sábado, 10 de fevereiro de 2007

 

Entrevista: Eustáquio Andrea Patounas




Eustáquio Andrea Patounas

Por uma Ufologia Holística

Entrevista concedida a Paulo Stekel pelo ufólogo e apresentador do programa “Vida Inteligente”, da TV Floripa – Canal 4 da NET

Ficamos muito felizes pelo fato de ser Eustáquio Patounas o primeiro entrevistado da Revista Horizonte. Não só porque nos atendeu pronta e gentilmente, mas por ser um homerm realmente sincero e de princípios, como poucos. Nos conhecemos há muitos anos durante um congresso de Ufologia em que os debates foram acalorados. Naquela ocasião, Eustáquio demonstrou ser uma pessoa verdadeiramente espiritualizada, para a qual a verdade e a coerência têm a ver mais com princípios éticos do que com comprovações científicas duvidosas, pose de autoridade e petulância. Passamos a admirá-lo desde aquela época.
Escritor, nascido em Atenas-Grécia, Eustáquio teve uma vida repleta de acontecimentos surpreendentes, razão pela qual voltou-se para o estudo da essência humana, tornando-se um especialista na visão macroscópica da vida. Conferencista com experiência internacional, desenvolveu uma sistemática de cursos e palestras marcados pela sobriedade e responsabilidade por efetuar transformações pessoais através de técnicas tais como a ativação para manifestação do Cristo Interno e ampliação da consciência, no intuito de retirar o homem da atual estagnação em que se encontra, estabelecendo uma nova ética e rompendo paradigmas. É fundador da Socex - Sociedade de Exobiologia, entidade sem fins lucrativos e de utilidade pública fundada em 1/8/1991, e que tem como objetivos o estudo, divulgação e trabalhos de aprimoramento pessoal, pesquisas exobiológicas e fomento da consciência cósmica.
Eustáquio tem um programa semanal de TV [ver http://www.vidainteligente.blogspot.com] e é autor de 05 livros [ver www.socex.net/porthais/livros.htm].

Vamos à entrevista:

Horizonte: Como começou sua relação com a Ufologia?

Eustáquio: Certa noite do ano de 1961, eu, um menino com quase 10 anos de idade, não me recordo por que, saí pela cozinha de nossa casa para ir até a edícula que ficava nos fundos.
Ao sair, já era noite escura e não muito tarde, senti um calor vindo acima de minha cabeça. Fui impelido a olhar para o alto, e deparei com uma imagem inesquecível: um objeto arredondado, com diversas luzes multicoloridas e parado sobre minha casa. Tinha o tamanho de uma pizza gigante (não sei precisar a que altitude ele estaria, pois minha idade não permitia estes cálculos), e as luzes piscavam alternadamente. Entusiasmado, voltei para dentro de casa e chamei por meus pais para que vissem o que eu estava vendo. Saímos novamente para o quintal e eles puderam testemunhar o belo objeto que lá continuava parado. Chamamos nossos vizinhos que também ficaram observando, e a seguir fomos todos para a rua para observar melhor.
O objeto permanecia girando sobre seu próprio eixo e assim permaneceu por longo tempo, até que começou a deslocar-se lentamente rumo ao Parque do Ibirapuera.
Acompanhávamos eufóricos este deslocamento, quando de repente, o objeto fez três ou quatro zigue-zagues em velocidade indescritível e desapareceu como uma flecha no horizonte. Neste momento, havia pelo menos duas dezenas de testemunhas que ficaram boquiabertas com o fenômeno que acabavam de presenciar. Este foi, aos 10 anos, meu primeiro avistamento consciente de um objeto voador não identificado.

Horizonte: Você é um contatado? Como foi ou é o tipo de contato que você manteve ou mantém ainda com os extraterrestres?

Eustáquio: No passado, posso dizer que fui, se é que fui...rs. Pode parecer incoerente o que escrevo mas vou tentar expressar-me melhor: eu realmente tive fatos estranhos na minha vida conforme relato em meu segundo livro Memórias de um Kumara e não tenho como explicá-los. Eu realmente, durante muitos anos, ouvi palavras sem som dentro da minha mente as quais transformaram-se em belos textos e ensinamentos, mas eis a questão: eram fruto da minha mente ou alguém as ditava? Hoje, não deixando de admitir a possibilidade de contatos com outras dimensões, acredito que mais de 90% das alegadas "canalizações" nada mais são que acesso ao seu próprio conhecimento.
Atualmente - já há muitos anos - não mantenho nenhum contato, nem com "extraterrestres", nem comigo mesmo, talvez fruto da mudança de concepções e verdades.

Horizonte: Os extraterrestres já estão entre nós há quanto tempo?

Eustáquio: Os "extraterrestres" são na minha concepção atual, terrestres desconhecidos baseados na imensidão das nossas cordilheiras e nas profundezas dos 3/4 de água do nosso planeta. Se estes vieram de outros planetas num passado longínquo, eu não sei. O que eu sei é que nós, humanos normais, estamos procurando nossa "salvação" e paraíso onde eles nunca estiveram: no espaço.

Horizonte: Quando a humanidade terá o contato final com estes seres?

Eustáquio: A questão deste contato, segundo minha teoria acima exposta, dar-se-á gradativamente conforme aceitemos que estamos sós, não no universo, mas aqui mesmo, na Terra. Ao compreendermos que estávamos procurando o tesouro onde ele nunca esteve, voltaremos a colocar os pés no chão. E, ao fazermos isso, permitiremos que nossa percepção nos ajude a enxergar que o que procurávamos está bem aqui.

Horizonte: Os contatados são considerados “escolhidos”?

Eustáquio: A questão dos "escolhidos" não existe. A questão é mais profunda e inadequada para ser discutida no presente momento. Eu diria que quem está mais atento, percebe. Há uma enorme diferença entre ver, enxergar e perceber. São três ações muito distintas.
Sei que não estou satisfazendo o que todos gostariam de ler, mas sou adepto da citação de que "a água aparece quando o poço está pronto".

Horizonte: Por que há tanta fraude na Ufologia? É só desejo de ser considerado importante ou parte da contra-informação dos governos das grandes potências?

Eustáquio: Fraudes existem, inocentes e voluntárias, com diversos objetivos: tirar proveito próprio, desviar a atenção para outras direções, manter submissas as pessoas ingênuas.
Outro fator determinante é o ego de muitos pesquisadores, que no afã de adquirirem projeção ou tirar proveito pessoal ou financeiro, sustentam fraudes ou direcionam a pesquisa para onde lhes convém. No que concerne à contra-informação ou acobertamento por parte dos governos, creio que trata-se muito mais de conjecturas do que fatos reais que por ventura queiram esconder do grande público. Existe ainda a questão da segurança nacional das nações, a questão das religiões que não podem perder o domínio sobre seus fiéis, e por aí vai.

Horizonte: Qual a confiabilidade de uma mensagem enviada por extraterrestres através de “inspiração”, “mediunidade”, “canalização” ou meios similares? Por sua subjetividade elas não deixam o indivíduo (o “canal”) muito exposto ao ridículo?

Eustáquio: Eu diria que o grau de confiabilidade depende de quem as lê. Se a aludida "inspiração", "canalização", "psicografia" ou como queiramos denominar tiver coerência, somar algo ao nosso conhecimento, ótimo. Não importa se foi sua mente a autora, um "extraterrestre", um espírito, um anjo, um santo ou seja lá quem mais. Temos que reconhecer nosso potencial, nossa própria maestria e capacidade, e assumir isso sem ter que aludir a pretensas entidades externas. É hora de abrirmos os olhos, de despertar para a verdade, de voltar a colocar os pés no chão, de crer que cada um é dono do seu destino, do seu futuro, do seu progresso ou da sua desgraça.

Horizonte: Quando o conhecemos, na década de 1990, você era considerado um “ufólogo místico”, o que, na época, já era motivo de ser considerado um “charlatão”. Mas hoje, pesquisando pela internet, vemos que você superou o preconceito e se tornou um dos mais influentes pesquisadores nacionais. Isso significa que o preconceito com os contatados e os pesquisadores holísticos está diminuindo?

Eustáquio: Eu fui muita coisa e não me arrependo. Eu trilhei, busquei meus caminhos, tropecei, caí, levantei, peguei atalhos errados, enfim encontro-me de bem comigo mesmo, continuo um eterno aprendiz com coragem para assumir publicamente que errei, que falei minhas "verdades" que hoje já não são minhas verdades.
O preconceito contra a opção de crenças acabará quando o respeito for entendido. Todos têm o direito e opção de trilhar o caminho que melhor lhes parecer. O que eu torço hoje é que as pessoas tentem canalizar e contatar a si mesmas, fato este muito mais importante que contatar eventuais seres de outros planos e planetas.

Horizonte: Você tem falado e escrito em diversos lugares sobre “Ufologia holística”. É uma nova denominação, mais adequada, para o que se chamava antes de “Ufologia mística”? A idéia de pesquisas holísticas tem muito a ver com a proposta da "Revista Horizonte – Leitura Holística" e apoiamos estas iniciativas. No que a Ufologia holística se diferencia dos demais segmentos, especialmente da Ufologia dita “científica”?

Eustáquio: A Ufologia dita científica é na minha opinião o alicerce necessário a qualquer pesquisa. Uma construção tem que ter base sólida para sustentar-se. Tendo o alicerce, o pesquisador pode desenvolver o projeto usando toda a sua criatividade, agregando o que achar conveniente. A visão ampla de um fenômeno é o que chamamos de visão holística (do grego holos=todo). Todas as possibilidades devem ser analisadas, mesmo que depois seja descartada a maioria delas.

Horizonte: Qual é o objetivo a longo prazo do grupo que você dirige, a SOCEX?

Eustáquio: A Socex visa esclarecer, desmitificar, desmistificar o fenômeno e suas derivações. Fundada em 1º de agosto de 1991, é uma das poucas entidades de pesquisas que tem estatutos, CGC e é declarada de utilidade pública por Lei.

Horizonte: E seu programa na TV Floripa? Como é a receptividade do público à proposta do programa “Vida inteligente”?

Eustáquio: Meu programa é diferenciado, está há um ano e meio no ar, é feito ao vivo e tem uma hora de duração. Os temas abordados (vide o website www.vidainteligente.blogspot.com ) são Astronomia, Astrofísica, Ciências Espaciais e Atmosféricas, Exobiologia, Cosmologia, Ecologia e Meio Ambiente, Tecnologias e outros assuntos correlatos. A proposta é levar esclarecimento e diferenciação da mesmice das TVs abertas.

Horizonte: Agradecemos sua gentileza em conceder esta entrevista. Gostaríamos de deixá-lo à vontade para suas considerações finais e pedimos que deixe uma mensagem de motivação a nossos leitores, que participam ativamente do processo editorial da revista, com suas opiniões, críticas, sugestões e colaborações.

Eustáquio: Que todos os leitores estejam abertos a novas descobertas, que tenham humildade de reconhecer erros e recomeçar, que analisem todas as possibilidades com isenção e que respeitem uns aos outros. Precisamos de união e não de cisões egóicas. Somos todos aprendizes e dependemos uns dos outros para juntos, conseguir as respostas que tanto desejamos.

Obrigado e um fraterno abraço.

 

Teologia da Prosperidade: religião ou exploração [versão completa]






[Aqui disponibilizamos o artigo completo. A versão condensada está em HORIZONTE – LEITURA HOLÍSTICA Nº 04.]

Devido à grande repercussão causada em janeiro último pela prisão nos EUA dos fundadores da Igreja Renascer (organismo de tendência neopentecostal), por evasão de divisas, entre outras acusações, muitos leitores sugeriram que tratássemos do assunto. Na verdade, a atitude criminosa que envolve esta organização e outras similares existentes no Brasil e em outros países é trabalho para a polícia, não para esta publicação, que, outrossim, repudia qualquer descumprimento das leis que regem uma nação.
Contudo, este fato reflete um aspecto obscuro da atividade de tais “igrejas” até agora pouco conhecido de quem não é evangélico: a teologia da prosperidade. Esta idéia sustenta organizações que parecem mais criminosas do que religiosas.
Queremos deixar claro aqui que esta prática não corresponde à atitude de todos, nem mesmo da maioria dos milhões de evangélicos do mundo, em sua maioria pessoas de bem, trabalhadoras, lutadoras como os praticantes de quaisquer outras religiões. Não há, portanto, neste artigo, qualquer objetivo de diminuir a religião cristã, especialmente em sua linha “evangélica”, como é mais conhecida popularmente. A acusação de preconceito, por isso, não cabe à natureza do presente artigo.
Quando Calvino afirmou que “a riqueza é sinal dos eleitos”, isso incentivou algumas seitas cristãs a deduzir que isso distinguiria os “salvos” dos “perdidos”: a riqueza material. Esta ideologia deturpada, nascida nos EUA, mas agora espalhada pelo mundo, ficou conhecida pelo nome de “teologia da prosperidade”. Sua base é o versículo 10 da passagem do Bom Pastor no Evangelho de João: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” [João 10.10]. Seus adeptos o interpretam no sentido de que Deus deseja que tenhamos muitas riquezas na vida material, não no Paraíso.
Contudo, a seguinte passagem bíblica parece contestar definitivamente a teologia da prosperidade:
"Observai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, gente de pouca fé! Por isso não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Com que nos vamos vestir?’ São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo" [Mateus 6.28-33].
Para os adeptos da teologia da prosperidade, entretanto, a idéia é “doe e receba muito mais, doe em dobro e receberá em dobro, doe tudo o que tem e receberá uma fortuna”. Deus foi rebaixado a um mero banqueiro celeste, um investidor invisível, cujos agenciadores são falsos pregadores, travestidos de pastores evangélicos.
Ou alguém acha que podem ser considerados pregadores, pastores ou sacerdotes indivíduos que incutem nas mentes incautas uma nítida relação de troca com Deus? Essa religião é humana (e o pior do humano), não divina. A Igreja Católica agiu de forma similar na época das indulgências que deflagraram o protestantismo, e por muito tempo se ouviu histórias de venda de “cadeiras no céu”. Mas parece que a cota delas acabou. Hoje é uma ala protestante, a dos neopentecostais, que age por estes meios.
O que mais choca é que esta doutrina considera todas as fatalidades, pecados, pobreza, doenças e injustiças sociais como resultado da ação do Diabo, e não da ação inconseqüente e não solidária do homem, que parece eximido de suas responsabilidades, sendo o Diabo o único culpado.
Mas não pensem que não há, mesmo entre as igrejas evangélicas, quem ataque ferrenhamente tal pseudo-teologia. Os que a repudiam são tão veementes quanto os que a defendem. Sinal de que nem tudo está perdido.
Ao ser entrevistado pela revista evangélica “Vinde”, o pastor Russell Philip Shedd fez uma declaração bastante objetiva sobre o assunto:
"Temos assistido a inúmeras dissidências entre pastores e suas igrejas. Muitos saem para fundar seus próprios ministérios. Por que isso acontece com tanta freqüência? Uma das principais motivações é a financeira. Percebe-se que, quando o pastor de uma própria igreja se dá conta que sua capacidade de juntar pessoas que vão contribuir, sua vida vai melhorar ele sai e funda outro ministério. Em segundo lugar: discordância com o líder. Ele acha que está mais certo do que seu superior, então surge o conflito e ele sai."
Isto equivale a dizer que, nestes casos, a doutrina e a fé não motivam mais a criação de novas igrejas, só o dinheiro. Estas igrejas se assemelham a empresas comerciais, cujo objetivo maior é o lucro.
O sociólogo Ricardo Mariano, que estuda há anos o fenômeno pentecostal brasileiro, acredita que a remuneração é vista como natural pelos fiéis porque ela conduz a um estado de prosperidade e liderança que eles mesmos anseiam para si. Isso transforma as coisas em uma escada ou numa pirâmide, onde muito poucos são os beneficiados. Comercialmente falando isso já seria uma injustiça. Mas estamos falando de religião, não de comércio! Os evangélicos sinceramente religiosos não compactuam com essa atitude criminosa.
Em matéria para a revista “Vinde”, o sociólogo disse, a respeito do fato dos fiéis destas igrejas acreditarem que o pastor deve ser sempre alguém rico:
"Líderes pentecostais de igrejas bem-sucedidas tendem a ter um excelente padrão de vida, pois a administração da obra está integralmente em suas mãos. É fácil observar quem tem este poder totalitário, pois a coisa é tratada como negócio de família, e passa de pai para filho."
A posse de bens não é um mal em si, mas coloca o possuidor na posição de responsável pelo bem estar do próximo, de sua comunidade. Não é o que a maioria destes pastores faz. Pelo contrário, sonegam impostos e evadem divisas do país, utilizando os próprios “fiéis” (agora “sócios”) como seus “laranjas”.

As origens da deturpação

Vários foram os nomes influentes na história da Teologia da Prosperidade. O mais antigo talvez seja Essek William Kenyon (1867-1948), que pregou nos EUA entre os anos de 1930 e 1940 e que parecia ter quase nenhum conhecimento teológico formal. Simpatizava com Mary Baker Eddy, fundadora da “Ciência Cristã”, que prega a não existência da matéria e da doença, pois tudo dependeria da mente. Passou por várias igrejas protestantes até ficar sozinho, e teria sofrido influência de seitas metafísicas como “Ciência da Mente”, “Ciência Cristã” e “Novo Pensamento”, origem do “Movimento da Fé”, que afirma que tudo o que pensamos se torna realidade.
Seu discípulo, Kenneth Hagin, nascido em 1918, depois de passar por várias doenças e miséria, diz ter se convertido após visitar o inferno por três vezes. Teria recebido aos 16 anos uma revelação divina ensinando que se pode obter tudo de Deus, desde que determinado em voz alta, sem duvidar, mesmo que pareça impossível. Essa é a origem da chamada “confissão positiva” dos movimentos neopentecostais. Passou por várias igrejas, até fundar aos 30 anos o seu próprio ministério, o Instituto Bíblico Rhema. Chegou a ser acusado de ter plagiado os livros de Kenyon, pelas semelhanças, mas jurava que elas se deviam ao fato de ter recebido tudo diretamente de Deus.
Um seguidor atual de Hagin, Kenneth Copeland, afirma que “Satanás venceu Jesus na cruz”. Afirma ter lhe sido revelado que as mulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos. Tem arrebanhado muitos fiéis com sua pregação.

As bases da Teologia da Prosperidade

Esta forma deturpada de visão bíblica tem como pilares três pontos muito controversos, segundo acreditam os especialistas em hermenêutica bíblica: a autoridade espiritual, a saúde e a prosperidade, a confissão positiva.
Hagin crê que Deus dá autoridade a profetas modernos, seus porta-vozes. Os demais evangélicos (os não pentecostais) dizem que os profetas cessaram nos tempos de João (Mt 11.13) e que o dom da profecia não é sinal de autoridade profética. Também contestam o valor das experiências pessoais dos pastores e “profetas” como figura de “autoridade” na pregação.
Curiosamente, um ensinamento de fundo gnóstico e muito citado pelos adeptos do movimento conhecido como “Nova Era” aparece nos escritos de Hagin e Copeland:
“Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi (...). [Hagin, Word od Faith] Eis quem somos: somos Cristo! [Hagin, Zoe: A própria vida de Deus] Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus. [Kenneth Copeland, The force of love]”
Ainda que os gnósticos cressem nisso, hoje a idéia é usada de modo deturpado e com vistas à manipulação da mente alheia.
Os adeptos da Teologia da Prosperidade acreditam não só que o cristão tem direito à saúde e às riquezas, como doença e pobreza são sinais inequívocos de falta de fé. Esquecem dos cristãos martirizados e pobres dos primeiros tempos. Seriam eles derrotados?
Para tais fanáticos, se o cristão não tem vida plena, sem doenças, se não vive até 70 ou 80 anos sem dor, miséria ou dificuldades, é porque não tem fé suficiente. Esquecem que Paulo apóstolo viveu doente, que Timóteo teve uma doença crônica (1 Timóteo 5.23) e que muitos cristãos importantes eram miseráveis.
A Bíblia não incentiva a riqueza nem a proíbe. Mas os adeptos da Teologia da Prosperidade dizem que o crente, para ser bem sucedido perante os homens e perante Deus, deve ter do bom e do melhor (carro novo, mansão, roupas caras, luxo puro), coisa que Jesus nunca possuiu. E Paulo apóstolo diz que aprendeu a se contentar com o que tinha!
Mas o maior descalabro é a “Confissão Positiva”, misto de “poder da mente”, “neurolingüística”, fé distorcida, falta de humildade perante Deus, manipulação mental-emocional e oportunismo. Suas “fórmula” básica é:
Dizer a coisa (positiva ou negativamente, conforme a pessoa); fazer a coisa (conforme a ação, a pessoa recebe ou é impedida); receber a coisa (a fé é o pilar, a conexão com a graça); contar a coisa, para que outros creiam (o testemunho - aí entra a manipulação, como se pode observar nos cultos transmitidos pela televisão).
Para fazer a “confissão positiva” não se usa palavras como “peço”, “rogo”, “suplico”, mas outras como “exijo”, “decreto”, “determino”. Para Benny Hinn, dizer “se for da tua vontade” destrói a fé! Mas não foi o que Cristo disse na cruz (Mateus 26.39,42)?
A prosperidade espiritual deveria vir em primeiro lugar, mas o que a Teologia da Prosperidade prega é a riqueza material em detrimento da espiritual. Isso fica evidente nos testemunhos televisionados, nos “congressos para empresários”, nas vigílias de prosperidade e coisas do gênero. O “negócio” de Deus gera cada vez mais fundos terrenos! Ser pobre não é um pecado, mas resultado da injustiça social do mundo. Por outro lado, ser rico não é sinal de pureza ou santidade. Considerar o pobre um “maldito” como fazem os adeptos desta deturpação teológica, e o rico como “abençoado”, pode levar a discrepâncias terríveis. Pode levar a depressão e suicídio pessoas fracas demais para suportar a alcunha de “amaldiçoados” ou “derrotados”. Isso não se encaixa mais no direito constitucional de livre prática religiosa, mas deveria ser tratado, em muitas situações, como caso de polícia. E é o que tem acontecido algumas vezes, como tem noticiado a mídia.Não disse Jesus que é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico (seja pastor ou não!) entrar no reino dos céus?
A teologia da prosperidade prega uma forma de avareza, e a avareza é considerada idolatria (Cl 3.15), uma adoração que torna a pessoa escrava do dinheiro e do status que ele representa. E como fica o status perante Deus? O Novo Testamento diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal (1 Timóteo 6.10).
Os teólogos evangélicos anti-teologia da prosperidade dizem que os adeptos da mesma usam trechos isolados da Bíblia para justificar suas heresias, assassinando a hermenêutica (interpretação) dos textos sagrados. As deturpações incluem afirmar que Jesus era muito rico, quando a Bíblia diz que se fez pobre; que o crente deve ter muito dinheiro, quando a Bíblia diz que ele é a raiz do mal; que as dificuldades são sinais de falta de fé, quando a Bíblia diz que nas lutas é que a fé é testada; que se deve desejar as mesmas coisas caras e luxuosas dos outros, quando a Bíblia chama isso de cobiça; que, sendo “filhos do Rei”, devemos ter do bom e do melhor, quando o próprio “Rei” se fez servo para dar uma prova de humildade e do que realmente importa para Deus; que os pastores devem prosperar financeiramente, quando a Bíblia condena o enriquecimento em nome de Deus.
E o descalabro não pára por aí. Vai a níveis inimagináveis de manipulação. Se chega ao ponto de vender “óleos abençoados” que podem fazer de tudo: desde eliminar doenças sem cura até fazer com que o botijão de gás de uma família pobre dure mais tempo (o relato é verídico e nos foi passado por um fiel de uma igreja neopentecostal)!
Há 20 anos atrás, a pregação pentecostal era de humildade e desapego das riquezas. Agora, os neopentecostais transformaram suas igrejas em empresas bem sucedidas, onde encontrar Cristo é como ganhar na loteria. Para eles, Cristo pregou aos pobres para que eles deixassem de ser pobres materialmente, embora não haja um só versículo bíblico que embase essa idéia.

Os “ricos” homens de Deus

O Brasil tem cerca de 25 milhões de crentes (15% da população), liderando a América Latina em número de evangélicos. Essa conversão geométrica é devida à atividade das igrejas pentecostais, em especial da Igreja Universal do Reino de Deus, o “negócio da fé” que mais cresce no Brasil.
Os cultos desta igreja servem para angariar dinheiro, prometer prosperidade, afastar demônios e promover “curas” em pessoas “desenganadas” pela medicina. Alia visivelmente práticas que ela mesma condena como sendo “pagãs” ou do Diabo, vindas do catolicismo popular e da Umbanda: distribuição de “fitas” de prosperidade, sal grosso, sabonetes, espadas, lâmpadas de “Deus” [de uma marca bem conhecida!], chaves, rosas, lenços, óleo bento, descarrego com arruda, água benta, pontos riscados chamados “pontos de luz” [em nada diferentes dos pontos riscados da Umbanda e da Quimbanda], etc.
E quem são as pessoas que lotam igrejas deste tipo? Geralmente pessoas pobres, sem escolaridade, desempregadas, doentes, viciadas em álcool ou drogas pesadas, supostamente “possuídas” pelo Diabo e, na maioria, cuja família sofre uma desintegração completa. Ou seja, pessoas que realmente precisam de ajuda, mas que, por omissão dos bons que poderiam fazer alguma coisa, caem presas de indivíduos inescrupulosos e ambiciosos, capazes dos maiores absurdos em nome do dinheiro. Divulgam suas idéias por todos os meios que a moderna tecnologia permite: jornais, livros, emissoras de rádio, canais televisão e a internet, a mídia emergente mais poderosa atualmente. Assim, estão conquistando pessoas de camadas mais altas da sociedade e mesmo fiéis de outras denominações cristãs e mesmo de outras religiões.
Mas, antes que a crítica venha a nos rebater, é importante esclarecer que nem todos os evangélicos estão apáticos quanto ao perigo de tal teologia às avessas. Três exemplos são os livros Supercrentes (Ed. Mundo Cristão), do pastor e pesquisador Paulo Romeiro; O Evangelho da Prosperidade, do Dr. Alan Pieratt, teólogo Ph.D. em Ciência da Religião e professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo; O Evangelho da Nova Era, do pastor, teólogo e pensador cristão Ricardo Gondim. Todos combatem a Teologia da Prosperidade com tal veemência que as igrejas neopentecostais proíbem seus membros de ler tais livros, por motivos óbvios!
Os principais pregadores da Teologia da Prosperidade no Brasil são: Valnice Milhomens (líder do Ministério Palavra da Fé); Cássio Colombo (fundador do Ministério Maná Cristo Salva, ligado às Igrejas Maná de Portugal, que são lideradas pelo polêmico Pastor Jorge Tadeu); R. R. Soares (cunhado de Edir Macedo e fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, uma divergência da Igreja Universal do Reino de Deus); Edir Macedo (fundador e bispo primaz da Igreja Universal do Reino de Deus e da Editora Universal Produções); vários outros, como Jerônimo Onofre da Silveira, Cristiano Netto, Jorge Linhares, Rinaldo de Oliveira e Robson Rodovalho, dos quais uma busca rápida na internet revela muita coisa.
Cristiano Netto, que se auto-intitula “profeta da prosperidade”, no livro Como Prosperar em Tempos de Crise declara: "O Senhor me entregou um ministério específico de ensinar o povo de Deus a prosperar(...) portanto, prepare-se para ser cheio de uma nova unção de riso e prosperidade. (...) mais uma vez, como profeta da prosperidade para esses dias de crise, eu afirmo: Deus está interessado no bom andamento de suas finanças". (págs. 17,18, 20). Qual a diferença entre a doutrina de um pastor como esse e a neurolingüística do Dr. Lair Ribeiro? Deixamos ao leitor a resposta.
Para Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, absolutamente toda a doença vem do diabo, o que não é corroborado por uma só passagem bíblica que seja. É uma heresia cristã e pura ignorância teológica! A barganha com Deus não é um meio bíblico conduzente à salvação! Também não prevê que, quanto mais se doe para a “igreja”, como ensinou Kenneth Hagin, mais se receba de Deus. Acaso Deus é o fiador dos pastores? Se o for, está muito endividado com os homens agora.
O que os pastores da Teologia da Prosperidade oferecem ao público, assim como também os ícones do pensamento positivo, do poder da mente, da neurolingüística, etc., são simplesmente manuais de condicionamento mental. Contudo, no caso dos “mestres” do poder mental e da neurolingüística fica claro que os cursos são pagos (e caros!), que os livros são o que enriquecem seus autores e que as pessoas devem adaptar suas mentes às condições propostas pelos programas. Não é o caso da Teologia da Prosperidade, que envolve religião e, em nome de Deus e Jesus Cristo explora os fiéis sem lhes garantir qualquer benefícios pois, a mais das vezes, as promessas são engodos vergonhosos.
Diversos fiéis, sentindo que foram enganados, já abriram processos contra estas empresas travestidas de igrejas cristãs. A campeã em processos é a Igreja Universal do Reino de Deus, que já foi expulsa de diversos países sob várias acusações, inclusive de “cultos satânicos”. O que pensar de um fiel que doou dois apartamentos à igreja esperando que Deus, lhe devolvendo em dobro, lhe presenteasse com quatro imóveis? Parece oportunismo, conforme se defendem os pastores da Igreja Universal, mas podemos dizer que se trata mais de acomodamento e imediatismo, aliás, incitado nas pregações destes mesmos pastores. Conclusão: estão eles a provar do próprio remédio... ou veneno! Afinal, o desejo por sucesso fácil domina tanto a cena da elite neopentecostal quanto a da população em geral, cristã ou não, que a cada dia cai num fosso de materialismo sem par, sem consciência e sem solidariedade. O egoísmo ganha terreno e Deus está sendo chamado a compactuar com essa loucura humana!
Não pensem que absurdos equivalentes não acontecem nos grupos ligados ao “poder da mente” ou no movimento chamado “nova era”, ou entre os que se dizem conectados aos “mestres da grande fraternidade branca”, e assim por diante. Visões equivocadas existem em todos os lugares.
Não é a questão de se pregar a miséria ou o conformismo. É o contrário: devemos trabalhar para vencer as dificuldades materiais e cobrar das forças da sociedade a resolução dos problemas que afligem a humanidade inteira. Mas sem subterfúgios, sem charlatanismo, sem exploração do outro e sem oportunismo. Ambição desmedida leva à desgraça sempre. Vender ou doar até o que não se tem para qualquer indivíduo, grupo ou organização em nome de um suposto “benefício material” vindo de Deus é ignorância e não conduzirá ao objetivo, mas a mais problemas. Por que se faz necessário falar do óbvio? Porque na loucura da vida difícil de hoje, muitos já se esqueceram de que o mundo espiritual não é um banco com crédito ilimitado. A terra ainda precisa ser lavrada, os produtos precisam ser manufaturados e os serviços continuam tendo que ser executados, e tudo por seres humanos. Isso é o que gera riquezas, princípio básico da economia. Envolver Deus, Cristo, o Buda, Alá ou Krishna nesta negociação é heresia aos olhos religiosos e ignorância ou má-intenção aos olhos do bom senso.

Os opositores

Para os leitores interessados em mais informações sobre o assunto tivemos o cuidado de escolher alguns sites evangélicos que combatem claramente a Teologia da Prosperidade. Uma leitura rápida dos tópicos destes sites demonstrará o quanto esta doutrina se desvia do que está na Bíblia:

1 - http://www.igrejasementedavida.com.br/
2 - www.icmbrasil.org/teoprosp.htm
3 - www.eunascidenovo.com.br/estudos/estudos14.htm
4 - www.ebdweb.com.br/licoes/licao10_0206.htm
5 - www.sosjustica24horas.org/damazio/teologia_da_prosperidade.htm
6 - www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=245
7 - www.iaene.br/salt/exegetica/2005-1/A%20cruz%20e%20a%20teologia.htm (contém ótimo artigo intitulado “A cruz e a teologia da prosperidade”, de Érico T. Xavier, D. Min., pastor adventista em Santa Catarina)
8 - www.metodistalivre.org.br/Artigos
9 – Site espírita criticando a Teologia da Prosperidade:
http://www.palavraespirita.com.br/palavra_107/pe_107_conteudo.php?texto=1

 

Adendo ao Ensaio "O Homem e a Mente": Glossário

NOTA: para facilitar a compreensão do leitor menos familiarizado com termos e individualidades ligados ao assunto deste Ensaio, mesmo de alguns não citados no mesmo, acrescentamos a seguir um Glossário auxiliar que supomos ser útil.

ADENDA AO ENSAIO
“O HOMEM E A MENTE”


GLOSSÁRIO

ADLER
Alfred Adler – Psicólogo austríaco (1870-1937) autor de uma psicanálise baseada na psicologia individual, ou seja, a partir da vontade de domínio. Ver Carl Jung.

ALMA
Os gregos criaram para alma a palavra Psyche com o sentido de sopro, mas não o sentido de Força vital. Daí derivaram mais tarde outras palavras, de sentido um tanto confuso e diferenciadoras como Psíquico, psiquismo, psicossomático, psicologia, etc., no sentido de a diferenciar do corpo físico (o soma), algo material existente no homem. Os Egípcios antigos chamavam à alma BA; a Cabala NEPHESH, ambos com o sentido de que a Alma entrava no corpo físico com a primeira respiração, em concordância com o texto bíblico, e o deixava com a última exalação.
Na ontologia da Amorc a Alma é um fluxo da Suprema e INFINITA CONSCIÊNCIA Divina, de total pureza e de elevadíssima essência vibratória, igual em todos as seres humanos, pelo que as distinções entre eles ocorrem em razão da sua evolução particular e personalidade pessoal e não da natureza da sua alma, que é única e total para todos. Neste aspecto concorda com algumas teorias de que existe apenas uma alma Universal, que não pode jamais dividir-se em almas individuais. Cada um de nós recebe, no nascimento, apenas um segmento que, em associação com a personalidade individualizada, nos distingue com uma personalidade própria e pessoal, denominada associativamente “Personalidade-Alma”.

ALMA CÓSMICA
Alma do Mundo – ou Consciência Cósmica, ou ainda Alma Universal.
Definições do Dicionário do Esoterismo (pag.ª 29).

ASSAGIOLI
Médico italiano. (Psicossíntese). Em 1910 apresentou tese de doutorando em Psicanálise. Em Zurich, mais tarde, trabalhou com Eugen Bleuler. Praticou depois psicanálise em Itália. Defrontou-se com limitações teóricas e práticas nas concepções de Freud, o que o levou a abandonar a Psicanálise e a desenvolver a Psicossíntese na Itália. Todavia, a teoria Junguiana é a que mais se aproxima da Psicossíntese. Psicoterapia holística. O seu processo terapêutico engloba 4 estágios consecutivos (pag.ª 5 do dossier Psicologia Transpessoal)

ARQUÉTIPOS
Ver Carl Jung

ATRIBUTO
Qualidade, característica diferenciadora

CARL JUNG
Psicologia da Profundidade ou Analítica, segundo sua escolha.
Permaneceu predominantemente relacionada com os conteúdos da consciência, não alcançando níveis da Psicologia Transpessoal.
Técnicas de meditação activa, como uma meditação para ocidentais. Inconsciente Colectivo: esse conceito indica que há conteúdos psíquicos que não foram adquiridos na vida pessoal do indivíduo, mas são inerentes à organização da estrutura psíquica humana (Adler).
O conceito de arquétipo de Jung é derivado da repetida observação de que, por exemplo, os mitos e contos de fadas da literatura mundial contêm motivos definidos que surgem em todos os lugares, motivos que se encontram nos sonhos, lendas, fantasias e ilusões individuais. A essas imagens típicas Jung chamou arquétipos.
O inconsciente se manifesta nos sonhos.
E foi baseado em suas próprias experiências que investigou o inconsciente (Sonhos, fantasias, intuições foram pesquisados para a sua análise).
Questionou desde novo a origem e finalidade da vida humana, cujas respostas não encontrava nos livros da época. Aproximou-se da Filosofia e religiões orientais; conheceu e estudou o I Ching. Desenvolveu a ideia do homem ser visto como um todo e observado por inteiro.
Não devia ser visto dissociado do seu contexto social, cultural e Universal.
O “casamento” (amizade) com Freud durou pouco.
Divergiu sobre a teoria da Libido, de Freud, que este sempre manteve.
Freud considerava que as causas dos conflitos psíquicos envolviam algum trauma sexual, o que Jung não aceitava.
Freud não aceitava a teoria de Jung sobre os fenómenos espirituais como válidos de estudo em si. Houve grandes mágoas em ambos pela separação.
Em Freud a libido é sexual.
Em Jung é toda a energia psíquica.
Freud buscava as causas, Jung buscava a direcção, a finalidade.
Ainda hoje se digladiam os seguidores de ambos em jornais e livros.
O conceito de libido é apetite, é instinto permanente (Nise da Silveira) de vida, que se manifesta pela fome, sede, sexualidade, agressividade, necessidade e interesses diversos.
JUNG nasceu em Kesvill, na Suiça, em 26/07/1875, falecendo em 06/06/1961.
Conviveu com Bleuler, Adler, Freud e outros grandes da Psicologia. Trocou ideias com Einstein, Pauli e estudou profundamente grandes filósofos como Schopenhauer, Nietzsche e Kant.
Buscou ideias na Alquimia, na Mitologia, nos povos primitivos da Ásia, América (Índios Pueblos) e Africa PARA DESENVOLVER A SUA TEORIA DO INCONSCIENTE COLECTIVO, CUJA ESTRUTURA BÁSICA É o Arquétipo.
O Inconsciente para Jung abarcava todos os conteúdos e processos psíquicos inconscientes, isto é, não relacionados com o Ego em forma perceptível.
O INCONSCIENTE PESSOAL E COLECTIVO DE JUNG
Considera o Inconsciente pessoal como reminiscências e recordações perdidas, e dolorosas ideias que estão reprimidas, esquecidas, percepções subliminares e, também, conteúdos que ainda não estão prontos para acederem à Consciência.
A estrutura básica é uma rede complexa de pensamentos, sentimentos e atitudes mantidas por uma ideia central, podendo o Inconsciente ser tão poderoso que, sendo activado, funciona sem o controlo do Ego. Os complexos não são sempre perigosos e prejudiciais, pois alguns deles podem realizar necessidades ou aspirações da vida e contribuir até para o melhoramento da Humanidade.
Esses conteúdos reprimidos podem voltar a ser conscientes desde que a pessoa os possa reconhecer.
Quanto ao Inconsciente Colectivo, a grande descoberta de Jung, este albergaria todo o conteúdo psíquico de carácter subliminar, que não alcançou os limites da consciência. Junto aos conteúdos da experiência pessoal que nunca foram percebidos mas foram registados, o Inconsciente teria dois tipos de processos que não seriam explicáveis através das aquisições pessoais: os instintos, os impulsos naturais e os conteúdos que constituiriam imagens ou aquisições de ordem colectiva, predisposições compartilhadas por toda a gente e manifestadas a si mesmo pela sua conduta, sem considerar a sua cultura.
Estas imagens se propagariam ao longo do tempo e numa forma universal, que surge por uma função psíquica natural. O Inconsciente, portanto, não só possui ELEMENTOS DE CARÁCTER PESSOAL MAS TAMBÉM ELEMENTOS DE CARÁCTER IMPESSOAL OU COLECTIVOS, EXPRESSOS EM FORMAS DE CATEGORIAS HERDADAS OU ARQUÉTIPOS; PREDISPOSIÇÕES INATAS QUE PODEM PRODUZIR REALMENTE IMAGENS E CONCEITOS PODEROSOS.
ENTRE OS ARQUÉTIPOS IMPORTANTES ENCONTRAMOS O PODER, OS DAS RELAÇÕES COM O SEXO OPOSTO, OS DA CRENÇA EM ALGO MAIOR, A GUIA, A MATERNIDADE E A PATERNIDADE. TAMBÉM A AUTENTICIDADE DO EGO, A SIGNIFICÂNCIA, A TRANSPARÊNCIA E A SOLIDARIEDADE
DEVEMOS ASSINALAR QUE OS ARQUÉTIPOS NÃO SÃO CONTEÚDOS MAS FORMAS QUE, GRAÇAS À EXPERIÊNCIA INDIVIDUAL REPETIDA, DESPERTADAS PELOS EVENTOS NO MUNDO EXTERNO, ORDENANDO AS REPRESENTAÇÕES QUE “ASSEGURAM A TODO O INDIVIDUO A SEMELHANÇA, E MESMO A IGUALDADE DA EXPERIÊNCIA E DA CRIAÇÃO IMAGINATIVA.
OS SONHOS FAZEM PARTE DO CONCEITO JUNGUIANO DE ARQUÉTIPO; POR UM LADO O ESTUDO DA SIGNIFICAÇÃO DOS SONHOS, QUE SÃO DIFERENTES DA TEORIA FREUDIANA DE SATISFAÇÃO DOS DESEJOS DA LIBIDO, MAS SIM MENSAGENS DO INCONSCIENTE QUE REVELAM O PROBLEMA E TAMBÉM A SOLUÇÃO.
MUITOS ARQUÉTIPOS DEVEM SER SATISFEITOS, POIS CONSTITUEM PODEROSAS NECESSIDADES HUMANAS, CUJA FRUSTRAÇÃO PROVOCA DISTÚRBIOS GRAVES NA PERSONALIDADE, POIS SÃO INSTIGADOS PELO NOSSO INTERIOR.
Entre tantos lugares que Jung visitou, foi à Índia.

CARL ROGERS
A maioria dos autores não considera Rogers como um psicólogo transpessoal.
Mas sendo um dos mais significativos psicólogos humanistas não escaparam a Rogers as chamadas dimensões transcendentes ou espirituais que frequentemente emergiam no contexto terapêutico, especialmente em terapias de grupo, na qual foi grande pioneiro. Fez um trabalho revolucionário com grandes grupos e em Workshops.
Carl Rogers: - “Frequentemente as pessoas compartilham e falam de sonhos sem interpretação e comentário. Sonhos comuns muitas vezes ocorrem. Algumas pessoas reportam “experiências místicas”… As mesmas ideias e mitos (imagens arquetípicas) frequentemente emergem de várias pessoas ao mesmo tempo.”
Carl Rogers: - “O outro aspecto importante do processo de formação de grandes grupos com os quais tenho tido contacto, é a sua transcendência e espiritualidade. Há alguns anos eu jamais empregaria estas palavras. Mas a extrema sabedoria do grupo, a presença de uma comunicação profunda, quase telepática, a sensação de que existe “algo mais”, parecem exigir tais termos.”
-“Tenho a certeza de que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual ou mística” (Rogers).

KARL MAX
Político, filósofo e economista alemão. Nasceu em Treves. Frequentou as Universidades de Bona e de Berlim. Foi aluno de um discípulo de Hegel, (que tinha morrido 5 anos antes) de quem sofreu influência. Doutorou-se com uma tese sobre Epicuro, em 1841. Foi Redactor-Chefe da Rhenische Zeitung - Gazeta Renana. Foi para Paris e publicou dois trabalhos que fizeram sensação. Conheceu Engels, ali. Foi expulso de Paris por ter publicado um manifesto contra os jovens hegelianos, de parceria com Engels. Instalou-se em Bruxelas e com Engels fundou as comissões comunistas por correspondência. Que estabeleciam contacto com todos os grupos activistas dos operários de toda a Europa. Intensa actividade em prol do comunismo, com Engels; Foi expulso de Londres, indo para Colónia. Fugiu de Colónia e refugiou-se em Paris, de novo, mas as dificuldades económicas fizeram-nos voltar a Londres. Intensa actividade nos jornais e sempre voltado para o comunismo, publicou os 3 volumes do “Das Kapital”, O PRIMEIRO EM 1867, os dois últimos através do auxílio de Engels. Postumamente, aparecem nesta obra as leis da evolução do capitalismo e da mais valia. O imenso trabalho e a incapacidade de controlar os acontecimentos, a morte da mulher e de sua filha Jenny, fizeram-no sucumbir a uma bronquite e um abcesso pulmonar aos 65 anos. Foi sepultado em Londres no cemitério de Highgate.

“CASTELO INTERIOR” (STA TERESA DE ÁVILA)
Nasceu em 28 de Março de 1515 e faleceu em Alba de Tormes em 4 de Outubro de 1582. O Papa Paulo VI proclamou Santa Teresa de Ávila como Doutora da Igreja e Mestra da Espiritualidade em 1970. Aos vinte anos ingressou no Carmelo de Ávila, onde assumiu a sua conversão, influenciada pela imagem de um Cristo sofredor e a união absoluta com Deus. Adoptou uma espécie de matrimónio espiritual entre a sua alma e Deus. Sua devoção levou-a a fundar mais de 30 mosteiros. A extensa obra de Santa Teresa de Ávila compreende 5 000 páginas em forma de cartas, em prosa e verso, onde se destacam o Livro da Vida, o Caminho da Perfeição, o Castelo Interior e Fundações, mais um método completo de oração.
Devolveu à Ordem das Carmelitas o seu primitivo vigor espiritual, lutando contra a devoção vazia e sem autenticidade. Ocupou um lugar de eleição entre a Mística Cristã. (notas do livro de Elisabeth Reynaud no livro TERESA DE ÁVILA OU O DIVINO PRAZER).

DEMOCRITO
Ou Democrito de Abdera. Nasceu em Abdera (Trácia) em 460 a.C. Discípulo e sucessor de Lêucipo. Desenvolveu a teoria atomista de Lêucipo. Diz-se que viajou muito e foi homenageado pelos seus concidadãos. Por tradição era conhecido pelo seu riso constante. Julga-se ter deixado mais de 90 obras. Em face do impasse entre as teorias de Parménides e Heraclito, desenvolveu a teoria de que tudo seria composto por partículas minúsculas, invisíveis e indivisíveis, incluindo a Alma. Segundo ele, os átomos da Alma se desintegrariam no momento da morte. Não acreditava na imortalidade da Alma. Os átomos não podem surgir do nada, como tudo, e por isso são eternos, dizia. Postulava ainda o seguinte: “Os átomos movem-se. A essência da alma está na sua natureza animadora, de movimento. Os átomos da alma movem-se e são lisos e arredondados”.
“O Homem é infeliz porque não conhece a Natureza. Os átomos são a explicação última da Natureza”. Sua doutrina seguiu adiante. Apareceram outros atomistas como Epicuro.

EU – EU INTERIOR
Sendo muito difícil caracterizar o Eu, ou Eu interior (que traça um limite com o não-eu) vejamos o que diz Ken Wilber sobre isso:
“Todos e quaisquer limites são obstáculos à Consciência de Unidade.”
“Podemos analisar esse limite primário sob muitos ângulos e muitos nomes” Ele é a separação irredutível entre aquilo que chamo Eu e aquilo que chamo não-Eu - eu aqui e os objectos lá. É a ruptura entre o sujeito cognoscente e o objecto conhecido. É aquele espaço entre meu organismo e o meio ambiente. É a brecha entre o Eu que agora lê e a página lida. No todo, é a brecha entre a pessoa que vive e o mundo vivido. Portanto, parece que no lado de dentro do limite primário existe o Eu, o sujeito, o que pensa, sente e vê, e do outro lado há o não-eu, o mundo dos objectos lá fora, o meio ambiente, estranho e separado de mim”.
“Consciência sem fronteiras”, de Ken Wilber” – Editora Cultrix. Vale a pena ler e estudar este autor.

EGO
“ Aquilo que o indivíduo sente ser a sua auto-identidade não abrange directamente o organismo-como-um-todo, mas apenas uma faceta desse organismo, a saber, o Ego. Isso significa que o indivíduo se identifica com uma auto-imagem mental mais ou menos acurada, juntamente com os processos emocionais e intelectuais associados a essa auto-imagem.”
“…Assim, ele sente que é um “Ego” e que seu corpo apenas pende sob ele” Podemos ver aqui um outro tipo importante da linha limítrofe, a que estabelece uma identidade primária entre a pessoa e o Ego, a auto-imagem.”
(Ken Wilber) (Consciência sem fronteiras)
Nível do Ego – VER Ken Wilber – EGO EM FREUD – VER FREUD

ESOTÉRICO – ESOTERISMO
È difícil dizer o que é o Esoterismo em poucas palavras. Podemos dizer sinteticamente que se trata de uma herança antiquíssima da Humanidade, descoberta na actualidade. Compreende uma plêiade de livros publicados ao longo de séculos sobre Alquimia, Astrologia, Reencarnação, Magia, Carma, Tarot, I Ching, Xamanismo, Religiões, etc.
O termo Esotérico originou-se da palavra grega Esoterikos, com a significação de oculto, interior, conhecimento para iniciados, e mesmo “voltado para dentro”, distinguindo-se de Exotérico, que significa o contrário. Mas o termo não significa qualquer elitismo que leve a pensar que o Esoterismo não é para todos. Nem digo conhecimentos secretos que levem a especulações não aplicáveis. Verdade que, ao longo do tempo, poucos se interessaram por ele, o que é pena, e deixou o mundo mais pobre em termos sociais e de expansão da consciência. Depois que os antigos Gnósticos foram exterminados, o esoterismo passou a ser considerado no Ocidente como uma filosofia espiritualista, a partir do Século XIX, e não mais como pretendendo a Teologia. A Psicologia foi quem melhor se interessou pelo Esoterismo, devido à influência de Jung, assim como por Freud e Reich. Isso daria uma Palestra e terminamos apenas referindo os grandes transmissores do Esoterismo nas Ordens e Instituições místicas e tradicionais, e seus difusores, citando meia dúzia como exemplo: Celtas, Templários, a Gnose, Cátaros, Rosacruzes, Alquimia, Cabala, Teosofia, Maçonaria, a Escola de Gurdjieff, a Amorc de Spencer Lewis, O Ashram de Rajneesh, e livros básicos como “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky, a Tábua de Esmeralda de Hermes Trismegistus, O Kibalion, de 3 iniciados Herméticos, o Livro de Dzyan, etc.

ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA
Muitos autores consideram (Abraham Maslow, Pierre Weil, Stanislav Groff, Ken Wilber, entre outros) que os assim chamados “Estados Alterados de Consciência oferecem a evidência de que não apenas são naturais como necessários à saúde e bem-estar do indivíduo, após um certo grau de desenvolvimento cognitivo e ter atendido as necessidades básicas mais urgentes da existência. Maslow acredita que a menos que tenhamos oportunidade de mudarmos nosso estado de consciência, podem se desenvolver sintomas emocionais graves se impedirmos o afloramento dos níveis transcendentes da personalidade. Da mesma forma como existe uma pulsão para a experiência, também parece haver uma pulsão para o desenvolvimento dos níveis de percepção.

FREUD – Teoria Psicanalítica Clássica
Sigmund Freud nasceu em 1856 em Freiberg na Morávia, actualmente República Checa, de uma família judaica e sendo primogénito de 6 irmãos.
A família mudou-se para Viena quando ele tinha 3 anos de idade, devido ao anti-semitismo na Morávia. Viena tinha boas perspectivas económicas e aceitação social.
Era brilhante nos estudos e aos 17 anos (1873) ingressou na Faculdade de Medicina de Viena. Formou-se em neurofisiologia.
Casou-se em 1886 quando já tinha seu consultório particular. Teve seis filhos.
Antes de casar, Freud trabalhou seis meses em Paris com Jean-Martin Charcot, onde observou o uso da hipnose no tratamento da histeria e se interessou pelos distúrbios mentais. Nos anos seguintes estruturou a teoria psicanalítica da Mente.
Adler e Jung trabalharam com ele mas acabaram se desligando de Freud para desenvolverem suas próprias ideias.

A LIVRE ASSOCIAÇÃO
Freud criou e desenvolveu a livre associação na qual o paciente diz tudo aquilo que lhe vem à Mente, surgindo sentimentos e memórias reprimidas. Foi a forma que encontrou para penetrar no Inconsciente dos pacientes e entender a causa da Neurose.
Acreditava Freud que a outra forma de penetrar no Inconsciente seria através dos sonhos. Em 1899 publicou “A Interpretação dos Sonhos”. Achava que os sonhos eram a manifestação dos nossos desejos e que trabalhando com eles podia chegar às memórias e sentimentos profundamente reprimidos. Outra manifestação desses desejos surge através de lapsos linguais e esquecimentos. Essa teoria surge no seu outro livro “Psicopatologia da Vida Quotidiana”.
Publicou em 1905 Três Ensaios sobre a Sexualidade, onde afirmava a importância do impulso sexual ou libido, vivido nos primeiros 4 ou 5 anos de vida.
Em 1923, com quase 70 anos, completou a revisão das suas teorias, com o seu estudo clássico “O EGO E O ID”.
Formulou um modelo estrutural da mente constituindo-a em 3 partes distintas: O ID, o EGO e o SUPEREGO. O ID é o Inconsciente, o SUPEREGO é o Consciente e o EGO é o mediador entre o ID e o SUPEREGO.
Divisão Topográfica da Mente
3 NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA
INCONSCIENTE – PRÉ-CONSCIENTE – CONSCIENTE
CONSCIENTE:
Capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias do momento;
PRÉ-CONSCIENTE:
Relaciona-se aos conteúdos que podem facilmente chegar à consciência;
INCONSCIENTE:
Refere-se ao material não disponível à consciência ou ao escrutínio do indivíduo.
PONTO NUCLEAR DA TEORIA:
A EXISTÊNCIA DO INCONSCIENTE COMO:
- a) Um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas;
- b) Um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem social ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.
As motivações inconscientes estão disponíveis para a consciência apenas de forma disfarçada. Sonhos e lapsos de linguagem, por exemplo, são exemplos dissimulados de conteúdos inconscientes não confrontados directamente.

ID – EGO – SUPEREGO
Funcionam em diferentes níveis de consciência. Há um movimento constante de lembranças e impulsos de um nível para outro;
ID é o reservatório inconsciente das pulsões, que estão sempre activas; Regido pelo princípio do prazer, o ID exige satisfação imediata desses impulsos, sem levar em conta a possibilidade de consequências desagradáveis; (Inconsciente).
EGO funciona principalmente a nível consciente e pré-consciente. Evolui do ID por conter também elementos inconscientes; Regido pelo Principio da Realidade, o Ego cuida dos impulsos do ID, assim que encontre a circunstância adequada. Desejos inadequados não são satisfeitos mas reprimidos.
O SUPEREGO, embora só parcialmente consciente, serve como um censor das funções do EGO (contendo os ideais do indivíduo derivados dos valores familiares e sociais), sendo a fonte dos sentimentos de culpa e medo da punição.
(baseado em Maria Helena Rowell)

FRC
Significa FRATER ROSACRUZ – uma qualificação na AMORC para membros que estão acima de um certo grau do Estudo. SRC no sexo feminino.

GALILEU GALILEI
Nasceu em Pisa – Itália – em 1564. Foi uma dos maiores génios que a Itália teve.
Foi o grande descobridor dos movimentos da mecânica e a ele se devem inúmeras descobertas e inventos. Tornou-se aos poucos, sobretudo nos anos em que viveu em Pádua, exilado de Pisa, um excelente e genial matemático, físico, filósofo e astrónomo.
Foi recebido pelo Papa Paulo V, em Roma, com honrarias.
Sustentou a Tese de que a Terra não era o centro do Universo, como se acreditava nos meios eclesiásticos e isso levou-o a ser perseguido e processado duas vezes pela Inquisição e obrigado a abjurar publicamente, de joelhos, as suas teorias, e depois banido e exilado para uma vila perto de Florença.
Seus longos estudos com o telescópio cansaram sua vista até à cegueira. Amargurado, cego, magoado pela incompreensão da Igreja e dos Homens, teve ainda a infelicidade de assistir à morte de sua filha Virgínia, de 34 anos, que, com o nome de Soror Maria Celeste, se dedicara à vida religiosa.
Faleceu a 8 de Janeiro de 1642, rodeado por alguns amigos, deixando à Humanidade o grande legado do seu ecléctico génio.

GIORDANO BRUNO
Filipe Bruno nasceu em Nola na Itália em 1548.
O nome Giordano foi-lhe dado quando em 1572, jovem ainda, foi ordenado sacerdote. Mesmo ainda estudante, teve imensos problemas no Convento, com os superiores, pela sua independência e inquietação. Admirado pelos dotes intelectuais, não deixou de ser processado por insubordinação, mas o processo acabou sendo suspenso.
Em 1576, em face da sua visão crítica contra o atraso do pensamento da época, foi obrigado a fugir de Nápoles para Roma, e dali para a Suiça.
Naquele país contactou com calvinistas, que abandonou, entendendo que eles, protestantes, eram tão restritos de ideias teológicas quanto os católicos.
Em 1579 emigrou para França, onde ficou a viver, atraindo a admiração e simpatia de Henrique III. Alguns anos mais tarde foi para Inglaterra, onde entrou em atrito com os docentes de Oxford. Voltando a França, emigrou então para a Alemanha Luterana. Depois de um período com os seguidores de Lutero, foi expulso por eles e partiu para Frankfurt, publicando aí uma trilogia de poemas latinos.
Conheceu então um veneziano, quando foi para Itália, o qual veio a denunciá-lo ao Santo Ofício.
Começou então um longo processo contra Bruno, concluído com a sua retratação.
Em 1593 foi transferido para Roma onde é submetido a novo Processo. Depois de desumanas tentativas para convencê-lo a retratar-se das suas convicções mais básicas e consideradas revolucionárias, Bruno foi condenado à morte e executado na fogueira em 16/02/1600.
A característica da filosofia de Bruno é a sua aderência ao Neoplatonismo de Plotino e ao Hermetismo da Europa Cristã, sobretudo nos trabalhos que conhecemos como Corpus Hermeticum.
Nos primeiros anos da época Romana apareceu uma literatura surpreendente de carácter filosófico-religioso que, segundo os seus autores eram revelações trazidas de Thot, o Deus escriba dos Egípcios, que pela identificação grega era Hermes Trismegistus, que foi então considerado um Profeta pagão pela Igreja católica da época.
O pensamento de Bruno era essencialmente gnóstico.
Roma não podia suportar essa liberdade de pensamento filosófico-religioso, que considerava uma ameaça e uma postura revolucionária.
Giordano Bruno era holista, naturalista e espiritualista. Estava séculos à frente do seu tempo, pensando ousadamente, e pagou um alto preço a favor de um progresso científico e filosófico que haveriam de surgir mais tarde.

ID,
ver FREUD

INCONSCIENTE,
Ver FREUD

INCONSCIENTE COLECTIVO
Ver Jung.

INCONSCIENTE PSICODINÂMICO
Nível da cave – Inconsciente dentro da visão de Carl Jung, mais específico na Psicologia Transpessoal, embora propriamente ela só se considere Transpessoal desde o 4º ao 9º nível do Espectro. Dizendo de outro modo, na Psicologia do Espectro, de Ken Wilber, sobre os estados de consciência humana em vários insights das escolas psicoterapêuticas do Ocidente e com várias abordagens orientais. Vai da mínima identidade restrita ao Ego até ao nível extremo que é a Suprema Identidade com o Universo.

KEN WILBER
Psicologia do Espectro, proposta por Wilber: O Espectro da consciência. Um dos sistemas didácticos em Psicologia que procura integrar os diferentes insights de várias escolas psicoterapêuticas do Ocidente entre si, e estas com as várias abordagens orientais. é a Psicologia do espectro, como um modelo da compreensão transpessoal das diferenças entre psicoterapias. Nele, cada uma das diferentes escolas é vista como uma faixa que se dedica a um aspecto específico do total a que pode apresentar a consciência humana. Cada uma aponta para um estado de consciência que se caracteriza por possuir um diferente senso de identidade, indo da pequena identidade restrita ao Ego até à suprema identidade com todo o Universo, que é o nível extremo da consciência transpessoal. Este espectro pode ser entendido a partir de 4 níveis: o do Ego, o biossocial, o existencial e o transpessoal.
No Ego a pessoa não se identifica, a rigor, com o seu organismo, mas com uma representação mental, ou com um conceito do mesmo, como uma auto-imagem construída, ou ególatra. Existe para ela um “eu” que é diferente de tudo e de todos. Não se preocupa com relações interpessoais se não houver uma vantagem para o Ego e menos ainda com aspectos ecológicos ou sociais.
O Nível biossocial já envolve a consciência e com aspectos do ambiente social da pessoa. Influência de padrões culturais e sociais. A pessoa sente ter responsabilidade pelo seu meio ambiente social e natural.
O Nível existencial é o nível do organismo total, caracterizado por um senso de identidade corpo/mente, auto-organizador. Ideais humanistas, pensamentos mais sofisticados como filosofia de vida. Emoção e razão mais ou menos associados para o crescimento e desenvolvimento do Homem, desde que os meios sejam propícios.
Quando não, luta para se auto-actualizar e ajudar os semelhantes. Alto grau moral.
O Nível transpessoal é o da expansão da consciência para além das fronteiras do Ego e do nível do Inconsciente Colectivo e fenómenos associados, como descritos por Jung e seguidores. Podem surgir fenómenos parapsicológicos como telepatia, pré-cognição ou lembranças de vidas passadas, este de nível já psicológico. Quando ela não aceita mais a crença de uma separação rígida entre ela e todo o Universo. Isto aproxima-se das experiências místicas.

KENETH RING
Professor emérito de psicologia na Universidade de Connecticut.
Uma das maiores autoridades em experiências de quase morte.
Escreveu vários livros sobre o tema e experiências fora do corpo, como OBE, “Out of Body Experiences.”

KAHUNAS
Havai – Arquipélago do Havai – pertence aos EUA – (Ilha da Polinésia)
Guardião (KA) da sabedoria (Huna)
Ciência xamânica originária do Havai – Magia dos Kahunas – catalisação das forças interiores do próprio indivíduo para a realização da sua própria realidade.
Técnicas modernas de poder mental – inspiraram-se na religião do Havai.
Há 5 000 anos que esse povo surpreende o Mundo com os seus milagres.
4) Dominam a vida humana e as forças da Natureza.
5) Pensa-se que a Magia Kahuna tenha vindo do Egipto há 40 000 anos, mas achamos exagero a antiguidade do Egipto.
6) Sua doutrina é semelhante ao Budismo Asiático e à religião da Ilha de Páscoa.
7 Princípios básicos:
1) IKE – O mundo é o que você pensa que ele é. (Vidas tristes são fruto de pensamentos negativos);
2) KALA – Não há limites, tudo é possível – são as próprias pessoas que impõem as suas restrições);
3) MAKIA – Onde você coloca sua atenção é para lá que segue sua energia;
4) MANAWA – Seu momento de poder é agora (Só há o presente);
5) ALOHA – Amar é estar feliz com… (felicidade está em compartilhar)
6) MANA – Todo o meu poder vem do interior (não existe poder fora);
7) PONO – A eficácia é a medida da verdade (o que não é eficiente não existe).

LIBIDO
Ver JUNG (diferença do critério de Freud) ver FREUD

LIVRE ASSOCIAÇÃO
Ver FREUD

LSD
Ácido Lisérgico, VER Maslow
E também Stanislav Groff

MASLOW (Abraham)
Foi o primeiro a formular explicitamente os princípios da Psicologia Transpessoal como uma abordagem diferenciada. Uma das suas mais importantes contribuições é o seu estudo sobre as pessoas que viveram espontaneamente as experiências místicas de “pico” (EAC). Na psicoterapia tradicional, experiências místicas de qualquer tipo são sempre consideradas sérias psicopatologias.
E demonstrou no seu estudo que essas pessoas beneficiavam-se delas e mostravam uma clara tendência para a auto-realização. Que é o objectivo da psicoterapia humanística. Considerou estas experiências como supernormais em vez de subnormais. VER Psicologia Transpessoal.

MENTE
Não é o cérebro mas utiliza este.
Não é individual. Todos estão ligados a ela através do Inconsciente. Não é a Alma mas está ligada a ela.
É:
Vibratória;
Cósmica, ubíqua e panteísta – é um atributo da Alma.

MENTE CÓSMICA
Atributo da Alma Cósmica.

NEWTON
Sir Isaac Newton nasceu a 4 de Janeiro de 1643 – ano da morte de Galileu – em Woolsthorpe, Inglaterra. Data do calendário gregoriano que só foi adoptado em 1752 na Inglaterra.
Porque ele nasceu no dia de Natal de 1642.
3 Períodos: juventude – 1643 até à licenciatura em 1669.
Segundo período – de 1669 a 1687 – Muito produtivo. Professor em Cambridge.
Terceiro período – funcionário do Governo, bem pago, em Londres, sem grande interesse pela matemática.
O seu talento emergiu com a chegada de Isaac Barrow para a cadeira de matemática em Cambridge.
Seu génio científico despertou quando uma epidemia de peste fechou a universidade no verão de 1665 e voltou à terra natal. Ainda não tinha completado 25 anos. Iniciou a revolução da matemática, óptica, física e astronomia.
Em casa lançou a base do cálculo diferencial e integral, muitos anos antes de Leibniz.
Escreveu em 1671 o livro “The Methodis Serierum et Fluxiomum” que só foi publicado depois da tradução em inglês, em 1736.
Primeiro trabalho como professor foi óptica. Experiências com a luz e cores. Construiu um pequeno telescópio.
“Philosophiea/e Naturalis – Principia Matemática”, o melhor livro científico alguma vez escrito. Analisou o movimento dos corpos em meios resistentes e não resistentes sob a acção de forças centrípetas. Os resultados eram aplicados a corpos em órbita e queda livre perto da terra. Demonstrou também que os planetas são atraídos pelo Sol, pela Lei da Gravitação Universal, e generalizou que todos os corpos celestes se atraem mutuamente. Autor da Lei da Gravitação Universal, comummente chamada de Lei da Gravidade.
Morreu em 31 de Março de 1727 em Londres, depois de ter sido por muitos anos Presidente da Sociedade Real Inglesa.

NIETZSCHE (FRIEDRICH WILHELM)
Nasceu em 15/10/1884 em Rocken, Saxónia prussiana, actual RDA.

NATUREZA VIBRATÓRIA
Ver Vibração.

RADIAÇÃO ELECTROMAGNÉTICA
Ver vibração.

PANTEÍSMO
Doutrina Panteística, segundo a qual Deus e o Mundo formam uma Unidade. Deus é imanente ao mundo, não distinto dele. Considera a Natureza como um Ser Divino, dotado de uma unidade vital e dinâmica.

PERSONALIDADE-ALMA
Ver ALMA

PLATÃO
Filósofo grego. Nasceu em Atenas talvez em 427 a.C. e morreu em 347 a.C. Um dos maiores pensadores gregos que muito influenciou a filosofia ocidental. Baseou suas obras na diferenciação do Mundo entre as coisas sensíveis (mundo das ideias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e matéria).
Estabeleceu contacto com outro grande pensador grego, Sócrates, quando começou seus trabalhos filosóficos. Seguidor e discípulo de Sócrates. Fundou a Escola de Filosofia – a ACADEMIA – para desenvolver e recuperar pensamentos socráticos. Passou bastante tempo na corte do Rei Dionísio ensinando Filosofia.
Além da Filosofia, destinou muito tempo ao estudo e pesquisa do conhecimento, Ciências, Matemática e Retórica.
Obras mais importantes: Apologia de Sócrates, o Banquete e A República. Neste, analisa a política grega, a ética, o funcionamento das cidades e questões sobre a Imortalidade da Alma.

PSICOLOGIA AFECTIVA OU DA PROFUNDIDADE
VER FREUD e JUNG

PSICOLOGIA ANALÍTICA
VER (CARL JUNG)

PSICOLOGIA DO ESPECTRO (DE KEN WILBER)
VER Ken Wilber

PSICOSSÍNTESE
Ver Assagioli

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL (A PARTIR DO 4º NÍVEL)
É uma abordagem integradora dos principais insights das Escolas psicológicas ocidentais e das disciplinas da Tradição Esotérica (Márcia Tabone).
Segundo Márcia Tabone, considera ela a abordagem mais clara dos
Aspectos multidimensionais da consciência e de maior relevância para a psicologia transpessoal, nível do ego, nível bissocial, nível existencial, nível transpessoal e nível de unidade.
Surgiu nos Estados Unidos em 1966 – a 4ª. Força em Psicologia, depois do Behaviorismo, a Psicanálise e a Psicologia Humanista.
Iniciadores e representantes: Maslow, Sutich, Naranjo, Assagioli, Wilber, Groff, etc. (pertenceram antes á psicologia humanista)
Utiliza ensinamentos e práticas da filosofia oriental.
Pesquisa do cérebro, drogas psicadélicas e Física Moderna.
Estados alterados de consciência
Maslow disse: Devo dizer que considero a Psicologia Humanística, ou Terceira Força em Psicologia, apenas transitória, uma preparação para uma Quarta Força, ainda “mais elevada”, transpessoal, transumana, centrada mais na Ecologia universal do que nas necessidades e interesses restritos ao Ego, indo além da identidade, da individuação e congéneres…
Necessitamos de algo “maior do que somos”, que seja respeitado por nós mesmos e a que nos entreguemos num novo sentido, naturalista, empírico, não-eclesiástico, talvez como Thoreau e Whitman, William James e John Dewey fizeram”.

REICH
Nasceu em 1897 e morreu em 1957.
Em 1940, nos E.U.A Reich proclamou ter descoberto uma força não electromagnética, a qual estava presente em toda a parte do Universo. Era detectável como emanações à volta do corpo, como a Força Ódica de Reichenbach, e como Prana e Mana; ela era a força universal que sustentava a vida. Acreditava que os seres humanos podiam estimular a produção desta força por exercícios de respiração que convertiam as células vermelhas do sangue em Energia Orgónica. Declarou também que podia colectar o “Orgone” em acumuladores especialmente construídos feitos de madeira ou metal. Tendo desafiado as autoridades americanas e o “establishment” foi preso e morreu numa prisão americana.
Interessou-se muito pela sexualidade humana. Ainda estudante de medicina visitou Freud para procurar ajuda para realizar um seminário de sexologia na escola médica que frequentava. A sua actividade política consistia em ajudar a fundar clínicas de higiene sexual patrocinadas por comunistas, para as classes trabalhadoras, na Áustria e Alemanha.
Suas ideias e clínicas eram muito controvertidas para a época. E até mesmo muito avançadas para hoje. O Programa previa os seguintes tópicos:
Livre distribuição de anticoncepcionais para qualquer pessoa e educação intensiva no controlo da sexualidade.
Completa proibição de restrições ao Aborto;
Abolição de distinção legal entre casados e não casados;
Liberdade de divórcio;
Educação sexual e eliminação de doenças venéreas;
Tratamento e não punição para agressões sexuais.
Acreditou Reich que a Bioenergia no organismo humano não é senão um aspecto de uma energia universal, presente em todas as coisas. Considerava que a Energia Orgónica Cósmica funciona num organismo vivo como energia biológica específica.
A maioria dos cientistas ignorou e desprezou a Energia Orgónica. Sua descoberta contradizia muitas teorias da Física e da Biologia.
Todavia, não existe nenhuma contra a evidência das suas experiências nem uma refutação sistemática contra a sua teoria. Foi difamado, rejeitado e vilipendiado.

SANTA TERESA D`ÁVILA
VER Castelo Interior.

SUBCONSCIENTE (E INCONSCIENTE)
Em todos os tratados de psicologia se usa o termo como sinónimo de Inconsciente.
Mas: São inconscientes as reacções primitivas que se ocultam numa pessoa civilizada, assim como os sentimentos de ódio, a raiva e os movimentos instintivos.
São Subconscientes as aquisições conscientes que implicam tendência evolutiva, as capacidades inatas, o génio, a ânsia de superação que reside no intimo, como parte da actividade supra normal.
Inconsciente significa estancamento, regresso a um processo psíquico anterior e Subconsciente é progresso, evolução.
“O Inconsciente é o lastro acumulado que se deve ir perdendo na ascensão espiritual. O Subconsciente é o conhecimento que se acrescenta para aproveitamento ulterior. Inconsciente é acto psíquico não deliberado proveniente da nossa anterior experiência orgânica, trófica ou vital.

SUPEREGO
Ver Freud

STANISLAV GROFF
Grande pesquisador das drogas psicadélicas iniciadas pelo Movimento Contracultura, onde se destacaram Ralph Metzner, Richard Alpert e Timothy Leary, com suas experiências pessoais na expansão da consciência através de várias drogas psicadélicas.
Groff era professor assistente da Universidade John Hopkins. Pesquisou sobretudo o LSD e outras substâncias em psicoterapia, investigando seriamente o Inconsciente Freudiano. Contribuiu muito para um novo movimento em psicologia: a orientação transpessoal. (Sutich, 1976) Pensa o Inconsciente formado por vários níveis. (terapia psicológica através do LSD)
Nível psicodinâmico;
Nível perinatal e início das experiências transpessoais: (impossibilidade de reconhecimento dos níveis muito profundos do Inconsciente Freudiano e pela psicanálise) (A Psicologia Junguiana já reconhecia esse nível do Inconsciente).
Podem fazer-se sem drogas. Ocorre expansão da consciência. Ocorre a regressão também a vidas passadas, por vezes.
Estudos de Ropp e Gurdjieff (e seu discípulo Oupenski).
De Ropp propõe 5 níveis, culminando com a consciência cósmica.

UBÍQUO/UBÍQUA
Que está, ao mesmo tempo, em toda a parte. Segundo a teologia só a Divindade é ubíqua.

TRAUMA
Na Psicologia: choque emocional ou psicológico muito violento.

WILLIAM JAMES
Filósofo norte-americano (1842-1910).Em “Principles of Psycology” defende que as emoções primitivas são consequência das alterações fisiológicas e não o contrário. Em “The Will To Believe and Other Essays in popular Philosophy” (1897), define a sua filosofia como empirismo radical ou pluralista. Em “Pragmatism” (1907) define o pragmatismo como um método que permite determinar o significado dos conceitos e das teorias a partir da análise das consequências práticas deles derivadas.

VIBRAÇÃO
O Terceiro Princípio no Caibalion é o da Vibração.
“Tudo está em movimento; tudo vibra; nada está parado, o que a ciência moderna a cada nova descoberta confirma. Todavia, este princípio hermético foi enunciado há milhares de anos pelos mestres do antigo Egipto.”
“ Aquele que compreende o princípio de Vibração alcançou o ceptro do Poder, disse um escritor antigo.”
No meu ensaio sobre a Aura – A Aura, essa Desconhecida – a Lei Universal da Vibração está amplamente tratada e desenvolvida. Aqui não será possível desenvolvê-la muito.
Mas posso transcrever um pouco desse princípio e do ensaio, agora:
“ Todas as coisas da Criação vibram, tudo está em eterno movimento, nada está imóvel no Universo, desde as mais microscópicas partículas materiais (infusas da Energia negativa de “Espírito”) até aos agregados moleculares e celulares das formas vivas mais complexas e organizadas, dotadas estas não só de “Espírito” mas também de “Força Vital”, como o Homem.
Espírito, aqui, significa a polaridade negativa do “Nous”, a Energia fundamental do Cosmos (de Anaxágoras), sendo a “Força Vital” a polaridade positiva, com vibração bem inferior à da Alma
De acordo com o Caibalion, “Espírito” é um princípio animado, vibratório.
A polaridade positiva de “Nous”, a Força Vital, é de frequência vibratória diferente e mais elevada do que a do “Espírito” mas menos elevada do que a da Alma.
“Espírito” e “Força Vital”, associados à Mente fundamentam o ser elevadamente consciente, físico e anímico, que é o Homem.
Não é possível também, pela sua extensão, falarmos do espectro electromagnético do Cosmos neste Glossário, o que lamentamos.

 

Ensaio: O Homem e a Mente, de Vitor de Figueiredo (FRC) - Portugal

O HOMEM E A MENTE
Uma Abordagem Psicológica e Esotérica

Ensaio de Vitor de Figueiredo - FRC (Portugal)

A MENTE
O QUE É E NÃO É A MENTE?
Para facilitar a compreensão, e como ponto de partida, acho melhor dizer desde já o que, em nosso entendimento, a MENTE NÃO É:
Não é o cérebro, embora ela o utilize em certas funções;
Não é individual, pois todos os seres humanos estão intrinsecamente ligados a ela através do seu “Inconsciente”, que lhes pode permitir o acesso à Mente Cósmica;
Não é a Alma, também. (Mas está ligada intrinsecamente à Alma).
Alguns esclarecimentos complementares:
- A Alma também não é individual e, sim, Cósmica. Jamais foi uma “segregação do cérebro” como alguns cientistas pretenderam fazer crer (o que nos pareceu simplesmente ridículo).
- Assim, há uma única Alma Total no Universo, cabendo a cada ser vivente um segmento dela, em cada existência, que se manifesta como Personalidade-Alma.
- A Alma entra no corpo humano do recém-nascido com a sua primeira inspiração e deixa-o quando este passa pela “transição” (termo místico para a morte) e passa a um “plano cósmico”, (morre, como se diz popularmente). E Como a Mente (ou Consciência) vem associada à Alma no nascimento, sendo seu atributo intrínseco, a Mente deixará obviamente de estar presente no corpo físico na “transição” do Homem. Continuará a existir cosmicamente e sempre nos outros seres vivos.
O QUE É A MENTE, ENTÃO?
É de natureza vibratória; (como a Alma).
É de natureza Cósmica; (como a Alma).
É ubíqua e panteísta (está em toda a parte e em todos os seres vivos ao mesmo tempo, diferenciada apenas na Personalidade-Alma de cada um, segundo sua experiência cármica e evolução pessoal (como consciência).
É um atributo da Alma (como Consciência).
O Homem é dual em sua natureza – CORPO E ALMA – e trino em manifestação – CORPO – MENTE – ALMA.
Postas estas definições auxiliares, que são importantes, podemos prosseguir.
Este Ensaio foi motivado por um leitor do “Jornal do Incrível”, onde colaborei, em 1987, numa página especialmente aberta para mim, e por proposta minha, como Secção, à qual dei o título de “A Vista da Pirâmide”. Esse leitor colocou duas questões, uma sobre o Inconsciente e Freud e outra sobre O Poder da Mente, às quais respondi em 7 artigos naquela página.
Resumimos inicialmente apenas a primeira questão, aquela que nos interessa agora:
“Há pessoas que perfilham a ideia de que o “Inconsciente” (de Freud) determina os actos humanos, sem que as pessoas os possam controlar, recorrendo a videntes e astrólogos. Como crêem nisso julgam poder libertar-se da responsabilidade das suas culpas e más acções, tornando-se assim de culpados em vítimas”.
Em decorrência da citada questão, percebemos que um número considerável de pessoas acredita num determinismo ou fatalismo, baseados no “Inconsciente Freudiano”, supondo nada poder fazer para aliviarem seus traumas e conteúdos frustrantes, excepto recorrer aos psicólogos e psicanalistas, ou a astrólogos e videntes.
O problema parece-nos, fundamentalmente, da área psíquica e, por consequência, intrinsecamente psicológica e mística. Como não temos formação académica em Psicologia, nossa abordagem visa, apenas, uma análise muito superficial do ângulo psicológico do tema e, tanto quanto possível, aqui, sua correlação com os aspectos psicomentalistas e místicos. Deste modo, e porque supomos a maioria dos leitores um tanto distanciados da problemática psicológica que está na base da primeira parte do ensaio, entendemos útil, mesmo sumariamente, trazer aqui alguma informação. Assim, faremos uma breve análise e algumas considerações auxiliares sobre Freud, assim como sobre a significação de "Inconsciente" e a nossa visão particular sobre eles.
Por razões da nossa formação autodidáctica e de opção espiritualista e mística, tivemos durante longo tempo uma certa relutância em considerar a Psicologia, de modo geral, e a Psicanálise, em particular, como processos humanísticos e terapêuticos capazes de entender e de resolver as múltiplas complexidades e perturbações da psique humana.
Baseávamo-nos, então, de maneira firme, no facto da Psicologia, (após a sua rotura com a Filosofia e autonomia como ciência), assim como a Psicanálise, terem adoptado, logo desde as primeiras correntes estruturalistas e behavioristas (comportamentais), uma visão e metodologia empíricas, em moldes estritamente científicos. Cremos que isto foi resultante da poderosa influência do modelo mecanicista e dualista de Descartes (Corpo-Mente) e de Newton, com seu rigor e objectividade pragmáticos.
Essa visão e metodologia condicionaram, quase sempre, a perspectiva das outras ciências, o desenvolvimento da Física Clássica (hoje já liberta), e a Medicina Alopática, por exemplo, que ainda hoje não tem a necessária compreensão holística do Homem e vê o corpo apenas como uma máquina química e biológica, considerando até a Mente como significativa de cérebro.
Não obstante, uma palavra de advertência sobre este modelo Cartesiano-Newtoniano deve ser dita: Descartes e Newton eram profundamente místicos e Rosacruzes, e a influência que exerceram no foro pragmático e empírico das ciências deve-se à má e parcial interpretação dos seus postulados, e não porque eles assim o desejassem em suas teorias e conceitos.
Posta esta introdução, essencial e transparente da nossa posição pessoal, iniciaremos a abordagem do tema.
A MENTE - O CONSCIENTE E O “INCONSCIENTE"
O "Inconsciente" foi um termo aparentemente criado por Freud, aplicável à base da sua "Psicologia Afectiva" ou "da Profundidade". Vamos encontrar este termo, já dotado de grande significado, em Nietzsche e na Filosofia, no final do Século XVIII, como herança dos antigos místicos. E também em Platão, no qual, possivelmente, Freud se inspirou.
Para podermos definir este vocábulo, temos de falar do seu oposto, o "Consciente", sem o qual não teria sentido. Ambos os termos nos levam a falar da Mente, palavra cuja compreensão (por se tratar de algo abstracto) é particularmente difícil para quem não tenha uma orientação místico-filosófica; e por ser algo de difícil visualização, ela é, vulgarmente, confundida com o intelecto e com o cérebro humanos.
Em princípio, podemos dizer que a Mente compreende tanto o aspecto que se expressa no Homem como consciência interior, dita Subconsciente (quase sinónima de "Inconsciente"), quanto o aspecto exterior, vigilante, dito Consciente, ou Consciência Objectiva. Por outras palavras, tentando simplificar, estes são, no Homem, os dois campos antinómicos principais de actividade da Mente. Esta transcende muito – como deverá deduzir-se – qualquer analogia com o cérebro, com o qual nada a identifica, a não ser pelo facto de o cérebro humano ser parcialmente utilizado pela Mente.
Pela sua natureza Cósmica, a Mente não é estritamente ligada apenas ao ser humano, individualmente, sendo, sim, um elo permanente e universal de contacto com todos os homens, uma teia invisível, porém real, que se inter-relaciona com todos os seres vivos.
Um outro aspecto é o de que todos os órgãos do corpo humano, incluindo o cérebro, são mortais, ao passo que a Mente, fazendo parte da Alma Universal e da personalidade anímica do Homem, é imortal.
A experiência demonstra que a Mente está activa nas funções involuntárias dos seres vivos (o bater do coração, a respiração, a circulação do sangue, etc.), mesmo depois do término destas funções. Isto é, por algum tempo depois de declarada a “morte cerebral”, sendo esta, actualmente, considerada pela Medicina Legal como padrão para a declaração de falecimento de qualquer indivíduo.
Queremos observar que, em rigor, não existe propriamente algum estado que possamos designar por morte; ocorre uma transformação, ou como os Rosacruzes da AMORC consideram, uma “transição” de um estado ou plano vibratório, relativamente denso, para um outro mais subtil e mais elevado.
Podemos afirmar ainda, seguramente, que a Mente Universal, sendo parte da indefinível Inteligência e Consciência de Deus – com a qual todos estamos em permanente contacto, em maior ou menor grau – é uma Energia ilimitada, infinita, de elevada frequência vibratória, infusa em todo o espaço terreno, planetário e cósmico.
Ela é invisível e imensurável, pelos meios físicos e científicos de que a Humanidade dispõe, actualmente, mas pode ser percebida pelas faculdades subjectivas de qualquer pessoa que saiba usar técnicas de harmonização, ou pela intuição, meditação, etc.
Julgando suficiente esta tentativa de definição da Mente, pelo ponto de vista metafísico, esotérico, parece-nos interessante avaliarmos agora, através de alguns exemplos, a concepção e divisões que algumas correntes psicológicas, instituições espiritualistas e esotéricas, bem como psicólogos reconhecidos, aplicaram à Mente, em relação à possibilidade humana da sua percepção.
Para facilitar a compreensão do leitor, criámos uma imagem simbólica, fictícia e arbitrária, para uma possível concepção racional:
Imagine o leitor, como sendo seu "mundo mental", um pequeno prédio, com uma cave (“porão”, no Brasil), escura, fechada, onde habita, ligada por uma escada interior ao piso térreo. Imagine também que a grande maioria das pessoas (99,9 % da Humanidade) vive no piso térreo de suas casas, que é a sua consciência desperta, activa, objectiva, ignorando a existência daquela cave, o Subconsciente (ou Inconsciente), bem como ignorando a escada interna de acesso, que está fechada com uma resistente porta.
Há outros andares, acima, no prédio, mas estão dissimulados por fora e pelo interior do prédio, motivo por que são julgados inexistentes, pois também não vemos nunca a continuação da escada interior que leva do térreo àqueles pisos superiores. Esta parte da escada foi tapada e pintada da cor da parede e é, assim, praticamente invisível.
Agora, considere e memorize, ou anote, os símbolos seguintes, que vamos usar para as divisões da Mente, segundo a terminologia usada pelos psicólogos, correntes e instituições que anteriormente referimos, em analogia com os pisos do prédio imaginado (a palavra portuguesa “Cave” será melhor entendida no Brasil como Porão):
Letra "C": a cave do prédio; Letras "EC": escada da cave até ao térreo; e letras "PT": o piso térreo.
Estas divisões referem-se aos níveis da Mente Cósmica (ou Consciência Cósmica) passíveis de alcance pelo Homem, e onde os vocábulos Inconsciente e Subconsciente quase se equivalem aqui.
Em FREUD:
- "C" é o "Inconsciente Pessoal";
- "EC" é o "Pré-consciente";
- "PT" é o "Consciente".
Em JUNG:
- "C" é o "Inconsciente Pessoal" e o "Inconsciente Colectivo", unidos;
(querendo, podemos colocar o "Inconsciente Pessoal " na escada da cave, o que é arbitrário);
- "PT" é o "Consciente" que, segundo Jung, se origina do "Inconsciente".
Nos KAHUNAS (do Havai):
- "C" é a "Consciência Inferior";
- "EC" é a "Consciência Média";
- "PT" é a "Consciência Superior".
(Os KAHUNAS consideram dez níveis de Consciência; apresentamos somente os três mais vulgares).
Na PSICOLOGIA TRANSPESSOAL:
- "C" é o "Inconsciente Psicodinâmico";
- "EC" é o Pré-consciente;
- "PT" é a "Consciência de Vigília".
- (No 5º andar do prédio situa-se a "Supraconsciência");
Mais tarde falaremos um pouco mais da Psicologia Transpessoal e de seus outros níveis da Consciência. Aqui estamos simplesmente apontando os três principais níveis, para não fugirmos da simplificação do tema. Assagioli, Maslow, Wilber e outros notáveis psicólogos transpessoais propõem, individualmente, "Cartografias da Consciência" muito mais elaboradas e complexas.
No MISTICISMO PANTEÍSTA E DA ORDEM ROSACRUZ - AMORC:
- "C" é o "Subconsciente";
- "EC" é a "Consciência Subjectiva";
- "PT" é a "Consciência Objectiva".
(No 5º andar colocamos nós, pessoal e arbitrariamente, a "Consciência Cósmica", ou "Iluminação").
Como se pode observar, através dos exemplos apresentados, a terminologia dos níveis da Mente varia, de acordo com as diferentes concepções, pelo que tivemos de fazer aqui algum esforço de enquadramento e ajustamento, para traçar uma cartografia simples e aproximada dos níveis mais acessíveis. Para dar uma ideia, existem vinte palavras em Sânscrito para definir diferentes níveis da Mente, aos quais, provavelmente, é possível aceder mediante avançadas técnicas de harmonização.
Após uma breve definição da mente Cósmica e dos exemplos simples da analogia e terminologia dos principais níveis mentais em diferentes abordagens, é importante notar-se que esses níveis da Mente não se situam abaixo ou acima uns dos outros, no sentido vertical, nem em qualquer outro sentido espacial, e o exemplo do prédio pretendeu, apenas, facilitar ao leitor uma visualização racional destes conceitos abstractos, tornados coerentes pela experiência psicológica e mística.
De modo geral, podemos conceituar a "Consciência Objectiva" da AMORC (de vigília, ou activa), como sendo o nível mais directamente relacionado com o mundo que nos cerca, e com as coisas exteriores a nós, perceptíveis através dos canais sensoriais (tudo o que vemos, sentimos, ouvimos, etc., interpretadas pelo cérebro e sistema nervoso central), considerada por muitos psicólogos como o nível central e padrão da Consciência.
Quanto ao "Pré-consciente", de Freud, ("Consciência Subjectiva", na AMORC), é uma espécie de ligação intermédia (a escada da cave) entre o "Consciente" e o "Inconsciente Pessoal", não dependendo a sua dinâmica de estímulos sensoriais directos, como ocorre com o "Consciente". Geralmente é activado indirectamente por estímulos de natureza física e objectiva, convertendo-os, então, em memória, vontade, imaginação, etc.
Foi nesta fronteira entre o "Pré-consciente" e o "Inconsciente Pessoal" (EC) que Freud situou a região dos conflitos com os conteúdos esquecidos e reprimidos neste último, ao pretenderem exprimir-se e chegar à região "Consciente", que não deseja abrir-lhes a porta de entrada. Esses impulsos recalcados forçam a sua libertação para o "Consciente", o qual, por sua vez, exerce uma força contrária. A "censura", ou "luta" dessas energias opostas é travada na área do "Pré-consciente".
O Subconsciente, como uma alegórica "cave", referida é, de modo geral, a região oculta da Mente, metaforicamente subjacente aos seus níveis superiores (a escada que a liga ao piso térreo e o próprio piso térreo).
O Homem não tem uma percepção normal e fácil dos conteúdos do Subconsciente, que só podem ser compreendidos através da análise indirecta e simbólica, quando trazidos à superfície da Consciência Objectiva. Podemos, pois, considerá-lo como uma zona de memórias profundas e, segundo o conceito místico, é o nível transcendente do Ser, sem pensamentos ou sensações, e normalmente isolado dos estímulos dos sentidos.
É este vasto campo do interior do Eu ("Pessoal" e "Colectivo" na teoria Junguiana) que está, directa e indissoluvelmente, ligado à grande Mente Universal e a todos os seres vivos da existência. É também neste Eu Interior (sem que o possamos localizar em qualquer parte ou órgão do corpo físico de qualquer ser), que ocorre a maioria dos fenómenos psíquicos, ditos paranormais, como a “Projecção do Corpo Psíquico" (conhecida como "Viagem Astral", "Teletransporte", etc.), a Pré-cognição, a Intuição, a Harmonização Cósmica, etc.
Os níveis mentais (ou campos de Consciência) que referimos, apesar da teoria Freudiana e outras nos darem uma ideia de divisão, não são isolados; interagem, enérgica e dinamicamente uns com os outros.
Parece simples, agora, concretizar o que Freud designou por "Inconsciente Pessoal". Todavia, lembramos que o conceito de um determinado aspecto da Mente ser inconsciente no ser humano, já existia anteriormente, implícito no sentido da Mente Subconsciente dos místicos e filósofos antigos, em geral. Fica, pois claro, que Freud não o inventou. Contudo, Freud deu-lhe uma concepção diferente, considerando-o "Pessoal", assim como o dotou com definições de conteúdos dinâmicos específicos. Deste modo, a nível pessoal, deu ao "Inconsciente" um significado paralelo, porém bastante reduzido e diferente do verdadeiro Subconsciente.
Numa segunda fase, Sigmund Freud descreveu o "Inconsciente", de modo geral, como um repositório de "material" (ideias, imagens, memórias antigas, etc.,) que ali foi esquecido ou reprimido e ignorado pela Consciência vigilante, no fundo do qual, e mais profundamente, reside o "ID", onde permanecem fortes impulsos instintivos básicos.
Desejando estes expressar-se – definiu Freud – entram em conflito com as forças inibidoras do "Superego", que se situa mais próximo do "Consciente".
Consideramos, pois, a Psicanálise como uma "Psicologia de Conflito" dos traumas, culpas, complexos, e dos instintos primários contidos no "ID" (uma espécie de "gangster" banido), com o "Superego", dotado de energias vigilantes e repressoras (o "polícia" desta "aventura" oculta).
No meio deles, em campo aberto (se me permitem gracejar e colocar neste ponto uma topografia arbitrária, semelhante à própria descrição Freudiana, está o "Ego", uma força frágil, por um lado preocupada com uma dura sobrevivência existencial e, por outro, na linha de tiro entre os dois enérgicos e fortes contendores, (o "ID" e o "Superego"), tentando escapar da feroz luta entre eles.
A PSICANÁLISE E O MÉTODO DE FREUD
Ao criar e desenvolver uma nova visão da estrutura e dos conteúdos da Consciência, ao nível humano, Sigmund Freud poderia ter atingido a estatura de Einstein, na Psicologia, se tivesse logrado emancipar-se da influência e das limitações do Modelo Cartesiano-Newtoniano que ainda se fazem sentir actualmente em várias áreas do pensamento e da actividade humanos. Em nossa opinião, esse lugar cimeiro coube ao seu discípulo dissidente, Carl Jung.
Não obstante, tentando uma apreciação justa, em nossa visão limitada e relativa das coisas, temos de reconhecer em Freud a genialidade de um verdadeiro cientista que contribuiu decisivamente para o reconhecimento geral da existência da Mente na personalidade humana. Foi pioneiro numa área praticamente desconhecida na época, como era o psiquismo do Homem, e quem, pela primeira vez, abordou de modo sistemático e profundo as perturbações do foro mental.
Também não podemos deixar de referir que Freud criou a Psicanálise fora da linha incipiente da Psicologia, que era somente uma extensão da Psiquiatria e da Neurologia, pouco desenvolvidas no final do Século XIX, tendo sido, todavia, fortemente influenciado pelos trabalhos pioneiros de Jean Charcot. Freud visitou-o em Paris e com ele aprendeu a teoria e a prática hipnóticas do tratamento da histeria. Ainda neste aspecto, foi ajudado também, inicialmente, por Josef Breuer, em Viena, com quem praticou e desenvolveu a hipnose no tratamento de pacientes neuróticos. E foi de parceria com Breuer que publicou em 1895, a obra "Estudos sobre a Histeria".
Julgamos que sua originalidade se deve a ter posto de parte a hipnose aprendida com Charcot, Breuer, e mesmo com Bernheim, já que estes trabalhavam sobre o Subconsciente dos doentes de forma limitada, procurando obter deles as imagens significativas de seus traumas psíquicos durante o próprio processo hipnótico, que não permitia fazê-los aflorar à Consciência Objectiva dos pacientes.
Com as novas técnicas psicanalíticas de "Livre Associação" e de "Transferência", criadas por Freud, – básicas no seu método – o psicanalista deixa que o paciente fale, aleatória e livremente, de seus sentimentos e problemas, com a emoção que lhes é intrínseca, permitindo que ele próprio, em estado relaxado mas consciente, os associe. Através de suas palavras, o paciente transfere-os para o psicanalista, mesmo quando lhe parecem sem nexo e significado. Cabe ao psicanalista fazer a interpretação simbólica dessa narrativa aparentemente incoerente e, por indução, trazer à Consciência Objectiva do paciente, os conteúdos traumáticos, perturbadores e complexos, até então recalcados no seu "Inconsciente Pessoal".
Parece-nos, actualmente, que a centelha iluminadora de Freud se deva a uma profunda reflexão sobre a Hipnose, e relativamente a um pormenor que hoje se torna bastante óbvio, quase como um "Ovo de Colombo": se um paciente hipnotizado executa ordens, involuntariamente e sem qualquer controlo, à voz de comando de um hipnotizador, das quais não pode lembrar-se depois de voltar a estar objectivamente consciente, e nem mesmo recordar-se de quem lhas ordenou, é porque o sentido dessas ordens actua e é memorizado em alguma região indefinível da sua Mente. Se o paciente não está em estado de Consciência desperta, activa, vigilante, para poder optar por cumpri-las ou não (portanto, coarctado em seu livre arbítrio e poder de escolha), então esse "estado" tem de ser considerado um nível de Consciência adormecida ou "Inconsciente".
Freud imaginou então esse "Inconsciente" como uma vasta área subterrânea, subjacente à Consciência, na superfície, onde existiriam poderosas energias psíquicas, invisíveis, influentes no comportamento das pessoas, especialmente caracterizadas por ele como impulsos de natureza sexual e vital, que denominou de "Libido". Arrojou-se ainda, arrostando na época com sérias críticas e conflitos, a afirmar a existência de uma sexualidade infantil, com fases de desenvolvimento, e também a importância simbólica dos sonhos como sendo um dos meios de expressão do "Inconsciente Pessoal".
Em síntese, coincidindo flagrantemente com o objectivo místico do autoconhecimento (fazer aflorar à Consciência Objectiva o Eu Interior diluído no Subconsciente), a Psicanálise considerou especificamente a causa das histerias e perturbações neuróticas no recalcamento de traumas, inibições sexuais, etc., desde a infância e, assim, auxilia o paciente à percepção dos seus problemas íntimos, inibidos e ocultos da sua visão objectiva, levando-o directamente à possibilidade da sua resolução.
Assinalamos que o célebre psicanalista jamais considerou a necessidade de aprimoramento ou de minimização do "Ego", instrumento psíquico da personalidade humana, da mesma forma que ignorou a sexualidade e a psique femininas.
É curioso que, sendo um espiritualista e interessado em Religião, tenha, paradoxalmente, colocado à margem da Psicanálise, por um lado, as experiências místicas, religiosas e os estados alterados de consciência e, por outro, tenha atribuído à Religião o estatuto de "Neurose obsessiva – compulsiva da Humanidade", aproximando-se do conceito de Carl Marx.
A óptica mística, em nossa opinião, foi sempre a de que o Homem é o único responsável pelo seu próprio Destino. Substituindo esta palavra (vulgarmente conotada com um sentido determinista e fatalista a que o Homem estaria sujeito), pela palavra "Caminho", que preferimos, queremos simbolizar aqui, não somente a livre trajectória, mundana, objectiva, existencial, de cada homem, em cada encarnação. Desejamos também significar a sua caminhada pela "Senda" interior, evolutiva, que é de sua responsabilidade: a grande "Viagem" da sua Consciência e "Personalidade-Alma", ao longo de muitas e sucessivas vidas, num aprendizado cumulativo e inevitavelmente progressivo, em razão das Leis Naturais de Causa e Efeito, (Carma), da Reencarnação e da Evolução.
Considerando que o ser humano apenas toma consciência do seu "Caminho" cármico e somente começa a conhecer-se a si mesmo em resultado das múltiplas experiências de cada vida; considerando que só começa a entender a importância da sua natureza psíquica através da percepção de conflitos íntimos com a sua natureza mundana e objectiva, e que eles ocorrem, apenas, depois de ser duramente testado entre as opções do prazer e da dor, do bem e do mal; parece-nos ser irrelevante a apreciação que cada indivíduo faça, em determinado momento do seu percurso na vida, quanto às motivações do seu comportamento existencial.
Tentando explicar de outro modo, a Lei Cármica, como todas as Leis Naturais da Criação, não se compadece com a ignorância de qualquer indivíduo e com as suas tentativas de fuga à responsabilidade que lhe cabe como "Personalidade-Alma" que, inexoravelmente, só pode colher aquilo que semeia. Cada homem deve, em cada existência encarnada, aprimorar o seu comportamento, sua acção e objectivos, o que só conseguirá pela consciencialização do que pensa, do que é interiormente, no seu quase eterno processo de "vir-a-ser", aquilo que já é, real e potencialmente.
Enfatizamos, pois, o facto de ser indiferente que um indivíduo atribua às imagens, memórias e ideias recalcadas no seu "Inconsciente Pessoal", os fundamentos do seu comportamento agressivo, anti-social, não-moral, competitivo, desumano, etc., para desculpar a sua Consciência Objectiva, mundana. Isso não o isentará da responsabilidade, como segmento activo e integrado da Ordem Cósmica, nem do julgamento da sua própria Consciência Interior, mesmo porque todas as "motivações" soterradas no seu "Inconsciente" não deixam de ser resultantes do seu aprendizado, nos conflitos travados entre ele e o mundo, quer na sua infância, quer na maturidade desta vida actual ou em vidas passadas.
Recorrer ao Psicanalista ou a profissionais de outros ramos da Psicologia, procurar conhecer-se através do seu auxílio em situações de "stress" (melhor dizendo, "distress"), depressão, ansiedade ou neurose, decorrentes de frustrações, medos e inibições rejeitados, é uma busca de solução normal para equilibrar a Mente, assim como se busca o médico alopata ou um cirurgião para se tratar o corpo, quando não dispomos de outros recursos. Todavia, atribuir toda a infelicidade pessoal a esses distúrbios (como se lhe fossem estranhos, aleatórios e impessoais), porque não se assume a responsabilidade pela própria vida Mental, é uma atitude que consideramos como fuga e contra-senso. O Homem é um ser dual em sua natureza: Corpo e Alma; e a Mente é um atributo da Alma.
FREUD, JUNG E OUTRAS CORRENTES DE PSICOLOGIA
Ainda não consideramos Freud ultrapassado porque a Psicanálise vingou de forma muito firme e existem, actualmente, milhares de dedicados psicanalistas, auxiliando muitos pacientes de maneira eficaz. Todavia, e reconhecendo hoje uma importância transcendente na Psicologia, as novas correntes psicológicas que a partir da Psicanálise foram sendo criadas, ampliaram, de forma surpreendente, as teorias de Freud. Essas correntes tornaram-se verdadeiras ciências humanas, já possuidoras de uma perspectiva holística e abrangente do Homem e da Consciência Humana, perspectiva totalmente afastada do arcaico dualismo "Matéria-Mente" Cartesiano e da estreita visão do empirismo científico, falso herdeiro de Newton.
Embora a "Psicologia Afectiva" Freudiana não tenha perdido a sua validade, não podemos compará-la agora, em nossa opinião, com as mais recentes Escolas Investigadoras da Mente, assim como não comparamos a Física Teórica com a Física Quântica, ou a Magia primitiva com a Metafísica actual.
Não querendo alongar-nos, falámos sumariamente de Freud, omitindo os fundamentos existentes na sua Psicologia sobre a sexualidade, a influência dos traumas da infância no desenvolvimento equilibrado da personalidade, a interpretação dos sonhos, etc.
Quanto a nós, são muito limitados como modelos comportamentais originários da Consciência humana que, em sua visão, era dominada por instintos inferiores. O desenvolvimento posterior da Psicologia permitiu que a natureza humana não fosse julgada estritamente pelas manifestações existenciais de indivíduos neuróticos e psicóticos, nem pelos casos e perturbações individuais, conseguindo, ao invés, obter uma visão maior, quase total, do ser humano. Este passou a ser compreendido, em sua patologia, como um ser largamente afectado pelo contexto social, familiar, religioso, histórico, geográfico, etc.
É evidente que a Psicologia Behaviorista (comportamental) e a Psicanálise, dominantes nas primeiras décadas do Século XX, não podiam, em princípio, alargar a sua visão limitadamente científica, para este novo horizonte – amplo e profundo – que compreende o Homem em sua complexidade humana e Cósmica.
Pelos motivos anteriormente apontados, a Psicanálise seria incapaz de visionar aqueles aspectos já que, lidando com os aspectos dinâmicos dos recalcamentos no "Inconsciente" (traumas sexuais, etc.), no campo neurótico, nunca se propôs abordar e tentar resolver experiências mais profundas da Mente Subconsciente das pessoas, nas áreas psicótica, esquizofrénica, transpessoal e mística.
Dizer que a Psicologia encara, actualmente, a Mente humana numa visão profunda – que não hesitamos em colocar em paralelo com a abordagem mística - poderá parecer um exagero. Contudo, esta comparação surge, inevitavelmente, quando se lêem as obras de Jung, Assagioli e Maslow; e mesmo sem nos determos nas experiências consagradas de Stanislav Groff, através do LSD, na constatação experimental dos "Estados Alterados de Consciência", certificamo-nos do avanço extraordinário que, especialmente desde o início dos anos setenta, foi consagrado ao estudo da Mente, sobretudo com a Psicologia Transpessoal, nas obras de Ken Wilber e de outros autores desta nova visão psicológica.
Os místicos sentem-se agora confortados com essa visão científica da Psicologia moderna, que torna coerentes e acreditados os conhecimentos que, de há muito, difundiam sobre a Mente, sobretudo no que concerne à comparação que alguns psicólogos clássicos faziam entre os místicos e os esquizofrénicos. Aliás, são flagrantemente coincidentes os relatos de autênticos místicos, como Santa Teresa de Ávila, nas suas visões e alcance da Consciência Cósmica, que chamou de "Castelo Interior", e dos esquizofrénicos que puderam "voltar" de suas "viagens" através das profundas regiões da Consciência.
Conforme prometemos anteriormente, transcrevemos a seguir um quadro cartográfico dos níveis de Consciência (ou Mente), apresentado por Keneth Ring, Psicólogo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos da América, como exemplo da desenvolvida abordagem que existe na Psicologia Transpessoal, relativamente à exploração do Eu Interior humano.
O mapa do autor é dividido em áreas concêntricas, ou coroas circulares, partindo do centro com a "Consciência de Vigília", até à última área, no círculo exterior, denominada "Vácuo". Como não o reproduzimos, ordenamos aqui os níveis, de 1 a 9, partindo da zona central, nível mais comummente conhecido como "Consciente", ou "Consciência Objectiva", até ao nível exterior. Para a maioria das pessoas que, no Ocidente, simplesmente se habituaram à singeleza de apenas dois níveis opostos da Mente – "Consciente" e "Inconsciente" – ou àqueles três de que demos alguns exemplos, antes – este mapa poderá parecer surpreendente.
1. A "Consciência de Vigília".
2. O "Pré-consciente".
3. O "Inconsciente Psicodinâmico"
Até este ponto, considerados níveis normais, e dentro da visão Freudiana.
4. O "Inconsciente Ontogenético"
(fenómenos “perinatais” - ou à volta do nascimento); Este 4º nível é considerado como o último dos níveis pessoais e até onde se situam as neuroses.
5. O "Inconsciente Transindividual"
(ao nível do "Inconsciente Colectivo" e de seus "Arquétipos", de Jung); iniciam-se neste nível as chamadas regiões transpessoais da “Consciência”, a partir da qual se situam as psicoses.
6.O "Inconsciente Filogenético"
(compreendendo o código genético – as experiências ancestrais herdadas geneticamente).
7. O "Inconsciente Extraterreno"
(já no nível de "Viagem Astral" - "Projecção Psíquica").
8. O "Supraconsciente"
(que nós julgamos equivalente ao "Samadhi" do Yoga e à "Consciência Cósmica" ou "Iluminação" dos Místicos).
9. O "Vácuo"
(que já não seria propriamente um estado – ou nível - da “Consciência”, mas uma condição nirvânica de puro Ser, que é chamado no Budismo de "Nirodh").
Para encerrar esta dissertação, não podemos deixar de falar, resumidamente, de Jung, pois este transcendeu toda a visão clássica da Psicologia (até chegarmos à Transpessoal), aproximando-se tanto da sabedoria mística sobre a Mente Cósmica – sempre ignorada pela Psicologia – que somos tentados a reconhecê-lo como um psicólogo verdadeiramente místico.
Jung foi muito além do "Inconsciente Pessoal" Freudiano, ao visionar este estado mental como já existente no próprio nascimento do indivíduo e, portanto, além de mais distante da "Consciência de Vigília", abordando já um nível ontogenético. Esta tese aproxima-se das tentativas de definição que enunciámos sobre a Mente, no início deste trabalho, mormente quanto à natureza de uma única Energia, ubíqua e Cósmica, que se expressa no Homem, em vários níveis, dos quais apenas dois são racionalmente mais compreendidos – Consciente e Subconsciente.
Assim, Jung distinguiu duas regiões distintas na Mente Subconsciente: uma, de natureza pessoal, com os motivadores da experiência individual anteriores ao nascimento, muito mais variados e abrangentes do que discerniu Freud no "Inconsciente Pessoal"; e uma outra – surpreendente e original, se tivermos em vista tratar-se de uma abordagem psicológica – que chamou de "Inconsciente Colectivo" comum a toda a Humanidade. Este como um vínculo entre qualquer indivíduo e todos os outros indivíduos, com determinados padrões de ordem dinâmica, presentes colectivamente em todos eles, aos quais chamou "Arquétipos". Definiu estes como experiências ancestrais da Humanidade, inseridas na Mente Cósmica, que infunde todos os indivíduos, repetimos, “Arquétipos” que são reflectidos em sonhos individuais, mitos antigos, contos de fadas, etc.
Ao contrário do seu Mestre, Jung não interpretou a necessidade da Religião e da Espiritualidade como uma ilusão e obsessão neurótica do ser humano, e, sim, inatas e intrínsecas na natureza das pessoas.
Além de Jung, o discípulo favorito de Freud e, na verdade, o grande herdeiro da Psicanálise, também Reich, Rank e Adler foram seus discípulos, deixando Freud e criando suas próprias escolas e teorias, e ampliando, cada um deles, as ideias e estruturas da “Consciência”, postuladas pelo Mestre. Estes rejeitaram algumas e colmataram certas lacunas que Freud não preencheu, pois não ousou romper totalmente com os modelos científico e tradicional da época, os quais não quis afrontar por coerência e integridade profissionais.
Sem Freud – pensamos nós, em posição absolutamente pessoal – e relativamente à Psicologia, não teria sido possível chegar a avançar-se tanto na investigação da Mente. Haveria um Einstein sem ter existido Newton? Carl Jung teria sido quem foi sem a precedente existência de Freud? Ken Wilber seria o mestre da Psicologia Transpessoal sem o pioneirismo de William James, de Reich, Maslow e outros?
Os místicos do Oriente e do Ocidente – e entre eles os Rosacruzes – conheciam há muito a transcendência da Mente, mas não eram ouvidos pelos cérebros científicos e pragmáticos da Psicologia Clássica. Todavia, Jung, como Einstein, e antes deles Newton, Demócrito, Galileu, Bruno e outros, ouviram a voz interior da Consciência Cósmica, através da intuição. Souberam discerni-la como sendo a Verdade Maior, interpretá-la e torná-la inteligível para a compreensão objectiva da Humanidade. Foi esse o seu génio.
Freud foi grande mas não soube ouvir a Mente Divina. Foi esse "golpe de asa" que lhe faltou para ser verdadeiramente um génio. Mas reconhecê-lo como um admirável precursor e mestre daqueles que lograram aprender com ele e continuá-lo, e que admiramos, é um preito de gratidão que devemos outorgar-lhe hoje e aqui.

O PODER DA MENTE
A MENTE UNIVERSAL
"O TODO É MENTE - O Universo é Mental"
("O CAIBALION" - 3 Iniciados)
(Editora Pensamento – S.Paulo)
"O Caibalion" (ou "Kibalion") é um daqueles livros raros – como "Luz no Caminho" ou "Estâncias de Dzyan", por exemplo – cuja leitura se torna difícil para quem não tenha já percorrido uma boa parte da senda esotérica. É nele que se encontram os sete grandes Princípios Herméticos (de Hermes Trismegistus, o três vezes sábio) – (2700 a.C.) - dos quais o primeiro é o de Mentalismo.
ESTES PRINCÍPIOS SÃO OS DAS
LEIS NATURAIS DO UNIVERSO.
Seu axioma básico é aquele que, intencionalmente, acima citámos inicialmente. E da mesma obra extraímos duas valiosas advertências para os sérios buscadores da Verdade, as quais se completam:
-“Segundo um velho Mestre Hermético, Aquele que compreende a verdade da Natureza Mental do Universo está bem avançado no caminho do Domínio".
- "Sem esta Chave-Mestra, o Domínio é impossível e o estudante baterá em vão nas diversas portas do Templo" (templo psíquico e mental do conhecimento).
Parece-nos que estas duas referências da antiga sabedoria egípcia justificam a razão por que vimos nos alongando e tratando seriamente este tema, pois sempre sentimos – mesmo quando ainda não o tínhamos aprofundado e suficientemente compreendido – que ele era um dos aspectos mais profundos do longo percurso místico. A compreensão da Mente é, realmente, uma chave indispensável para o alcance da Verdade e para a nossa saúde mental.
O "PODER DA MENTE"
Talvez por insuficiência de interesse ou de boa informação, a maioria das pessoas não consegue compreender aquilo que é chamado vulgarmente de "Poder da Mente". Consequentemente, essas pessoas não acreditam no seu valor prático e, portanto, não o estudam melhor nem chegam a usá-lo para a transformação de sua vida e realização de seus objectivos. Apegam-se a valores menores e erroneamente consagrados como mediadores de sucesso, tais como a força de vontade, a tenacidade, a sorte, o trabalho árduo, etc.
Poucos homens percebem, portanto, a existência desse tesouro latente e disponível em si mesmos, tão valioso que lhes permite, apenas com o uso da sua vontade, dar forma e realidade externa aos seus desejos íntimos, isto é, plasmar em formas densas (a que chamamos materiais) e em estados e condições reais, as vibrações da energia dos seus pensamentos e das suas imagens mentais.
Relevamos o facto de o Poder da Mente ser altamente construtivo, terapêutico e criador, quando correctamente compreendido e devidamente usado, concedendo ao Homem o mesmo Poder Criador Divino, embora algumas religiões neguem isso e creiam somente esse Poder como privilégio exclusivo de Deus.
Todavia, sob outro aspecto, pode, paradoxalmente, tornar-se negativo, prejudicial e causador de um grande número de problemas e infortúnios, pela simples razão de ser ignorado, desconsiderado e relegado pelo Homem para o foro do imaginário e do oculto.
Por outras palavras, exemplificamos: todos nós possuímos, realmente, em nosso Eu Interior (no Subconsciente), um “génio milagroso, protector, bondoso, criativo”, que somente espera as nossas ordens para as transformar em realidades positivas; todavia, este “génio”, apenas pelo simples facto de o desconhecermos e desprezarmos (o que fazemos, habitualmente, por ignorância), torna-se um “feiticeiro demoníaco, impiedoso e traiçoeiro”.
Em decorrência dessa nossa ignorância, e não avaliando seriamente o seu poder, ele transforma em realidade, sim, mas negativa - e sempre contra nós mesmos - tudo quanto descuidadamente pensamos, tudo quanto sentimos e imaginamos (medos, frustrações, complexos, desejos de vingança, raiva, inveja, etc.); isto é: a incontrolada multidão dos nossos secretos pensamentos e sentimentos, involuntários ou não, e joga-os contra nós, cruelmente.
Parece-nos fácil compreender-se que se trata de uma personagem oculta e terrível quando ignorada e desprezada no seu poder. E por não considerarmos nem acreditarmos nesta figura de duas faces, instalada desde sempre em nosso Subconsciente, paga-se um elevado preço. Quer não utilizando o seu lado bom e positivo, quer menosprezando o seu outro lado, mau e negativo.
Aprofundemos: seu duplo rosto é, ora o de um mágico amigo, bom, construtivo e generoso, pronto a ajudar-nos graciosamente a ser realizados e felizes, ora o de um bruxo cruel, negativo e prejudicial que capta silenciosamente os nossos mais íntimos segredos, assim como nosso pessimismo, nossas dúvidas, pensamentos negativos, maldade, egoísmo, etc., jogando-os então contra nós, sem aviso, e conduzindo-nos implacavelmente para o sofrimento, o fracasso e a derrota, que não pudemos prever.
Não obstante, vemos nele um instrumento cármico para nos levar a aprender, a evoluir e a sermos melhores e mais fraternos, assim como a nos tornarmos mais conscientes da nossa realidade duplamente física e mental, humana e Cósmica.
Parece-nos oportuno recordar aqui, para reflexão, parte de um texto do Mestre Bhagwan Shree Rajneesh (actualmente conhecido por OSHO), (de quem fui discípulo – “Swami”), já falecido.
"Tu atrais para ti, não a condição que pedes; não a condição que esperas; não a condição que queres; tu atrais para ti a condição, de acordo com o que tu és.
És uma pessoa que dás, sempre? Então, o mundo te dará muito. És uma pessoa que sempre espera receber? Então, o mundo reterá muito de ti. Dás, poderosamente? Então, o poder virá a ti. Dás, amorosamente? Então, o amor virá a ti. Dás, belamente? Então, beleza virá a ti. Dás, abundantemente? Então, a abundância virá a ti.
Que vais dar, afinal? A dádiva mais bela, a mais poderosa, a mais maravilhosa de todas as dádivas, ÉS TU MESMO! É A TUA FÉ! TUA CONFIANÇA! TEU AMOR!"
É possível que algumas pessoas cépticas, condicionadas somente à razão e ao intelecto, possam ainda perguntar: "Existe mesmo essa coisa do "Poder da Mente?" Ou, "Existe mesmo a Mente?".
Os mercados livreiros de todos os países estão actualmente inundados com alguns milhares de livros - melhores e piores - alguns profundos, outros superficiais, variando numa imensidade de títulos, que tentam transmitir ao leitor a efectiva possibilidade do uso positivo da real existência da Mente Universal, de acordo com a óptica pessoal, filosófica, religiosa, psicológica ou mística, dos seus autores.
Abrangem um leque enorme de exemplos dos resultados e êxitos da aplicação do Poder da Mente, em várias circunstâncias existenciais e com inúmeras pessoas. Mas nunca vi neles qualquer alusão à face negativa do “génio” cruel e punitivo.
Lamentavelmente, nesta literatura, os métodos e técnicas mais comuns, que vão desde a imaginação à visualização, passando pela invocação, prece, auto-hipnose, concentração, auto-sugestão, afirmações, negações, etc., ou são parcialmente ocultados em algumas obras ou insuficiente e confusamente explicados noutras.
Isto é: a tónica geral é a ênfase na acção e em seus resultados, povoada de casos para o leitor seguir ou imitar, na prática, Ignorando que o Mentalismo é uma Lei Natural do Universo, entre outras, e só com poucas excepções são explicados os fundamentos da Mente e o processo básico e prático em que assenta o Poder Mental para se atingirem resultados concretos e favoráveis.
Ou os autores julgam desnecessário referi-los, ou acham demasiado trabalhoso (e é, na verdade), revelarem de modo inteligível o processo de operação da Mente Cósmica e sua interacção com o Homem. Ou talvez nem a conheçam correctamente, impressão que nos ficou de muitas obras que lemos.
Na verdade, não existe qualquer poder mental no Homem como algo pessoal, ou por dote, privilégio ou capacidade especial. O que ele possui é a faculdade de usar, por diversas formas ao seu alcance, a energia (força ou vibrações) da Mente Total do Universo, que é inerente a todos os seres vivos, embora o privilégio de autoconsciência restrinja ao ser humano o seu uso e controlo.
É a isso que se tem chamado, vulgarmente, "Poder da Mente", "Força Mental", "Energia Cósmica", "Poder da Energia Mental", "Poder Cósmico", "Força Mágica do Pensamento", "Força Interior", "Poder Superior da Mente", etc., a bel prazer dos autores dessa vasta literatura, pretendendo dizer a mesma coisa sem repetir os conceitos e títulos das obras alheias.
Infelizmente, a grande maioria das pessoas é involuntariamente influenciada e levada a inculcar, dia a dia, no Consciente (que se encarrega, em grande parte, de o remeter de imediato ao Subconsciente) um aflitivo quadro multifacetado de uma sociedade violenta e doente: guerras, misérias, catástrofes, assassinatos, desemprego, destruição, etc. Por uma natural rejeição, isto converte-se subconscientemente em angústia, "stress", depressão, insegurança, ansiedade, frustrações, medos, defesa agressiva e egocêntrica de sobrevivência, desorientação, isolamento, desconfiança, hostilidade, etc.
Os livros e cursos válidos e bem estruturados (os poucos que há) são úteis para essas pessoas e podem cooperar validamente no sentido de as estimular a tentar readquirir o seu equilíbrio psicossomático, coragem, esperança e autovalorização, assim como a iniciarem um aprendizado para se defenderem destas agressões externas ao seu mundo mental.
Contudo, a leitura apressada, céptica ou distractiva dessas obras, e a eventual assistência a cursos do género, mal fundamentados e elaborados, não logram conseguir suficientemente nas pessoas a necessária metamorfose, e não bastam para a sua transformação interior. É verdade que muitas pessoas começam com eles e encontram neles bases para se direccionarem para a espiritualização, para um conhecimento mais profundo de si mesmas e até para as organizações místicas, tradicionais, esotéricas, nas quais podem desenvolver a colheita dessas sementes na grande árvore de conhecimento e evolução que elas detêm potencialmente.
As imagens paradoxais do feiticeiro demoníaco e do mágico bondoso – as duas faces ocultas do Subconsciente – que comentámos anteriormente, podem ter parecido chocantes e algo excêntricas para os habituais leitores de obras e participantes de cursos sobre o Poder da Mente. Sabemos isso. Normalmente, nessas obras e cursos aparece somente a face positiva e simpática do génio bondoso. E, geralmente, também são raras as instituições espiritualistas e os Psicólogos que falem explicitamente do lado negativo do Subconsciente no Poder da Mente.
O que estamos tentando é dividir aqui, objectivamente, as duas faces de uma mesma realidade, para um melhor entendimento do leitor, pois os psicanalistas e psicólogos preocupam-se apenas em minorar os recalcamentos e conteúdos do Subconsciente para diminuírem ou anularem os seus efeitos patológicos. Ignoram sempre o seu aspecto criativo, regenerador e positivo. Em contrário, a maioria dos Mentalistas enfatiza somente este aspecto construtivo e transformador, desprezando, em regra, o seu lado negativo.
É natural que, ao tentarmos exprimir conceitos tão abstractos como os que vêm sendo apresentados neste trabalho, tenhamos de recorrer a imagens simplistas, a fim de podermos ser compreendidos.
Qualquer estudante de misticismo, menos adiantado nos estudos, pode ficar surpreso também com o conceito de que o Subconsciente (que sabe estar ligado intrinsecamente à Mente Divina) possa ter um aspecto negativo, mau, prejudicial e vingativo, representado por uma figura simbólica como a do feiticeiro diabólico.
Neste sentido, uma explicação se impõe imediatamente, apesar de já esboçada anteriormente: é que o aspecto negativo do Subconsciente (ganha-pão dos psicólogos, psicoterapeutas, curadores, etc.), existe apenas na personalidade humana em decorrência da ignorância que as pessoas têm dele. A sua natureza essencial, puramente criadora, curativa, benéfica, é adulterada porque é nele que os seres humanos, ao longo de uma sucessão de vidas, depositam os conteúdos das frustrações, dúvidas, emoções, sentimentos, imagens e pensamentos perniciosos que, em sua Consciência Objectiva repudiam. Deste modo, "entulham" o Subconsciente com medos, complexos, anseios e pensamentos negativos, os quais moldam a inevitável realidade das suas vidas infelizes.
Buscando nisto um sentido maior, vemos cada vez mais neste processo as sábias e inexoráveis leis do Carma e da Evolução, em sua acção correctora e rectificadora da "Personalidade-Alma" das pessoas, que estruturam o Homem paralelamente com os objectivos maiores da Criação.
Na natureza da Criação Universal não existe esse feiticeiro diabólico que, em princípio, nos parece ser adverso; mas ele assume realidade para fazer acontecer o que nós pensamos e imaginamos; isto é, para colhermos o que mentalmente semeamos. Oculta-se em nosso Eu Interior para pôr em prática o que nós somos, realmente, em nossa consciência íntima. Ele só é negativo porque nós somos negativos, em razão do nosso Ego. Não seria justo, afinal, que o Subconsciente ignorasse o nosso lado maldoso, egoísta, passional, interesseiro, materialista, para realizar, exclusivamente, nossos bons pensamentos e anseios e apenas nos tornar felizes, saudáveis, realizados e triunfantes.
Aqueles que praticam o lado positivo, obtêm o que desejam, mas se não anulam totalmente as causas do aspecto negativo, convivem, ora com o sucesso, ora com o fracasso. A maioria, ignorando o duplo rosto transformador do Subconsciente, e tendo permanentemente uma atitude derrotista, vencida e resignada perante a vida, convive, de modo geral, apenas com a miséria, a dor e o fracasso.
Os místicos e espiritualistas, em paciente processo auto transformador, trabalham sobre o lado negativo, para anularem, pouco a pouco, os conteúdos dessa região do Eu profundo, recalcados e motivadores de grande número de problemas existenciais. Ao mesmo tempo, despertam e usam a face positiva, a fim de projectarem na realidade seus sonhos e necessidades e, por essa razão, são os poucos homens que equilibram a sua balança cármica e vivem em paz. Raramente enfrentam grandes tormentas, pois sabem empreender, com esforço e persistência, a prática de valores positivos, anulando os negativos, optando pelo caminho do autoconhecimento, sem os quais não é possível o domínio da vida.
Muitas pessoas não acreditam em Criação Mental nem em seu poder interior de realizarem seus sonhos e desejos. Quero dizer-lhes, enfaticamente, que o Homem tem o poder de pensar, amar, imaginar, falar, orar e, ainda, o que é muito mais importante, o poder de Escolher e de CRIAR. Escolhe com o livre arbítrio que lhe foi dado por Deus, e PODE CRIAR, à semelhança de Deus, dotado com o mesmo potencial de Deus para realizar e forjar no mundo o seu caminho ou, dizendo de outro modo, para transformar mentalmente naquilo que quiser a energia de que dispõe no Universo.
Para ilustrar um pouco do que pode fazer-se em Criação Mental (e nós demos cursos sobre isso, no Brasil), vou contar uma história pessoal como exemplo para as pessoas que não acreditam em “milagres”, que nada mais são do que os resultados das criações mentais, mesmo involuntárias. São respostas para o uso consciente ou inconsciente da Lei Natural do Mentalismo.
Quando eu tinha 6 ou 7 anos, vivi um período de vida em que os meus pais lutavam com muitas dificuldades. Nesse período, o meu pai estava hospitalizado e eu e minha mãe vivíamos num quarto alugado, numa casa de um prédio velho, numa rua antiga de Lisboa. Lembro-me de que minha mãe não tinha dinheiro e que, à tarde, eu ficava sozinho no quarto, enquanto ela ia visitar o meu pai.
Lembro-me também de que, numa dessas tardes, como de costume, estava só, numa hora que seria a do lanche, e tinha fome. Minha mãe falava muito em Cristo, em Jesus. E naquela tarde, triste, numa súbita intuição, pedi ao Cristo, numa linguagem pura e inocente, que mandasse do céu um lanche para mim. Conversava mesmo com Ele, inocentemente, olhando a imagem do crucifixo que havia na parede do quarto, por cima da cama, dizendo-lhe que a minha mãe não tinha dinheiro, não tinha ainda chegado a casa, etc.
No quarto havia uma janela com sacada de ferro onde costumava brincar ou olhar a rua, e nessa tarde, talvez uma hora depois da prece, vi com um certo espanto, e depois com uma aceitação natural, que o Cristo me tinha ouvido. Vi descer do céu, junto à parede do prédio, uma cesta de palha pendurada num fio de nylon, que parou junto ao meu rosto. Olhei para cima e não vi ninguém. Vi apenas a cesta pendurada e, então, convenci-me de que tinha sido o Cristo que a mandara.
Dentro, tinha um guardanapo, envolvendo um pão com manteiga e frutas (bananas e maçãs, se bem lembro). Puras e simples como são as crianças, sem dúvidas, tirei a merenda para fora e comi, deliciado. Pouco depois, a cesta subiu para o céu, lentamente. A partir daquele dia e todas as tardes, eu repetia o mesmo pedido, e sempre (isto durante cerca de 2 meses), aquela cestinha descia até mim como um “milagre” quotidiano.
Penso hoje ter descoberto por intuição uma técnica muito importante, da qual só quarenta anos depois tomei consciência: a possibilidade de transformar um desejo em realidade - a CRIAÇÃO MENTAL.
Obviamente, não foi um milagre e, sim, a minha primeira Criação Mental. E nessa Criação Mental reconheço terem a ocorrência de algumas condições básicas, indispensáveis, as quais utilizei naturalmente. A primeira foi IMAGINAÇÃO (acreditar no Poder do Cristo); a segunda foi EMOÇÃO (decorrente da necessidade premente que tinha de comer); e a terceira foi CONFIANÇA, a qual, nós, adultos, temos dificuldade em sentir em nossa consciência. Foi a confiança total num Ser superior, confiança total no Cristo. O que, normalmente, pode ser chamada de FÉ. Fé e Confiança são, na sua etimologia, sinónimas. “FIDE”, em Latim.
Muitas outras histórias deste género podia contar aqui, mas a restrição de espaço impede-me. Todavia, penso agora que, um dia destes, poderei organizar um resumo do meu “Curso de Criação e Controlo Mental” e trazer aqui outro artigo para o público que hoje me prestigia com a sua leitura.
Esqueçamos agora as duas figuras simbólicas e imaginemos que possuímos um computador interno, que é o nosso Subconsciente. Existe nele uma memória de muitos "Megabytes", em parte já gravada, e com um espaço ainda virgem para futuras gravações; é a nossa memória total, como seres humanos com algumas encarnações anteriores.
Este computador está ligado a seis mil milhões de outros computadores, os quais estão também ligados entre si, numa rede invisível. Por outro lado, este computador, à semelhança de todos os outros, está também directamente conectado a um Supercomputador Central com uma base de dados total, com muitos “Gigabytes”, abrangendo todas as informações das memórias individuais, base que, esotericamente, é designada pelo termo sânscrito "Akasha", traduzido geralmente por "Registos Acásicos" ou "Memória Universal".
Recorremos a esta simbologia simples porque nos pareceu óptima para a compreensão fácil das inter-relações do nosso Subconsciente. Posto isto, o que vamos dizer seguidamente também é sumamente revelador de nós mesmos. Na memória pessoal, Subconsciente, (onde estão adormecidas as experiências dos primeiros anos de vida que, no nível objectivo, não fomos capazes de lembrar) e, por extensão, também na Memória Universal, estão indelevelmente registadas:
1. As impressões de origem genética, decorrentes de várias gerações de ancestrais (pais, avós, trisavós, etc.) que, através dos genes (e do ADN, com seu código genético), o indivíduo herdou deles, com as suas características pessoais representadas por tendências, motivações, aptidões naturais, excentricidades, etc. Por vezes, e na impossibilidade de identificar claramente a sua origem, percebemos alguns desses aspectos hereditários através da intuição ou de reflexão sobre a nossa individualidade.
2. As impressões que trouxe das suas encarnações anteriores, embora as mais vívidas e que mais o condicionam sejam, naturalmente, as da encarnação anterior ou das mais recentes encarnações; não devemos esquecer que, em cada nova existência, somente mudamos o corpo físico. A "Personalidade-Alma" é a mesma de sempre, com o mesmo computador e uma memória subjectiva cada vez mais enriquecida de experiências e conhecimento.
3. As impressões adquiridas na infância e adolescência, na presente encarnação, por influência do "habitat" onde a pessoa nasceu e viveu, e da educação dos pais, familiares e professores, as quais se tornam grandemente condicionantes ao chegar à maturidade. Dessa vivência e educação fica, inconscientemente, gravada uma grande quantidade de inibições, medos, complexos, superstições, tabus e preconceitos, deformadores do que poderia ser uma personalidade sã e positiva.
4. As inúmeras impressões das experiências ao longo da vida já vivida, as quais se inscreveram suficientemente, à sua revelia, no momento em que ocorreram, na Consciência Objectiva do indivíduo, e por consequência no seu Subconsciente, mesmo que não lhes tenha dado muita atenção e importância (imagens da TV, cenas de filmes, conversas ocasionais, ocorrências diversas do quotidiano, desastres, catástrofes).
5. As impressões da Mente Subconsciente de outras pessoas, que chegam também, de vários modos, ao Subconsciente do indivíduo, por harmonização ou influência mental ou psíquica; note-se que se essas impressões forem de carácter malévolo, somente poderão prejudicá-lo se a sua formação e ética pessoais as aceitar e registar, num fenómeno de osmose ou empatia psíquicas.
À medida que avançamos, percebemos que este assunto é, realmente, mais profundo do que à primeira vista poderia parecer, e talvez seja mais difícil de ser entendido por algumas pessoas, sem a abordagem inicial – sobre a MENTE - sob o ponto de vista psicológico.
Freud intuiu, parcialmente, apenas os conteúdos descritos aqui no item 3 e 4; Jung, com sua Psicologia Analítica, e outros psicólogos, foram, entretanto, muito mais longe. Lentamente, e com uma linguagem diferente, a Psicologia, de modo geral, alcançou pouco a pouco um desenvolvimento que, praticamente, engloba os aspectos sumariamente aqui descritos como "impressões" na subconsciência humana, que não são, efectivamente, ficção.
Todavia, muito antes da Psicologia avançar para a abordagem actual do mapeamento dos níveis de Consciência denominados Transpessoais, esses níveis foram intuídos, visionados e compreendidos, ao longo dos séculos, por filósofos, pensadores e místicos, e também pelos Rosacruzes.
O Supercomputador Central, a Memória da Mente Cósmica, à qual o homem tem acesso em vários "estados" de consciência (considerados na Psicologia como "Alterados", em relação à Consciência Objectiva), tem o poder de conhecer plenamente todos os conteúdos e informações já registados em nosso computador pessoal; e porque ele é energicamente dinâmico e actuante, transforma-as sempre na presente e na futura realidade de nossa vida.
Considerando que todo o processamento se faz através dos nossos pensamentos e imagens mentais, isto é, por uma substância de subtil energia vibratória, o Supercomputador aceitará, sem qualquer discriminação, todos os dados que, além daqueles já anteriormente lá memorizados, sejam introduzidos no computador pessoal de cada indivíduo, sejam eles bons ou maus, voluntários ou involuntários.
Com eles, altera ou apaga os registos já existentes, ou cria novos "motivadores" da futura existência pessoal; tudo isto, em nível subconsciente.
Talvez tenhamos recorrido demais a uma simbologia técnico-informática, mas ela vai ajudar-nos na compreensão do processo, eminentemente abstracto, da interacção pessoal com o lado oculto da Mente Universal, que vamos equacionar a seguir.
Na prática, deparam-se-nos algumas dificuldades técnicas para explorarmos a valiosa potencialidade do nosso computador pessoal (fechado na "cave"), visto que é unicamente através da nossa Consciência Objectiva que podemos trabalhar e estabelecer contacto efectivo com ele. E isso será compensador se conseguirmos por livre associação, descodificar (anulando) os conteúdos estranhos e enigmáticos que nos perturbam, de alguma maneira.
Essas dificuldades, comuns à maioria das pessoas, podem resumir-se em cinco interrogações básicas, para as quais oferecemos uma resposta, de modo necessariamente sintético:
1.ª - Sabendo-se que a Mente Cósmica - o Supercomputador Central – obedece por indução fielmente aos registos do computador pessoal de qualquer pessoa, desde que estes sejam claros, precisos e individualizados, a pergunta é: quais as técnicas correctas, em Criação Mental, para que a nossa Consciência Objectiva transfira para a nossa memória subconsciente pessoal as mensagens ou determinações a efectuar, a fim de serem criadas em nossa vida novas condições, situações e circunstâncias? (INPUT).
Assim: o indivíduo deve sentar-se, confortavelmente, colocando-se em estado passivo, relaxado, afastado de estímulos sensoriais (ruídos, luzes, aromas, etc.), se possível num ambiente sem cores fortes, com música suave e de olhos fechados; deve, depois, serenar a sua agitação mental (ideias, preocupações, sentimentos), e voltar-se mentalmente para o seu interior.
É, então, o momento de imaginar impressivamente, de forma clara e nítida, a situação (objectivo, projecto, etc.) que deseja realizar, devendo fazê-lo com muita emoção, sinceridade e plena confiança na Mente Cósmica. Repetimos: EMOÇÃO, SINCERIDADE, E PLENA CONFIANÇA NA MENTE CÓSMICA.
O passo seguinte é projectá-la (liberando-a) para a Mente Cósmica, sem tornar a pensar na situação mentalmente criada e sem conjecturar sobre os meios cósmicos da sua realização. Um exemplo: se a pessoa deseja um emprego de porteiro num hotel, não deve imaginar situações intermediárias; visualiza-se já na porta do hotel, recebendo os hóspedes, como se fosse uma cena de um filme no qual também entra. E a seguir deve esquecê-la.
Se a pessoa ficar insistindo na situação criada, ela se anulará - assim como apodrecerá a raiz de uma planta se a regarmos demasiadamente. Tudo o que se desejar assim - Saúde, Casamento, Promoção, Nova casa ou Carro novo, etc. - pode ser criado desta forma, visualizando sempre imagens concretas, definidas e finais.
2.ª - Quais os elementos que devem ser seleccionados e introduzidos para tornar a nossa vida bem sucedida, com êxito e felicidade? (INPUT).
A pessoa pode programar e introduzir em seu computador interno todos os desejos que anseia ver realizados (o casamento da filha, a formatura do cônjuge, a edição de um livro, a viagem de férias, um novo emprego, etc.), desde que sejam éticos e bem intencionados.
Todavia, deverá visualizar sempre um de cada vez; e é importante que não se limite simplesmente a pensar ou a imaginar, pois isso não é suficientemente poderoso para ser registado, criativamente, na Mente Universal. A postura e o ambiente adequados são os mesmos anteriormente referidos, e pode fazê-lo de dia ou de noite, onde possa estar só e tranquilo. Lembramos ainda, que simples afirmações ou negações (como no método de Emile Coué), também não resultam.
Repetimos que é preciso "viver" a situação intensamente desejada, sentindo-a como se ela já fosse verdadeira. SENTINDO-A EMOCIONALMENTE, com veemente CONFIANÇA, sem nunca duvidar do Poder da Mente Universal. Ela saberá como agir e realizar. Finalmente, é importante que o indivíduo sinta também que é merecedor da realização do seu projecto e que ele não irá prejudicar quem quer que seja.
3.ª - Considerando que certos conteúdos motivadores de fracasso, doença e infelicidade, já existem na memória subconsciente (guardados do nosso passado), quais são os registos que devem ser alterados ou anulados, para não impedirem e desviarem os nossos objectivos de felicidade, saúde e paz de espírito? (INPUT).
Não responderemos, no momento, a esta questão, cuja análise e resposta, tentaremos fazer quase no final desta palestra.
4.ª - Que técnicas devem utilizar-se para conseguirmos ter acesso aos registos das memórias pessoal e Universal, e como poderemos interpretar coerentemente a sua linguagem simbólica de impulsos e impressões, que não usa palavras e cujo conteúdo é extraordinariamente valioso e compensador conhecer? (OUTPUT).
Muitas pessoas (que não os místicos) pensam que a recepção de impressões do Subconsciente não é importante; ocupam-se apenas com o uso criador do poder da Mente, praticando somente a emissão de imagens mentais relativas aos seus desejos e objectivos. Mesmo incorrecta ou deficientemente, é só esta a que os livros ensinam. Não estando preparadas para aquela prática de recepção, essas pessoas ficam impossibilitadas de conhecer as "mensagens" do seu Eu profundo (arquivando tudo e nada tirando do arquivo) e, consequentemente, não contactam receptivamente a Mente Cósmica.
Às vezes são surpreendidas, de maneira súbita e inesperada, por essas "mensagens", que perturbam e confundem a sua Consciência Objectiva, descuidada e racional; são "mensagens" que essas pessoas não esperam, e a que não dão valor e, por isso, pouco ou nada entendem desses "insights" do Eu Interior.
Assim, e procedendo como foi exemplificado relativamente ao relaxamento indispensável do corpo e da actividade cerebral, e ao ambiente favorável, é preciso a pessoa deixar que o seu Subconsciente envie para o seu Eu Objectivo as "mensagens" nele arquivadas. Elas surgem através de imagens, frases, ideias, lembranças ou avisos, ou mesmo como rostos, sons, paisagens, vozes, música estranha, etc. Então, deve tentar interpretá-las objectivamente, como um recado, uma instrução válida, pré-cognição de algo, resposta a uma dúvida, questão ou desejo, sugestão para um caminho a seguir, decisão a tomar, etc.
Algo pode surgir na Mente Objectiva sob o aspecto de mensagem telepática, contacto psíquico com alguém (vivo ou desencarnado), ou solução para um problema aflitivo, etc. Por vezes, essas previsões ou pré-cognições surgem deslocadas no tempo e no calendário humanos, e também no local da ocorrência, porque no Plano Cósmico não existem Tempo e Espaço como na concepção humana. Por outro lado, como tudo isso é simbólico, nem sempre o indivíduo conseguirá descodificar claramente essas percepções psíquicas, ou só virá a conseguí-lo mais tarde. Todavia, não deverá nunca assustar-se e, sim, tentar captar, o melhor que puder, um sentido inteligível naquilo que lhe pareça desconexo, como ocorre frequentemente com os sonhos, que estão no mesmo nível de fenómenos.
É necessário ter em conta que nenhuma outra pessoa poderá interpretar correctamente essas percepções pessoais. Um psicólogo ou um místico, experientes, poderão ajudar um indivíduo a fazê-lo, porque têm uma sensibilidade psíquica desenvolvida; mas a "leitura" correcta da "mensagem" do Eu Interior terá de ser feita pelo próprio.
5.ª - Como evitar a gravação involuntária na memória subconsciente (que, como sabemos, tudo percebe, guarda e executa), de pensamentos, imagens e devaneios mentais, que não queremos ali armazenar (recalcar), a fim de impedirmos realizações inconvenientes e não desejadas em nossa vida? (INPUT INVOLUNTÁRIO).
A razão por que se concluiu que “o Homem é aquilo que ele pensa" e, portanto, um produto final de seus pensamentos, em sua expressão existencial, deve-se à constatação de que os seus pensamentos se transferem para o seu Subconsciente sem qualquer filtragem ou selecção, independentemente da sua vontade.
O Subconsciente, como já apontámos, é o grande condicionador da sua vida. Deste modo, introduzindo continuamente nesse computador interior, imagens, ideias e construções mentais negativas e, por vezes, confusas, incoerentes e contraditórias, concebidas e acumuladas quotidianamente, sem cuidado e sem uma autocensura, o indivíduo regista todas elas na memória sempre disponível desse computador, que as transforma na realidade da sua existência e naquele ser complexo que ele é.
Esta é a imagem exacta do feiticeiro maquiavélico a que aludimos anteriormente; a face oculta e indesejável do Subconsciente, que recebe todo o "lixo mental" de nossa vivência consciente e o transfere para o Super computador Central. Este, por sua vez, devolve-o à nossa vida em realizações concretas, equivalentes.
O grande problema, sobre o qual devemos meditar seriamente, é que a MENTE CÓSMICA NÃO TEM CRITÉRIO CRÍTICO OU SELECTIVO, DE MODO A EXECUTAR SOMENTE AQUILO QUE NOS CONVIRIA. ELA PROCESSA TUDO O QUE PENSAMOS OU REGISTAMOS EM NOSSA CONSCIÊNCIA, INDIFERENTEMENTE; E, SIMPLESMENTE, REALIZA-O. É esta a razão pela qual convivemos duplamente com um génio bondoso e um feiticeiro demoníaco dentro de nós. De acordo com o que sabemos, eles trazem-nos, respectivamente, AMOR, SUCESSO, SAÚDE e FELICIDADE, ou AMARGURA, FRACASSO, DOENÇA e MISÉRIA. Cabe aqui uma reflexão sobre o Livre Arbítrio humano e a "Balança Cármica Egípcia", sobre os quais podem tirar conclusões pessoais.
Como podemos evitar futuramente a acção do feiticeiro demoníaco? Que podemos fazer?
Bem, sendo a Consciência (ou Mente) um atributo intrínseco da nossa "Personalidade-Alma", um privilégio que cobra seu preço em nosso auto-aperfeiçoamento e evolução, obrigatórios, teremos de policiar, de vigiar, constante e activamente, as nossas imagens e pensamentos. Assim como nossos desejos, sentimentos e emoções, eles não são privados nem inconsequentes, como provavelmente pensávamos, motivo por que teremos de evitar que sejam eivados de maldade, pessimismo, descrença ou derrotismo. Também deverão estar isentos de inveja, ciúme e malquerença. Neste sentido, se não os conseguirmos evitar, eles serão como “boomerangs” que atiramos e que voltarão, com todo o impacte destrutivo e fatal, para nós mesmos, tornando nossa vida miserável.
Se, no entanto, ainda precisarmos de paradigmas e de regras de ouro para alcançarmos o lado positivo da existência, através de uma nova atitude mental, podemos sugerir aquelas que conhecemos e que são infalíveis. São simples e do domínio público: “Os Versos de Ouro”, de Pitágoras; “Os Dez Mandamentos”, de Moisés; “O Sermão da Montanha” e “O Pai-Nosso”, do Cristo que, em resumo, simbolizam o paradigma maior: O AMOR.
Analisemos agora a 3.ª questão, cuja resposta adiámos intencionalmente, pelo facto de não concordarmos com uma solução genérica, no sentido de que todas as pessoas que se consideram vítimas do "Inconsciente" possam usar o poder da Mente para alterar ou anular os conteúdos (traumas, inibições, fobias diversas, etc.) nele recalcados.
Assim, recordando a questão básica (quanto aos registos que devem ser alterados ou anulados no Subconsciente), e considerando que tudo o que aqui já expusemos deve ter levado a perceber aqueles que nos são prejudiciais, podemos ampliar agora aquela interrogação, no sentido de saber se podemos, pessoal e voluntariamente, alterar ou apagar esses registos de natureza negativa, gravados no Subconsciente.
Simplificando: para tentarmos atingir o cerne do problema, nossa opinião é a seguinte: PODERÍAMOS FAZÊ-LO, SIM, DESDE QUE SOUBÉSSEMOS QUAIS SÃO ESSES REGISTOS, JÁ QUE A SIMPLES TOMADA DE CONSCIÊNCIA DELES ELIMINÁ-LOS-IA.
Ora, de modo geral, não os conhecemos, a não ser, algumas vezes, pelos seus efeitos, os quais nos levam a intuir as suas causas. E é exactamente por não os identificarmos, e pela dificuldade em trazê-los pessoalmente à Consciência Objectiva, que as pessoas perturbadas enchem os consultórios dos psiquiatras e psicoterapeutas, assim como os pavilhões dos hospitais de doenças mentais.
A questão desdobra-se agora: É POSSÍVEL, ENTÃO, TRANSFORMAR O NOSSO EU INTERIOR, MESMO SEM O CONHECER? A resposta é afirmativa: é possível a qualquer homem que esteja firmemente disposto a fazê-lo, o que não ocorre normalmente com os indivíduos comuns. Para explicar o porquê, precisamos, no entanto, fazer ainda algumas ponderações.
A nossa opinião, comummente inaceitável, é a de que o ser humano é totalmente responsável pelo seu mundo mental, que inclui todos os aspectos da sua memória pessoal, subconsciente, anteriormente descritos, com excepção do aspecto referido em "1": a Herança Genética. A menos que consideremos esta herança como uma resultante cármica.
Este mundo mental compreende também - não o podemos esquecer - a sua Consciência Objectiva, que tem uma comprovada interdependência com o Subconsciente. E é esta interdependência, normalmente desconhecida pelo Homem, que nos serve de base para a conclusão mais importante: o maior problema humano está no modo indisciplinado, inconsequente e insensato como ele procede na vida, através da sua Consciência Objectiva.
Por outras palavras, e genericamente falando, o Homem, em sua "corrida" egocêntrica pela vida, além de quase sempre ignorar o aspecto subconsciente da Mente, também despreza o aspecto consciente; foge à percepção do seu Ser Interior e desrespeita o privilégio da sua autoconsciência e a sua condição dual de Ser físico e psíquico. Ora pratica uma existência quase instintiva, obedecendo ao "ID" (indiferente aos resultados drásticos dessa conduta, para si mesmo e para os outros), ora se motiva a viver materialmente e centrado em si próprio, numa busca exclusiva de prazer, sexo, riqueza, poder e luxúria, por apelo do "EGO".
Em decorrência deste comportamento alienado, vem a suportar, inevitavelmente, a censura severa da autoconsciência, pelo o "SUPEREGO", até ao ponto de desequilíbrio psicossomático e patológico.
Este homem, extraviado de si mesmo, poderia realmente usar o poder da Mente para transformar a sua vida desorientada (e o consequente "entulho" existente na sua vida interior), numa existência saudável, equilibrada e feliz. Mas não o conhece ou não quer usá-lo. Para fazê-lo teria de tornar-se, expansiva e integradamente consciente de si mesmo, como ser dual que é em união com todos os seres da Criação.
Por isso, não é aceitável a solução como regra geral. Somente desejarão recorrer ao poder da Mente, aquelas pessoas que (sem usar o recurso psicológico) se crêem como personagens psíquicas em evolução.
Essas, sabem que podem alterar e apagar os registos psíquicos negativos, mesmo sem poder conhecê-los especificamente, pela ampliação da sua Consciência Objectiva das coisas do Universo e do Homem, pois, ampliando esta, expandem e transformam também a sua Consciência Interior.
Esta é a Pedra Filosofal dos místicos e dos antigos alquimistas. Na prática, os místicos fazem-no pelo estudo e persistente experimentação, contemplação e meditação. Conseguindo ficar despertos para a realidade que os cerca, trazem à superfície de si mesmos os "destroços encalhados" no oceano subterrâneo da Mente que, uma vez consciencializados, se auto-eliminam facilmente.
Esses místicos são capazes de renunciar ao mundo das aparências e de se aperfeiçoarem, indiferentes ao transitório aqui e agora da vida e à doce ilusão das compensações imediatas. Vivem com olhos interiores e serenos, voltados para a sua eternidade, procurando harmonizar a "sua Mente” com a Mente Divina.
Finalizando, acreditamos que num futuro próximo o Homem se tornará num ser diferente e mais evoluído do que é actualmente. Será fraterno, amoroso, integrado e feliz. Então, o "Mito de Sísifo", ainda aplicável à maioria dos seres humanos, não mais terá razão de ser, pois o Homem, nesse futuro, saberá o sentido da sua existência e compreenderá plenamente a sua missão, em eterna coerência com a Mente Cósmica. Também a "Alegoria da Caverna" (de Platão) terá perdido seu significado metafórico, pois todos os "acorrentados", quase cegos, da "Caverna", já se terão libertado e encarado a luz do Sol com naturalidade e júbilo.
Nesse horizonte do ilusório Tempo, os cientistas de hoje, que já buscam e antevêem o homem triplo, manifestado em Corpo, Mente e Alma, deixarão de simbolizar, na estreiteza da dualidade Cartesiana, o corpo e a Mente como o "Hardware" e o "Software" dos computadores. Nessa altura, entenderão, clara e objectivamente, que "Hardware" e "Software", Corpo e Mente, ou Consciente e Subconsciente, são divisões arbitrárias e opostos imaginados, em princípio necessários ao entendimento intelectual humano, mas que não têm dualidade real. São apenas um só, procedentes e compostos da mesma e Única Essência Divina.
Não tivemos a pretensão de desvendar aqui o amplo horizonte da Mente. Mas deixamos ao leitor um desafio para continuar a pesquisa que iniciámos com humildade. Valerá a pena, cremos, ir mais longe neste apaixonante tema e expandir a pequena luz que, para todos, aqui acendemos. A Grande Luz poderá ser encontrada, pessoalmente, em compensação do esforço individual e do interesse que cada um tiver em ouvir os sussurros da Verdade.
Pois, como refere "O Caibalion": "OS LÁBIOS DA SABEDORIA ESTÃO FECHADOS, EXCEPTO AOS OUVIDOS DO ENTENDIMENTO".
VITOR DE FIGUEIREDO FRC

BIBLIOGRAFIA
- Capra, Fritjof: O Ponto de Mutação, Cultrix, S.Paulo, 1986.
- Pesch, Edgar: Freud, Edições 70, Lisboa, 1986.
- Haar, Michel: Introdução à Psicanálise - Freud, Edições 70, Lisboa,1983.
- Ring, Kenneth: Uma Visão Transpessoal da Consciência - Um mapeamento das mais distantes regiões do espaço interior - in Cartografia da Consciência Humana , Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal, Editora Vozes, Petrópolis, 1978.
- Três Iniciados: O Caibalion, Editora Pensamento, S. Paulo, 1978
- Albersheim, Walter J. : Conhece-te a Ti Mesmo - (Colectânea) - Vols. 2 e 3 - Ordem Rosacruz - AMORC - Grande Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa - Curitiba-PR, 1985
- Petrie, Sidney e Stone, Robert B.: Como Ganhar Novas Forças com a Ginástica Mental, Editora Record, 2ª Edição, Rio de Janeiro
- Coddington, Mary: A Energia Curativa, Editora Record, Rio de Janeiro
Rajneesh, Bhagwan Shree (Osho): “Tu Atrais para Ti”, Rajneesh Foundation, Poona – Índia

This page is powered by Blogger. Isn't yours?