quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

 

Resposta de Paulo Stekel a Fernando Ramalho e a Ademar Gevaerd, da Revista UFO, sobre os falsos círculos de Ipuaçu



Assim que publicamos o artigo “Os falsos círculos de Ipuaçu” na edição de dezembro (nº 26) da Revista Horizonte - Leitura Holística, recebemos dois emails: um de Fernando Ramalho, conselheiro da Equipe UFO, e outro de Ademar Gevaerd, editor da Revista UFO. Ambos parecem bastante indignados por termos contestado, como muitos outros, a veracidade daqueles círculos toscos em Ipuaçu, SC.

Para conhecimento de todos os leitores, e por não termos nada a esconder de ninguém, reproduzimos o teor completo dos dois emails que recebemos e, logo após, nossa resposta que foi enviada a Ramalho e a Gevaerd:


Email de Fernando Ramalho:
.................................................
Quais são suas verdadeiras perspectivas holíticasr?‏
From: FAR UFO-Conselho (fernando.ramalho@ufo.com.br)
Sent: Thursday, December 11, 2008 4:36:44 AM
To: hug.horizonte@gmail.com; paulostekel@hotmail.com

Paulo Stekel, boa noite.

Não o conheço, mas recebo sua publicação há alguns meses, por indicação de uma amiga esotérica, a qual me incluiu em sua lista de destinatários sem que eu o quisesse. Mas como ela é uma pessoa holista e de boas intenções, permiti a recepção dessa revista eletrônica, sem pedir a exclusão da lista de “spams”.

A publicação é filtrada pelo meu outlook, e automaticamente levanda à caixa de “lixo eletrônico”, que raramente abro. Se as mensagens são consideradas “spams”, geralmente são sumariamente deletadas. Mas, às vezes, reviro o que está no “lixo”, para ver se não estou jogando algo de valor fora. Hoje, foi um desses dias reservados para revolver o “lixo”. Não sei se por sorte ou por azar, achei a capa da “Horizonte Holístico” interessante. Agora vejo que o último termo circunstancial se aplica mais. Então, vamos ver se o azar foi meu ou de quem assina o quadro.

Stekel, sua capa me lembrou a época em que estudei as Afro-religiões e suas influências no Brasil. Esse é um assunto que muito me interessa, por causa das inserções e semelhanças com os feitos dos “deuses astronautas”, relatados em escrituras religiosas de línguas quase mortas, assim como acontece com o yorubá, falado há mais de 3.000 anos do centro ao nordeste da África, região em que alguns pontos os Dogons habitaram. É, a Ufologia também deveria estudar a teologia. Bem, mas depois de abrir o PDF, o que me prendeu mais a atenção foi a chamada sobre os primeiros círculos ingleses brasileiros. Vasculhei e achei essa “primazia” de investigação, opiniões e afirmações na página 12, abaixo transcrita.

Bom, deixe apresentar-me, ainda que tardiamente. Meu nome é Fernando Ramalho. Considero-me um ufólogo holista, cujos objetivos e opiniões são diametralmente opostos aos que você divulga em sua matéria. Na minha visão, os seus são pressupostos e opiniões míopes, deslocadas de contexto e de visão sistêmica mais profunda dos fatos. Partes como as proferidas na matéria, do tipo: “a Ufologia anda mal das pernas”, ou “a Ufologia nunca será uma ciência reconhecida”, não fazem parte no meu vocabulário, muito menos da minha conduta. Sou conselheiro da Revista UFO, a qual deves conhecer pela sua área de atuação. Sou também da CBU, que já começou a divulgar os primeiros arquivos ufológicos do governo, fato que certamente começará a chamar a atenção dos cientistas. Espero que nenhum preconceito acometa-o, depois dessa identificação e das palavras que continuarei a proferir.

Essa Ufologia, que segundo seu julgamento “anda mal das pernas” é obra da Equipe UFO, que faz da Revista UFO a mais antiga publicação do gênero em atividade no mundo, respeitada nos quatro cantos deste planeta. Nela encontram-se pessoas que, com muito custo, perceberam a profundidade e a seriedade do assunto, passando a se dedicar ao estudo deste fenômeno inegável, a altos custos sociais, familiares e emocionais. O capitão desta “nau”, como sabes, é o renomado Ademar Gevaerd, que nada tem a ver com essa sua visão decrépita imputada a ele, e por extensão, à Ufologia brasileira. Vamos atrás das provas e as conseguimos, tendo sempre humildade, mas orgulho de falar e conjeturar sobre um assunto que conhecemos a fundo. Não ficamos sentados na frente das telas, tecendo críticas sem nenhuma base cognitivo-experimental, do tipo “fulano me falou”. Ainda mais em se tratando de certos fulanos. Grande parte destes ufólogos, aqui e fora daqui, estão carecas de saber que esta é uma tarefa hercúlea, que mas nos consome em termos financeiros, mas que nos traz grandes satisfações ao rever amigos, esclarecer aos leigos e partilhar as experiências.

Aqui não existe esse “oba-oba” de dizer que é da Equipe UFO, sem nada fazer pela Ufologia. Os que são devidamente identificados nesta categoria de trabalhadores, continuam ajudando e construindo o que somos hoje. Os que não se enquadram, depois de uma análise criteriosa e prolongada, caem fora. É certo que, entre nós, ainda existem algumas “traíras”, que são difíceis de identificá-las, já que são mais de 300 ufólogos agregados ao quadro. Mas a maioria absoluta é formada de ufólogos assumidos, das mais variadas áreas de formação científica, que vestem a camisa. Aqueles escondidos que apenas ladram na escuridão são poucos, e só ladram lá fora, de forma dissimulada. Logo serão devidamente identificados e extirpados do meio, como vários já o foram.

Assim sendo, se você, Stekel, ainda não percebeu isso, se ligue, pois os falsos ufólogos que daqui saem, podem muito bem estar entre seus fornecedores dessa efêmera conclusão sobre os primeiros “crop circles” brasileiros. Este fenômeno é mundial, logicamente não tardaria a chegar a um país de dimensões continentais, como é o Brasil. Muito provavelmente ele já deveria ter chegado aqui, mas não tínhamos evidências concretas, justamente por causa da falta de pessoas dispostas a gastar dinheiro e pesquisar tal fenômeno.

Por outro lado, analisando e concluindo sobre seu ponto de vista expresso na matéria anexa, a boa lógica nos mostra que uma simples peneirada deixa tudo muito claro. Infelizmente percebemos que seu editorial, eivado de um perceptível rancor que já se desconfia de onde vem, não segue pelas bases do bom senso e do conhecimento ufológico, ferramentas fundamentais em que uma proposta universalista deveria se basear. Senão, vejamos.

Seu julgamento, estampado pela matéria mote, em relação às afirmações do Gevaerd, foi baseado no que você sabe da experiência dele, e no que lhe disseram seus informantes “outros ufólogos”. Este seria ainda baseado no que leu das declarações do editor de UFO num jornal de SC. Pois bem, então, você deve saber qual é a experiência dele, Gevaerd, um dos poucos, aliás único a se manifestar sobre o assunto, que realmente pisou os verdadeiros “crop circles” ingleses. Percebendo as lógicas conclusões que podem vir dessas premissas, lanço um pergunta: os fatos, a credibilidade e as conclusões dos mesmos, expostos em sua matéria, devem ser depositados em sua maioria naquele editor da UFO, ou nos que você julga serem seus informantes “outros ufólogos”? Qua é a via mais correta a se seguir?

Paulo, sem querer atropelar a carroça com os cavalos, posso sinceramente afirmar que na opinião deste seu leitor por acidente, seu FELIZ 2009 deverá começar com uma drástica revisão nos seus entrevistados e “criteriosos” ufólogos, colaboradores que só “aguardam” pelos trabalhos dos outros, já que eles nunca os fizeram, nem nunca vão fazê-lo. Como holista, você deveria conhecer mais da verdadeira UFOLOGIA, antes de se basear em (essas sim) bobagens faladas por quem nem chegou perto do fenômeno, e que se considera o “tal” para falar de algo que acontece embaixo de seus bigodes, mas não se dignam a ir “in locu” investigar. Se você soubesse o que é um ufólogo, não cairia nessa armadilha. Aliás, você é de SC. Visitou algum desses círculos para dizer que todos são falsos?

Não se esqueça que holista fala de tudo, mas o bom holista, pra bem falar, tem que conhecer pelo menos um pouco de tudo. Até que você foi bem, ao falar da Umbanda e suas tendências universalistas. Mas quando entrou no “Sensacionalismo da Ufologia”... fala sério meu caro, que holismo é esse?

Meu conselho é que você se especialize num assunto e passe a falar das relações dele com o holismo. Algo do tipo “afro-espírita holista”, que homenageia os 100 anos da Umbanda falando do seu sincretismo com o catolicismo, candomblismo e outros “insmos”, mas pense bem antes de falar sobre Ufologia. Vai pegar muito melhor do que prestar este papelão de escutar e repetir para sua lista de spams galhofas como a do seu colaborador “kumara”. O pior é distribuir isso para alguns que entendem do assunto. Dessa forma, sua revista holística continuará a ir para o nosso “lixo eletrônico”, mas agora, para aquele que não tem direito a ser revolvido.

[ ]’s

F.A.R.

Email de Ademar Gevaerd:
.......................................................

Fw: [Equipe UFO] ENC: Quais são suas verdadeiras perspectivas holíticasr?‏
From: A. J. Gevaerd (Revista UFO) (aj@gevaerd.com)
Sent: Thursday, December 11, 2008 11:37:14 AM
To: hug.horizonte@gmail.com; paulostekel@hotmail.com
Cc: Equipe_UFO@yahoogrupos.com.br


Olhe Paulo, há muito tempo que eu deleto automaticamente suas mensagens, como fiz com a última, que conteve seu artigo sobre Ipuaçu. Faço isso não por não gostar do assunto, mas pelo tamanho dos e-mails, que, como já te adverti, de forma construtiva, atrapalham o recebimento por muita gente. Não é meu caso, tenho 6 Mb de banda larga, mas o de muita gente. Interessante: eu quis que sua mensagem fosse lida por um maior número de pessoas, daí a sugestão.

Bem, agora fui surpreendido por isso que vc escreveu. Sabe o que é mais curioso em tudo o que vc disse? É que se eu erro por dizer que os círculos são legítimos, sem ter bases para isso, segundo vc, vc erra igualmente por dizer que são falsos, porque tb não tem bases para isso. Não é lógico? Ou seja, tanto vc quanto eu não teríamos, em tese, elementos para julgar A ou B. Mas o que nos coloca em lados opostos é que, ao contrário de vc e dos "ufólogos" citados (um deles afirma vir de Vênus: http://www.vigilia.com.br/sessao.php?categ=0&id=398), EU FUI AO LOCAL E EXAMINEI OS FATOS. Vc não, seus citados não. Este é teu jornalismo?

Vc não acha no mínimo espantoso que critique meu trabalho -- cujo resultado sairá na edição de janeiro da UFO -- sem ter sequer feito outro, seja melhor ou pior, para fundamentar suas opiniões? E também não é muito estranho que use citações de terceiros para apoiar suas opiniões, sendo que eles -- pelo menos um reside no mesmo estado dos círculos -- também não tenham ido ao local para atestarem os fatos? Que espécie de holista é vc?

Diga pra mim, numa boa: vc conhece alguém em sua vida que tenha publicado no Brasil o único livro sobre os círculos, que seja um dos poucos ufólogos brasieliros a ter estado nos trigais ingleses e de outros países, e que tenha lançado não apenas um, mas 3 títulos hj em DVD sobre o tema? E mais: vc experimentou, como eu fiz, enviar um relatório pormenorizado dos fatos de Ipuaçu para os grandes conhecedores mundiais de círculos, junto de fotos em alta resolução e detalhadas, gente como Nancy Talbot, Peter Sorenson, Colin Andrews, Mark Fusssel, Busty Taylor (consulte quem são)? E sabe o que eles me disseram? Leia meu artigo...

Lamento muito ter que, hoje, uns 10 anos após ficar sem entender porque o Hernán Mostajo te escurraçou naquela noite em Santa Maria, para minha tristeza, que vc é exatamente tudo aquilo que ele disse que era, e que me viu repreendê-lo por fazer o que fez, em seguida a vc sair do encontro. O Hernán estava certo a seu respeito, e a julgar por seu texto, vc é realmente um mal-caráter. Sorte minhaa o dia em que me vi ocupado demais para responder à sua entrevista.

Elimine meus e-mails de sua lista de remessa. Se antes os boletins eram deletados por tamanho, hj serão por motivos de higiene.

Gevaerd

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Resposta de Paulo Stekel a Fernando Ramalho e a Ademar Gevaerd:

Inicialmente dirigindo-me a Fernando Ramalho:

Prezado Fernando,

Também não o conheço. Quanto a seus motivos para continuar recebendo a revista digital “Horizonte – Leitura Holística” em arquivo PDF por causa de uma amiga que é “uma pessoa holista e de boas intenções”, isso não me diz respeito. Todos da revista queremos que apenas pessoas realmente interessadas em nossa publicação a continuem recebendo. Não queremos fazer número em caixas de spam. Por isso mesmo nós descadastramos todos os emails que retornem por “caixa cheia” (por mais de duas vezes) ou por qualquer impedimento de envio de arquivos anexos.

O interessante é você dizer que nunca lê a revista, apesar de recebê-la, mas que agora, meio que “por acaso”, e exatamente quando publicamos matéria pertinente a seu meio, você resolveu “revirar” seu lixo e a encontrou. Diga o que quiser que acreditaremos. Mas isso é de somenos importância.

Você se considera um “ufólogo holista”, o que parece bom e adequado. Contudo, na visão de nossa revista, ser um holista (ufólogo ou não) não significa acreditar em tudo o que é propalado por aí, desde mensagens de Ashtar Sheran a absurdos como a vinda de um suposto planeta Nibiru utilizando-se de fotos fraudadas, como muito bem o comprovou Kentaro Mori, amigo nosso, em seu ótimo website “Ceticismo Aberto”, e que acaba de nos autorizar a reprodução de artigos que julguemos úteis para nossos leitores.

Só para constar: acredito em Ets, em discos voadores, em espiritualidade e muitas outras coisas, mas não sou ingênuo de engolir tudo o que chega à redação da revista todos os dias. Sou cético na maior parte das vezes, dando chance para as pessoas apresentarem suas provas.

Quando disse que “a Ufologia anda mal das pernas” sabia bem o que dizia. A Ufologia brasileira foi tomada de um comercialismo (a que chamo UFOMarketing) há muito anos, um comercialismo que aceita tudo, no afã de vender livros, revistas e Cds. Antigamente, nos bons tempos das revistas de Ufologia da “Planeta”, havia mais ideologia e seriedade. Agora, o que mais se vê, são fraudes e enganos de todos os lados. Como perceber o real no meio de tanta falcatrua tentando sobressair-se? Não julgue nossos leitores como sendo pessoas ignorantes, iludidas ou sem opinião própria.

Ao afirmar que “a Ufologia nunca será uma ciência reconhecida”, quero dizer que, se o que ela se propõe é a estudar “objetos voadores não-identificados”, quando os identificar, deixa de ser Ufologia e passa a ser qualquer outra coisa. Teorizando, se um dia, e o creio, fizermos um contato final com seres de outros planetas que parecem estar a nos visitar há milênios, a Ufologia deixará de fazer sentido e será substituída por uma – aí sim – ciência para estudar estes seres recém contatados. Para mim, assim como para muitos, a Ufologia é (como diria o saudoso Moacir Uchôa) um “campo de investigação científica” provisório, mas não uma ciência de bases firmes. Então, não é ciência. Mas isso também não depõe contra ela. Nem invalida as pesquisas. Agora, pesquisa séria é uma coisa. Fazer afirmações do tipo “nenhum ser humano conseguiria fazer isso” quando se trata de simples círculos amassados em plantações, é uma afronta a todos nós, seres humanos.

“Essa Ufologia, que segundo seu julgamento “anda mal das pernas” é obra da Equipe UFO...” Essa sua afirmação não parece um tanto pedante? Mais antigo é o trabalho pioneiro iniciado pela “Revista Planeta”, desde a década de 1970. Foi ali que conheci a Ufologia, através de artigos dos mais renomados pesquisadores nacionais e internacionais. Não tiro os méritos da “Revista UFO”, mas gostaria de dar uma fatia de bolo a cada responsável por sua feitura. A Ufologia brasileira não se resume à “Planeta” e à “Revista (e Equipe) UFO”. Diga o contrário e lhe choverão emails de pesquisadores sérios e indignados por terem sido desconsiderados.

“Não ficamos sentados na frente das telas, tecendo críticas sem nenhuma base cognitivo-experimental...” Ótimo, então temos algo em comum e podemos nos entender, pois igualmente não sou assim. Mas também não sou ingênuo, nem de todo crédulo, nem de todo cético – prefiro o caminho do meio: um terço de crédito e dois terços de ceticismo. Por que? Porque devemos agir assim em qualquer situação que saia fora do comum. É a única forma que temos de chegar a alguma resposta satisfatória. Afinal, se um fenômeno vem nos forçar a sair de nossa visão comum de mundo, o que é um risco, o mínimo que devemos exigir é que as provas sejam tão contundentes quanto a mudança que a realidade do fenômeno requer em nossas vidas. Não parece justo e saudável? Qualquer psicólogo, e mais ainda, qualquer psiquiatra concordaria comigo.

Já que você diz que a Equipe UFO é formada por “mais de 300 ufólogos agregados ao quadro” e que “a maioria absoluta é formada de ufólogos assumidos, das mais variadas áreas de formação científica”, muito me admira que todos (ao que parece) tenham aceitado a avaliação feita por Gevaerd sem qualquer questionamento. Será que ninguém viu ali simples círculos que nossa tecnologia do século XXI (nem precisa tanto!) consegue reproduzir? Não há nada de extraordinário neles! Isso deixa estes 300 pesquisadores em maus lençóis perante a mídia e à opinião pública...

“Este fenômeno é mundial, logicamente não tardaria a chegar a um país de dimensões continentais, como é o Brasil.” Será? Só concordarei se surgirem círculos realmente sofisticados. Até agora, só fraudes. Por que digo “fraude”? Que outro qualificativo se poderia usar num caso desses? Simples brincadeira? Não, os irresponsáveis que fizeram os círculos queriam mais que isso. E a Equipe UFO comprou a idéia e se comprometeu em defender algo duvidoso. Não sou eu, ao dizer que os círculos são humanos, que tenho que provar isso. Afinal, esse é o status vigente: se não é natural, é humano! O Direito está do meu lado. Quem discorda do status é que deve provar a origem “extraterrestre” dos círculos de Ipuaçu, o que seria um serviço realmente louvável da Equipe UFO para toda a humanidade.

“...os fatos, a credibilidade e as conclusões dos mesmos, expostos em sua matéria, devem ser depositados em sua maioria naquele editor da UFO, ou nos que você julga serem seus informantes “outros ufólogos”?” Como assim “outros ufólogos”? Por que o medo de dar nomes? Refere-se a Eustáquio Patounas? Só para constar: não foi Eustáquio o autor da idéia do artigo. A idéia foi minha, a partir do que vi na imprensa de todo o país. Percebi, navegando pela Internet, que não apenas o Eustáquio contestava Gevaerd, mas também Kentaro Mori (“Ceticismo Aberto”) e Everton Spolaor (“Sombras da Realidade”), entre outros. A todos estes pertencem a credibilidade e as conclusões! Este último, por sinal, foi tão ofendido por Gevaerd, que resolveu publicar no seu website as mensagens ofensivas que o renomado editor da Revista UFO lhe enviou (coisas do tipo “você é um boçal”, “completo tolo”, “arrogante e ignorante”, etc.). Não me demorarei nisso, pois está lá para todos lerem. Me considero lisonjeado por não ter recebido um email de Gevaerd tão inadequado para menores de idade quanto o que recebeu Spolaor.

“Como holista, você deveria conhecer mais da verdadeira UFOLOGIA...” Já sei o suficiente da verdadeira Ufologia para entender o que é uma anti-Ufologia, que, na pretensão de chegar na frente, passa por vexames e expõe todos os pesquisadores sérios ao ridículo! Quero, sim, que tudo aquilo no qual acredito seja verdadeiro, mas não às expensas da lógica, do bom senso e da imperiosa necessidade de provas incontestáveis. Se não for possível assim, que se fique apenas no terreno da crença. Para mim, tudo bem! Afinal, quem poderia provar incontestavelmente a existência de Deus ou então, que o Buda de fato se iluminou? Ninguém! Mas a crença é válida, com certeza.

“Aliás, você é de SC. Visitou algum desses círculos para dizer que todos são falsos?” Não, não sou de SC, mas do RS. Sempre deixei isso claro. Não visitei os círculos porque não há nada de extraordinário neles. Não sou cego. Vi as fotos, os vídeos e li as matérias. Não há nada “não-humano” ali. Eu e muitos outros pesquisadores por aí pensam assim. É só visitar as comunidades de Ufologia nas redes sociais para comprovar o que digo.

“Mas quando entrou no “Sensacionalismo da Ufologia”... fala sério meu caro, que holismo é esse?” Não é sensacionalismo? Então, o que é? Você confunde “holismo” com aceitar tudo goela abaixo sem questionar? Desculpe, não sei como é na Equipe UFO, mas aqui quem manda é a lógica e o espírito crítico e livre de todos os nossos leitores e colaboradores. Aqui temos ponto e contraponto. Se o Gevaerd quiser enviar um artigo justificando sua crença na feitura “não-humana” dos círculos, o publicaremos com o maior prazer, apesar da tensão da discordância reinante no momento. Estamos sempre abertos a debates em nossa revista, mas não a chacrinhas ou ofensas pessoais e palavras inadequadas às crianças...

“...pense bem antes de falar sobre Ufologia. Vai pegar muito melhor do que prestar este papelão de escutar e repetir para sua lista de spams galhofas como a do seu colaborador “kumara”.” Primeiro, a Revista Horizonte não é spam. Para comprovar, basta ler o que vai no final da mensagem-padrão que todos os leitores recebem junto com a revista. Nossa mala direta só possui emails de pessoas que desejam recebê-la, podendo as mesmas pedir exclusão a qualquer momento. Não nos interessa distribuir a revista a quem não a deseja. Segundo, Eustáquio Patounas, a quem você chama de “colaborador kumara” não é nosso colaborador, pois nunca publicou artigo em nossa revista. Ele foi, sim, entrevistado, mas isso é diferente. Eu não me embasei exclusivamente no que ele me repassou. Pelo contrário, minha fonte é tudo o que está na mídia. Não me envolva nas questões pessoais entre Eustáquio e Gevaerd. Não é tarefa minha dizer quem tem razão, mas dos juízes que estão cuidando disso.

Fraternalmente,

Paulo Stekel
(editor)

Dirigindo-me agora a Ademar Gevaerd:

Prezado Gevaerd,

Quanto a sua sugestão sobre o tamanho dos arquivos da Revista Horizonte – Leitura Holística, agradecemos muito sua preocupação. Mas hoje, os nossos leitores jám conseguem visualizar nossa revista sem problemas. Isso ocorre porque só temos gente interessada no que publicamos, pessoas que pacientemente baixam nossos arquivos e apreciam o que escrevemos. A lentidão da Internet brasileira, uma infocarroça patética, aos poucos vai sendo vencida. Até o website da Revista UFO, antes muito pesado, agora se mostra mais rápido quando se usa novos navegadores disponíveis.

Você escreveu: “É que se eu erro por dizer que os círculos são legítimos, sem ter bases para isso, segundo vc, vc erra igualmente por dizer que são falsos, porque tb não tem bases para isso. Não é lógico?” Sim, é lógico, mas... como podemos estar ambos errados numa questão aristotélica tão simples: os círculos são legitimamente humanos ou “não-humanos”? (Concordamos que não são naturais!) Como poderiam ser as duas coisas, ou então, nenhuma? Nem precisamos chamar um consultor em lógica, não é mesmo? Para mim, eles não têm nada de extraordinário e pronto! É a lógica. Quem afirme que eles são extraordinários, “não-humanos”, etc., é que tem a necessidade da prova. Não se prova o “normal”, mas o “anormal”. Também não precisamos chamar um consultor em lógica do Direito para confirmar isso, não é mesmo?

“Mas o que nos coloca em lados opostos é que, ao contrário de vc e dos "ufólogos" citados (um deles afirma vir de Vênus: (...), EU FUI AO LOCAL E EXAMINEI OS FATOS. Vc não, seus citados não. Este é teu jornalismo?” Como já respondi ao seu conselheiro Fernando: “Não visitei os círculos porque não há nada de extraordinário neles. Não sou cego. Vi as fotos, os vídeos e li as matérias. Não há nada “não-humano” ali. Eu e muitos outros pesquisadores por aí pensam assim. É só visitar as comunidades de Ufologia nas redes sociais para comprovar o que digo.” Portanto, não leve tudo para cima do Eustáquio. A divergência de vocês não conheço em pormenores porque não me interessa, mesmo porque não sou porta-voz nem defensor de nenhum dos dois. Tenho mais o que fazer, como atender os leitores, por exemplo. Ademais, o Eustáquio já reconheceu publicamente que aquelas afirmações de ser “kumara”, de vir de Vênus e outras coisas eram sua verdade antes. Agora ele diz que tudo aquilo é ficção. Se ele mesmo é quem está dizendo isso, e o afirmou na entrevista que concedeu à Revista Horizonte em fevereiro de 2007, bem como em seu próprio programa de televisão, o que mais posso dizer? Louvável é a atitude dele de reconhecer publicamente que acreditou um dia em coisas equivocadas e passar agora a alertar as pessoas sobre o perigo deste tipo de coisa. Que bom que outros seguissem o mesmo caminho do bom senso... Este tipo de atitude, sim, tem a ver com o “meu” jornalismo, um jornalismo holístico, crítico, aberto, mas não cego!

“vc conhece alguém em sua vida que tenha publicado no Brasil o único livro sobre os círculos, que seja um dos poucos ufólogos brasieliros a ter estado nos trigais ingleses e de outros países, e que tenha lançado não apenas um, mas 3 títulos hj em DVD sobre o tema? E mais: vc experimentou, como eu fiz, enviar um relatório pormenorizado dos fatos de Ipuaçu para os grandes conhecedores mundiais de círculos, junto de fotos em alta resolução e detalhadas, (...)? E sabe o que eles me disseram? Leia meu artigo...” Se eles TAMBÉM não estiveram lá, mas você aceita a avaliação deles à distância, como pode me enquadrar nessa lógica simplista? Se você estudou tanto assim os círculos ingleses, e acredito nisso, muito me admira suas conclusões no caso dos círculos toscos de Ipuaçu! Não julgue todos aqueles que o contestam como “boçais” (coitado do Everton Spolaor, um Engenheiro Mecânico gaúcho prestes a ter MBA em Logística de Exportação).

A inteligência crítica das pessoas merece respeito. Respeito seus méritos pelos serviços prestados à Ufologia desde a grande onda de avistamentos de 1982, quando li suas declarações à “Revista Planeta”. Mas não espere de mim um “prevaricador” da causa ufológica. A crítica é salutar quando baseada no respeito. Não se pode fazer algo “tornar-se” real porque o queremos. Muito menos se pode chegar a isso através do silenciamento das discordâncias, seja de forma sutil, direta, com ameaças de agressão física ou seja lá o que for. Quem age assim, perde a pouca razão que tem. Isso é apenas uma exemplificação, claro. Não é o nosso caso. Sempre nos respeitamos e, apesar de nossas atuais divergências, sei que continuará sendo assim, não é mesmo? Afinal, ambos somos editores, passamos dos trinta, e não ficaria bem rolarmos no chão como menininhos brigando por um pirulito sem gosto, não acha?

“Lamento muito ter que, hoje, uns 10 anos após ficar sem entender porque o Hernán Mostajo te escurraçou naquela noite em Santa Maria, para minha tristeza, que vc é exatamente tudo aquilo que ele disse que era, e que me viu repreendê-lo por fazer o que fez, em seguida a vc sair do encontro. O Hernán estava certo a seu respeito, e a julgar por seu texto, vc é realmente um mal-caráter.” Muito infeliz sua colocação! Como você mesmo diz, saiu sem entender o que ocorreu. Como eram divergências pessoais da época, não vou detalhá-las aqui, pois não acrescentam nada nem para mim, nem para o Mostajo. Aparamos todas as arestas pouco depois dos fatos e nunca mais tivemos qualquer desentendimento. Hoje temos vários amigos em comum e não há qualquer intriga. Agora, Mostajo é o bem-sucedido (assim vejo) diretor do único Museu Ufológico existente (Itaara- RS) e eu o editor da Revista Horizonte – Leitura Holística (Cachoeirinha - RS). Seria até capaz de publicar uma matéria sobre o tal Museu se ele se dispusesse a enviá-la para mim. Acredito que vocês continuam amigos, não é?

Em tempo: apenas corrigindo dois equívocos seus. O correto é “escorraçar” e não “escurraçar”. O termo se refere a expulsar alguém a murros e pontapés, o que não foi o caso. O embate que você citou, que contou com várias testemunhas, inclusive Eustáquio Patounas, entre outras cinco ou seis, não passou do nível verbal. Eu e o Mostajo não temos o hábito de sair batendo em ninguém por aí por divergências de opinião. Somos adultos o suficiente para isso.

O outro termo é “mal-caráter”. O correto é “mau-caráter”. Contudo, uma pessoa “mau-caráter”, segundo o dicionário, é aquela que não tem princípios morais. Decididamente não é o meu caso, e pediria que você retirasse essa ofensa que fere minha dignidade moral. Posso lhe apresentar quantas pessoas quiser que seguramente atestariam (inclusive em juízo) que não sou um “mau-caráter”, embora não precise chegar a isso porque eu é quem estou sendo ofendido.

“Sorte minha o dia em que me vi ocupado demais para responder à sua entrevista.” Pois é. A entrevista “encantada” que você nunca respondeu... Alguns leitores a haviam solicitado e, por isso, o contatei. Mas agora vejo que a sorte não foi só sua...

Quanto às remessas da revista, fique tranqüilo. Assim que lhe enviar esta mensagem, o descadastrarei de nossa mala direta.

Finalizando, reitero minha opinião de que os círculos de Ipuaçu são uma fraude. Deveriam mesmo ser caso de polícia, ou seja, os seus autores deveriam ser procurados pela lei e responsabilizados. O difícil seria enquadrá-los. Rsrs. Como ficaria? Crime de falsidade ideológica por se passarem por Ets?

No mais, espero que possamos manter a razão, a cordialidade e o livre direito à expressão de nossas opiniões, por mais que sejam divergentes. Afinal, vivemos num país livre e somos donos de nossa própria inteligência, o que pode ser uma dádiva... ou um fardo.

Fraternalmente,

Paulo Stekel
(editor)

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Comments:
Que besteira é essa de "coitado do Spolaor"?
Coitado o caramba!
Até parece que vou me importar com essa troca infantil de emails ofensivos.
Tenho coisa mais séria com que me preocupar.
Um abraço!

Everton Spolaor
 
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