terça-feira, 9 de dezembro de 2008

 

Umbanda – uma religião brasileira e universalista comemora seu primeiro centenário

Paulo Stekel



Introdução

Quem nunca foi a uma sessão de Umbanda? Ainda que nem todos confessem, a maioria dos brasileiros já participou de uma “gira”. A Umbanda é uma religião gestada dentro da rica cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos de outros cultos, como a religião católica, o espiritismo e as Religiões afro-brasileiras (candomblé, etc.). Em algumas linhas pode-se encontrar mesmo elementos da Cabala hebraica e da filosofia oriental.

No dia 15 de novembro último foi comemorado o Centenário da Umbanda. Cem anos se passaram desde a primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas em Zélio Ferdinando de Moraes, segundo afirmam os próprios umbandistas. Todos os centros e federações umbandistas comemoraram a data relembrando as dificuldades do início, o preconceito e as conquistas, como o reconhecimento da Umbanda como religião pelo estado brasileiro, depois de décadas de perseguição e humilhação.

Este artigo é nossa homenagem aos praticantes desta que é a única religião legitimamente brasileira, uma religião pouco compreendida por quem não a conhece, muito atacada por grupos religiosos de fundamentação cristã e pouco valorizada nos meios espiritualistas considerados “universalistas”. Isso é uma contradição, pois a Umbanda é visivelmente universalista, como se verá.

A Umbanda possui três princípios morais: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. O respeito às demais religiões é outra característica marcante da Umbanda. Há uma evidente universalidade em seus cultos, o que está afim com a proposta espiritual deste milênio.

Para os umbandistas, o Deus supremo é chamado Zambi, o criador de tudo, mas também cultuam divindades denominadas Orixás e realizam trabalhos mediúnicos com espíritos chamados Guias, os responsáveis por sua orientação espiritual e doutrinária, por causa de sua sabedoria e consciência da natureza humana.

Os guias se apresentam sob diversos arquétipos através de um processo mediúnico geralmente chamado de “incorporação”. Cada arquétipo está ligado a uma determinada Linha Espiritual, como: Pretos-velhos, Caboclos, Baianos, Boiadeiros, Crianças, Exus, Pomba-giras, etc. Há uma crença cada vez mais difundida de que estes arquétipos são simplesmente roupagens utilizadas pelos guias para se apresentarem nos terreiros e não espíritos que, necessariamente, tenham sido escravos, índios ou crianças. Na verdade, cada terreiro tem a sua forma particular de interpretar e manifestar a Umbanda, e isso ocorre exatamente pela natureza liberal do culto, bem como o fato do direcionamento dos trabalhos ser definido pelos guias, quando estes se manifestam. Assim, o mundo espiritual é que define o culto, e não um corpo sacerdotal externo. Assim, os ritos diferem de terreiro para terreiro: alguns utilizam atabaques, outros não; alguns exigem dos guias uma manifestação bem estereotipada, outros suavizam esta manifestação; alguns usam bebidas alcoólicas em certa quantidade, outros as aboliram e usam apenas perfumes; etc. Contudo, alguns pontos pacíficos do ritual são os pontos cantados, a defumação (queima de ervas e essências, para a limpeza geral), a incorporação e o passe mediúnico.

A (controversa) origem

A Umbanda tem origens controversas. Sua história não está completamente preservada. Um dos motivos é o fato de ser um culto praticista que durante muito tempo privilegiu pouco a leitura e a escrita entre seus adeptos. Assim, os registros escritos surgiram tardiamente.

Contudo, o que se pode dizer é que na época das festas nas senzalas os escravos negros cultuavam os Orixás sincretizando-os com santos católicos que guardavam semelhanças com os deuses africanos, seja nas características, seja na iconografia. Nessas festas eles incorporavam os Orixás, mas com o tempo passaram a incorporar os espíritos de seus ancestrais (Pretos-Velhos, antigos "Pais e Mães de Senzala", escravos mais velhos e conselheiros conhecedores das antigas artes religiosas africanas), que vinham para trazer ajuda espiritual e alívio aos que estavam no cativeiro. Apesar da resistência de alguns, que consideravam os Pretos-Velhos como Eguns (espírito de mortos não cultuados no candomblé por serem considerados perigosos), outros começaram a admirá-los e a devotar-se ao trabalho com eles como seus guias.

No período da Lei Áurea, apareceram as primeiras tendas, posteriormente terreiros, onde os Preto-Velhos podiam se manifestar. Em alguns Candomblés começaram a incorporar também Caboclos (índios brasileiros como Pajés e Caciques), que são a origem do Candomblé de Caboclo (norte e nordeste do Brasil). Os primeiros registros da incorporação de guias no Candomblé de Caboclo são de 1865, quando surgiram entidades como Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros, Crianças e Pretos-velhos. Desde aquela época, quando estes guias chegavam em centros espíritas, eram expulsos, por serem consideraodos espíritos involuídos ou obsessores.

No século XX, surgiu o termo “Umbanda”, referindo-se a um novo culto, uma mescla de cristianismo, espiritismo e africanismo. Mas a mais antiga referência registrada ao termo é de Heli Chaterlain, em Contos Populares de Angola (1889), onde aparece a palavra Umbanda como significando: curador, magia que cura, sinônimo de Kimbanda.

Contudo, há correntes mais “esotéricas” na Umbanda que elaboraram explicações sofisticadas e por vezes improváveis para o termo. Uma delas diz que a origem do vocábulo Umbanda viria da raiz sânscrita Aum (o mantra Om) que significa a sílaba sagrada (a trindade em um), com a palavra sânscrita Bandha, que significa laço, ligadura, sujeição, escravidão (a vida nesta terra). Assim, Umbanda seria a junção de Aum e Bandha (o elo de ligação entre os planos divino e terreno), depois de sofrer modificação fonética. Uma explicação elaborada, mas pouco provável.

A versão popularmente mais aceita sobre a origem da Umbanda, embora não possua documentação da época para corroborá-la, é a que a afirma ter sido a mesma trazida a lume pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, de apenas 17 anos. No dia 15 de novembro de 1908, estando doente, foi levado à Federação Espírita de Niterói, onde manifestaram-se em Zélio guias que diziam ser de índio e escravo. O dirigente da Mesa pediu que se retirassem, por acreditar serem espíritos atrasados. Em contraposição, os guias deram seus nomes (Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio) e, não sendo aceitos no espiritismo, resolveram iniciar um novo culto, mais baseado na liberdade e igualdade, onde qualquer espírito pudesse trabalhar pelo bem dos homens.

No dia seguinte (16 de novembro), os guias começaram a atender os necessitados na residência de Zélio, de modo que logo fundaram a Tenda espírita Nossa Senhora da Piedade. A nova religião, sem preconceitos, foi chamada num primeiro momento de Alabanda, mudando depois para Umbanda.

É importante frisar que não existe uma fonte única que reflita a origem da Umbanda. Há várias vertentes. Somente na década de 1970 é que a versão que atribui a Zélio Fernandino de Moraes a função de anunciador da Umbanda atraves do Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a ser aceita, facilitando que ela pudesse ser institucionalizada como religião. Porém, o trabalho dos guias parece ser bem anterior a Zélio.

“Umbandas”?

Zélio foi o precursor do culto umbandista voltado à caridade conhecido hoje em dia, uma forma originalmente simples de culto, mas que foi aos poucos abrindo-se à assimilação de formas já existentes vindas do Candomblé (cultos Nagôs e Bantos, que deram origem à Umbanda Omoloko, Umbanda de pretos-velhos), do Espiritismo (Umbanda Branca), da Pajelança (Umbanda de Caboclo) e mesmo do Esoterismo de autores como Papus - Cabala e Magismo, Helena Blavatsky – Teosofia e Saint-Yves d´Alveydre (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Estas mesclas continuam ocorrendo, incorporando elementos do xamanismo norte-americano, do budismo, hinduísmo e de técnicas de cura recentes, como Reiki e outras. Deduz-se, então, que a Umbanda tem duas características importantes que devem ser consideradas em qualquer estudo crítico:

1 – É uma religião em formação. Suas bases doutrinárias e seus ritos ainda estão na fase de desenvolvimento. A Umbanda recém tem cem anos. À medida que for se expandindo para outros países, será influenciada por diversos cultos religiosos.

2 – É uma religião “universalista”, pois adere a elementos ritualísticos e filosóficos de várias outras religiões, sejam as clássicas, as localizadas ou as mais recentes.

Exatamente por causa do processo de recente de formação, da liberdade que o rege e da tendência universalista desta que é a única religião brasileira, atualmente há vários cultos com o nome de "Umbanda". Alguns estão mais próximos da raiz original, enquanto outros absorveram características de outras religiões, mas mantendo a essência original de caridade, humildade, respeito e fé.

Eis algumas dessas ramificações que chamamos de “umbandas”: Umbanda Popular (praticada antes de Zélio e conhecida como Macumba ou Candomblé de Caboclo, baseada num forte sincretismo - Santos associados a Orixás); Umbanda tradicional (a proposta pelos guias de Zélio Fernandino de Moraes); Umbanda Branca ou de Mesa (em grande parte, sem elementos africanos, nem trabalho com exus e pomba-giras, preferindo o trabalho com caboclos, pretos-velhos e crianças, além do uso de livros espíritas como doutrina); Umbanda Omolokô (trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto, um misto de culto aos Orixás e trabalho com Guias); Umbanda Traçada, Cruzada ou Umbandomblé (onde o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o Candomblé – ou o Culto de Nação ou Batuque, no RS – em sessões diferenciadas); Umbanda Esotérica (segmento que intitula a Umbanda como Aumbhandan, "conjunto de leis divinas"); Umbanda Iniciática (derivada da Umbanda Esotérica através de Rivas Neto, busca alcançar o Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese, com influência Oriental e uso do sânscrito e mantras indianos); Umbanda de Caboclo (influenciada pela cultura indígena, trabalha com guias conhecidos como "Caboclos").

Uma literatura recente, mas em expansão

A literatura umbandista é diversa em conteúdo e profundidade, tão divergente quanto as ramificações apresentadas acima. Há livros umbandistas a partir da década de 1930, mas a literatura mais elaborada e útil é relativamente recente (mais ou menos desde 1960), sendo a maior parte voltada para os aspectos exteriores da religião. Recentemente, entretanto, tem se intensificado uma parte racional da religião, procurando desenvolver uma filosofia e mesmo uma “teologia umbandista” de consenso.

Entre as obras clássicas da umbanda, temos: Manual dos Chefes de Terreiros e Médiuns de Umbanda (José Antônio Barbosa, 1960 – São Paulo); Evangelho de Umbanda (Academia Eclética Espiritualista Universal, 1960); A Cartilha da Umbanda (Cândido Emanuel Félix, 1972 – Ed. ECO); Os Orixás e a Lei da Umbanda (Byron Tôrres de Freitas e Wladimir Cardoso de Freitas, 1986); obras de João Edson Orphanake (mais de 20, entre elas “Conheça a Umbanda”, “A Umbanda às suas ordens” e “Preces para todos os momentos”); obras de F. Rivas Neto (entre elas, “Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica” e “Lições Básicas de Umbanda”).

Entre os autores atuais, temos: Rubens Saraceni (um dos mais divulgados, com dezenas de livros publicados); W. W. da Matta e Silva (já falecido, autor de nove livros sobre princípios filosóficos, metafísicos e proposição de uma base ritualística); Robson Pinheiro (autor de romances psicografados como "Aruanda", "Tambores de Angola" e "Legião"); Silvio da Costa Mattos (autor dos romances umbandistas "O Arraial dos Penitentes" e "A Trajetória de Um Guardião Viking").

Quem são os Guias?

“Guias” são os espíritos (também chamados de “entidades”) que trabalham nas diversas ramificações da Umbanda. O termo também é usado entre os adeptos do Channelling (Canalização), embora com algumas diferenças. Essas entidades “incorporam” nos médiuns de umbanda para realizar seu trabalho (caridade, cura, orientação, trabalhos de contra-magia, etc.).

Na Umbanda, ao contrário do Candomblé, não se incorporam os Orixás, mas sim suas “emanações”, que se manifestam em “linhas”, embora sejam espíritos de desencarnados e até de elementais, segundo alguns. Tanto que no Candomblé o médium fica “ocupado”, enquanto que na umbanda fica “incorporado”.

Há várias “falanges” de guias, grupos que possuem as mesmas características e as mesmas roupagens. As principais são: Pretos-Velhos, Caboclos, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Sereinhas, Exus/Pombas-Giras, Baianos, Ciganos, Orientais, Mineiros, Cangaceiros, etc.

Na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, originado do antigo Candomblé dos escravos, continua apenas por uma questão de tradição, pois agora os cultos afro-brasileiros já não são tão estranhos e desconhecidos, e nem tão perseguidos e combatidos como no passado. Fora o preconceito ignorante de grupos religiosos fanáticos que exigem para si a primazia da verdade única, as coisas hoje são bem mais amenas.

Os fundamentos

Os fundamentos da Umbanda variam bastante de casa para casa, mas alguns deles podem ser considerados ponto pacífico: a existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo (Olorum ou Zambi, nome iorubano e bantu da deidade máxima); uma ética baseada na fraternidade, caridade e respeito ao próximo; o culto aos Orixás como manifestações divinas; a manifestação dos Guias em seus médiuns ou "cavalos"; o mediunismo como forma de contato com o mundo espiritual, manifestado de diferentes formas; uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual particular a cada caso, que direciona os trabalhos de cada terreiro; a crença na imortalidade da alma; a crença na reencarnação e no carma.

A Umbanda crê num Deus único e superior, que em sua benevolência e força emana de si e através dos Orixás e dos Guias seu infinito amor, para auxiliar os homens.

Na Umbanda os Orixás são energias, forças da natureza presentes em todos os lugares, subdivisões da unidade perfeita de Deus, influenciando as pessoas e irradiando energias que mantém o equilíbrio natural dos elementos no universo. Estas energias teriam a missão de organizar grupos de espíritos em progresso espiritual para auxiliar a humanidade e, assim, permitir que estes próprios espíritos se elevem na hierarquia universal. Estes espíritos, os Guias, embora não sejam perfeitos, estão sob a tutela dos Orixás. Na verdade, todos nós estaríamos, pois cada pessoa é regida por um Orixá, de modo que qualquer um, após a morte, poderá se converter em um Guia, se tiver condições espirituais para isso. Neste caso, não se manifestará com o nome que tinha em vida, como ocorre no Espiritismo, mas com um nome de linha (Ogum Beira-mar, Xangô Caô, etc.).

O culto umbandista

A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, onde se realizam as sessões ou “giras”. O chefe do culto no Centro é o Sacerdote ou Sacerdotisa (também Babá, Cacique, Zelador, Dirigente, Diretor(a) de culto, Mestre(a), etc.), geralmente um médium mais experiente e com maior conhecimento, por vezes, o fundador do terreiro. É um grande equívoco aplicar-se ao sacerdote de Umbanda os termos “pai-de-santo” ou “mãe-de-santo”, pois estes são oriundos do Candomblé, que é uma religião bem diferente da Umbanda.

Além do sacerdote, uma gira geralmente possui várias classes de médiuns que manifestam os Guias, os atabaqueiros ou tamboreiros que são responsáveis pela harmonia da gira, os Corimbas que comandam os cânticos e os cambones que são encarregados de atender as entidades, suprindo-as de tudo o que necessitem para a realização dos trabalhos.

Polêmicas

Entre as diversas polêmicas envolvendo a Umbanda, a maioria delas puro preconceito religioso, fanatismo e ignorância, há três que requerem atenção especial.

A primeira polêmica se refere ao sacrifício ritual de animais. Há várias ramificações na Umbanda, entretanto na umbanda legítima não se usa sacrificar animais. Esta prática está ligada a algumas linhas que ainda cultuam junto com a umbanda alguns rituais de religiões afro-brasileiras (Candomblé, Batuque, etc.). A umbanda que sacrifica animais é chamada “traçada” ou “cruzada”, e é um misto da umbanda original com cultos afro-brasileiros. Não pode, portanto, ser considerada “a umbanda”, que está mais próxima do Espiritismo que do Candomblé quanto ao uso de animais em rituais. Nós mesmos conhecemos vários umbandistas que não admitem sacrifícios ritualísticos de animais em hipótese alguma.

A segunda polêmica tem a ver com o uso de bebidas alcoólicas durante as giras de umbanda. Na verdade, há três tipos de terreiros no tocante ao uso de bebidas alcoólicas: aqueles nos quais as entidades não usam bebidas nunca; aqueles nos quais as entidades bebem normalmente durante os trabalhos; aqueles que usam bebidas em situações mais veladas e de modo bem rigoroso. O problema do uso do álcool nas giras é que as pessoas não conseguem fazer uso moderado de bebidas no seu dia-a-dia, quanto mais em situações de trabalho espiritual. Por isso, o ideal realmente é o uso moderado e assistido dos fluidos do álcool pelas entidades quando se manifestam. Assim, se evita que médiuns predispostos ao vício atraiam, ao invés de espíritos de luz, espíritos de viciados que já morreram.

A terceira polêmica envolve o fumo. Assim como o álcool, há terreiros que o utilizam e outros que nunca o utilizaram. Álcool e fumo geram fluidos que são utilizados pelos guias em seus passes e trabalhos de magia branca, mas estes elementos podem perfeitamente ser substituídos sem prejuízo aos trabalhos, da mesma forma que os sacrifícios de animais são dispensáveis.

Uma religião preparada para o futuro

A Umbanda prega a paz e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeita todas as manifestações de fé, independentes da religião. Por causa de suas raízes plurais, a Umbanda tem um caráter pluralista, aceitando a diversidade e valorizando sem conflitos maiores a diferença. Não há dogmas ou sequer uma liturgia universalmente adotada por todos os praticantes, permitindo mais liberdade de manifestação da crença e diversas formas de culto.

Estas características fazem da Umbanda uma religião tão ou mais preparada que muitas outras para os desafios do terceiro milênio, que exigirá dos cultos, para que sobrevivam, muita abertura, abandono de dogmas caducos e relacionamento pacífico com outras visões espirituais de mundo. Como a religião é nova, com seus cem anos recém feitos, é natural que seu desenrolar ainda pareça um tanto caótico e muito diversificado. Mas em algumas décadas isso deve se firmar em definitivo, à medida que certas formas esdrúxulas ou menos populares forem caindo no esquecimento ou sendo preteridas.

A tendência da Umbanda é se aproximar cada vez mais de uma visão ampla e universalista, sem esquecer suas bases e origens. Num mundo globalizado e com crescente influência da Internet, o acesso a novas formas de religião provavelmente afetará o desenrolar das “giras” pelo Brasil afora. Na verdade, elas já ocorrem fora do Brasil, e isso acarretará ainda mais influências. Por ser uma religião aberta e sem dirigentes máximos, esse caminho será percorrido sem limitações. Daqui a mais cem anos, provavelmente a Umbanda como a conhecemos hoje não existirá mais, e terá sido substituída por uma forma muito mais firme de culto, ainda que conserve as mesmas bases.

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