segunda-feira, 10 de março de 2008

 

Chagdud Gonpa: O Darma no Brasil

Uma visita durante o encerramento do ano novo tibetano

Paulo Stekel



(Chagdud Gonpa Khadro Ling, em Três Coroas, RS. * Todas as fotos foram tiradas pelo autor)

Espetáculo de Ano Novo

Já visitamos o templo budista tibetano em Três Coroas (RS) diversas vezes. Mas esta foi a primeira vez que assistimos a tradicional dança dos lamas, um espetáculo belíssimo de som, cores, movimentos graciosos e atmosfera espiritual que ocorre no final do Drubtchen de Vajrakilaia.

O Chagdud Gonpa Khadro Ling, localizado em Rodeio Bonito, Três Coroas (RS) é um centro de prática do Budismo Vajraiana Niyngma fundado por Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche, que em 1995 se mudou dos EUA para o Brasil, com a intenção de instalá-lo na serra gaúcha.


(Detalhes do alto do Templo Khadro Ling)

O Khadro Ling, sede do Chagdud Gonpa Brasil, é um local dinâmico onde praticantes do Budismo Varjayana e visitantes do mundo todo se reúnem em um ambiente sagrado. Ali são realizadas cerimônias e transmitidos ensinamentos da linhagem Nyingma do Budismo Tibetano.

Kha significa céu; Dro significa mover-se, ir, dançar; Ling significa local sagrado.

O templo foi construído numa área que possui uma vista belíssima, como mostram as fotos que tiramos por ocasião do Drubtchen.


(Bandeiras de oração no telhado do Templo)

Realizado de 02 a 10 de fevereiro último, o Drubtchen de Vajrakilaia ajuda seus participantes a vencer os obstáculos ao caminho espiritual, derrotar seus venenos mentais e “demônios internos” e a afastar a hostilidade e as calamidades externas. O Drubtchen contou com a participação de mais de 150 praticantes.

A dança dos lamas encerra as comemorações do Losar, o ano novo tibetano, que segue um calendário lunar sendo, portanto, uma data móvel. Muitos lamas estiveram presentes, entre eles Lama Chagdud Khadro (diretora espiritual do Khadro Ling), Lama Tsering Everest (Chagdud Gonpa Odsal Ling, SP), Lama Padma Samten (Caminho do Meio, Viamão), Lama Sherab Drolma (administradora do Chagdud Gonpa Brasil) e diversos outros, incluindo alguns tibetanos e butaneses.


(Da esq. para dir.: Lama Chagdud Khadro, Diretora espiritual do Chagdud Gonpa, e Lama Tsering Everest, do Chagdud Gonpa Odsal Ling, São Paulo)


(Lama Padma Samten, do CEBB - Viamão, RS)


(Vários lamas estavam presentes, vindos de várias partes do mundo)


(Centenas de pessoas, entre praticantes e visitantes, assistiram a apresentação da Dança dos Lamas, no dia 10 de fevereiro)

Após a apresentação, o templo foi aberto à visitação pública. A arquitetura imponente, as pinturas belíssimas e os detalhes minuciosos encantaram os visitantes.

A visita ao templo

Uma vez, Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche falou sobre a importância de se visitar o templo:

“Este templo foi construído com o propósito de beneficiar todos que o vêem, que escutam falar dele ou até mesmo que ouvem o vento soprando por suas paredes; todos que caminham sobre seus pisos ou que se lembram dele.

O templo é um receptáculo para a energia iluminada do corpo, da fala e da mente. As pessoas podem visitar o templo como turistas que querem ver uma novidade e objetos interessantes. Podem, também, vir com a intenção de encontrar alívio para situações difíceis como problemas físicos, emocionais, financeiros ou de relacionamentos, que são parte integrante da nossa condição humana.



(Presença de Lucélia Santos, ela mesma uma praticante do Darma)


(Instrumentos tradicionais tibetanos)

A fonte do sofrimento pode ser purificada quando vamos a uma igreja ou a um templo, rezamos com profundo arrependimento, fazemos o compromisso de não repetir os erros e pedimos pelas bênçãos de absolvição dos seres iluminados.

Ao reconhecer que a fonte da felicidade é a virtude, o templo oferece uma oportunidade para se fazer oferendas de água, lamparina, incenso e flores. Os seres iluminados não precisam dessas oferendas, mas, pela generosidade da sua ação você cria méritos, que são a fonte de felicidade. A sabedoria da realização espiritual surge do mérito, como também o bem-estar e prosperidade presentes e futuros.





(Momentos da primeira dança)

Por fim, as orações que oferecemos com intenção pura e compassiva e a virtude que elas geram são incrementadas pela dedicação. Ao invés de nos apegarmos às nossas virtudes, com um coração aberto as oferecemos para o benefício de todos os seres. Dedicar a nossa virtude dessa forma assegura não só que ela jamais será exaurida como também que se expandirá continuamente. Assim, um único ato de uma visita ao templo pode se tornar uma fonte de bondade para todo o universo.”


(Chagdud Khadro, Diretora espiritual do Chagdud Gonpa)

A Terra Pura de Padmasambava

Além do templo já conhecido, outro está sendo construído no Chagdud Gonpa Khadro Ling. Trata-se de uma réplica da Terra Pura de Padmasambava, Zangdog Palri (A Gloriosa Montanha Cor de Cobre).

A construção desta réplica foi o último grande desejo de Chagdud Rinpoche, que faleceu logo após ter adquirido a terra ser sido adquirida e quando a planta estava em seus estágios iniciais.

Padmasambava (“nascido do lótus”), também chamado de Guru Rinpoche (“Mestre Precioso”), cujo surgimento foi profetizado por Buda Shakiamuni, propagou os métodos do Budismo Vajraiana no séc. VIII, no Tibete.



(Excelente performance de Lama Sherab Drolma durante a segunda dança dos lamas)

Quando Padmasambava partiu desta terra na forma de luz de arco-íris, manifestou a Terra Pura de Zangdog Palri. No topo dessa montanha em formato de coração está o palácio esplêndido de Pema Od (Luz de Lótus). Mestres realizados de meditação que têm devoção a Guru Rinpoche vão até lá em sonhos e visões e após a morte.

O templo de Padmasambava deve ser inaugurado ainda este ano, e contará com cerimônias extensas e muito bonitas. Tivemos a oportunidade de visitá-lo ainda nesta fase de construção. O prédio já impressiona, com suas dezenas de estátuas de deidades budistas. Uma estátua central de Guru Rinpoche, ainda sem a pintura, tem alguns metros de altura. Artistas butaneses e seus auxiliares brasileiros trabalham intensamente para deixar tudo pronto ainda em 2008.



(Deidades iradas durante a terceira dança dos lamas)

Quem foi Chagdud Tulku Rinpoche

Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche nasceu no leste do Tibete (Kham) em 1930. Reconhecido aos quatro anos como um tulku (encarnação de um mestre de meditação), recebeu treinamento rigoroso e aprofundou os seus estudos em retiros extensos. Ele tinha uma afinidade especial pelas artes sagradas e pela medicina tibetana e era famoso por sua voz maravilhosa como cantor.

Em 1959, ele escapou da ocupação comunista do Tibete e viveu exilado em comunidades de refugiados na Índia e no Nepal até se estabelecer nos Estados Unidos em 1979. A pedido dos seus alunos ocidentais, estabeleceu a Fundação Chagdud Gonpa, uma bem-sucedida rede de centros da linhagem Nyingma do Budismo Vajraiana. Em 1994, Rinpoche mudou-se para o Brasil, estabeleceu o Chagdud Gonpa Brasil e começou a construção do seu centro principal, Khadro Ling, no Rio Grande do Sul. Quando morreu, em 2002, ele havia estabelecido mais de vinte centros no Brasil, Uruguai e Chile.





(Momentos da quarta e última dança dos lamas)

Ao viajar e ensinar constantemente, irradiando entusiasmo e compaixão, tornou-se o lama do coração de centenas de alunos e foi uma inspiração profunda para milhares de outros. Quando lhe perguntavam por que, aos sessenta e quatro anos, mudou-se para a América do Sul ao invés de permanecer confortavelmente nos Estados Unidos, respondia: “percebi a fé dos brasileiros e o seu interesse no Budismo e quis ensiná-los”. [fonte: http://www.chagdud.org]


(Visitação ao interior do Templo, onde não é permitido fotografar)

Quem é Chagdud Khadro

Chagdud Khadro conheceu Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche em 1978, casou-se com ele em 1979 e foi sua aluna dedicada por vinte e três anos. Ao ordená-la lama, em 1997, Chagdud Rinpoche designou-a como a futura Diretora Espiritual do Chagdud Gonpa Brasil.

Desde o parinirvana de Rinpoche, em 2002, ela tem se concentrado em dar continuidade ao treinamento Vajraiana de alta qualidade estabelecido por ele. Khadro supervisiona as atividades e ensina em todos os centros do Chagdud Gonpa Brasil e Chagdud Gonpa Hispanoamérica. Ela também concede ensinamentos na Europa, Estados Unidos e Europa e Austrália.
[fonte: http://www.chagdud.org]


(Maravilhosa paisagem visível do alto do Khadro Ling)



(O Palácio de Padmasabava, ainda em construção)


(Estátua de Tara Verdade junto a uma fonte)


(O Khadro Ling numa visão frontal)


(Estátua do Buda Akshobia)


(Detalhe da base da estátua do Buda Akshobia)



(Estupas, relicários)


(Detalhe da base de uma das estupas)



(Estátua de Guru Rinpoche, Padmasambava)


(Panorama das estátuas de Guru Rinpoche, Akshobia e das estupas do Khadro Ling)


(Tormas, oferendas)


(Rodas de oração da entrada do Templo)


(O Templo Khadro Ling, em todo seu esplendor, apesar do tempo nublado)

Quem deseja saber mais sobre o Chagdud Gonpa Khadro Ling ou sobre os demais centros de prática espalhados pelo Brasil e pelo mundo, acesse o site:

http://www.chagdud.org

 

Fosfenismo [artigo bilíngüe - Português/Espanhol]

Francesc Celma
Director de Fosfenismo® España e Iberoamérica
www.fosfenismo.com



Desde a origem dos tempos o homem tem buscado a luz, tem se rodeado de luz, desejado ser luz, ter, dar e receber luz, sua luz interior, a luz da alma, a luz que lhe guia, a luz que lhe nutre, a luz que lhe conforta. A humanidade, portanto, embasou toda sua evolução espiritual em conceitos vinculados à luz.

Todas as religiões, todas as iniciações, todos os ritos de expansão da consciência utilizam a luz como eixo central de seus ensinamentos que, ademais, indefectivelmente se dirigem à luz primordial e que segundo eles, ilumina seu caminho e seu devir.

Um marco sem precedentes na história da humanidade é o descobrimento do fogo. O fogo permite ao homem aquecer-se, cozinhar os alimentos, afugentar os animais, etc. Nesse momento, não existe ao redor do fogo ainda nenhuma liturgia, nenhuma poesia, nenhuma manipulação do conceito inerente à palabra fogo, isto é, a luz. Efetivamente, falar de fogo é falar de luz, mas nessa época primigênia essa luz recém descoberta devia ser vigiada sem cessar, já que esse dom divino acabado de se descobrir desapareceria subitamente por um descuido… Perdê-la devia ser catastrófico e provavelmente em alguma ocasião assim ocorreu. Sempre, em todo momento, em toda circunstância, o fogo devia estar vigiado, a sobrevivência do grupo dependia do cuidado com que essa vigilância fosse feita. O personagem encarregado de vigiar o fogo, isto é, a luz, acabou convertendo-se no xamã do grupo, no personagem mais importante, nesse tipo de sociedade. Um sujeito que não só entesourava o poder da cura ou o poder da vidência, mas também ostentava a liderança política do grupo, definitivamente. O xamã, o guarda do fogo, era o ser mais proeminente dessas sociedades primitivas.



O clã, o grupo, não fazia mais do que ser guiado por um observador da luz, por um guardião do fogo. A partir desse momento todos os ritos, todas as iniciações, todas as religiões se basearam nessa observação da luz. Quando dizemos todas queremos dizer todas. A necessidade de liderança, de distinção, de poder, ao longo da história, fez com que os personagens que no passado controlaram a ciência da luz não explicassem os segredos da mesma mais que a um reduzido grupo para assim, em meio ao mistério, edificarem impérios. Às vezes é difícil, se não se tem a informação, dar-se conta deste denominador comum presente em todos os processos de ativação psicológica e espiritual. Por exemplo, quando falamos da luz falamos do sol, do céu luminoso, dos reflexos do sol na água ou também em qualquer superfície polida, da observação das estrelas, da observação da lua, dos exercícios de fixação do olhar em uma vela, etc., de um modo ou de outro sempre se tem procurado olhar a luz.

Alexandra David-Neel foi uma reconhecida investigadora dos exercícios que se realizavam no Tibete. Ela descobriu que havia um volumoso, secreto e bem guardado livro que explicava como interpretar os signos que aparecem quando se observa fixamente o sol. O imperador romano Juliano, (chamado o apóstata, o que renega sua fé) que chegou a ordenar a seus soldados rezar olhando fixamente para o sol (a observação fixa dura só dois ou três segundos), foi um dos muitos que foram iniciados no culto solar da religião de Mitra.

Imagina Deus como uma luz na luz é uma frase importante no Corão. Os incas rezavam olhando o sol. Em Fátima, 70.000 pessoas vieram dançar, tremer enquanto escureceu-se o sol. Assim, 70.000 pessoas olharam o sol. Em Saint-Paul-d’Espis (Tarn y Garona, França), em 1947, se produziram quatro “prodígios solares” parecidos aos de Fátima diante de vários centenas de pessoas. A Igreja proibiu aos fiéis e ao clero publicar qualquer coisa referente a essas “danças do sol”. A razão desta proibição é clara: como o começo e o desenvolvimento eram parecidos aos de Fátima, e também aos de Tilly-sur-Seulles (Calvados, França) por volta de 1900, haveria resultado evidente, ao compará-los, que o que ocorreu em Fátima não foi uma “suspensão das leis naturais”, mas um fenômeno científico estudável. Etimologicamente a palavra adoração provém do latim adorare, que quer dizer “rezar”, de modo que, quando se fala de adorar o sol se está falando de rezar olhando fixamente o sol como fazem os zoroástricos. A definição da palavra “mago”, segundo os dicionários, é sacerdote de Zaratustra... O taoístas foram perseguidos por explicar os segredos de seus senhores. Eles praticavam observações fixas do reflexo do sol em um espelho e dos reflexos da lua sobre uma concha bem polida. Os cátaros rezavam olhando fixamente o sol, porque segundo diziam, Cristo assim o havia ensinado. Seu refúgio, o castelo de Montsegur, foi construído como um templo solar. A luz impulsiona em direção ao bem - Maniqueu (Les cathares de Montségur, Fernand Niel, Ed. Berghers), por isso, havia ordenado aos maniqueus que rezassem sete vezes ao dia olhando fixamente o sol. Foi condenado à morte pelo clero zoroástrico da época, que não queria este retorno às fontes. Segundo certas tradições, em suas origens, os peregrinos de Santiago de Compostela utilizavam a concha como pequeno recipiente para pôr água e deviam rezar olhando fixamente o reflexo do sol nessa água.



Nos Mistérios de Elêusis o iniciado era recluso em uma cova e devia olhar uma tocha para mais tarde, com os olhos vendados, observar o que passava em seu campo visual. Nesse momento devia pensar em uma espiga de trigo. Desvelar o segredo levava à pena de morte. No Egito foi Akenaton quem instaurou o culto ao sol. Após sua morte os sacerdotes fizeram desaparecer completamente os traços de sua lembrança. Os imperadores chineses recebiam o nome de filhos do céu porque segundo se dizia, obtinham seu poder do céu. A religião arcaica chinesa era um culto do céu luminoso. Os lamas tibetanos até hoje praticam com freqüência a observação fixa do céu luminoso e das estrelas. Os imperadores japoneses eram chamados os filhos do sol, porque o xintoísmo é um culto solar. O Buda pertencia a um povo onde seus membros eram chamados os descendentes do sol. No mito xintoísta a deusa do sol mandou seu sobrinho à terra dando-lhe um espelho e uma mensagem: venera este espelho como veneras a nós. Os celtas praticavam a observação fixa dos reflexos do sol na água para desenvolver o dom da adivinhação. O monte Athos, célebre promontório grego coberto de monastérios, foi citado por Heródoto como sítio monástico. Sua vocação mística é, portanto, anterior ao cristianismo e foi cristianizado posteriormente. É um fóssil vivo dos métodos místicos pre-históricos. Ainda hoje, alguns monges recitam a Bíblia olhando fixamente o sol nascente e depois projetam o olhar no umbigo.



Pode ser que, a esta altura, possamos convir, a maioria de nós, que a frase Deus é a luz que guia os homens, pode, deve e tem outro significado neste momento.

O Doutor Lefebure descobriu que quando se observa fixamente uma luz, uma “lâmpada fosfênica” (é imprescindível trabalhar com o material especializado criado pelo Fosfenismo para evitar riscos oculares), aparece no campo visual uma imagem que denominamos “fosfeno”. Esta imagem, longe de ser simplesmente uma imagem de persistência retiniana, é um elemento vinculado a nossa atividade cerebral, psicológica, emocional e espiritual. Assim, trabalhar com o fosfeno com os exercícios de Fosfenismo, favorece a ideação, a concentração, a criatividade, a motricidade, a intuição, etc., além de desenvolver as capacidades sutis e espirituais do indivíduo. Isto é, potencializa a inteligência e a espiritualidade. Nada diferente do que nos dizem todas as religiões, mas desta vez com a possibilidade de compreender o que fazemos, dirigir a nosso bel-prazer essa fantástica força interior para o aspecto que criamos oportunamente, com autonomia, sem restrições, com a alegria própria que dá a consciência e o controle que proporciona, sem dependências, sem álibis. E tudo isso de um modo tão e tão fácil que parece incrível. Estamos acostumados ao pedantismo do complexo, à subordinação do revés, que às vezes não levantamos o olhar para contemplar o evidente, que quando se manifesta, atinge continuamente nossa consciência em forma de sensação, uma sensação extremamente familiar para os praticantes do Fosfenismo.



Pense em uma casa. Já está aí? Bem, agora essa imagem que está dentro de sua cabeça, que você sabe que está, mas eu não, demonstre-me que existe; seu pensamento é seu e só seu, é uma percepção subjetiva, mas como todos a vivenciamos, a convertemos em objetiva. Conhece algo que esteja você pensando ou sentindo que possa exteriorizar-se? Os teósofos falavam das formas-pensamento. De algum modo se especula que ao se pensar em uma casa em seu campo vital se cria efetivamente uma imagem de uma casa. De acordo, mas, pode você emprestar-me sua casa? Não.

Vamos imaginar que olhamos a “lâmpada fosfênica” do Doutor Lefebure. Durante trinta segundos olhamos uma luz especial, extremamente agradável, muito relaxante e com características de temperatura, de cor e de espectro solar, excepcionais, de modo que se utiliza como luz natural; se passado esse tempo fechamos os olhos, em nosso campo visual aparece um sol maravilhoso, se manifesta com vida própria, com um ritmo e com um constante surgir de cores que seguem padrões específicos vinculados a nossa atividade cerebral durante aproximadamente três minutos.

Este sol interior, por certo ponto nevrálgico de todas as iniciações, o vemos você o seu e eu o meu, correto? Assim como a casa. O que ocorre é que podemos demonstrar, graças aos trabalhos do Doutor Lefebure, que tem relação direta com o comportamento mental, psicológico e espiritual da pessoa. Entendido isto, continuemos brincando. Realizamos a experiência uma vez mais, ambos olhamos a “lâmpada fosfênica” trinta segundos e olhamos nosso fosfeno durante três minutos que é parecido com o anterior, não igual - existem sutilezas nas cores, mas poderíamos convir que é parecido.

Agora faremos um fosfeno você e eu de novo. Você fechará os olhos como anteriormente, mas eu não. Com os olhos abertos vou projetar meu fosfeno sobre você, exatamente igual a que se você pensasse em minha casa, só que nesta ocasião verei meu pensamento, o fosfeno. Para sua surpresa sua luz interior, seu sol interior, mudará com relação às experiências anteriores de uma forma excepcional. Você se verá claramente modificado, inclusive, provavelmente veja meu fosfeno dentro do seu. Não é tudo. Freqüentemente a pessoa que realiza a experiência sente algumas sensações físicas muito marcantes.

Meu pensamento se exteriorizou e foi capaz de modificar seu fosfeno. Que espetacular, que impressionante, que caudal energético para utilizar. Que fantástica energia é capaz de, após trinta segundos, trasladar-se e interagir com uma realidade externa desse modo? A luz, o fosfeno, o Fosfenismo.

Isto, que por si só já é absolutamente fantástico e revolucionário, não é nada comparado com o descobrimento de que a energia da luz, o fosfeno, mesclada com um pensamento, traslada toda a força, toda a energia lumínica, essa capaz de exteriorizar-se, ao pensamento associado. Razão pela qual todas as culturas observam a luz, jamais de um modo poético ou marginal, nunca unicamente como elemento de sobrevivência, sempre como um acelerador dos processos mentais e vitais. O problema sempre foi que vivemos a luz com intermediários, xamãs, gurus, iluminados, e um longo, tedioso e conhecido caminho, etc., e o custo de nossa aprendizagem, de nossa evolução, se encareceu.É o que sucede normalmente com os intermediários.



Não fazemos nada sem nossa mente, nossas emoções e nosso espírito. Assim, se o fosfeno as amplifica, imaginamos o que podemos fazer com ele? Tudo. A luz é vida, a vida é luz.

Se algo é complicado, não é interessante. O Fosfenismo não é complicado, é extenso; analisa todos os processos de ativação da consciência. A luz é um deles, mas não o único. Existem outros denominadores comuns na história evolutiva de nosso cérebro utilizados por todas as culturas e religiões que o Fosfenismo explica e põe ao alcance de todo o mundo.

Desde sempre os cientistas, os físicos mais concretamente, buscam sem cessar o que denominam as leis do todo, a teoria unificada, a superforça. Com a física quântica estão muito mais próximos de conseguí-lo. Atualmente se fala da teoria das cordas e das supercordas, que seriam os elementos últimos responsáveis da realidade tal e como a conhecemos. O que as leis da física pretendem ser para o mundo quântico são os descobrimentos fosfênicos para o mundo espiritual e de expansão da consciência. É absolutamente incrível que milhares de cientistas trabalhem para compreender de que está constituída nossa realidade física e nenhum se ocupe das leis que governam nosso desenvolvimento espiritual. É incrível que não se tenha realizado nenhum esforço em buscar uma síntese de tudo o que o homem ao longo da historia fez para evoluir mental e espiritualmente, exceto naturalmente, o Doutor Lefebure. O Fosfenismo explica todas as técnicas iniciáticas à luz do raciocínio científico para colocá-las ao alcance de todo o mundo. Ninguém tinha feito eco do fato de que todas as culturas utilizam a observação do número de pontos de luz, mas esta constatação por si importantíssima, não seria nada sem a explicação científica do como e do porque essa luz, desejada por toda a humanidade, ativa nosso cérebro, nossa psique e nosso espírito.

Por essa razão, não podemos falar do Fosfenismo como uma técnica mais, como um método mais, como uma terapia mais, do mesmo modo que não podemos falar da física quântica de vanguarda em termos de tendência, de moda ou de hipótese. Tanto um como o outro esquadrinham os fundamentos, um da espiritualidade e o outro da realidade física.

Se torna, então, mais evidente a frase com a que termino os prólogos dos livros editados em espanhol: quien no haya quedado fuertemente impresionado por el Fosfenismo, es que no lo ha entendido (quem não tenha ficado fortemente impressionado pelo Fosfenismo, é porque não o entendeu).

Versão original em Espanhol:

Desde el origen de los tiempos el hombre ha buscado la luz, se ha rodeado de luz, ha intentado ser luz, tener, dar y recibir luz, su luz interior la luz del alma, la luz que le guía, la luz que le nutre, la luz que le reconforta. La humanidad, de hecho, ha basado toda su evolución espiritual en conceptos vinculados a la luz.

Todas las religiones, todas las iniciaciones, todos los ritos de expansión de la conciencia han utilizado la luz como eje vertebrador de sus enseñanzas que, además, indefectiblemente se dirigen hacia la luz primordial y que según ellos alumbra su camino y su devenir.

Un hito sin precedentes en la historia de la humanidad es el descubrimiento del fuego. El fuego permite al hombre calentarse, cocinar los alimentos, ahuyentar a los animales, etc. En ese momento no existe alrededor del fuego ninguna liturgia, ninguna poesía, ninguna manipulación del concepto inherente a la palabra fuego, es decir la luz. Efectivamente, hablar de fuego es hablar de luz, pero en esa época primigenia esa luz recién descubierta debía ser vigilada sin cesar, que ese don divino acabado de descubrir desaparecieran súbitamente por un descuido… Perderla debió ser catastrófico y probablemente en alguna ocasión así sucedió. Siempre, en todo momento, en toda circunstancia, el fuego debía estar vigilado, la supervivencia del grupo dependía del cuidado con que esa vigilancia se efectuará. El personaje encargado de vigilar el fuego, es decir, la luz, acabó convirtiéndose en el chamán del grupo, en el personaje más importante, en ese tipo de sociedades. Un sujeto que no sólo atesoraba el poder de la sanación o el poder de la videncia, también ostentaba el liderazgo político del grupo, en definitiva. El chamán, el custodio del fuego, era el ser más preeminente de esas sociedades primitivas.

El clan, el grupo, no hacía más que ser guiado por un observador de la luz, por un guardián del fuego. A partir de ese momento todos los ritos, todas las iniciaciones, todas las religiones se han basado en esa observación de la luz, cuando decimos todas queremos decir todas. La necesidad de liderazgo, de distinción, de poder, a lo largo de la historia, ha hecho que los personajes que antaño controlaron la ciencia de la luz no explicaran los secretos de la misma más que a un reducido grupo para así, alrededor del misterio, edificaron imperios. En ocasiones es difícil, si no se tiene la información, darse cuenta de este denominador común presente en todos los procesos de activación psicológica y espiritual. Por ejemplo, cuando hablamos de la luz hablamos del sol, del cielo luminoso, de los reflejos del sol en el agua o también en cualquier superficie pulida, de la observación de las estrellas, de la observación de la luna, de los ejercicios de fijación de la mirada en una vela, etc., de un modo o de otro siempre se ha procurado mirar la luz.

Alexandra David-Neel fue una reconocida investigadora de los ejercicios que se realizaban en el Tíbet. Ella descubrió que había un grueso secreto y custodiado libro que explicaba cómo interpretar los signos que aparecen cuando se observa fijamente el sol. El emperador romano Juliano, (llamado el apóstata, el que reniega de su fe) llegó a ordenar a sus soldados rezar mirando fijamente al sol (la observación fija apenas dura dos o tres segundos), fue uno de los muchos que fueron iniciados en el culto solar de la religión de Mitra.

Imagina que a Dios como una luz en la luz es una frase importante en el Corán. Los incas rezaban mirando el sol. En Fátima, 70.000 personas vieron bailar, temblar y oscurecerse el sol. Así pues, 70.000 personas miraron al sol. En Saint-Paul-d’Espis (Tarn y Garona, Francia), en 1947, se produjeron cuatro «prodigios solares» parecidos a los de Fátima delante de varios centenares de personas. La Iglesia prohibió a los fieles y al clero publicar cualquier cosa referente a esas «danzas del sol». La razón de esta prohibición es clara: como el comienzo y el desarrollo eran parecidos a los de Fátima, y también a los de Tilly-sur-Seulles (Calvados, Francia) hacia 1900, habría resultado evidente, al compararlos, que lo que ocurrió en Fátima no fue una «suspensión de las leyes naturales» sino un fenómeno científico estudiable. Etimológicamente la palabra adoración proviene del latín adorâre que quiere decir rezar, de modo que, cuando se habla de adorar al sol se está hablando de rezar mirando fijamente el sol como hacen los zoroástricos. La definición de la palabra «mago», según los diccionarios, es sacerdote de Zaratustra... Los taoístas fueron perseguidos por explicar los secretos de sus señores. Ellos practicaban observaciones fijas del reflejo del sol en un espejo y de los reflejos de la luna sobre una concha muy pulida. Los cátaros rezaban mirando fijamente el sol, porque según decían Cristo así lo había enseñado. Su refugio, el castillo de Montsegur, fue construido como un templo solar. La luz impulsa hacia el bien, Manès, (Les cathares de Montségur, Fernand Niel, Ed. Berghers), por eso había ordenado a los maniqueos que rezaran siete veces al día mirando fijamente el sol. Fue condenado a muerte por el clero zoroástrico de la época, que no quería este retorno a las fuentes. Según ciertas tradiciones, en sus orígenes, los peregrinos hacía Santiago de Compostela utilizaban la concha como pequeño recipiente para poner agua y debían rezar mirando fijamente el reflejo del sol en esa agua.

En los misterios de Eleusis al iniciado se le recluía en una cueva y debía mirar una antorcha para más tarde con los ojos vendados observar lo que pasaba en su campo visual. En ese momento debía pensar en una espiga de trigo. Desvelar el secreto estaba penado con la muerte. En Egipto fue Akenaton quien instauró el culto al sol. Tras su muerte los sacerdotes hicieron desaparecer completamente las huellas de su recuerdo. Los emperadores chinos recibían el nombre de hijos del cielo porque según se decía obtenían su poder del cielo. La religión arcaica china era un culto del cielo luminoso. Los lamas tibetanos todavía hoy practican con frecuencia la observación fija del cielo luminoso y de las estrellas. Los emperadores japoneses eran llamados los hijos del sol, porque el sintoísmo es un culto solar. El buda pertenecía a un pueblo donde sus miembros se hacía llamar los descendientes del sol. En el mito Shinto la diosa del sol mandó a su sobrino a la tierra dándole un espejo y un mensaje: venera este espejo cómo nos veneras a nosotros. Los celtas practicaban la observación fija de los reflejos del sol en agua para desarrollar el don de la adivinación. En el monte Athos, célebre promontorio griego cubierto de monasterios, fue citado por Herodoto como sitio monacal. Su vocación mística es, por consiguiente, anterior al cristianismo y fue cristianizado posteriormente. Es un fósil viviente de los métodos místicos prehistóricos. Todavía hoy, algunos monjes recitan la Biblia mirando fijamente el sol naciente y después proyectan la mirada en el ombligo.

Puede que a estas alturas podamos convenir, la mayoría de nosotros, que la frase: Dios es la luz que guía a los hombres, puede, debe y tiene otro significado en este momento.

El Doctor Lefebure descubrió que cuando se mira fijamente una luz, una «lámpara fosfénica» (es imprescindible trabajar con el material especializado creado por Fosfenismo para evitar riesgos oculares), aparece en el campo visual una imagen que denominamos fosfeno. Esta imagen, lejos de ser simplemente una imagen de persistencia retiniana, es un elemento vinculado a nuestra actividad cerebral, psicológica, emocional y espiritual. Así pues trabajar con el fosfeno con los ejercicios de Fosfenismo, favorece la ideación, la concentración, la creatividad, la motricidad, la intuición, etc., además de desarrollar las capacidades sutiles y espirituales del individuo. Es decir, potencializa la inteligencia y la espiritualidad. Nada distinto a lo que nos han dicho todas las religiones, pero esta vez con la posibilidad de comprender lo que hacemos, dirigir a nuestro antojo esa fantástica fuerza interior hacia el aspecto que creamos oportuno, con autonomía, sin restricciones, con la alegría propia que da la conciencia y el control que proporciona, sin dependencias, sin coartadas. Y todo ello de un modo, tan y tan fácil que parece increíble. Estamos acostumbrados a la pedantería de lo complejo a la subordinación de lo enrevesado y en ocasiones no alzamos la mirada para contemplar lo evidente, que cuando se manifiesta, golpea una y otra vez nuestra conciencia en forma de sensación, una sensación extremadamente familiar para los practicantes del Fosfenismo.

Piense en una casa. ¿Ya está? Bien, ahora esa imagen que está dentro de su cabeza, que usted sabe que está, pero yo no, demuéstreme que existe; su pensamiento es suyo y solo suyo, es una percepción subjetiva, pero como todos la vivimos la convertimos en objetiva. ¿Conoce algo que esté usted pensando o sintiendo que pueda exteriorizarse? Los teósofos hablaban de las formas-pensamiento. De algún modo se especula que si piensa en una casa en su campo vital se crea efectivamente una imagen de una casa. De acuerdo, pero, ¿puede usted prestarme su casa? No.

Vamos a imaginar que miramos la «lámpara fosfénica» del Doctor Lefebure. Durante treinta segundos miramos una luz especial, extremadamente agradable, muy relajante y con unas características de temperatura de color y de espectro solar, excepcionales, de hecho se utiliza como luz natural; si pasado ese tiempo cerramos los ojos, en nuestro campo visual aparece un sol maravilloso, se manifiesta con vida propia, con un ritmo y con un constante devenir de colores que siguen unos patrones específicos vinculados nuestra actividad cerebral durante aproximadamente tres minutos.

Este sol interior, por cierto punto neurálgico de todas las iniciaciones, lo hemos visto usted el suyo y yo el mío, ¿correcto? De hecho como la casa. Lo que ocurre es que podemos demostrar, gracias a los trabajos del Doctor Lefebure, que tiene relación directa con el comportamiento mental, psicológico y espiritual de la persona. Entendido esto, vamos a continuar jugando. Realizamos la experiencia una vez más, los dos miramos la «lámpara fosfénica» treinta segundos y miramos nuestro fosfeno durante tres minutos que es parecido al anterior, no igual, existen sutilezas en los colores, pero podríamos convenir que es parecido.

Ahora haremos un fosfeno usted y yo de nuevo. Usted cerrará los ojos como anteriormente pero yo no. Con los ojos abiertos voy a proyectar mi fosfeno sobre usted, exactamente igual que si, sobre usted pensara en mi casa, sólo que en esta ocasión voy a ver mi pensamiento, el fosfeno. Para su sorpresa su luz interior, su sol interior, cambiará respecto a las experiencias anteriores de una forma excepcional. Se verá claramente modificado, incluso, probablemente vea mi fosfeno dentro del suyo. No es todo. Frecuentemente la persona que realiza la experiencia siente unas sensaciones físicas muy marcadas.

Mi pensamiento se ha exteriorizado y ha sido capaz de modificar su fosfeno. Que espectacular, que impresionante, que caudal energético para utilizar. ¿Que fantástica energía es capaz de, tras treinta segundos, trasladarse e interactuar con una realidad externa de ese modo? La luz, el fosfeno, el Fosfenismo.

Esto que ya de por sí es absolutamente fantástico y revolucionario, no es nada comparado con el descubrimiento de que la energía de la luz, fosfeno, mezclada con un pensamiento, traslada toda la fuerza, toda la energía lumínica, esa capaz de exteriorizarse, al pensamiento asociado. Razón por la cual todas las culturas han mirado la luz, jamás de un modo poético o marginal, nunca únicamente como elemento de supervivencia, siempre como un acelerador de los procesos mentales y vitales. El problema siempre ha sido que hemos vivido la luz con intermediarios, chamanes, gurús, iluminados, y un largo, tedioso y conocido, etc., y el coste de nuestro aprendizaje, de nuestra evolución, se ha encarecido. Es lo que sucede normalmente con los intermediarios.

No hacemos nada sin nuestra mente, nuestras emociones y nuestro espíritu. Así pues, si el fosfeno las amplifica, ¿se imagina lo que podemos hacer con él? Todo. La luz es vida, la vida es luz.

Si algo es complicado, no es interesante. El Fosfenismo no es complicado, es extenso; analiza todos los procesos de activación de la conciencia. La luz es uno de ellos, pero no el único. Existen otros denominadores comunes en la historia evolutiva de nuestro cerebro utilizados por todas las culturas y religiones que el Fosfenismo explica y pone al alcance de todo el mundo.

Desde siempre los científicos, los físicos más concretamente, buscan sin cesar lo que denominan las leyes del todo, la teoría unificada, la superfuerza. Con la física cuántica están mucho más cerca de conseguirlo. Actualmente se está hablando de la teoría de las cuerdas y de las supercuerdas, que serían los elementos últimos responsables de la realidad tal y como la conocemos. Lo que las leyes de la física pretenden ser al mundo cuántico son los descubrimientos fosfénicos al mundo espiritual y de expansión de la conciencia. Es absolutamente increíble que miles de científicos trabajen para comprender de que está constituida nuestra realidad física y ninguno se ocupe de las leyes que gobiernan nuestro desarrolló espiritual. Es increíble que no se haya realizado ningún esfuerzo en buscar una síntesis de todo lo que el hombre a lo largo de la historia ha hecho para evolucionar mental y espiritualmente, excepto naturalmente, el Doctor Lefebure. El Fosfenismo explica todas las técnicas iniciáticas a la luz del razonamiento científico para ponerlas al alcance de todo el mundo. Nadie se había hecho eco del hecho de que todas las culturas hayan utilizado la observación cifra de puntos de luz, pero esta constatación ya de por sí importantísima, no sería nada sin la explicación científica del como y el porqué esa luz, anhelada por toda la humanidad, activa nuestro cerebro, nuestra psique y nuestro espíritu.

Por esa razón, no podemos hablar del Fosfenismo como una técnica más, como un método más, como una terapéutica más, del mismo modo que no podemos hablar de la física cuántica de vanguardia en términos de tendencia, de moda o de hipótesis. Tanto uno como la otra escudriñan los cimientos, uno de la espiritualidad y la otra de la realidad física.

Se hace pues más evidente la frase con la que suelo terminar los prólogos de los libros editados al castellano: quien no haya quedado fuertemente impresionado por el Fosfenismo, es que no lo ha entendido.

 

Psicologia Transpessoal - em busca da unidade do ser

Parte 4 - O enfoque holístico em Psicologia

Ana Maria Garcez




"O homem é livre de tudo o que sabe e escravo de tudo o que ignora." (Rohden)

"Deus dorme nos minerais, sente nos vegetais, sonha nos animais e desperta no homem." (Ditado oriental antigo)

"Um em tudo
O tudo em Um.
Se apenas isto por compreendido
Não te preocupes mais com tua imperfeição."
(Seng Tsan)

"De uma determinada geração de homens e mulheres bem poucos alcançam a finalidade suprema da vida humana. A oportunidade de chegar ao conhecimento unitivo será , de uma forma ou de outra, oferecida, até que todos os seres humanos compreendam, de fato, quem eles são." (Aldous Huxley)

4.1 A Psicologia Transpessoal

O desenvolvimento da psicologia humanista, na década de sessenta, afirma Capra (1993), com sua ênfase sobre a auto-realização, gerou um novo movimento que tratava dos aspectos espirituais, transcendentes ou místicos da auto-realização. Este movimento foi denominado "Psicologia Transpessoal".

Como seus interesses aproximam-se das tradições espirituais, muitos psicólogos que aderiram a esse movimento, trabalham em sistemas conceituais que pretendem unir e integrar a psicologia na busca espiritual.

No nível transpessoal, conforme este autor:

"(...) o objetivo da terapia é ajudar os pacientes a integrar suas experiências transpessoais com suas formas ordinárias de consciência no processo de crescimento interior e desenvolvimento espiritual." (p.373)

Os modelos conceituais que se ocupam do domínio transpessoal, segundo este autor, incluem a psicologia analítica de Jung, a psicologia do ser de Maslov, e a psicossíntese de Assagioli.

Segundo Capra (1993), ao romper com Freud, Jung abandonou os modelos newtonianos de psicanálise e desenvolveu numerosos conceitos que são inteiramente compatíveis com os da física moderna e da teoria geral dos sistemas. Revela que Jung estava consciente dessas semelhanças pois mantinha contato estreito com muitos dos mais eminentes físicos de seu tempo.

Este mesmo autor destaca as diferenças entre as concepções de Freud e Jung. Aponta que a teoria freudiana da mente baseava-se no conceito do organismo humano como uma complexa má quina biológica, onde a vida mental, na saúde e na doença, refletia a interação de forças instintivas no interior do organismo e seus choques com o mundo exterior. Assinala que apesar das concepções de Freud sobre a dinâmica destes fenômenos terem mudado com o tempo, este nunca abandonou sua orientação cartesiana básica. Jung, no entanto, comenta o autor, não estava interessado em explicar os fenômenos psicológicos em termos de mecanismos específicos, mas tentou, diferentemente, compreender a psique em sua totalidade, especialmente suas relações com o meio ambiente mais vasto.

Conforme Capra (1993), Jung via a psique como um sistema dinâmico auto-regulador, caracterizado por flutuações entre pólos opostos, tendo usado o termo "libido" para descrever sua dinâmica, porém dando-lhe um significado muito diferente de Freud. Acrescentando que, para Freud, "libido" era um impulso instintivo intimamente ligado à sexualidade, com propriedades semelhantes às de uma força na mecânica newtoniana, enquanto Jung concebeu a libido como uma "energia psíquica" geral, considerando-a uma manifestação da dinâmica básica da vida.

Constata o autor, no entanto, que a diferença fundamental entre as psicologias de Freud e de Jung está em suas respectivas concepções do inconsciente.

Observa que o inconsciente para Freud era predominantemente de natureza pessoal, contendo elementos que nunca foram conscientes e outros que foram esquecidos ou reprimidos. Por seu lado, Jung reconheceu essa posição mas considerava o inconsciente muito mais do que isso. Para ele, o inconsciente era a própria fonte da consciência, sendo que já existe ao nascer. Grof (1987) esclarece que para Jung o inconsciente não era um depósito psicobiológico de tendências instintivas rejeitadas, memórias reprimidas e proibições assimiladas subconscientemente, como pensava Freud, mas o via como um princípio criativo e inteligente, ligando o indivíduo a toda a humanidade, à natureza e a todo o cosmos.

Ressalta que, através da análise de seus próprio sonhos e dos sonhos e fantasias de seus pacientes, Jung descobriu que estes contém imagens e motivos que podem ser encontrados nos mais diversos pontos da terra assim como em diferentes períodos da história da humanidade.

Desta forma suas observações o levaram a concluir que há um inconsciente coletivo, além do inconsciente individual, que é comum a toda a humanidade. O conceito de inconsciente coletivo, complementa, propõe um vínculo entre o indivíduo e a humanidade como um todo, envolvendo padrões formados pelas experiências remotas da humanidade, que refletem-se em sonhos assim como nos motivos universais de mitos e contos de fada no mundo inteiro.

Franz (s.d.) afirma que os conceitos de inconsciente coletivo e arquétipos de Jung sofreram muitas interpretações errôneas. Ela esclarece que na concepção de Jung, os arquétipos são os dinamismos inconscientes por trás das representações coletivas conscientes, acrescentando que eles a produzem, mas não são idênticas a elas. Revela também que Jung enfatizou que os arquétipos são estruturas que só podem ser isoladas de modo relativo pois se interpenetram num grau extraordinário, sendo possível na prática estabelecer associações de sentido, de motivo e de identidade entre todos os símbolos arquetípicos, mas que uma delimitação racional de certos motivos é arbitrária.

Segundo Fadimam e Frager (1979) o conceito de inconsciente coletivo constitui uma das maiores contribuições da obra de Jung à Psicologia.

Acrescentam que Jung dedicou-se ao estudo das antigas tradições ocidentais e orientais sendo que estas últimas lhe forneceram a primeira confirmação exterior de muitas de suas próprias idéias, especialmente do seu conceito de individuação.

Os mesmos autores apontam que:

"Jung descobriu que as descrições orientais do crescimento espiritual, do desenvolvimento psíquico e da integração, correspondem rigorosamente ao processo de individuação que ele observou em seus pacientes ocidentais." (p.46)

No entanto preocupou-se em apontar importantes diferenças entre os caminhos de individuação oriental e ocidental, pois reconhece que a estrutura social e cultural onde o processo ocorre, é muito diferente no Oriente e no Ocidente.

Conforme Hall (1981), Jung enfatizou que o alvo da vida é a individuação, e que segundo ele, a individuação é a manifestação, na vida, do potencial inato e congênito da pessoa. Acentua que a individuação é mais uma busca do que um alvo e que, o ego neste processo, alcança, repetidas vezes, pontos nos quais deve transcender a imagem que fazia de si mesmo até então. Revela, por isso, que é uma experiência dolorosa. Este autor afirma que muitos sintomas neuróticos são causados pela tentativa do ego no sentido de recuar diante de um desenvolvimento necessário no processo de individuação, e que Jung propunha que o sujeito "vivenciasse" seu conflito interno até chegar a uma solução, não apenas lidando com os sintomas no sentido de eliminá-los. Isso pressupõe, acrescenta ele, que a pessoa "participe" do seu sofrimento, ao invés de ser uma vítima passiva.

Revela ainda este autor que a individuação descreve "o processo pelo qual as potencialidades de uma psique particular se manifestam no curso de uma história de vida." (1988, p. 64)

Outro importante conceito desenvolvido por Jung foi o se "sincronicidade". Consiste segundo Franz (s.d.) numa conexão entre um evento interior (sonho, fantasia, pressentimento) e um evento exterior, que não é considerado causal, ou seja, de causa e efeito, mas antes de uma relativa simultaneidade, apresentando-se ambos os eventos um mesmo significado para o indivíduo que passa pela experiência.

O princípio da sincronicidade, conforme Jaffé (1988), tornou possível a classificação científica e a compreensão de numerosos fenômenos até então inexplicáveis. Com base nesses conhecimentos, afirma, a parapsicologia passou a ser a ponte entre a psicologia do inconsciente e a microfísica.

Jaffé (1988) revela que para Jung, a parapsicologia não era apenas objeto de pesquisa científica, experiências e teoria, já que sua própria vida era rica de experiências pessoais no domínio dos fenômenos espontâneos e acausais ou misteriosos.

No entanto, afirma ela, os fenômenos ocultos revelados em certas ocorrências acausais, as percepções extra-sensoriais, consistiram para Jung, motivo de grande interesse. J. B. Rhine comprovou estatisticamente através de experiências, que o homem possui a faculdade paranormal de ter percepções extra-sensoriais (ESP). A partir daí, Jung apoiou-se amplamente nos resultados positivos das pesquisas de Rhine. Acrescenta ainda a autora que a principal objeção à sustentação científica dos fenômenos parapsicológicos baseia-se na impossibilidade da explicação causal, sendo que para o homem ocidental é uma dificuldade quase insuperável abandonar a categoria da causalidade - válida como absoluta desde Descartes - e aceitar a realidade das relações acausais.

Entretanto, acrescenta esta autora, Jung constatou que em determinadas circunstâncias há necessidade de recorrer à outro princípio elucidativo, no caso a sincronicidade.

Atualmente, este ponto de vista parece estar sendo confirmado por numerosas conquistas na física.

Grof (1987), acredita que a contribuição fundamental de Jung para a psicoterapia foi seu reconhecimento das dimensões espirituais da psique e suas descobertas nos campos transpessoais. Revela ainda que o material resultante das inúmeras pesquisas psicodélicas que realizou, sustenta a existência do inconsciente coletivo, da dinâmica das estruturas arquetípicas, da compreensão junguiana da natureza da libido, da distinção feita por Jung entre ego e self, do reconhecimento da função criativa do inconsciente, do processo da individuação e da sincronicidade. Ressalta que as diferenças encontradas nos conceitos junguianos em relação às suas experiências psicodélicas são relativamente poucas, se comparadas com as similaridades ou concordâncias.

Segundo Grof (1987) cabe a Maslow o crédito pela primeira formulação explícita dos princípios da psicologia transpessoal.

Uma de suas grandes contribuições, destaca este autor, foi seu estudo sobre indivíduos que tiveram espontaneamente, experiências místicas ou de "pico". Refere o autor que na psicoterapia tradicional, experiências místicas de qualquer tipo são consideradas sérias psicopatologias, e encaradas como processo psicótico. Porém revela que Maslow, em seu estudo, demonstrou que as pessoas que tiveram experiências espontâneas de "pico" beneficiavam-se delas com freqüência e mostravam uma clara tendência para a auto-realização. A partir desse fato delineou os fundamentos de uma nova psicologia.

Conforme Frick (1973) Maslow propunha uma ciência menos preocupada com a tecnologia e a an lise reducionista e mais comprometida com uma concepção holista, funcional e dinâmica. Revela que Maslow chamou este enfoque de "ponto de vista holista-dinâmico".

Outro sistema de psicologia a ser abordado aqui é a "psicossíntese", desenvolvido pelo psiquiatra italiano Assagioli.

A psicossíntese constitui, conforme Grof (1987), uma nova técnica de terapia e auto-exploração, cujo sistema conceitual é fundamentado na suposição de que o indivíduo está em um constante processo de crescimento, atualizando seu potencial oculto. Focaliza os elementos positivos e criativos da natureza humana e acentua a importância funcional da vontade.

O processo terapêutico da psicossíntese, resume o referido autor, envolve quatro estágios consecutivos. Primeiramente o cliente toma conhecimento de v rios elementos de sua personalidade. O passo seguinte é a desidentificação com esses elementos e a tentativa de controlá-los. Após descobrir gradualmente seu centro psicológico unificado, é possível ao cliente a realização total da psicossíntese, que se caracteriza pela culminância do processo de auto-realização e integração dos "eus" à volta do novo centro.

Conforme Assagioli (1982), entretanto, os vários estágios do processo da psicossíntese estão intimamente inter-relacionados e não precisam ser seguidos numa estrita sucessão de fases ou períodos distintos. O processo pode ser iniciado em vários pontos simultaneamente e os diferentes métodos podem ser criteriosamente alternados de acordo com as circunstâncias e as condições internas.

De acordo com Assagioli (1982, p. 43), a psicossíntese é ou pode tornar-se:

"Um método de desenvolvimento psicológico e de auto-realização para aqueles que se recusam a permanecer escravos de seus próprios fantasmas interiores ou de influências externas, que se recusam a submeter-se passivamente ao jogo de forças psicológicas em curso dentro dela, e que estão determinados a tornarem-se os senhores de suas próprias vidas."

O modelo descrito por Assagioli, aproxima-se bastante das concepções junguianas.

É preciso fazer referência, ainda, ao trabalho desenvolvido por Pierre Weil, psicólogo e estudioso da Psicologia Transpessoal.

Segundo Weil (1991), a Psicologia Transpessoal, como um ramo da psicologia especializada no estudo dos estados de consciência, lida especialmente com a "experiência cósmica", "ou os estados ditos superiores" ou "ampliados" da consciência, que consistem na entrada numa dimensão fora da do espaço-tempo tal como se percebe pelos cinco sentidos. Trata-se, portanto, de uma ampliação da consciência comum que leva a uma realidade que se aproxima muito dos conceitos da física moderna.

Weil (1979), procura definir os diferentes estados de consciência existentes.

Refere que Tart definiu um estado de consciência como um sistema feito de subsistemas e estruturas sendo que, como sistema, um estado de consciência é um conjunto de eventos energéticos.

Este autor cita como exemplo que no estado de consciência de vigília, percebemos um pedra com sua cor acinzentada, suas nuanças, sua forma e textura. No estado de consciência cósmica, percebemos a estrutura atômica e energética desta pedra e podemos, inclusive, "viajar" dentro dela até nos confundirmos com a mesma, quando desapareceria a diferença observador e objeto observado. Conclui que em cada estado de consciência percebemos a mesma realidade de modo diferente, mas nem por isto mais ou menos verdadeiros.

Os principais estados de consciência que são conhecidos atualmente, segundo a descrição do referido autor são:

1 - Estado de consciência de sono profundo (sem sonhos): Registro no eletroencefalograma de ondas delta, extremamente lentas, abaixo de quatro ciclos por segundo. Os olhos ficam imóveis. Desaparece o mundo do ego (mente, emoções, os cinco sentidos), da dualidade, da tridimensionalidade do tempo e do espaço. A consciência forma uma unidade com a consciência universal ou cósmica.

2 - Estado de consciência de sonho

3 - Estado de consciência de devaneios: Estado intermediário entre o de vigília e o de sonho. Neste estado surgem as idéias criativas. A atenção é difusa e há receptividade. O eletroencefalograma registra uma predominância de ondas alfa, de 9 a 13 ciclos por segundo.

4 - Estado de consciência de vigília: Mais comum e mais conhecido de todos. Estado de consciência que nos encontramos quando estamos acordados, pensando, trabalhando, etc. No registro eletroencefalográfico, aparecem ondas beta, de freqüência bastante rápida, de 14 a 26 ciclos por segundo).

5 - Estado de despertar: Estado intermediário entre a consciência cósmica e a consciência individual no seu estado de vigília. O campo da consciência se amplifica. A concentração em estado de relaxamento profundo e a meditação são os instrumentos ideais para penetrar neste estado.

6 - Estados transpessoal ou de consciência cósmica: Resultante de uma integração do estado de consciência de sono profundo no de sonho, devaneio e vigília. Quanto mais expandida a consciência, tanto menor a freqüência das ondas do cérebro.

7 - Outros estados de consciência: Recebem outras denominações por serem induzidos de fora (por drogas, pela ação direta de outra pessoa, etc.). Estão dentro das faixas dos estados de consciência descritos.

Sendo a "consciência cósmica" o objeto essencial da Psicologia Transpessoal é necessário definir esse termo, a fim de explicitar o que ele representa.

A "consciência cósmica", segundo Weil (1989):

"(...) traduz uma experiência em que determinadas pessoas percebem a unidade do Cosmos e se percebem dentro dela (e não fora, como muitos poderiam imaginar); a experiência é acompanhada de sentimentos de profunda paz, plenitude, amor a todos os seres. Compreende-se de um relance o funcionamento e a razão de ser dos Universos, a relatividade das três dimensões do tempo e do espaço, a insignificância e ilusão do mundo em que vivemos, os erros monumentais cometidos por muitos seres humanos; uma iluminação acompanha muitas destas percepções. A morte é vista apenas como uma passagem para outra espécie de existência e o medo dela desaparece totalmente. Ela pode ser e é, em geral, o resultado de uma longa e lenta evolução; às vezes, no entanto, ela constitui o início de uma profunda transformação no sentido dos valores mais elevados da humanidade; neste último caso ela acontece em momento inesperado." (p.19)

Tabone (1988) refere que:

"Dentro da perspectiva da psicoterapia transpessoal é reconhecido o potencial humano para experimentar uma ampla gama de "estados alterados de consciência". Estes estados, que muitas vezes implicam uma expansão de identidade, são vistos como potencialmente úteis, saudáveis e provavelmente como tendo funções específicas." (p.104)

A psicoterapia transpessoal, afirma esta autora, "tem sido profundamente influenciada pelo Budismo, um dos mais antigos sistemas médico-filosóficos conhecidos, cujo conteúdo ético, religioso e espiritual é de grande profundidade." (p.105)

A psicologia budista, destaca, é vista como um suporte capaz de auxiliar o homem em sua busca do significado da vida e compreensão de si mesmo, da mente e da natureza da experiência.

Acrescenta que os psicólogos transpessoais estão buscando os ensinamentos espirituais e a sabedoria oriental. A abordagem transpessoal visa a integração de tais conhecimentos com a visão científica da psicologia ocidental, com o objetivo de desenvolver uma nova ciência e um novo modo de viver.

Jung (1983) revela que o ocidente possui uma tendência extrovertida e o oriente uma tendência introvertida. Por isso possuem uma característica complementar. Afirma que:

"No oriente o homem interior sempre exerceu sobre o homem exterior um poder de tal natureza que o mundo nunca teve oportunidade de separá -lo de suas raízes profundas. No ocidente, pelo contrário, o homem exterior sempre esteve de tal modo no primeiro plano, que se alienou de sua essência mais íntima." (p.498)

Assinala que ambos são unilaterais, o primeiro subestimando o mundo da consciência reflexa e o segundo, o mundo do espírito uno.

Com essa atitude extrema, afirma, ambos perdem metade do Universo e sua vida separa-se da realidade total.

Ao constatar que o homem ocidental tomou conhecimento da maneira de pensar do oriental, ao invés de aprendermos decór as técnicas espirituais do oriente e tentar imitá-las numa atitude forçada, deveríamos antes procurar ver se não existe no inconsciente uma tendência introvertida que se assemelhe ao princípio espiritual básico do Oriente.

Esta posição decorre do fato de ele reconhecer as diferenças fundamentais entre um e outro pólo, oriental e ocidental, e entender que deve haver uma busca de complementação, não uma inversão total de valores. Este também é o pensamento da Capra (1983) quando reconhece que não podemos adotar as tradições espiritualistas orientais no Ocidente sem, alterá-las em muitos aspectos importantes, para adaptá-las à nossa cultura.

A Psicologia Transpessoal, segundo Tabone (1988), considerando sua visão integradora do homem, do Universo e desta relação entre ambos, busca a união da moderna pesquisa científica da consciência com a tradição esotérica do mundo ocidental e oriental.

De acordo com esta autora os conceitos da psicoterapia transpessoal fundamentam-se na visão holística da realidade e correspondem às necessidades culturais e científicas do novo paradigma. O homem é visto como um sistema ou totalidade cuja estrutura específica emerge da interação dos níveis da consciência - físico, emocional, mental, existencial e espiritual - interligados e interdependentes.

O objetivo desses sistemas voltados para o nível transpessoal, observa Tabone (1988) é:

"Expandir a consciência e direcionar o processo de crescimento interior ou desenvolvimento espiritual rumo à consciência unitiva. Eles são indicados para as pessoas que intuem a totalidade e estão conscientizadas quanto às limitações da identificação exclusiva como o nível egóico." (p.170)

Conforme Capra (1991) a nova psicologia que surge, compatível com a visão sistêmica de vida (que vê o mundo em termos de relações e de integração) e que se harmoniza com as concepções defendidas pelas tradições espirituais, ainda não é uma teoria completa, desenvolvendo-se até agora na forma de modelos, idéias e técnicas terapêuticas pouco interligadas.

Este autor acredita que a nova psicologia tem uma perspectiva holística e dinâmica, considerando o organismo humano um todo integrado que envolve padrões físicos e psicológicos interdependentes.

Afirma ele que o foco da psicologia está se transferindo agora das estruturas psicológicas para os processos subjacentes, sendo a psique humana vista como um sistema dinâmico que envolve uma variedade de funções.

Ressalta este autor como uma grande conquista da psicologia contemporânea, uma adaptação da abordagem bootstrap à compreensão da psique humana. De acordo com essa abordagem, afirma, pode não haver uma teoria capaz de explicar o espectro total de fenômenos psicológicos, e tal como os físicos, os psicólogos terão que se contentar com uma rede de modelos interligados, usando diferentes linguagens para descrever distintos aspectos e níveis de realidade.

CONCLUSÃO

A partir da constatação da inadequação da ciência mecanicista para explicar certos fenômenos da física atômica e subatômica, revelou-se a necessidade da busca de um novo paradigma.

Com a mudança nos conceitos de realidade ocasionadas pela Física moderna, começa a surgir uma nova e consistente visão de mundo, que pode ser qualificada como orgânica, holística e ecológica.

O Universo passa a ser visto como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas, sendo entendidas dentro de um processo cósmico. Esta visão é compartilhada pelos místicos orientais, e uma identificação dos paralelismos entre a Física moderna e as concepções das tradições orientais foi realizada por Capra.

Essas similaridades, no entanto, que decorrem da metafísica da Física quântica, revelam apenas que as duas abordagens são complementares, uma vez que o físico experimenta o mundo através da mente racional e o místico da mente intuitiva. Como suas visões são convergentes, apesar da aparente falta de relação entre ambas, é necessário buscar não uma síntese, mas uma interação dinâmica entre a intuição mística e a análise científica. Assim, encontraremos um ponto de equilíbrio.

É preciso ressaltar que a nova concepção de Universo que surge não desqualifica a física newtoniana, mesmo porque os problemas surgem da aplicação da visão de mundo mecanicista e não da aplicação da física newtoniana.

Além disso, uma mudança de paradigma significa, essencialmente, que a abordagem anterior era limitada e não falsa. A ciência moderna demonstra, inclusive, que todas as teorias científicas são aproximações da verdadeira natureza da realidade.

Com relação às limitações impostas pelo paradigma mecanicista às diferentes áreas do conhecimento, acredito, como Capra, que cada ciência terá que identificar essas restrições em seu respectivo contexto.

Uma questão que decorre diretamente do modelo científico tradicional, reducionista, é a impossibilidade da formulação de enunciados científicos nas pesquisas da consciência em Psicologia. A ciência clássica está associada somente aos enunciados quantitativos e à medição, e a crítica que se faz é que ela é incapaz de lidar com a experiência, a qualidade ou os valores e, portanto, inadequada para compreender a natureza da consciência, uma experiência central do nosso mundo interior. Impõe-se, portanto, uma redefinição do conceito de ciência a fim de possibilitar o avanço da Psicologia, assim como de outros campos do conhecimento.

A teoria quântica já revelou o papel crucial da consciência do observador no processo de observação, descartando a tradicional idéia de uma descrição objetiva da natureza.

Na Psicologia, a ciência mecanicista não é apropriada ao estudo da pessoa global. É necessária, portanto, uma ciência baseada na experiência e na qualidade, de caráter complementar a abordagem já existente, que possibilite atingir a compreensão global da pessoa.

A visão de mundo holística, que enfatiza o todo em vez das partes, constitui o aspecto central do novo paradigma.

Comentei neste trabalho sobre as teorias psicológicas que apresentaram contribuições para uma compreensão mais global do ser humano, em reação às concepções existentes nas quais predominava a abordagem newtoniana.

Esses novos conceitos procuraram mostrar a relação indissociável mente-corpo, através do argumento de que o organismo é uma unidade integrada, de que o ser humano deve ser entendido como uma totalidade organizada, que busca espontaneamente o crescimento interior e a auto-realização.

Essas concepções culminaram no movimento transpessoal, que indo um pouco mais além, considera a dimensão espiritual do ser humano. As formulações psicológicas de Jung já consideravam as dimensões espirituais da psique.

Desta forma, a Psicologia Transpessoal ocupa-se com a expansão dos campos da pesquisa psicológica, incluindo os estudos dos estados de consciência, que possibilitam o conhecimento dos níveis que podem ser alcançados pelo homem, alguns dos quais estendem-se além dos limites usuais do ego e da personalidade.

O objetivo da expansão da consciência relaciona-se com o processo de crescimento interior, com o desenvolvimento espiritual em direção à unidade.

A abordagem transpessoal constitui, portanto, uma ampliação das concepções psicológicas tradicionais. E como tem uma proposta holística, não descarta a perspectiva científica ocidental, mas procura integrá-la à visão das tradições místicas orientais, configurando, assim, uma interação de abordagens complementares em benefício do ser.

Contudo, quero ressaltar que acredito que o desenvolvimento da Psicologia Transpessoal nos colocar bem mais próximos de solucionar antigas questões, que aguardam uma formulação e um entendimento mais convincente e consistente, como por exemplo, a questão da doença mental (psicose). O conceito de saúde mental, a partir deste novo enfoque holista, igualmente dever ser reformulado ao considerar a capacidade do indivíduo para integrar em sua vida, suas experiências de natureza incomum.

Finalmente, gostaria de registrar que me sinto gratificada pela oportunidade de desenvolver este estudo sobre um tema com o qual me identifico e sobre o qual nem sequer ouvi referências em todos estes anos de formação acadêmica, o que é compreensível. Procurei, assim, preencher esta lacuna, embora de forma breve, ressaltando que me sinto satisfeita pela possibilidade de explorar um campo que restitui ao homem seu caráter integral, unindo intuição e razão.

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