sexta-feira, 8 de junho de 2007

 

Espiritualidade na universidade: o academicismo abre as portas para o transcendental? [versão completa]





(fotos do evento gentilmente cedidas por Marlene Reinaldo)

[Reflexões sobre o Fórum Universidade e Espiritualidade 2007 – Olhares Transdisciplinares: 23 a 26 de maio de 2007 - UFRGS – Porto Alegre]

por Paulo Stekel

No período de 23 a 26 de maio a Revista Horizonte – Leitura Holística esteve presente no “Fórum Universidade e Espiritualidade 2007 – Olhares Transdisciplinares”, realizado em Porto Alegre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em conjunto com a sua Pró-Reitoria de Extensão e o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade (NIETE).
Nas palavras da própria organização, entre os objetivos do evento está o de “contribuir para manter, ancorar e alavancar a proposta de inserção do conhecimento sobre Espiritualidade nas instituições de ensino superior e em instituições da sociedade”.
Neste artigo, ao invés de uma apresentação jornalística usual optamos por fazer algumas reflexões baseadas no que assistimos e em conversas pessoais que tivemos com conferencistas e também com o público participante.

Objetivos

O “Caderno do Programa” apresenta os cinco objetivos do Fórum (nossos comentários estão entre parênteses):

Estabelecer o intercâmbio com todas as instituições afins, nas diferentes áreas, para a reflexão acerca da produção de conhecimento sobre espiritualidade (tal produção tem aumentado significativamente nos últimos anos e, felizmente, por sua abordagem científica, tem conseguido escapar do parcialismo comum a visões fanáticas e fundamentalistas embutidas em apresentações “pseudo-científicas” promovidas por grupos religiosos);

Refletir sobre implicações e impactos das concepções vigentes e de outras a serem construídas para as tomadas de posição e ações nos níveis pessoal e institucional (uma das conclusões óbvias é a diversidade de concepções e a clara dificuldade de conciliá-las entre si e também com o pensamento científico moderno, a não ser que haja uma maior abertura da ciência para a visão espiritual e um reconhecimento da necessidade de método científico por parte dos partidários de tais concepções);

Estabelecer uma rede de grupos e núcleos de interesse existentes nas universidades e demais instituições, que propicie o fortalecimento da temática como objeto de conhecimento em nível de extensão, ensino e pesquisa (em nível de extensão o número de projetos envolvendo espiritualidade aumenta a cada ano pelo mundo acadêmico afora; as pesquisas científicas na área são as mais antigas e proliferam positivamente; o ensino ainda esbarra em alguns pontos polêmicos, devido a questões de orientação religiosa por parte de alguns grupos polemizadores);

Criar um fórum de discussão a partir dos novos paradigmas da ciência, destacando-se o compromisso da Universidade na produção e socialização do conhecimento e na formação profissional, que venham contribuir para a qualidade de vida no planeta (os novos paradigmas científicos, ainda que um pouco localizados em seus nichos de origem, estão cada vez mais penetrando a cultura geral, de modo que conceitos como ecologia profunda, visão holística, hipótese Gaia e sustentabilidade não são mais tão estranhos como antes);

Buscar uma cultura científica voltada para valores de espiritualidade (tais valores são geralmente éticos e, salvo exceções, as diversas concepções espirituais concordam quanto a eles, o que permite uma cultura científica não-sectária e imparcial voltada a valores desta natureza).

Quebrando velhos paradigmas

Durante a abertura do evento, Neusa Junqueira Armellini, da Comissão de Coordenação Executiva, explanou sobre a origem do NIETE, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade, principal articulador do fórum. Criado a partir de março de 2000, o NIETE hoje “conta com a participação de ex-docentes e docentes, alunos e ex-alunos, técnicos administrativos e ex-técnicos administrativos e de membros da comunidade”. Para Neusa, a “espiritualidade é um conhecimento e um processo em construção. (...) O forte do NIETE é a relação entre espiritualidade e ciência”.
O coordenador geral do evento, Prof. Nelton Luis Dresch explicou que, nos primórdios do NIETE, a discussão sobre espiritualidade na UFRGS estava restrita à própria universidade. Depois o objetivo passou a ser o compartilhamento da proposta com outras universidades e a comunidade em geral.
Para a Pró-reitora de Extensão, Dra. Sara Viola Rodrigues, o contato com a diversidade é o mais importante para a extensão universitária. Segundo ela, o NIETE conseguiu quebrar um velho paradigma corrente na UFRGS (e certamente em muitas universidades), provocando a discussão de temas alternativos como a espiritualidade. Foi uma vitória sobre um positivismo exagerado que ainda dominava a UFRGS há bem pouco tempo.

Olhares transdisciplinares

A primeira mesa redonda do fórum foi simplesmente primorosa. O primeiro a falar foi o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira (UNIESPÍRITO – SP; www.uniespirito.com.br), pesquisador na área de Psicobiofísica. Ele desenvolve há cerca de 20 anos estudos sobre a glândula pineal e busca provar que a existência de cristais de apatita na mesma tem relação com atividades psíquicas. Apesar de fortemente contestado por outros cientistas, que o acusam de estar ligado a uma religião (o espiritismo), o que prejudicaria a imparcialidade de suas pesquisas, sua presença no Fórum foi ótima para mostrar o quanto sua pesquisa é séria, independente de suas convicções religiosas. Durante muito tempo os cientistas foram de alguma forma ligados a visões cristãs ou teístas (afinal, Deus é uma crença!) e poucos contestaram a validade de suas pesquisas. Por que aqui seria diferente?
Para o Dr. Sérgio, se o cérebro é um computador, a inteligência deve vir de fora. O pensamento causa um impacto sobre a matéria. Sua abordagem é a de um metasistema envolvendo o cérebro e a mente. Para ele, “precisamos deixar de colocar a opinião pessoal em cima da ciência”. [Pretendemos apresentar com mais detalhe o trabalho do Dr. Sérgio e talvez uma entrevista nas próximas edições de Horizonte – Leitura Holística]
O segundo a palestrar foi o Dr. José Roberto Goldim (UFRGS/PUCRS; www.ufrgs.br/bioetica), professor, biólogo e fundador da Sociedade Riograndense de Bioética. Seu tema foi bioética e espiritualidade, baseado numa pesquisa iniciada em 2002 que culminou em livro a ser lançado em breve. O objetivo do projeto era “identificar o conceito de pessoa, início e fim da vida utilizado pelas diferentes religiões sobre a participação de seres humanos em pesquisas”. Várias situações de trato delicado foram descritas, com a proibição pelas Testemunhas de Jeová da transfusão de sangue, o que causa um dilema no caso de risco de vida. Foram realizadas várias reuniões com os membros dessa e de outras religiões, objetivando melhor atender os pacientes. O Dr. Goldim deixava claro nestes debates com os religiosos que não se tratava de discutir crenças, mas a melhor forma de conduzir o tratamento médico.
Durante o tempo da pesquisa se trabalhou com grupos católicos, luteranos, budistas, mórmons, religiões afro-brasileiras, etc., todos incentivados a participar de um grupo de bioética. A maioria deles se mostrou aberto ao diálogo. Alguns, entretanto, se mostraram muito fechados, como foi o caso de quatro religiões consideradas neo-pentecostais.
Para o Dr. Goldim: “As pessoas têem o direito de exercer sua espiritualidade. (...) O fato da universidade ser laica não deve impedir que ela se debruce sobre a pesquisa da espiritualidade.”

Espiritualidade e Física Quântica

A 3ª mesa redonda do evento também merece destaque. Ali se discutiu a espiritualidade e as contribuições da Física Quântica.
O Dr. Moacir Costa de Araújo Lima (PUCRS), orador, escritor, físico e jurista, lembrou que alguns se consideram “proprietários da verdade na ciência”. Para ele, “não se deve querer resolver o novo paradigma com o velho paradigma, pois o novo amplia o antigo”. A ciência mecanicista tem relações com as religiões fatalistas no sentido de que tudo parece preestabelecido, seja pelos átomos ou por Deus. Mas, “o universo é feito de energia e intenção”.
Nas palavras do Dr. Moacir: “A Teoria da Relatividade fez as idéias maniqueístas perderem sentido. (...) Einstein disse que todo o fenômeno físico é relativo a um observador e não que 'tudo é relativo'. (...) Os conceitos perderam seu grau de absolutismo. (...) O que faz o elétron se comportar como onda ou partícula é a consciência do observador.”
O Dr. Jeverson Rogério Costa Reichow (UNESC/SC), graduado em Psicologia, com ênfase em Psicologia Transpessoal, focou sua apresentação nas relações complementares entre Transdisciplinaridade, Física Quântica e Espiritualidade. Para ele, o universo é informacional, coordenado. Lembrou da importância de se ampliar as pesquisas científicas envolvendo a espiritualidade, uma vez que há em curso estudos com viés organicista tentando provar que a espiritualidade é um mero produto do cérebro.
O Dr. Reichow, ao se perguntar “qual é a natureza essencial do universo”, deu a resposta: “informação consciente.”
Durante uma das muitas sessões simultâneas do Fórum, a Dra. em Engenharia, Liane Roldo (UFRGS) se propôs a demonstrar como enxergar a espiritualidade através dos olhos da Física Quântica e da Teoria da Relatividade. Apresentando idéias de Einstein, Max Planck e o físico norte-americano Lee Smolin, autor da Teoria da Gravidade Quântica em Laço [Loop] (ver arquivos em inglês em http://web.archive.org/web/20060428001322/www.qgravity.org/), a Dra. Liane se questionou se a expansão de consciência não teria a ver com o aumento de volume do sistema, como ocorre em física. Segundo ela, se um corpo aumenta de volume, se torna mais leve e isso teria relações com a idéia de expansão da consciência. Então, tornando qualquer sistema mais leve ou sutil por aumento de volume (o que é muito bem feito através do calor), isso, no caso dos seres vivos, poderia ser a chave da cura? Pensamos ser algo que merece ser pesquisado.

Hereditariedade e Crianças Índigo

Em outra sessão, o médico Luís Eduardo Zamprogna (Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre) procurou explicar o fenômeno das crianças índigo através de uma abordagem envolvendo a hereditariedade, modificações do código genético e mesmo uma mudança na conformação energética do planeta Terra. Segundo sua apresentação, citando freqüentemente o “canalizador” norte-americano Lee Carroll (ver www.kryon.com [em inglês]), os índigos seriam crianças que viriam com o código genético ativado. Lembrou que cerca de 08% das crianças que nascem apresentam déficit de atenção, mas imagina que este número deve estar superestimado. Contudo, está aumentando o número de crianças que dizem falar com “espíritos”.
Segundo Zamprogna, o Projeto Genoma Humano descobriu que temos apenas 30 mil gens, cifra muito menor do que se esperava. Para ele, “talvez ainda não se tenha descoberto tudo sobre o DNA”. Apresentou ainda a idéia de Lee Carroll, que afirmou que em 1994 houve uma mudança no padrão de energia da Terra, mudando mesmo a estrutura do DNA, que teria passado de duas para doze cordas! As crianças índigo teriam essas doze cordas em seu DNA. Esse é um assunto polêmico, que divide opiniões, tanto quanto a teoria do cinturão de fótons, igualmente citada por Zamprogna. São teorias que aparecem cada vez mais em livros, artigos e pela internet, mas cujas bases são ainda insuficientes para que se possa considerá-las verdades pelo menos aceitáveis fora do terreno da crença.
Se tais teorias têem alguma lógica, ainda estamos à espera dos trabalhos científicos que venham a confirmá-las. Por enquanto, o que temos são afirmações de inúmeras fontes “canalizadas”, e muitas delas contraditórias.

Influência do pensamento em funções biológicas?

Uma das sessões simultâneas mais interessantes trouxe os resultados ainda parciais da pesquisa realizada pelo professor da UFRGS, João Henrique Corrêa Kanan, Doutor em Bioquímica e Biologia Molecular Aplicada (University of Manchester Institute of Science and Technology, 1992). Seu tema foi “A influência do pensamento consciente em funções biológicas: um estudo com bactérias”.
Kanan citou as pesquisas científicas realizadas por Radin;Taft;Yount - de 2004 -, utilizando a técnica conhecida como Johrei (uma técnica ligada à Igreja Messiânica Mundial – ver http://johrei.zip.net) para provocar o aumento de reprodução em bactérias; as pesquisas de Ohnishi;Ohnishi;Nishino – de 2005 -, utilizando células cancerosas; as pesquisas de Astin;Harkness;Ernst – de 2000 -, utilizando cura à distância. No primeiro caso, houve uma diferença de crescimento das bactérias tratadas com Johrei ao longo do tempo. No segundo caso, diminuíram as células cancerosas, mas aumentou a quantidade de proteínas.
As pesquisas realizadas pelo próprio Dr. Kanan e sua equipe utilizaram duas bactérias: enterococus faecalis e escheria coli XL1-B.
No primeiro caso, o método utilizado foi o passe espírita. Na avaliação dos resultados se pôde detectar um maior crescimento das bactérias tratadas com relação às que não foram submetidas ao passe. Contudo, os números não foram estatisticamente significativos. Em 10 experimentos, 06 apresentaram maior crescimento e 04 crescimento menor.
No segundo caso, as bactérias foram expostas à luz ultravioleta por cinco segundos antes do processo de imposição de mãos. A luz ultravioleta matou quase todas as bactérias das culturas, restando umas poucas. Aqui, os energizadores foram: 05 médiuns espíritas, 06 passistas não-médiuns e 01 voluntário sem treinamento (o próprio Dr. Kanan). Os resultados foram um pouco mais estimulantes, mas ainda são preliminares, requerendo novos experimentos. A pesquisa do Dr. Kanan ainda está em andamento.

Espiritualidade e Ecologia

No último dia do Fórum estiveram presentes o ecologista e engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro (Núcleo de Economia Alternativa da UFRGS) e a psicóloga Dra. Bárbara Haro dos Santos, que discursou sobre a importância de se procurar a significação, e não o significado, das imagens e acontecimentos.
A importante relação entre espiritualidade, biologia e ecologia foi o tema da última mesa redonda do Fórum Universidade e Espiritualidade 2007: Olhares transdisciplinares.
O ecologista Sebastião Pinheiro iniciou o debate apresentando a importância social e biológica da agricultura orgânica, sem aditivos e não-transgênica. Para ele, toda a sociedade deveria ter acesso a produtos cultivados através de um sistema natural, orgânico e não predatório, o que não acontece hoje devido ao elevado preço desses alimentos. Sebastião também enfatizou a necessidade de se dar valor à terra na qual se planta. “É um valor transcedental, porque a terra está em nós e nós estamos nela”, afirmou o ecologista.
Para Vânia Schneider, professora do curso de engenharia ambiental da UCS: “O mundo está se transformando muito rapidamente e quem provocou isso fomos nós mesmos (...). Espiritualmente, podemos encontrar a força e o equilíbrio para enfrentar esse momento de crise, compreendendo a nossa ecologia interior.”
Encerrando o debate, o professor de ecologia da UFRGS, Feliciano Flores, refletiu sobre a importância da cooperação no processo de evolução dos seres vivos. “O processo evolutivo se deu pela colaboração, pela junção, pela simbiose”, afirmou o professor, que acredita que também devemos colaborar uns com os outros para evoluir nossa espécie.

Espiritualidade na pauta da academia

A avaliação do evento, feita pelo seu coordenador, o professor da UFRGS Nelton Dresch foi de que o Fórum atingiu seu principal objetivo, o de estabelecer o intercâmbio entre diferentes áreas para a reflexão acerca da produção de conhecimento sobre espiritualidade.
O que parece evidente é que o número de eventos promovidos por universidades brasileiras e estrangeiras envolvendo espiritualidade, terapias complementares e novos paradigmas é cada vez mais freqüente. Ainda este ano a cidade de Porto Alegre contará com outro evento, o I Congresso Brasileiro de Espiritualidade e Religiosidade na Saúde Mental, promovido pelo Pronto Psiquiatria (ver www.prontopsiquiatria.com.br). Uma rápida consulta à internet revela outros eventos ocorrendo pelo Brasil e pelo mundo afora. E todos com abordagem científica. Em nossa opinião, estes eventos ajudam a desmistificar a espiritualidade, a quebrar as barreiras do preconceito junto às instituições acadêmicas e a colocar o transcendente na ordem do dia na pesquisa científica.
O Fórum Universidade e Espiritualidade 2007: Olhares transdisciplinares, uma iniciativa do NIETE - Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade, da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, é algo a ser repetido nos próximos anos e em outras universidades.

Para mais informações, consulte o website do Fórum (www.psico.ufrgs.br/espiritualidade) e do NIETE (www.prorext.ufrgs.br/nucleos/niete).

 

Entrevista: Delci Jardim da Trindade – A essência do MOINTIAN [versão completa]



Entrevista concedida a Paulo Stekel pelo decodificador do MOINTIAN, Método Integrado de Transmutação Interior e Ascensão

Conhecemos o Delci através de uma grande amiga em comum há pouco tempo. De nossas conversas muito profundas sobre espiritualidade e da leitura de seu livro nasceu a idéia desta entrevista, que julgamos útil para aqueles leitores que se sentem em constante busca do caminho perfeito, mas que sempre se decepcionam com os caminhos trilhados.
Delci Jardim da Trindade, ou Jardim, é o Codificador do método conhecido como MOINTIAN. O livro de Jardim, contendo as técnicas do MOINTIAN, foi divulgado na edição anterior de Horizonte – Leitura Holística.
Jardim mantém o Centro de Treinamento do MOINTIAN na cidade de Santiago (RS), onde ensina, pratica e divulga o método. As atividades no Centro de Treinamento envolvem a prática terapêutica, reuniões com iniciados e meditações em grupo.
Atualmente Jardim confere palestras e cursos onde ensina a utilização do manual completo para aqueles que não querem realizar as auto-iniciações, conforme demonstradas no manual.


Para maiores informações, consulte o site do MOINTIAN: www.mointian.com.br


Horizonte: O que é exatamente o MOINTIAN, esta técnica descrita em seu recente livro, já divulgado pela Revista Horizonte – Leitura Holística?

Jardim: O MOINTIAN é, por definição, uma Escola, um método que pode, através de vários níveis e técnicas, proporcionar a elevação do nível de consciência dos que se iniciam nele, visando que se atinja a Consciência Cósmica, Ascensão ou Iluminação. Este é e sempre foi o propósito das verdadeiras Escolas Esotéricas, movimentos espiritualistas e até mesmo das religiões, antes de se tornarem institucionalizadas.

Horizonte: Sendo uma técnica de harmonização, reequilíbrio energétigo ou espiritual, o MOINTIAN é também uma técnica de cura, que seria o reequilíbrio integral do Ser. Qual a relação dele, então, com técnicas já conhecidas, como o Reiki, por exemplo?

Jardim: O MOINTIAN não visa o reequilíbrio como a maioria dos métodos atuais, mas é, antes de tudo, uma renovação dos conceitos espirituais, ou o resgate da verdadeira espiritualidade, aquela onde a prioridade é alcançar a Iluminação, e proporcionar a introdução de modos de vida em conformidade com a civilização que habitará os planos mais densos em um futuro próximo. A única relação que existe com métodos como Reiki é a forma de aplicação no Nível I e a utilização de símbolos no Nível II. Vale lembrar que as aplicações têm um sentido diferente daquele buscado para a maioria das terapias, qual seja da pura harmonização ou efeitos de alívio imediato, e que os símbolos do MOINTIAN não são encontrados em outros métodos.

Horizonte: Você diz que o uso do MOINTIAN "potencializa" outras técnicas porventura utilizadas por terapeutas holísticos e curadores. Como espera que eles aceitem esta afirmação como verdadeira, como imagina que eles não pensarão ser o MOINTIAN apenas mais uma técnica entre tantas?

Jardim: Somente através da utilização das técnicas e das iniciações, realizadas individualmente, este questionamento pode ser respondido. Através da experimentação pessoal, cada um poderá SENTIR o que é exposto no MOINTIAN e saber se o método faz parte de seu ser ou deve ser deixado de lado.

Horizonte: Em seu livro, você diz que o MOINTIAN está baseado em informações novas, em uma nova matriz energética humana, algo muito tratado em obras de Trigueirinho desde a década de 1980. Ele tem seus defensores e também opositores ferrenhos. Qual a relação real de sua técnica com as idéias dele e de autores semelhantes?

Jardim: O MOINTIAN é um elo entre a nossa atual civilização e a próxima. Não está vinculado ao pensamento de um autor ou escola, nem está associado a qualquer movimento existente. As informações veiculadas pelo MOINTNAN são a expressão daquilo que é vivido pela Hierarquia Espiritual em seus vários escalões.É a chave para aqueles que desejarem, possam conhecer e experimentar uma nova realidade ou padrão de existência, totalmente diferente do aplicado pela sociedade atual. Inclua-se nisto as necessidades básicas como sono, nutrição e mesmo a forma de raciocínio. Para isto, para que este padrão seja vivido, cada um precisa ascender do nível puramente humano ou de “buscador profissional”, para o de participante ativo do Plano Divino na Terra. As técnicas e as iniciações são potentes formas de acelerar o encontro com esta realidade.

Horizonte: Atualmente muito se fala em mudanças planetárias, alteração do DNA, resgate planetário, dias de trevas e coisas do gênero. Não há um certo alarmismo fanático nestas idéias? Qual a conexão da filosofia do MOINTIAN com algumas idéias consideradas típicas da "nova era"?

Jardim: A maioria destas teorias são apenas especulações geradas pela necessidade de mostrar algum serviço. Tenho visto que muitos dos que se dedicam ao que chamam espiritualidade, são pessoas frustradas, que não conseguiram obter uma boa qualidade de vida material ou profissional. Escondem-se na fachada de uma busca espiritual eterna e criam idéias de carma ou que o traçado de seu suposto destino impede que concebam uma realidade cheia de alegria. Para a verdadeira espiritualidade, se ocorrem catástrofes ou situações desagradáveis para uma população, isto é apenas a ocorrência de um ciclo natural, de mudança, de transmutação. Ademais, segundo consta, pessoas espiritualizadas crêem na existência da alma. Então, se algo ocorre no plano material, continua a caminhada no plano espiritual... Atualmente, as chamadas dívidas passadas podem ser consumidas pela plena vivência espiritual, pela entrega imparcial da personalidade ao Eu Superior, sem a necessidade de dor ou sofrimento, a menos que seja voluntariamente um serviço a ser prestado para um grupo ou população.

Horizonte: Que tipo de resultados visíveis a técnica do MOINTIAN apresentou ao ser aplicada em milhares de pessoas nos últimos anos?

Jardim: O número de pessoas que utilizam o MOINTIAN, no plano externo e conscientemente, neste ciclo atual, talvez não atinja ainda duas centenas, mas esta pergunta deveria ser dirigida a cada aluno. Sei que, após o MOINTIAN, ninguém continua do mesmo jeito que antes. As mudanças ocorrem.

Horizonte: O 3º Milênio continuará sendo uma época de busca de Mestres externos ou passaremos a buscar o Mestre internamente? Neste caso, cada buscador pode vir a codificar seu próprio método de cura e reequilíbrio?

Jardim: O ideal a ser atingido por todos é o de não precisar mais de métodos ou técnicas, mas viver o divino na consciência terrena. Quando esta fase chega, cada um deve ser a própria expressão da divindade e, por conseqüência, de todas as energias disponíveis para si ou para os outros.

Horizonte: Como se formam instrutores e mesmo "mestres" no MOINTIAN?

Jardim: Ainda não temos instrutores autorizados no MOINTIAN, mas o pressuposto básico é que tenha vivência real das técnicas, sabendo não pela leitura, mas pelo resultado em sua vida, do que cada técnica e cada nível proporciona. Não é uma formação realizada em um curso, mas uma formação interna e pessoal – espiritual. Outros requisitos são que não ingira carnes, álcool e fumo. Qualquer pessoa verdadeiramente integrante da realidade interna sabe que estes requisitos não são dogmas, mas libertação.

Horizonte: Qualquer pessoa pode utilizar o MOINTIAN sem conexão direta com você, já que o livro publicado possui até "auto-iniciações"? Como elas funcionam, já que isso diferencia muito o MOINTIAN de técnicas que requerem iniciações – geralmente muito caras – para que sejam utilizadas pelas pessoas?

Jardim: O Caminho Espiritual pressupõe liberdade, libertação de amarras, de conceitos, de formas de vida que aprisionem o ser na densidade planetária e na estagnação gerada por isto. Temos visto uma parafernália de instrumentos, livros e “ferramentas”, rituais, objetos, etc., criados para o que seria realizar esta libertação. Mas como pode um ser libertar-se de algo e ficar preso a outra coisa? A devoção, atualmente, não é dirigida para o externo, como no passado, quando os Mestres (ascensionados, fique claro) criavam uma conexão com o discípulo (escolhido por ele por mérito espiritual) através da visualização da figura ou da expressão de atitudes que a figura do MESTRE representava. Hoje, ela deve ser dirigida para o Ser Interno, o Mestre Interior, o Eu superior de cada um e, através deste contato, cada um poderá descobrir o seu verdadeiro caminho, sua verdadeira IDENTIDADE ESPIRITUAL, facilitando a busca e, principalmente, sua ascensão neste Caminho. As Hierarquias do planeta, autorizam o MOINTIAN como uma força extra para todos os grupos, tipos de seres e para todos os discípulos de todos os Raios ou Escolas, favorecendo este encontro. Em outras palavras, desde tempos pretéritos o MOINTIAN é ativado em ciclos importantes de transformação planetária para auxiliar as Hierarquias do planeta Terra. Então, cada pessoa que se inicia no MOINTIAN é auxiliada por seres do plano espiritual (que nada tem a ver com seres desencarnados ainda pertencentes ao reino humano) que são auxiliares diretos das Hierarquias e dos Mestres próprios para cada novo aluno. Isto é facilitado pela Consciência de Grupo do MOINTIAN, uma espécie de reunião de energias-consciências que acolhe e redireciona cada novo aluno para o departamento que seja próprio para ele. Então, o Método é pioneiro para a visão atual e perdida da espiritualidade, mas é algo que sempre foi realizado no plano interno. Nisto consiste o resgate da verdadeira vida espiritual, ou da chamada busca, que não necessita de intermediários, mas necessita de entrega, de fidelidade, de trabalho interno, de responsabilidade. As técnicas auxiliam para cada novo aluno realizar primeiro a conexão com esta Consciência de Grupo e depois, geram a força para o trabalho inicial com as iniciações. Depois disto, o trabalho interno deve ser realizado com as técnicas de cada nível para que se atinja o objetivo da vida espiritual de cada um. As transformações decorrentes deste processo de utilização das técnicas e símbolos é que proporcionam alívio para traumas, doenças ou sofrimentos.

Horizonte: Agradecemos a gentileza desta entrevista. Deixamos espaço para suas últimas considerações e conselhos aos interessados na cura interna.

Jardim: O pensamento que deve nutrir a vida pessoal de um buscador, é o de ascender em nível espiritual. Primeiro ele busca um contato, depois, torna-se um discípulo de um Mestre ou Hierarquia Espiritual. Logo a seguir, será um iniciado e assim, até atingir a própria maestria. Por que isto tem sido esquecido pelas pessoas que se dizem espiritualizadas? Por que pensar que a vida espiritual é algo distante da vida externa? Por que temer de entregar-se ao profundo do próprio ser, encontrando o direcionamento real de sua existência, se é esta a meta que todos devemos atingir? Lembrem-se: o objetivo da humanidade é sair do reino humano e entrar no espiritual, vivendo o que é chamado plano divino, realizando a meta de sua alma e mônada. Esta realidade, sem fantasias, como a criada por pessoas que se utilizam da boa fé de buscadores com problemas de personalidade, problemas materiais, terrenos, é que deve ser buscada e vivida por todos.

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