suméria. Já foi ligado à NASA. Mas suas idéias são vistas como ridículas pelo mundo científico. Gosto dos argumentos dele, mas não os considero científicos realmente. São idéias, crenças até, e precisam ser confirmadas pela pesquisa futura. O que não podemos é confundir crenças científicas ou idéias fantásticas que nos pareçam agradáveis com ciência. Isso traria como prejuízo uma incapacidade de separar a ilusão da realidade. E não é isso que pregava Blavatsky, nem Buddha, nem qualquer Mestre do passado. Sou um pesquisador curioso e sempre insatisfeito que uso todos os métodos possíveis para descobrir a verdade. Me permito crer em tudo e ter todas as idéias até chegar o momento da confirmação. Aí, seleciono o que é viável e descarto - ou apenas ponho "de molho" - o que é difícil de comprovar. Não nego que existam realidades desconhecidas pela humanidade; ao contrário, creio que elas existem mesmo! Mas não posso me sentir satisfeito apenas com a crença, como parece acontecer com muitos irmãos que se consideram "teósofos". Dizem estar "estudando", mas estão, na verdade, apenas reforçando suas crenças, não seu conhecimento e muito menos sua sabedoria.

5-Quais são seus projetos atuais e quais as suas conclusões até o momento?

Resposta: Em nível de pesquisa tenho dois projetos. O primeiro é o da decifração da escrita encontrada em Glozel (França) em 1924, o "glozélico". O Museu de Glozel acaba de publicar meus artigos referentes à decifração no seu site oficial (http://www.museedeglozel.com/Stekel.htm ). Eles estão em inglês e podem ser baixados gratuitamente. Devo preparar material em português para breve, incluindo um livro. A pesquisa publicada neste site francês é o coroamento de 12 anos de pesquisas sobre as inscrições de Glozel. Mas a pesquisa não deve parar por aí. Considero ter encerrado apenas a primeira fase. O segundo projeto é o da decifração da escrita encontrada na Bósnia, junto à suposta pirâmide do sol, em Visoko, numa montanha chamada Visocica. A escrita foi batizada de "Proto-Script Visoko" [Proto-escrita de Visoko] e seus sinais lembram muito a escrita de Glozel. Por isso me inseri no projeto. Há ali um projeto multidisciplinar de escavação e pesquisa sobre as tais "pirâmides" e os materiais arqueológicos encontrados no local. são até agora 21 cientistas. O único do continente americano sou eu, que fui convidado por Semir e seu pai, o Dr. Muris Osmanagic, para integrar o staff de sete líderes do projeto, que foi apresentado em fevereiro ao governo bósnio, solicitando permissão para 20 anos de excavações e alguma verba, com certeza. É um projeto para muitos anos, mas já identifiquei que a escrita de Visoko tem 55,5% de semelhança com a de Glozel, o que foi considerado muito importante para a evolução da pesquisa. Entre os 21 cientistas há geólogos, arqueólogos, lingüistas, etc. Sou o único que não tem formação universitária. Sou um autodidata à antiga, como faziam os buscadores do passado, onde o que valia era o conhecimento verdadeiro, não o validado por um diploma. Tenho vivido assim até hoje e não me arrependo. Pretendo ser a prova de que o conhecimento vale mais que um diploma! Os cientistas bósnios entenderam isso e me descobriram. Os franceses também entenderam e me descobriram. Os brasileiros estão um pouco atrasados neste aspecto. Mas sou um brasileiro orgulhoso de meu país, e levo o nome dele em meus trabalhos internacionais. Mas lembro que, antes de ser brasileiro, sou um cidadão do planeta Terra. Defendo o planeta e seus habitantes antes de defender meu país, porque entendo que nenhum ser humano vale mais ou menos que outro, independente do seu país de origem. Não enalteço meu país diminuindo o país dos outros. Seria um nacionalismo xenófobo e preconceituoso, o que não se encaixa na palavra "espiritualidade".

Felicidade a toda a humanidade - a visível e a invisível!

Fraternalmente,

Paulo Stekel(escritor, jornalista, cabalista, prof. de línguas sagradas e editor da Revista Horizonte - Leitura Holística)

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