terça-feira, 21 de agosto de 2007

 

Selso Barden, pesquisador do Apocalipse, visita a Revista Horizonte – Leitura Holística

por Paulo Stekel


[Selso Barden em visita à nossa redação]

No dia 20 de agosto último, recebemos uma visita muito especial na sede da Revista Horizonte – Leitura Holística. Era Selso Barden, gaúcho natural de Venâncio Aires. Uma pessoa simples, amistosa e gentil. Um verdadeiro espiritualista por suas atitudes.
Depois de trabalhar no setor moveleiro e também como gerente comercial por muitos anos, resolveu fazer uma grande mudança em sua vida. Católico de nascimento, depois luterano, após o segundo casamento, Selso Barden participou de diversas religiões, sempre como um buscador incansável por informações que conduzissem à reforma do ser. Passou pelo cristianismo, budismo, espiritismo, entre outros. Atualmente não está ligado a nenhuma religião. Para ele, “todos nós somos ligados diretamente a Deus, não precisamos de intermediários”. Conhecemos muitas pessoas que pensam como ele. Suas idéias não são loucura nem coisa nova. São, sim, algo a ser escutado, lido e refletido no íntimo de cada um. A confirmação da Verdade deve ficar a cargo de cada indivíduo, ainda que Selso esteja convicto de que os fatos previstos por ele ocorrerão como e quando diz.
Selso Barden trouxe-nos algumas cópias de um DVD recém gravado e disponível na Internet no seu website (www.selsobarden.com.br), o qual conta sua trajetória de vida e apresenta algumas de suas “previsões apocalípticas”. "Fiz um vídeo de nove capítulos, que estou divulgando na internet através de meu site em construção www.selsobarden.com.br, juntamente com previsões de futuro. Hoje já pode ser acessado no video.google.com, em nome de Selso Barden”, disse. Assistimos o DVD e o recomendamos aos leitores, para que analisem por si mesmos.
Ainda que se possa duvidar do que ele diz, não se poderá negar que suas palavras levantam certos questionamentos sobre os quais não podemos nos furtar de uma reflexão mais aprofundada. Previsões sobre o Apocalipse existem aos montes. Contudo, contagiou-nos a simplicidade e franqueza, além de evidente humildade, vindas das palavras de Selso Barden. Não há nele pretensão alguma, muito menos financeira. Estamos acostumados a pessoas que buscam auferir lucros astronômicos anunciando catástrofes pela mídia afora. Selso fala a quem quiser ouvir, sem pedir nada em troca. Sente que, assim, está cumprindo uma missão em favor da humanidade. Ainda que se possa argumentar que ele está equivocado, muito nos alegraria se todos os equivocados tivessem o comportamento deste homem. Afinal, todos nós somos equivocados em muitas coisas. Mas ele mesmo está convicto.
Para Barden, "a busca por Deus é muito mais do que a nossa vida cotidiana". A partir do estudo profundo do livro psicografado Fundamentos da Reforma Íntima (de Abel Glaser pelo Espírito Caibar Schutel, Ed. O clarim), que é baseado nos ensinamentos de Jesus, intensificou sua vida espiritual. Há cinco anos recebe mensagens mais intensamente.

Revelações para os próximos anos

Para Selso Barden, estamos em meio a um caos e não há como negá-lo. Há o caos prisional, o caos da corrupção, etc. "Com o sistema prisional temos um empilhamento de condenados. Há necessidade de 4 vezes mais presídios. Daqui há um tempo vão ter que abrir uma porta para entrar e outra para sair os condenados", afirma. Para ele, há uma tendência de falência da economia dos EUA. Como cerca de 60% das exportações mundiais são vendidas para os EUA, se estes falirem, os demais países também falirão.
Conversamos longamente sobre possíveis mudanças no eixo da Terra, o degelo dos pólos e montanhas, entre outros assuntos. Ainda que a ciência preveja mudanças climáticas importantes para daqui há 30 ou 50 anos, Selso as prevê para 2008-2010. Prevê, inclusive, um terremoto no Rio Grande do Sul para 2009. Ele seria causado como uma conseqüência de uma tremenda seca no pantanal matogrossense. Como o pantanal absorve água para o Aqüífero Guarani (o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo), uma seca destas proporções (segundo Selso) faria a terra ceder em muitos pontos, causando tremores. Selso afirma que já “estamos em Apocalipse, desde 11 de janeiro deste ano [2007] entramos no Apocalipse”. Para uma melhor compreensão, recomenda a leitura dos lívros bíblicos de Ezequiel e Apocalipse.


[mapa do Aqüífero Guarani, que aparece em azul na figura]

Para o pesquisador o momento é de transição e não permite mais que percamos tempo errando. “As máscaras vão cair”, afirma. Para ele, estamos em um momento muito delicado, onde a partir dia 11 de janeiro deste ano passamos a receber do universo uma vibração muito forte que altera o comportamento dos seres vivos. À medida que o tempo passa isto se intensificará interferindo no estado de espírito das pessoas: quem é bom ficará melhor e quem é mau, tenderá a piorar. Esta vibração não influencia somente os humanos, mas também os animais, que estão ficando mais sensíveis e agressivos. Como afirmam as previsões Maias, perdemos, em parte, o controle do nosso comportamento normal, assumindo nossa verdadeira identidade espiritual. Isto tem conseqüências na criminalidade, guerras, paciência, imprudência no trânsito, extrapolando qualquer estatística do passado, como também potencializa ações humanitárias.
Quando fala de extraterrestres, Barden diz que eles existem e estão aqui para nos auxiliar na transição para um novo nível vibratório. Afirma que eles são antigos habitantes de Marte, que tiveram o mesmo fim. Destruíram o seu planeta e hoje vivem na Constelação de Órion. Estão a nos trazer uma nova tecnologia, que não polui, não usa motores, nem combustíveis. Viajam a até mil vezes a velocidade da luz, mas a humanidade ainda não está preparada para esta tecnologia. Só o estará após a transição, quando haverá uma nova consciência.
Barden: “Essas análises não tem o intuito de convencer as pessoas a acreditarem em mim. Porém todos devem tirar suas próprias conclusões. (...) A única proteção é buscar o equilíbrio, buscar Deus. (...) Com as previsões, podemos notar mudanças no comportamento das pessoas.”
Para o pesquisador, a pureza dos pensamentos facilita a conexão com os planos espirituais superiores. Depois de passar pelo que chama de “reforma íntima”, começou a receber mensagens destes planos, seja em sonho, em vigília ou mesmo seguindo o primeiro pensamento que vem à mente. Entre outras coisas, elas o incentivaram a ler a Bíblia, focando os pontos apocalípticos.
Segundo suas previsões, o ano limite é 2014, quando a Terra passaria para um outro nível vibratório. O Apocalipse, em sua visão, é a passagem para um outro plano, livre do desejo e do ódio.
Entre as afirmações mais contundentes de suas previsões estão: em 2010 não haverá Copa do Mundo; não haverá eleições presidenciais no Brasil e provavelmente Lula será mantido no poder; a economia dos EUA entrará em falência, levando a uma conseqüente falência da economia mundial; será decretado o Império Islâmico, com o apoio da Rússia.

Previsões e profecias são assuntos muito polêmicos, mas também interessam a muita gente. As previsões de Selso Barden estão baseadas em suas convicções, suas mensagens dos planos espirituais e mesmo em sua capacidade de raciocínio. Ele não pretende convencer ninguém. Apenas fala para quem quiser ouvir. Não debate, apenas apresenta suas percepções com humildade, sem deixar de ver sinais espirituais naquilo que as pessoas também lhe falam. Ainda que achemos que as coisas podem não ocorrer do modo como ele as pinta, não deveríamos ser negligentes com o nosso planeta, com o ser humano e com a vida na Terra, já que as conseqüências podem ser ainda mais terríveis do que as apresentadas por ele.

Consciência espiritual é a chave para o futuro da humanidade. Isso é algo de consenso que podemos afirmar!


quinta-feira, 9 de agosto de 2007

 

Kokhmahá! 2º Encontro Estadual de Terapeutas e Profissionais Holísticos - Impressões do evento

Por Paulo Stekel (editor)


[O deputado estadual Giovani Cherini (esquerda), organizador do evento, em companhia do padre português João Almendra (direita), que apresentou suas pesquisas com radiestesia em vários países da Europa, África e América do Sul.]

Porto Alegre (RS) tem sido marcada por vários eventos sobre espiritualidade e holística. As iniciativas partem de várias fontes: universidades, faculdades e mesmo de parlamentares que esposam visões holísticas e espirituais da vida.
Em 10 de julho último foi realizado o 2º Encontro Estadual de Terapeutas e Profissionais Holísticos. A iniciativa partiu do deputado estadual Giovani Cherini, que também é terapeuta holístico há mais de 15 anos e um entusiasta da espiritualidade. O evento lotou o auditório da Assembléia Legislativa do RS e contou com diversos palestrantes, alguns estrangeiros. Estavam presentes terapeutas e o público interessado em geral.
Entre os temas abordados, uma (boa) miscelânea, que certamente agradou o atento público presente: arquétipos do feminino, sincronicidade, medicina egípcia, bioenergética, musicoterapia, feng shui, radiestesia, EMF Balancing Technique, apometria quântica, homeopatia e biodança.
Em seu discurso de abertura, Giovani Cherini frisou que o sucesso de público não se devia a grandes divulgações na mídia, já que a organização encontrou muitas dificuldades nesse sentido. As mídias principais não têm espaço para a divulgação destes eventos porque eles simplesmente “não rendem manchetes”, já que são exortações à paz e não “banhos de sangue” no horário nobre.
Cherini ainda destacou o crescente interesse da medicina convencional pelas terapias complementares, também chamadas de “alternativas” e “holísticas”. Disse: “a ciência agora quer se apropriar de terapias que antes atacava, como a acupuntura.” Isso desagrada muito os terapeutas holísticos que não tenham formação em medicina.



Sincronicidade: é possível mudar o futuro?

O primeiro a falar foi o naturista e escritor Celso Rossi (abaixo), que apresentou suas idéias sobre a sincronicidade, termo técnico cunhado por Carl Jung para definir a simultaneidade de eventos que parecem de alguma forma psicológica invisivelmente conectados.
Para Rossi, a astrologia é importante para se entender melhor as relações. “A astrologia oferece muito para a psicologia”, afirmou.
Suas perguntas principais foram: É possível prever o futuro? É possível mudá-lo?
Quanto à primeira questão, postulou que as profecias de Nostradamus já previam a bomba atômica, o raio laser e a fibra ótica. Ou seja, em suas palavras: “Tudo deve estar sincronicamente organizado para a ocorrência de uma previsão.”
Quanto à segunda questão, Rossi afirma que não podemos mudar nosso futuro, já que tudo estaria determinado matematicamente pelo universo, inclusive nossa vontade em modificar os eventos do porvir. Realmente, considerando uma teoria dessas, não teríamos nem mesmo o livre-arbítrio, tão importante em algumas doutrinas espiritualistas. Antes, a sensação de livre-arbítrio seria ilusória, como afirmou Rossi.


[A administradora Silvia Fleury falou sobre “A conexão com a fonte universal de energia – EMF Balancing Technique”.]

Medicina egípcia em tempos modernos

O médico uruguaio Jorge Aguer, pesquisador dos egípcios e de suas técnicas de cura, apresentou as impressionantes descobertas feitas sobre as invenções dos antigos egípcios na área da saúde. Entre elas, próteses, produtos de beleza, absorventes e até cirurgias mais complexas realizadas no calor do deserto para evitar infecções.
Explicou ainda como os egípcios faziam experiências adoecendo animais e seguindo-os para ver qual erva procurariam para se curar. A medicina egípcia era integrada com a natureza, ou seja, verdadeiramente holística.


[Durante o evento foram oferecidas gratuitamente ao público participante minisessões de EMF Balancing Technique.]

O poder das mulheres

A psicóloga e facilitadora da UNIPAZ, Iara Fontoura falou sobre os “Arquétipos do feminino – a conexão com a sabedoria, o amor e o poder das mulheres”. Deteve-se especificamente nos arquétipos baseados nas antigas deusas gregas, como Deméter, Afrodite, Diana, Hera e Atena, entre outras, falando de sua relação com as diversas figuras femininas importantes da modernidade, como Lady Diana e Madre Tereza de Calcutá.
Iara deixou claro que a a influência do patriarcado sobre o psiquismo feminino se fez sentir durante muito tempo, mas que vários povos guardaram a idéia da Grande Deusa, o princípio feminino integrado.
Disse: “Os arquétipos são como matrizes arcaicas. (...) Segundo alguns estudiosos, antropólogos e cientistas, ocorre hoje um grande desequilíbrio na humanidade, porque as forças dominantes são de uma pressão externa muito grande e, podemos dizer, que o princípio masculino vigorou. (...) A deusa é a parte sagrada em nós. (...) e cada uma traz comportamentos e vivências que estão presentes em nós, mulheres. (...) O mito possui uma profunda verdade no meio de seu simbolismo mirabolante.”


[O evento também contou com sessões gratuitas de shiatsu.]

Radiestesia e subconsciente

O padre português João Almendra explanou sobre suas práticas com radiestesia, bioenergia e reflexologia em várias partes do mundo, como Angola e Moçambique.
Para ele, radiestesia é: “(...) a arte de estabelecer convenções com o próprio subconsciente e de ler as informações do mesmo subconsciente através dos reflexos, que são acionados por perguntas do subconsciente. (...) É uma arte! Como arte, se aprende com exercícios repetitivos, com técnicas próprias dos processos deste trabalho, como o faz o músico, o pintor, o esportista para aprender a sua arte.”


[Um momento de descontração e arte: apresentação de dança do ventre egípcia.]

A fonte universal de energia

Apresentando uma das mais recentes técnicas holísticas a aparecer no Brasil, a administradora Silvia Fleury (www.solaraholistico.com) falou sobre o tema “A conexão com a fonte universal de energia – EMF Balancing Technique”. O EMF foi criado por Peggy Phoenix Dubro, autora do excelente livro já comentado em Horizonte – Leitura Holística, e intitulado “Evolução Elegante” (Ed. Madras).
Eis sua visão do momento mundial e da missão do EMF: “O EMF é uma sintonia de você com toda malha energética do planeta. E este campo eletromagnético está se alterando, muitas coisas vão mudar e por isso é necessário uma sintonia nossa com o planeta. (...) o EMF faz esta calibração, esta sintonização de seu ser (...) com a malha do planeta.”


[O naturista e escritor Celso Rossi (centro) falou sobre o tema: “Sincronicidade absoluta – você pode mudar a sua vida, mas não o seu futuro.”]

Ao final do evento foi aprovada a “Carta do 2º Encontro Estadual de Terapeutas e Profissionais Holísticos”, que em diz em um de seus trechos:

“Queremos, enfim, manifestar que acreditamos haver meios técnicos e econômicos para derrotar a ameaça de morte e retomar o fluxo normal do rio da Vida, e que falta apenas o consentimento verdadeiro e íntimo de cada ser humano, especialmente dos que detêm qualquer forma de poder político, econômico, religioso, para que se possa, brevemente, numa imensa roda de mãos dadas, dançar e louvar e celebrar a magnífica alegria de estarem todos os seres vivos irmanados entre si e reconciliados com Gaia, a Mãe-Terra, confiantes no futuro e certos de que a aventura terrena seguirá por outros séculos, animada já então pelo simples êxtase de viver e de conviver (...).”


[O público lotou o auditório da Assembléia Legislativa do RS para assistir ao 2º Encontro Estadual de Terapeutas e Profissionais Holísticos.]

 

A Ordem do Templo e os Descobrimentos Portugueses (2ª parte)



[Manuel O. Pina]

O CULTO DO ESPÍRITO SANTO

Vou falar agora um pouco sobre o culto do Espírito Santo, pois ele é importante para o entendimento do espírito de missão que rodeou os Descobrimentos.
A primeira dinastia portuguesa iniciou-se rodeada de uma aura de misticismo, que veio a ser incrementado, especialmente no reinado de D. Dinis, com a divulgação em Portugal das ideias joaquimitas, trazidas essencialmente pelos franciscanos e pelos monges de Cister. Que ideias eram estas?
Estas ideias são da autoria do monge de Cister, Joaquim de Fiora, que estabeleceu os fundamentos de um movimento profético e messiânico que abalou a Idade Média, e que foi adoptado, especialmente, pela maioria dos monges da Ordem de S. Francisco, e que por isso, passaram a chamar-se de “Espirituais”. Para Joaquim de Fiora, as Escrituras não podem ser lidas no seu aspecto literal, mas segundo o espírito; os caminhos que nos conduzem a Deus são como os caminhos marítimos, não deixam vestígios e cada um, deve procurar a sua própria via conforme os “ventos soprarem”.
Joaquim de Fiora estabelecia que o Mundo tem três idades: a primeira, inaugurada com Adão, que era a idade do Pai, representada pelo Antigo Testamento; a Segunda, a idade do Filho, estabelecida a partir de Jesus, o Cristo, e dos seus Apóstolos; a terceira, a idade do Espírito Santo, que frutificará no fim dos tempos, após o regresso de Elias e a derrota do Anti-Cristo. Uma interpretação interessante destas três idades é a que diz que o Pai é o criador do Mundo, o Filho o seu governante e o Espírito Santo a energia e o poder que o transformam.
Para a Igreja, tratava-se de uma heresia, mas quando tentou reagir verificou que a extensão do problema era demasiado vasta, pois estavam envolvidas duas das maiores Ordens religiosas, a dos franciscanos e a dos cistercienses, mais a Ordem dos trinitários, além da Ordem do Templo, e esta aliava à sua condição monástica os objectivos guerreiros – era uma Ordem militar.
Os Templários associavam o “Conhecimento” ao “Amor”, que eram representados em forma de Querubins, assumindo que sem amor não pode haver conhecimento. Eles colocavam-se, não só acima do poder laico, como acima da própria Igreja, consideram esta como a Casa de Deus, mas o Templo era a Casa do Espírito Santo – a Igreja tinha idade, o Templo era intemporal. O Templo era o mundo interior, condição de homens livres e virtuosos, simbolizado pelo Templo de Salomão.
A sua aliança em Portugal com o “joaquinismo”, com os frades franciscanos e cistercienses, e com o comprometimento da monarquia, principalmente D. Dinis e D. Isabel, a Rainha Santa, fez com que se propagasse rapidamente por todo o país o culto do Espírito Santo. O sincretismo deste culto estabelecia que o Pai - a Luz - era a Criação e estava simbolizada no Antigo Testamento; o Filho - a Vida - era a Igreja de Pedro, a preparação; o Espírito Santo - o Amor - era a Igreja de João, cujo Evangelho era o cerne da doutrina secreta dos Templários. Com o advento do Espírito Santo - o Amor - a humanidade atingiria a maioridade espiritual.
Existe um episódio passado com D. Isabel e D. Dinis conhecido como o “Milagre das Rosas”, que não tem sido correctamente compreendido no seu verdadeiro significado, pois foi obscurecido pelas forças que tentaram aniquilar o culto do Espírito Santo. A versão destas forças conta o seguinte: estava D. Isabel entre os pobres distribuindo dinheiro e alimentos, quando foi abordada pelo rei. Este perguntou-lhe: que fazeis aqui, senhora? Ela respondeu que estava passeando. Como mantivesse a mão sobre uma dobra do vestido, parecendo esconder qualquer coisa, o rei perguntou-lhe: que levais aí, no vosso regaço? São rosas, meu senhor. Rosas em Janeiro? Admirou-se o rei. D. Isabel abriu então o regaço e rosas se espalharam no chão à sua frente.
Esta história é contada assim na assunção de que o rei não estava de acordo com as actividades caritativas da rainha, e esta vira-se obrigada a transformar os alimentos que levava em rosas. Na verdade, a história pretende simbolizar o empenho, tanto do rei como da rainha, no culto do Espírito Santo, e a sua adesão às ideias “joaquimitas”. A outra versão desta história conta que, quando o rei lhe perguntou o que fazia ali, D. Isabel respondeu: “vou arrumar o altar do Espírito Santo”.
O resto é igual, e o episódio é considerado milagroso pela simples razão de que em Janeiro, em pleno Inverno, não havia rosas – nessa altura ainda não tinham inventado as estufas. Quanto ao milagre propriamente dito, conta-se que a tia da Rainha Santa, Isabel da Hungria, também tinha o mesmo poder taumatúrgico. No entanto, esta tradição pode ter tido origem pela devoção de ambas ao Espírito Santo, cuja festa maior, o Pentecostes, se chamou outrora Páscoa das Rosas, ou Rosada.
Todo este conjunto, eu diria de energias, parece ter-se condensado em Portugal para dar origem ao que se chamou de “Mística dos Descobrimentos”. Os Templários foram perseguidos, presos e mortos por toda a Europa. Em Portugal, são ilibados de todas as acusações por D. Dinis, que transforma a Ordem do Templo em Ordem de Cristo. A Ordem de S. Francisco vive uma crise institucional, opondo conventuais e espirituais, que toma particular expressão no apoio que os espirituais deram a Frederico I, Imperador da Alemanha, na sua insurreição contra o poder papal. Em Portugal, sob o impulso da Rainha Santa Isabel, assistir-se-á ao reforço da corrente franciscana, privilegiada pela soberana e inspiradora do culto do Império do Espírito Santo, como prelúdio da era de paz e justiça que assinalaria a derrota do Anti-Cristo.

OS DESCOBRIMENTOS

A “Mística dos Descobrimentos” consiste nas expectativas messiânicas colectivas, de cariz milenarista, de instauração do Império do Espírito Santo. Voltado para ocidente, há que buscar o oriente, num retorno a casa do Pai, e num retomar do vínculo com o Pai, perdido pela Igreja Romana. Este retorno é representado nos Evangelhos pela parábola do Filho Pródigo.
No oriente estão os “nestorianos”, prosélitos também do Espírito Santo, e estava também o reino mítico e cristão do Prestes João das Índias, que permanecia fiel aos ensinamentos originais de Jesus.
Esta “Mística dos Descobrimentos” foi incorporada por uma figura ímpar que foi o Infante D. Henrique de Sagres, um dos filhos do 1º rei da 2ª dinastia portuguesa, D. João I. Aliás, toda a família real, assim como o resto do país, estava integrada nessa “Mística”. D. João era o Mestre de Avis, uma das Ordens militares envolvidas nos Descobrimentos, e foi iniciado aos mistérios do Templo pelo Grão-Mestre da Ordem de Cristo, D. Nuno Rodrigues. Os seus filhos foram chamados de “Ínclita Geração” pelas virtudes que possuíam e pelos lemas que tinham escolhido para a sua vida. Todos eles tiveram papeis bem determinantes na época, mas os que mais se destacaram foram o Infante D. Henrique, por ser o grande planificador e quem arriscou tudo na campanha dos Descobrimentos, e o Infante D. Fernando, feito refém em Fez, no norte de África, tendo morrido no cativeiro e por isso, foi tornado santo, chamado de “Infante Santo”.
É provável que a figura central que aparece nos “Painéis de S. Vicente”, atribuídos a um pintor renascentista chamado Nuno Gonçalves, que mostra ao rei ajoelhado o livro aberto no Evangelho de S. João, seja o Infante D. Fernando. No outro painel, a mesma figura tem o livro fechado e uma vara na mão, parecendo uma ordenação dos cavaleiros ajoelhados no espírito da “Missão dos Descobrimentos”.
Mas o plano das Índias, quer dizer, o plano da descoberta do caminho marítimo para a Índia, ainda estava longe. Primeiro, havia que desvendar toda a costa ocidental de África, assim como as ilhas, que foram sendo descobertas a pouco e pouco.
No entanto, existe a prova de que esse plano já estava consignado nas mentes dos que presidiram à Epopeia Marítima portuguesa. Esta prova é o Mosteiro da Batalha, mandado construir por D. João I, supostamente por agradecimento pela vitória na batalha de Aljubarrota, que estabeleceu definitivamente a independência de Portugal em relação às aspirações castelhanas de tomarem Portugal.
O grande estratego dessa vitória sobre as forças muito superiores de Castela, foi D. Nuno Álvares Pereira, o comandante do exército português, cavaleiro e místico, o Santo Condestável.
Visto de cima, o plano do mosteiro da Batalha é a representação de uma “chave”. Esta chave é composta por três elementos distintos: a oriente, as Capelas Imperfeitas, a casa do Pai, que se funde no oriente; ligando o oriente a ocidente, o corpo da Igreja, a Europa, a casa do Filho; a ocidente, a Capela do Fundador, a Península Ibérica, o Espírito Santo. Um visitante que queira deslocar-se da Capela do Fundador para as Capelas Imperfeitas, deve rodear o mosteiro pelo lado sul – da mesma forma que a viagem para a Índia teria que ser feita, rodeando o Mundo pelo sul.
O Lema, ou mote, do Infante D. Henrique era: “Talent de Bien Faire” (Arte de Bem Fazer). Este mote estava consubstanciado em três objectivos:

1.Executar com a máxima perfeição todos os actos da vida superior.
2.Fazer o Bem.
3.Criar a vinda do Bem.

Para Manuel Gandra, um estudioso dos templários e da História de Portugal, neste mote se condensaram as linhas programáticas mestras da Epopeia Marítima portuguesa. Motivada por expectativas milenaristas e messiânicas colectivas, sincreticamente compendiadas no “Auto do Império”, a gesta marítima resolve-se na demanda do “Paraíso Perdido”, esse centro espiritual supremo, só alcançável pelo nauta audaz, que em demanda do seu destino embarque nas naus da iniciação e empreenda a travessia do oceano da Alma, modelo dos oceanos do Mundo, para dilatar a Fé e o Império.
Para dilatar a Fé e o Império, é necessário ter ultrapassado o tormentoso mar das paixões individuais, condição requerida para passar além do Bojador e descobrir o mundo da Salvação, dando dele testemunho.
Quem era, na verdade, o Infante D. Henrique? Um iniciado? Um visionário? Como Grão-Mestre da Ordem de Cristo, herdeira da Ordem do Templo, estava de posse de todos os seus segredos. Para a empresa a que dedicou a sua vida, os Descobrimentos Marítimos, rodeou-se de todo o conhecimento que havia na época, tendo até fundado uma escola, chamada “Escola de Sagres”. Esta escola, no sentido de edifício, instalações, numa existiu de facto. Na realidade, esta escola não era mais do que a concentração em Portugal desse conhecimento que ele soube atrair e captar para Portugal. Esse conhecimento eram marinheiros e cartógrafos italianos; eram judeus cabalistas; iniciados muçulmanos da Andaluzia; iniciados das três Ordens existentes em Portugal, a de Cristo, a de Avis e a de Santiago; gente que veio de toda a Europa e que podia contribuir para a campanha a que metera ombros.
Todos os capitães que comandaram as caravelas e as naus nas viagens marítimas empreendidas pelos portugueses, até inclusive à viagem de Vasco da Gama, eram iniciados em uma daquelas Ordens. Um dos exemplos mais significativos é a figura do navegador Bartolomeu Dias, que é sempre representado usando o barrete frígio. Bartolomeu Dias foi quem dobrou, pela primeira vez, o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, acompanhou em 1500 Pedro Álvares Cabral, na sua viagem para o Brasil, tendo-se separado a meio do Atlântico e seguido para dobrar mais uma vez aquele cabo, onde acabou por perecer junto com toda a tripulação de quatro caravelas.
A ligação de todo o plano das Viagens Marítimas com os franciscanos, é comprovada, porque são estes frades os únicos representantes da Igreja Católica, a embarcar, durante muito tempo, nas caravelas e nas naus. Depois de aportarem aos locais descobertos, não só procediam às tarefas inerentes à ocupação, povoamento e administração do território, como instauravam o culto e as festas do Espírito Santo. O espírito de pureza e desapego, manifestados pelos franciscanos, eram igualmente compartilhados por D. Henrique e pelos navegadores ao seu serviço.
A comprovação da existência do reino mítico do Prestes João, e da existência de cristãos pertencentes à Igreja de S. Tomé e que cultuavam o Espírito Santo, é feita no relato escrito por Álvaro Velho, elemento da tripulação de uma das naus da Vasco da Gama, quando aportam a Mombaça, na costa oriental de África:

“Quando chegaram ao rei, este fez-lhe muito agasalho e lhes mandou mostrar toda a cidade, os quais foram ter a casa de dois mercadores cristãos onde lhes mostraram uma carta que adoravam, na qual estava bem desenhado o emblema do Espírito Santo”.

Era o Infante D. Henrique Rosacruz? Para René Guénon, a Ordem Rosacruz é herdeira da mística dos Templários e da Ordem de Cristo. Evidentemente que não podemos responder a isto, até porque ninguém sabe. Naquela época, as únicas Ordens que eram autorizadas, eram as Ordens religiosas, e estas tinham que ter a aprovação do Papa. Mesmo estas, corriam sérios riscos se se desviassem da ortodoxia da Igreja, como foi o caso da Ordem de S. Francisco e dos “Espirituais”, que só não foram eliminados pela Igreja porque, quando esta deu por eles e pela “heresia” de que os acusava, já eram muitos, eram a Ordem mais numerosa dentro da Igreja. Não podendo combatê-los directamente, a Igreja usou a Ordem de São Domingos, que foi a promotora e o principal braço da Inquisição.
Mas o Infante tinha tudo para ser Rosacruz: era Grão-mestre da Ordem de Cristo, portanto Grão-mestre templário; tinha ligações com os franciscanos “espirituais”, os quais seguiam a doutrina elaborada por Joaquim de Fiora, do qual se diz ter sido o fundador de uma Ordem secreta na Península, os “Illuminati”, que em Espanha tomaram o nome de “Allumbrados”; tinha contactos com os judeus, alguns deles cabalistas e alquimistas, assim como com místicos muçulmanos, alguns deles “Allumbrados”; o seu lema de vida “Talent de Bien Faire” (Arte de Bem Fazer); a sua forma muito pessoal de liderar a campanha dos Descobrimentos, imprimindo-lhe uma tónica de não-violência, de paz. Pode ser que ele não tenha sido Rosacruz mas… é bem possível que a Rosacruz tivesse estado presente, nem que fosse através dos seus Mestres invisíveis.
A “Mística dos Descobrimentos” continuou até à viagem de Vasco da Gama para a Índia e a descoberta do Brasil, viagens estas preparadas por D. João II, ele próprio Grão-Mestre da Ordem de Santiago, mas concretizadas no reinado de D. Manuel I, o Venturoso, o único monarca que foi também Grão-mestre da Ordem de Cristo.
Já vimos os motivos que estiveram por detrás da descoberta do caminho marítimo para a Índia. No dizer do historiador Jaime Cortesão, as viagens marítimas portuguesas realizaram a unificação dos povos. A descoberta ou redescoberta do Brasil insere-se na actividade missionária dos franciscanos e da Ordem de Cristo, cujo objectivo era: descobrir o paradeiro das tribos perdidas de Israel, encontrar o Paraíso Terreno, renovar a Europa e instaurar, à face da Terra, a Sinarquia Universal, ou o Reino do Espírito Santo (O Quinto Império).
Não importa aqui alimentar a polémica sobre a verdadeira nacionalidade de Cristóvão Colombo, se era genovês, espanhol ou português. Vou só dizer algumas coisas e, cada um pode tirar as suas próprias conclusões. Cristóvão Colombo quer dizer “aquele que transporta a pomba de Cristo”, era um nome cifrado, o que significa que se tratava de um iniciado. A pomba de Cristo á uma clara alusão ao Espírito Santo, portanto Cristóvão Colombo eram também joaquimita. O seu nome verdadeiro era Salvador Gonçalves Zarco, ou Zargo.
Para terminar direi apenas que Portugal terá sido fundado como um país templário. A Ordem do Templo cumpriu uma das suas missões através de Portugal, pela via das viagens marítimas. Não conseguiu a outra, a unificação da Europa sob um mesmo governo sinárquico. Embora hoje não se possa falar em sinarquia, a Europa está finalmente unida.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?